quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
LCD Soundsystem | Live Alone
quarta-feira, 14 de julho de 2010
Optimus Alive!10
Até há bem pouco tempo a edição de 2010 do festival OptimusAlive! não passava de uma mera miragem. Primeiro foi uma surpresa os passes de três dias e os bilhetes para o dia 10 terem esgotado. Depois, o meu principal interesse no festival deste ano passava pelo concerto dos norte-americanos LCD Soundsystem, actuação que estava marcada para o lotado dia 10. É evidente que haviam outros nomes sonantes e outros dias de enorme interesse, mas se não podia fazer o pleno (além dos bilhetes esgotados, quinta e sexta-feira foram dias marcados por formação de formadores), então teria que ir no dia de LCD Soundsystem. Como consegui o tão desejado ingresso? Ora bem, imaginem que têm uma colega de trabalho que compra o bilhete para dia 10, mas depois decide ir de férias nessa mesma semana. Portanto, enquanto a colega estava em Punta Cana a apanhar banhos de sol, eu enfrentava rajadas de vento e pó no passeio marítimo de Algés. Não é um máximo?
Então, o dia começou ao som do estupendo indie rock dos norte-americanos Girls. «Album», debut editado em 2009, continua a encantar e a rodar com frequência no auto-rádio. Como se não bastasse, a música desta dupla de San Francisco revela-se estival e propicia para o tremendo calor que se fazia sentir no recinto do OptimusAlive!. Christopher Owens, vocalista e letrista da banda, surgiu com um porte mais limpinho que o habitual e mais adequado a festejos The Drums e/ou Vampire Weekend. Porém, a banda provou que o hype gerando em 2009 não é fruto de mero acaso, mas sim de excelentes canções como «Laura», «Hellhole Ratrace», «Lust For Life» e «Morning Light». Momentos que abrilhantaram o início do meu dia OptimusAlive! de 2010. Dia que avançou ao som dos velhos amigos Gomez. Estive pouco tempo junto ao palco Optimus, é certo, mas esse pouco tempo serviu para recordar o melhor que o indie rock, com tempero folk, britânico nos ofereceu no final dos anos 90. Há muito que não sigo, de uma forma atenta, os passos dos Gomez. Mas «Bring It On», «Liquid Skin» e «Machismo EP» obrigaram-me a passar pelo palco principal para ver e ouvir um pouco da música que tanta mossa fez há cerca de dez/onze anos.
Rumámos, uma vez mais, ao palco Super Bock e às primeiras manifestações electrónicas do dia, com os Miike Snow. Conhecia (e conheço) muito pouco desta banda sueca. Os singles «Animal», «Black And Blue», «Silvia» e «The Rabbit» são excelentes cartões de visita, mas nada que me fizesse correr atrás do respectivo álbum de estreia. Porém, a contagiante prestação da banda alterou esse sentimento. Electrónicas extremamente atraentes que encontram na música de uns Passion Pit, Midnight Juggernauts e Friendly Fires o segredo do seu magnetismo. Note-se que o concerto foi perdendo algum do seu fulgor inicial, mas «Animal» chegou a tempo para recuperar o espírito festivo e fechar com chave de ouro uma empolgante performance dos Miike Snow. Depois, o programa previa a subida ao palco dos londrinos The Big Pink e do seu shoegaze. «A Brief History Of Love» é, para mim, um dos discos mais sobreavaliados de 2009 (tal como aconteceu com o homónimo álbum de estreia dos escoceses Glasvegas, no ano de 2008). Discos que recuperam os ambientes rock alternativo que fizeram história em finais dos anos 80, mas que se revelam inconsequentes e sem chama. Razão pela qual decidi descansar um pouco e preparar-me para o furacão Peaches.
Pois é, a canadiana Peaches foi a grande vencedora da noite do passado dia 10. Actuação empolgante e uma atitude dominadora e extremamente provocante que, já sendo habitual nos concertos da entertainer, incendiaram as hostes. Um espectáculo avassalador, ao qual não escaparam os singles de maior sucesso da cantora, como disso são exemplo «Lose You», «Shake Yer Dix», «Talk To Me», «I Feel Cream» e «Fuck The Pain Away». Porém, a surpresa surgiu quando, ao som de «Show Stopper», Peaches se aventurou a andar sobre o público presente. «Jesus walks on water, Peaches walks on you» foram as palavras proferidas e o rastilho perfeito para a loucura total. Irreverência q.b. e uma mão cheia de excelentes canções pop que marcaram o melhor concerto da noite.
Terminada a performance de Peaches sigo para o palco principal já ao som de «Release», tema que abriu o concerto dos Pearl Jam. Seguiram-se «Elderly Woman Behind The Counter In A Small Town», «Animal», «Given To Fly», «In Hiding», «Unthought Known», «Nothingman», «Daughter», «Even Flow» e Simian Mobile Disco. Porque saí a meio do concerto dos Pearl Jam? Simplesmente porque estava a ser só mais um concerto dos Pearl Jam. Sucesso atrás de sucesso, muitos «obrigados» pelo meio, Eddie Vedder a ler uma carta em Português, mas tudo a acontecer em piloto automático. Senti que estava a faltar alma à actuação da banda e daí até à animação do palco Super Bock foi um saltinho. «I’m a hustler baby»… Meia hora depois regressámos ao palco principal, onde a prestação sem sal dos Pearl Jam continuava: «Better Man», «Smile», «Once», «Alive» e «Yellow Ledbetter» fecharam mais um concerto dos Pearl Jam em Portugal. Com isso, mais de metade dos presentes chispou em busca de um descanso e eu corri em busca de um lugar privilegiado para ver James Murphy e os seus LCD Soundsystem. Foi mais uma excelente prestação da banda de New York, mas que pecou por ser curta. Como é possível um concerto de encerramento de um festival ficar-se pelos 50 e poucos minutos? O alinhamento foi perfeito e a prestação da banda também, mas soube a tão pouco.
Peaches
segunda-feira, 19 de abril de 2010
LCD Soundsystem | Drunk Girls
Já todos devem estar ao corrente das novidades LCD Soundsystem. «This Is Happening», o novo álbum, sai a 17 de Maio, mas já está disponível para audição aqui. «Drunk Girls» é o single de apresentação e o vídeo já dá que falar. Quanto ao terceiro e, ao que anunciam, último trabalho da banda de James Murphy, está perfeito.sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
LCD Soundsystem | New York, I Love You But You're Bringing Me Down
Há já algum tempo que não tinhamos notícias dos LCD Soundsystem. James Murphy, o mentor do projecto, revelou recentemente que se encontra a escrever temas para o sucessor de «Sound Of Silver» (2007). No entanto, o mais recente vídeo da banda é «New York, I Love You But You're Bringing Me Down», a faixa que encerra «Sound Of Silver». O vídeo é realizado por Simon Owens.domingo, 8 de julho de 2007
Rescaldo do Super Bock Super Rock 2007
A 13.ª edição do festival Super Bock Super Rock chegou ao fim. Após 4 dias repletos de energia, suor, sumo de cevada, cansaço e boa música o rescaldo é mais que positivo.Houve regressos aguardados, reencontros já impensáveis, estreias desejadas e outras canceladas. Metallica, Arcade Fire, LCD Soundsystem e Underworld tinham a responsabilidade de fechar as 4 noites SBSR. Contudo, podemos afirmar que nem tudo passou pelos «fechos»…
Como tudo na vida, há que fazer escolhas. A preferência do dia 28 de Junho (dia inaugural do festival e o mais pesado) foi ver os veteranos Metallica. Numa altura em que o rock evidencia facetas mais flexíveis e, mesmo, plásticas, confesso ter passado por uma pequena sensação de afastamento em relação a todo o ambiente envolvente à causa do 1.º dia SBSR. Todavia, não posso deixar de felicitar os músicos e fãs que aqueceram e entusiasmaram a maior multidão da edição 2007 do SBSR. Temas como «For Whom The Bell Tolls», «Ride The Lightning», «The Unforgiven», «The Memory Remains», «Fade To Black», «Master Of Puppets» e os inevitáveis «Nothing Else Matters», «One» e «Enter Sandman» satisfizeram os milhares de fãs que acorreram ao chamamento de James Hetfield e companhia.As escolhas da 2.ª noite SBSR passavam pelos Klaxons, Bloc Party e Arcade Fire. A caminho do recinto ouve-se, via Antena3, o espectáculo apresentado pelos conimbricenses Bunnyranch (se fosse hoje teria feito um esforço adicional para assistir à força demonstrada através do éter do serviço público radiofónico). Já em frente ao palco presencia-se o concerto mais que visto dos The Gift (parece que o interesse em ver a banda de Alcobaça passa pela possibilidade de ver Sónia Tavares a igualar a extravagância da islandesa Björk no guarda roupa a utilizar). Cenário que se alterou com os britânicos Klaxons. Para gáudio do público temas como «Golden Skans», «Magik», «Atlantis To Interzone», «It’s Not Over Yet», «2 Receivers» e «Four Horsemen Of 2012» não faltaram. Apesar do ambiente ter aquecido significativamente e de terem cumprido a missão, julgo que certos maneirismos rock teriam sido perfeitamente evitados! Com os The Magic Numbers o ambiente volta a arrefecer. Claramente fora de jogo neste festival, coube à banda hippie a difícil tarefa de passar o testemunho dos Klaxons para os Bloc Party. Não tendo conseguido igualar a festa que se verificou no Coliseu de Lisboa há cerca de um mês, Kele Okereke e amigos de bairro mostraram mais uma vez que têm força e boas músicas. Porém, as melhores composições para serem tocadas e vividas ao vivo têm todas o selo de «Silent Alarm». Registe-se o aceso final com «Pioneers» e «Helicopter». C
hega a vez dos tão aguardados Arcade Fire. Vistos, por uma grande parte do público, como os verdadeiros «cabeças de cartaz» da edição 13 do SBSR, esta linhagem canadiana não deixou os seus créditos em mãos alheias. Num cenário clerical, com o órgão de tubos a não faltar, a actuação dos Arcade Fire pautou-se pela paixão e dedicação à música. Excelentes composições, desde «Black Mirror» a abrir as hostilidades a «No Cars Go», passando por «Intervention», «Ocean Of Noise», a mais velhinha «Headlights Look Like Diamonds» (com a chuva fazer bluff) e abençoando todos os presentes com a sequência magnífica de «Neighbourhood # 1 (Tunnels)», «Neighbouthood # 3 (Power Out)”, «Rebellion (Lies)» e «Wake Up», já em encore. Celebrou-se a música e quem ganhou mais foi o público… Bem haja aos Arcade Fire.
Na noite dos LCD Soundsystem surgiu a pior notícia deste festival. De acordo com a imprensa, por motivos de doença de um dos elementos dos norte-americanos The Rapture, a actuação da banda foi cancelada. Descansa-se mais uma hora, pois os estamos a meio do festival e ainda se esperam grandes momentos. Mundo Cão e Linda Martini ouvem-se através da Antena3. Destaque para os Linda Martini que demonstrar pontencial para uma solidificada carreira no panorama indie rock português. Saltamos para o outro lado do atlântico e é-nos apresentada a bizarria dos Clap Your Hands Say Yeah. Com 2 álbuns na bagagem, o homónimo e «Some Loud Thunder», estes norte-americanos (embora a simpatia e o apoio obtidos junto de várias comunidades indie) não cativaram o público presente. Apesar das boas composições, cansaram um pouco e a afinação alternativa de Alec Ounswort encarregou-se do resto. No fim ou se ama ou se odeia. Já ao início da noite, os Maxïmo Park deram bem conta do recado e tanto «A Certain Trigger» como «Our Earthly Pleasures» foram festejados. Bons temas pop rock a fazer lembrar a leveza à The Smiths. Paul Smith (o vocalista) não desiludiu e cativou a audiência a cantar e dançar ao ritmo de «Apply Some Preasure», «Our Velocity», «Limassol», «Graffiti», «Going Missing», «The Coast Is Always Changing», «Books From Boxes», «Girls Who Play Guitars», «By The Monument» ou «Parisian Skies». Chegamos aos The Jesus And Mary Chain e apesar de identificarmos muitos seguidores e admiradores acérrimos da banda escocesa, parece existir algum desconforto e falta de empatia entre a banda. Ambiente que trespassa para o exterior e resulta numa actuação morna, ou seja, competente mas com alguma falta de garra. Todavia, tudo muda com James Murphy em palco. LCD Soundsystem is
playing at our house! A agitação era grande entre o público. Uma das bandas mais excitantes da actualidade estava prestes a subir ao palco para apresentar 2 dos álbuns mais celebrados dos últimos anos («LCD Soundsystem» e «Sound Of Silver»). James Murphy revela em palco toda a sua preocupação/obsessão na busca do som perfeito, no colmatar do pequeno erro que não pode acontecer. A propósito, o som esteve excelente, o público excelente esteve, a música é boa por excelência e o SBSR de 2007 ganhou mais uma aposta ao trazer estes norte-americanos a Portugal. Da irrepreensível setlist apresentada, destaque para «Us Vs. Them» a abrir; «Daft Punk Is Playing At My House» a seguir-se e a captar a atenção de tudo e todos; «North American Scum» a inflamar as hostes; «All My Friends» a confirmar a vertente mais melodiosa da banda, «Tribulations» e «Yeah» a obrigar o público a saltar e «New York I Love You, But You’re Bringing Me Down» a funcionar melhor ao vivo que em disco. Grande Concerto!
Com o fim à vista, o cansaço adensa-se e… há que fazer escolhas. Os contagiantes X-Wife têm direito à transmissão via Antena3 (e ainda bem). Os Gossip dão conta do recado e Beth Ditto canta e encanta. Com um carisma à flor da pele, Ditto não hesita em reproduzir os Wham em «Careless Whisper» ou a homenagear Aaliyah em «Are You That Somebody». Porém, todos esperavam ansiosos por «Standing In The Way Of Control», hino máximo à emancipação e independência pessoal. Seguiram-se os TV On The Radio e a luz do dia causa a sua primeira vítima, «boicotando» a actuação da banda. Os dois álbuns que compõem a discografia destes norte-americanos são excelentes; os temas são óptimos e estimulantes; a atitude indie rock está lá, mas a vertente noctívaga não se adaptou ao sol do final de tarde. Ficamos à aguardar um futuro regresso para rectificar a estreia em solo português. Finda a transmissão televisiva via rádio as «irmãs tesouras» ocuparam-se de incendiar o recinto do SBSR. Com uma atitude festiva e bastante alegre os nova-iorquinos Scissor Sisters conseguiram captar a atenção de rockeiros e indies, pondo toda a gente a dançar e a cantarolar temas como «Take Your Mama» a abrir, «Laura», «Comfortably Numb», «She’s My Man», «I Don’t Feel Like Dancing», «Tits On The Radio» e «Filthy Gorgeous» a fechar o teatro gay. Continuando em Nova Iorque, os Interpol estrearam-se (e já confirmaram nova passagem por palcos nacionais a 7 de Novembro no Coliseu de Lisboa) da melhor forma. Com o público ainda entusiasmado com a presta
ção dos vizinhos Scissor Sisters, Paul Banks e colegas conseguiram dar seguimento ao ambiente de empatia entre banda e público, arrancando uma excelente actuação. Com uma setlist que não esqueceu nenhum dos poucos singles da ainda curta carreira discográfica dos Interpol, houve espaço para alguns temas do novo «Our Love To Admire», a ser editar no dia 9 de Julho. O som esteve bom, o público mostrou-se apaixonado, a entrega foi total e quase ninguém deu conta do valente trambolhão do guitarrista Daniel Kessler durante «Obstacle 1». Temas como «PDA», «Slow Hands», «Evil», «Say Hello To The Angels», «Not Even Jail», «Obstacle 1», «C’mere», «Stellar Was A Diver And She Was Always Down» e o novíssimo «The Heinrich Maneuver» não defraudaram as expectativas de ninguém. Seja o regresso tão bom como a estreia e o culto por estes norte-americanos está garantido. Por fim, e já em fase de descompressão e dos necessários alongamentos, os Underworld tentaram animar o fecho do SBSR. Apesar do recinto ter ficado reduzido a metade após a saída de palco dos Interpol, a banda britânica cumpriu a tarefa, deixando para o final os tão desejados hits «Born Slippy» e «Jumbo».
Que venha a edição 14 e o nível das bandas a figurar no cartaz se mantenha.
Para o ano há mais…
Bem haja à organização.

