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quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Bonito, mas...

«Valtari», o trabalho de 2012 dos islandeses Sigur Rós, é uma das pequenas desilusões do ano. A banda continua a compor excelentes temas imagéticos, mas a fórmula começa a revelar sinais de cansaço. Se nos últimos álbuns de originais os Sigur Rós optaram por abraçar a pop (aquando de «Takk…») e apostar noutras cadências, como é exemplo o tribalismo com génese Animal Collective (pela altura de «Með Suð Í Eyrum Við Spilum Endalaust»), «Valtari» parece agora regressar ao passado e ao período de «( )», mas sem a intensidade que tanto marcou o disco de 2002 (excepção feita para «Varúð»). Atenção: as novas composições são excelentes e o disco cumpre. Contudo, fica a sensação de que não passa dos requisitos mínimos. Isto por que o percurso agora percorrido em «Valtari» já foi desbravado pelos próprios Sigur Rós há dez anos. Assim, apesar das luminosas paisagens sonoras, «Valtari» esgota-se na sua própria contemplação. Belíssimas canções que acabam por não adicionar nada de novo ao já extenso e singular universo Sigur Rós.

sábado, 2 de janeiro de 2010

Venham mais dez...

Há dias alguém me perguntava pelo balanço da década 00. Confesso que sempre senti algumas dificuldades em elaborar as habituais listas de final de ano. No entanto, acabo sempre por chegar a um veredicto final baseado na quantidade de vezes que ouvi cada álbum e na forma como cada um me surpreendeu e me continua a surpreender. Foi assim nos últimos três anos (desde que existe este blogue) e é assim que agora chego à decisão final sobre os três discos que mais me marcaram nos últimos dez anos. Mais uma vez, não foi tarefa fácil, razão pela qual os destaco sem qualquer ordem aparente. Porquê? Porque a cada nova audição sinto que é a primeira vez de muitas outras…


...And You Will Know Us By The Trail Of Dead - «Another Morning Stoner» (2002)


Radiohead - «Idioteque» (2000)


Sigur Rós - «Ný Batterí» (2000)

sábado, 15 de novembro de 2008

Sigur IV

A noite de S. Martinho de 2008 ficou marcada por mais uma assinalável actuação dos islandeses Sigur Rós. O meu Curriculum Vitae já registava três concertos destes nossos amigos. Se o primeiro espectáculo (Coliseu dos Recreios: 1 de Março de 2003) ficou, até hoje, «tatuado» como o mais tocante de todos, provavelmente por ter sido o primeiro e, na altura, «Ágætis Byrjun» ainda estar tão fresco, a segunda vez (Coliseu dos Recreios: 21 de Novembro de 2005) acabou por parecer uma brilhante réplica da prestação de 2003. Quanto à clara desilusão que ocorreu a 16 de Julho de 2006 no Pavilhão Atlântico, essa desvaneceu com o concerto da passada noite de 11 de Novembro.
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As expectativas eram moderadas, pois «Með Suð Í Eyrum Við Spilum Endalaust», álbum de 2008, ainda não me convenceu totalmente. No entanto, com um maravilhoso inicio ao som de «Sven-G-Englar» e «Ný Batterí» tudo voltava ao normal. Os Sigur Rós eram novamente insuperáveis, voltavam a fazer história e davam mostras de serem um dos projectos mais inovadores da actualidade. Não mais voltaram a «Ágætis Byrjun». Porém, a banda continuou a irradiar elegância e calor sonoros. Demonstraram que afinal «Með Suð Í Eyrum Við Spilum Endalaust» está repleto de excelentes canções (de «Gobbledigook» a «Inní Mér Syngur Vitleysingur», passando por «Við Spilum Endalaust», «Festival» e «All Alright»). Sonoridades que têm dado que falar, pois além de chegarem a um público mais alargado, abrem novos caminhos para a música dos Sigur Rós. Contudo, os espectadores que marcaram presença na antiga Praça de Touros do Campo Pequeno já eram velhos conhecidos dos Sigur Rós. Razão pela qual «Hoppípolla», «Haffsól», «Sæglópur», «E-Bow» (ou se preferir «( ) #6»), «Glósóli» e «Popplagið» (também conhecida como «( ) #8») foram celebrados até não nos deixarem mais. Reafirmaram o seu apreço pelo público português e o delírio foi mais uma vez sentido. Chamaram ao palco os For A Minor Reflection (conterrâneos dos Sigur Rós que asseguraram uma primeira parte conduzida pelo minimalismo de uns Mogwai e uma épica sonoridade islandesa) para festejarem a liberdade de «Gobbledigook». Não foi o melhor concerto que vi dos Sigur Rós, mas deixou marcas. Estranhei a ausência de «Viðrar Vel Til Loftárása» e senti uma vez mais a falta de «Flugufrelsarinn». O mais engraçado foi ter, finalmente, recebido a edição deluxe de «Með Suð Í Eyrum Við Spilum Endalaust». As imagens fotográficas voltam a estar no centro das atenções, mas a sua música ganhou nova vida depois do concerto de 2008.
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Para terminar deixo, em alta rotação, o novo vídeo da banda islandesa mais famosa da actualidade.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Sigur Rós | Gobbledigook

Ora cá está um vídeo e um tema que poderá surpreender muito «melomaníaco». Refiro-me a «Gobbledigook», o primeiro avanço para «Með Suð Í Eyrum Við Spilum Endalaust» (em inglês: «With A Buzz In Our Ears We Play Endlessly»), o quinto álbum de originais dos islandeses Sigur Rós. A banda pisca o olho ao som dos norte-americanos Animal Collective e o resultado é diferente. O álbum será editado a 23 de Junho.
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sábado, 10 de maio de 2008

Viagens à tasca

Depois da pop world music de Beirut e da folk sedutora de José González, os meus intentos melómanos atiraram-se de corpo e alma às mais recentes esquizofrenias dos irmãos Friedberger, dos The Fiery Furnaces, ao som matricial dos norte-americanos Battles e à recente revisitação dos islandeses Sigur Rós.
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Já aqui tive a oportunidade de salientar que os norte-americanos The Fiery Furnaces são um dos pólos de criatividade pop mais activos da música contemporânea. As criações indie psychedelic experimental pop rock de Matthew e Eleanor Friedberger não encontram barreiras. A cada novo álbum esta louca irmandade revela-se impar (para o bem e para o mal). «Widow City», quinto álbum de originais, sem contar com a compilação de singles e lados-b «EP» (2005), parece um somatório de todas as anteriores experiências discográficas (excluindo o tresmalhado «Rehearsing My Choir»). Contudo, a sonoridade parece agora mais acessível. As abruptas e características mudanças de ritmo e rumo já são menos surpreendentes (não sendo este um factor necessariamente mau). «Widow City» respira o rock dos anos 70 («Duplexes Of The Dead», «Uncle Charlie» e «Navy Nurse»), pisca o olho à pop de 60 («My Egiptian Grammar»), brinca, na óptica do utilizador, com as ferramentas copy + paste, dá de caras com o pink-death-metal dos Death From Above 1979 e com a pop desvairada dos The Go! TeamClear Signal From Cairo») e aproximam-se dos sinfónicos SparksAutomatic Husband» e «Japanese Slippers»). No entanto, alguns dos atalhos percorridos, como é bom exemplo o tema de abertura «The Philadelphia Grand Jury», revelam-se ambiciosos de mais e, por momentos, sentimo-nos completamente perdidos. Os dezasseis temas apresentados em uma hora de música também poderão transmitir algum cansaço ao ouvinte. Mas nada que manche a minha admiração por este duo norte-americano e por «Widow City», que à data nos ofereceu singles como «Ex-Guru», «Navy Nurse» e «Duplexes Of The Dead».
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Mantemos a orbita descontrolada para falar de um dos álbuns mais marcantes de 2007. Os norte-americanos Battles são compostos pelo baterista John Stanier (Helmet e Tomahawk), o guitarrista / teclista Ian Williams (Don Caballero e Storm & Stress), o guitarrista / baixista David Konopka (Lynx) e o vocalista (entre outras coisas) Tyondai Braxton. Quatro elementos que vêem o rock como uma enorme matriz, na qual o elevado número de variáveis electrónicas resulta em exercícios surpreendentes e inesperados. Cada tema apresentado parece um pequeno conto em formato de banda desenhada. «Atlas», o primeiro single de «Mirrored», é prog-rock a seguir caminhos indie. Sete minutos de pura experimentação prog-rock em que a percussão assemelha-se ao ritmo avassalador e disforme de «Beautiful People», do controverso Marilyn Manson, o riff de guitarra é compassado e eficaz e as vocalizações retiradas do imaginário tribal de Avey Tare, dos Animal Collective. «Tonto», segundo single, é um autêntico choque de civilizações: recuperam-se melodias folk, algum exotismo asiático e guitarradas funk que julgávamos possíveis só em John Frusciante (o dos anos 80/90). «Leyendecker» revela-nos a vertente mais fantasiosa dos Battles. «Rainbows», o tema mais longo e mais sónico de «Mirrored», é um verdadeiro caleidoscópio sonoro de ritmos e imagens; tal como «Tij». No entanto e paradoxalmente, ou talvez não, a música é negra e suada. Transpira rock em formato digital e vislumbra qual seria o resultado de vermos Marc Bolan e os seus T.Rex dominados pelas electrónicas do século XXI.
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Chegamos à mais recente edição dos islandeses Sigur Rós, uma das forças indie pop rock mais ouvidas e apreciadas por estas bandas. Foi em 2000, com a edição do fenomenal «Ágætis Byrjun», que os Sigur Rós fizeram história, marcando uma importante passagem da música contemporânea. Às melodias clássicas irrompem turbilhões de som em forma de riffs de guitarra. A canção é, quase sempre, um exercício em crescendo que ganha vida própria. Pressentem-se emoções fortes e o leve ou arfante respirar de cada criação. Não consigo explicar, mas sinto uma qualquer atracção pelos sons vindos do «estúdio piscina» dos Sigur Rós, razão pela qual qualquer edição do colectivo é marcada por alguma ansiedade. Há alguns meses os Sigur Rós editaram o DVD «Heima» (um dos documentários musicais mais interessantes e completos dos últimos tempos e o registo de actuações ao vivo nos locais mais improváveis da Islândia) e o que podemos classificar como um conjunto de dois EP: «Hvarf» e «Heim». Se o primeiro «Hvarf» (desaparecido) junta alguns inéditos (entre os quais o espantoso «I Gær») a duas reinterpretações do álbum de estreia, «Vón» (1997), a segunda trilha sonora, intitulada «Heim» (casa), revela versões acústicas e mais despidas de alguns dos temas mais conhecidos da banda. Não se tratando de um best of, «Hvarf / Heim» acaba por ser uma inteligente compilação de algumas memórias esquecidas e outras revisitações da primeira década de música dos Sigur Rós.

Para terminar em beleza deixo o vídeo de «Viðrar Vel Til Loftárása», uma das obras primas dos Sigur Rós.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

2007 | Viagens à tasca em período de férias II

Regressamos à metrópole e a primeira coisa a fazer é saber onde fica a tasca mais próxima. Genève é uma cidade com requinte, chique, elegante, cheia de portugueses e... com 2 grandes tabernas. Por isso a adaptação foi muito fácil e daí a entregarmo-nos aos vícios foi um pequeno passo.
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Jet d'Eau - Lac Léman (Genève)

A primeira das capelinhas genebrinas visitadas, a mais genuína das tascas, a FNAC, destaca-se por não disponibilizar as promoções de fim de estação, já habituais em Portugal. Porém, e para meu espanto, aqui as novidades discográficas são disponibilizadas por 21,90 CHF, o que na moeda comunitária significa(va) cerca de € 13,50. Assim, por mais que pareça estranho, enquanto em Lisboa o novíssimo álbum dos Wilco se vendia a € 18,95, em Genève (caro leitor, Genève está colocada na 2.ª posição do ranking mundial das cidades com melhor qualidade de vida) podiamos adquirir «Sky Blue Sky» por 21,90 CHF... Como poderá depreender bebeu-se muito durante a segunda metade das férias deste ano.

As expectativas eram grandes: novo mercado discográfico, novos costumes, novas tendências e novos bálsamos para alimentar o vício. A estratégia era simples: encontrar artigos estranhos (para as tascas) portuguesas, tentar explorar um pouco da cultura local e averiguar se compensava “importar” um ou outro disquinho.
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Bem, falemos da música, propriamente dita, pois é essa a razão destes «devaneios». Olhando para a minha «escolaridade» musical, quase que posso afirmar ter completado o 1.º ciclo em Seatle. O grunge corre-me nas veias (para o bem e para o mal) e bandas como os Pearl Jam, Nirvana, Soundgarden, Alice In Chains, Mudhoney, etc., etc., etc. fazem parte da minha «cultura geral» (para não dizer ADN). Aquando do início das férias os The Smashing Pumpkins (SP), ou melhor, Billy Corgan e Jimmy Chamberlin, tinham acabado de editar «Zeitgeist», álbum que em Portugal foi disponibilizado única e exclusivamente na edição standard. Em terras helvéticas a versão especial e limitada em formato livro com um total de 76 páginas aguçou o apetite e não resisti.

A promoção ao álbum anuncia estarmos perante a primeira gravação dos SP em 7 anos. Porém, e olhando para trás, a percepção do fim dos SP e o inicio dos vários projectos de Billy Corgan revela-se um exercício difícil. O facto é que tanto D’Arcy Wretzky, como James Iha são passado e Billy Corgan, depois do flop chamado Zwan e do medíocre álbum a solo, sentiu saudades dos estádios cheios e reabilitou os SP com Jimmy Chamberlin. Jeff Schroeder, Ginger Reyes e Lisa Harriton ocuparam os lugares deixados em aberto e «Zeitgeist» foi o resultado final.

Convém desde já esclarecer que não estamos perante nenhuma obra-prima, ao estilo de «Siamese Dream» ou «Mellon Collie And The Infinite Sadness», mas «Zeitgeist» tem conseguido sobreviver e recolocou os SP nas playlists de todo o mundo. Para trás ficou a pop lagareira de «TheFutureEmbrace» e a proclamada «revolução» em «United States» é um bom exemplo disso mesmo. O som é definitivamente mais rude, as guitarras são mais incisivas e o ambiente é mais austero. «Tarantula», primeiro single e tema já rodado neste «diário», «Doomsday Clock», «7 Shades Of Black» e «United States» revelam-no. Porém, «Bleeding The Orchid», «That’s The Way (My Love Is)» (segundo e actual single), «Neverlost», «For God And Country» e «Pomp And Circumstances» tentam seguir as pisadas de outros exercícios mais polidos na carreira dos SP, mas o resultado fica muito distante dos originais. No fim o resultado acaba por ser positivo, mas paira no ar uma sensação de monotonia. Os temas parecem clones de si mesmos e após 52 minutos de música não temos grande vontade em repetir a dose, obrigando-nos, igualmente, a recuperar os míticos «Siamese Dream» e «Mellon Collie And The Infinite Sadness».

Após a viagem ao passado com os The Smashing Pumpkins, optámos por aprofundar um pouco mais o universo francófono. Descobri a chanson française há relativamente pouco tempo. Desde a edição do soberbo «Quelq’un M’a Dit» de Carla Bruni que me tenho aventurado por «território» gaulês. Além de Carla Bruni o panorama actual da música francesa apresenta muito boas apostas e, nos dias que correm, uma colecção de discos sem a presença de Benjamin Biolay, Arthur H, Emilie Simon, Yann Tiersen, Carla Bruni e Keren Ann pode considerar-se incompleta.
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Keren Ann, de ascendência holandesa e russa, nasceu em Israel e passou grande parte da sua infância na Holanda. Cedo se estabeleceu em Paris, onde deu os primeiros passos nas lides discográficas. Com residência actual em Nova Iorque, esta israelita parece ser sinónimo de multiculturalidade. 2007 marca a edição do homónimo e 5.º álbum a solo de Keren Ann. Para trás ficaram as participações com os amigos Benjamin Biolay e Bardi Johannson. A língua inglesa ganha terreno e a sonoridade praticada por Keren Ann revela-se mais familiar que nunca. Reabilita os Mazzy Star, de Hope Sandoval e David Roback, e convida Leslie Feist, Shivaree, Nick Drake, Cat Power e Serge Gainsbourg para a «festa melancólica».
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«It’s All A Lie» mostra o quanto os Mazzy Star nos têm feito falta. «Lay Your Head Down», primeiro single, junta Feist aos mesmos Mazzy Star e o festim lânguido, com direito a palminhas e tudo, é garantido. «In Your Back» podia perfeitamente enquadrar-se na magnífica banda sonora do «Virgens Suicidas» de Sofia Cappolla. Em «The Harder Ships Of The World» damos de caras com o minimalismo de Cat Power. «It Ain’t No Crime», o tema trash do disco, mantém a influência de Cat Power, mas agora são os devaneios à guitarra que sobressaem. «Where No Endings End» chama ao palco François Hardy e os Shivaree fazem-se convidados. Em «Liberty» Nick Drake parece brincar com a caixinha de música dos islandeses Sigur Rós. «Between the Flatland and the Caspian Sea» abraça «Take A Walk On The Wild Side» de Lou Reed para darmos um passeio por Manhatham e «Caspia» recupera as divagações reggae de Serge Gainsbourg.
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«Keren Ann» pode não ser um disco excepcional, mas prende-nos. Keren Ann detém uma voz suave e viciante, revelando-se perfeita para as narrações melosas que apresenta. Assim, depois da minha estreia marcante com «La Disparition», de 2002, «Keren Ann» surge para aguçar e vincar o culto por esta artista israelita.
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Continuamos a pisar solo folk e os Wilco são chamados ao palco. Depois de muito ler na imprensa especializada (principalmente na excelente UNCUT) sobre o génio de Jeff Tweedy, lá me decidi a explorar um pouco mais as facetas destes norte-americanos. Há quem diga estarmos perante a melhor banda norte-americana, mas há também quem se mostre mais céptico, pois os álbuns deste colectivo têm-se pautado pela instabilidade. A sonoridade contínua num limbo entre os belgas dEUS e o alternative-country de um Bruce Springsteen e/ou Bod Dylan. «Sky Blue Sky» é assim mais um disco regular na já considerável carreira dos Wilco. Não será nenhum «Yankee Hotel Foxtrot» (não encontramos nenhum tema como «Jesus, etc.»), é sim um disco que se situa mais no nível de um «A Ghost Is Born». Porém, foi este mesmo «A Ghost Is Born» que deu aos Wilco o Grammy para melhor álbum alternativo de 2002. Por isso, a veneração irá prosseguir e o génio de Jeff Tweedy continuará a viver, pelo menos nas crónicas da imprensa especializada de todo o mundo. Por aqui vai-se ouvindo temas como «Either Way», «Side With The Seeds», «Impossible Germany», «Please Be Patient With Me», «On and On and On», mas o que se vai cantando é «There’s a Light! / What Light?».
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As últimas escolhas da primeira visita à tasca passaram por EPs, esse precioso formato que me vai enchendo os olhos e os ouvidos, esvaziando-me a conta bancária. Sim, sou viciado em EPs! Esses disquinhos malandros que têm 5/6 músicas daquele artista especial e que só são editados no Japão, ou, saíram numa edição muito especial e limitadíssima. Desta vez a escolha recaiu sobre artigos que dificilmente se encontram em Portugal.
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Despachemos os Sigur Rós. Já tive a oportunidade de aqui transmitir a minha «adoração» por este colectivo islandês. As suas edições discográficas revelam-se sempre autênticas peças de coleccionador, ora pela sua componente musical, ora pela vertente visual. Há pouco mais de duas semanas tinha adquirido «Hoppípolla», desta vez «Ný Batterí» e a edição japonesa de «Sæglópur» foram, igualmente, importados para terras lusas. Pouco há a dizer sobre estas duas edições. Enquanto «Ný Batterí» é composto pelo tema título e um dos expoentes máximos de «Ágætis Byrjun», uma adequada introdução ao mesmo «Ný Batterí» e as duas peças que os Sigur Rós compuseram, com a ajuda de Hilmar Örn Hilmarsson, para a banda sonora de «Angels Of The Universe». Desta forma «Ný Batterí» revela-se imprescindível para o fã incondicional dos Sigur Rós e para quem ainda não conhece as contribuições do colectivo islandês para «Angels Of The Universe» (filme de Fridrik Thor Fridriksson), com os exemplares «Dánarfregnir Og Jar∂arfarir» e «Bíum Bíum Bambaló». A segunda aposta, «Sæglópur (Japan Only Tour EP)», junta os lados-b incluídos na edição europeia (CD + DVD) do mesmo «Sæglópur» e «Hafsól» (tema incluído no já referido EP «Hoppípolla». Por fim ainda se adicionam os vídeos promocionais de «Glósóli» e «Hoppípolla», ambos retirados do último «Takk…». Portanto será uma edição só para os seguidores mais acérrimos.
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Chegamos à última bebida da tarde e a escolha recai sobre uma das mais respeitadas bandas do mundo (a minha «melhor banda do mundo»). Os Radiohead, conotados no início de carreira como mais uns «One Hit Wonders», editaram até à data 3 dos mais aclamados discos dos últimos anos. «The Bends», «OK Computer» e «Kid A» continuam a ser referenciados como obras superiores. O facto é que a carreira destes britânicos parece ter esmorecido nos últimos anos. Além de alguns dos seus elementos terem enveredado por carreiras e projectos paralelos, os dois últimos álbuns já não agradaram a todos. Por estes lados o apoio e acompanhamento têm sido constantes. Por isso o EP de edição limitada «Airbag / How Am I Driving?» foi a cereja em cima do bolo. Thom Yorke e companhia voltam a transmitir toda a electricidade, magnetismo e diversidade de «OK Computer». Porém, e dado que «Airbag / How Am I Driving?» foi editado logo após a edição de «OK Computer», os 6 inéditos apresentados revelam-se autênticos «leftovers» do aclamado disco de 1997. Todavia, Ed O’Brien e Jonny Greenwood voltam a seduzir em «Pearly*». «Meeting In The Aisle», instrumental, revela-se numa das primeiras experiências electrónicas que caracterizaram os posteriores «Kid A» e «Amnesiac». «A Reminder» e «Melatonin» são dois apontamentos pessoais de Thom Yorke. «Polyethylene [Parts 1 & 2]» é o andróide paranóico deste EP e «Palo Alto» mantém acesa a chama rock dos Radiohead. No fim a soma das partes acaba por ser melhor que o resultado final, mas o facto de estarmos perante um EP de edição limitada com 6 labos-b de «OK Computer» dissipam quaisquer descontentamentos que possam existir. No entanto, a inclusão do extraordinário «Talk Show Host» (editado na banda sonora de «Romeo + Juliet» de Baz Luhrmann) poderia representar outra cereja em cima de outro bolo…
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Por fim, e como já vem sendo hábito, deixo «Lay Your Head Down» de Keren Ann como aperitivo.
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segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Viagens à tasca

Caros, antes de mais peço desculpa pelo hiato de 3/4 semanas sem qualquer post, mas quer a Sardenha quer a Suiça chamaram por mim…

Assim, e com toda a azafama motivada pelo início das férias, ou melhor, pelo início da interrupção no trabalho, ficaram valentes bebedeiras (de caixão à cova, como é apanágio na gíria «tasqueira») por relatar.

Há cerca de 3 semanas a vida não corria como esperado, por isso eu confesso: “andava deprimido”! O trabalho era a cada dia que passava mais desgastante, a vida revelava-se amarga, as pessoas desiludiam-nos, etc., etc., etc. Vai daí decide-se afogar todas as mágoas num autêntico «rally às tascas».

Dado o estabelecimento habitual não nos satisfazer a 100%, há que encontrar alternativas. Apesar da oferta escassa (comparativamente a outros mercados) ainda existem algumas opções «úteis». As escolhas (relativamente às mencionadas alternativas) passaram pela já histórica Carbono e pelo El Corte Inglês.

Enquanto na Carbono há a possibilidade de adquirir artigos recentes e menos novos, relevantes e mais dispensáveis, prontos a estrear e em segunda-mão, mas sempre com um selo de qualidade (achamos nós…); no El Corte Inglês a oferta é extremamente variada, com qualidade mas por vezes «inaudita» nos preços.

Comecemos pela Carbono. Os artigos novos passaram pelo EP dos Sigur Rós «Hoppípolla»; os menos novos pelo álbum de 2003 dos canadianos Broken Social Scene, intitulado «You Forgot It In People»; e os artigos mais antigos, mas menos dispensáveis, passaram pela edição especial e limitada de «Definitely Maybe» dos ofuscados (mas não mortos) Oasis.

Enquanto as tão aguardadas novidades discográficas dos islandeses Sigur Rós não nos chegam aos ouvidos, as variadíssimas edições de singles e/ou EP’s revelam-se preciosas (ora pela sua vertente sonora, ora pela sua parte exterior/visual) para aguçar o voraz apetite nórdico. «Hoppípolla» é composto por 3 peças, o tema título e segundo single extraído de «Takk…» e 2 b-sides; e vem empacotado numa cuidada slimcase. O tema que dá nome ao «disquinho» é a terceira peça de «Takk…» e tem como (excelente) vídeo promocional as rebeldias de alguns «adolescentes de terceira idade». Como b-sides encontramos «Með Blóðnasir» que prossegue com o espírito de caixinha de música que é «Hoppípolla» e «Hafsól», a gravação de estúdio da versão tocada ao vivo de «Hafssol» (tema originalmente incluído no álbum de estreia «Von», mas que ao vivo ganha uma roupagem diferente e é reconhecido como a canção em que o baixista Georg “Goggi” Hólm nos impressiona com o ritmo sibilino produzido com o toque de uma baqueta nas cordas da sua guitarra baixo). Indispensável só para os fãs mais acérrimos deste colectivo islandês, «Hoppípolla» acaba por ser mais uma peça de colecção na discografia dos já obrigatórios Sigur Rós.
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«Solicita-se uma nova rodada» e acaba-se por descobrir os Broken Social Scene. Mais uma banda canadiana a ter a aprovação de meio mundo melómano. OK. Eu confesso, conhecia uma ou outra música, mas continuava a aguardar pelo momento certo para me aventurar de corpo e alma à causa «social canadiana». O colectivo, formado em 1999 em Toronto por Kevin Drew e Brendan Canning a quem se juntaram mais tarde Leslie Feist, Evan Cranley, Andrew Whiteman e Justin Peroff, estreou-se em 2001 com «Feel Good Lost». Contudo, só em 2003, com o segundo «You Forgot It In People» (agora em análise) e a incorporação de mais 6 músicos, é que os Broken Social Scene se notabilizaram, angariando o Juno Award de Melhor Disco Alternativo do ano. Musicalmente, os Broken Social Club fazem lembrar um pouco o clã norte-americano Lambchop, tornando-se impossível dissociar o bom resultado final dos inúmeros elementos que constituem esta quase irmandade. A multiplicidade de músicos e instrumentos apresenta uma sonoridade abastada, ora densa ora solarenga, ora transmitindo todo o stress urbano ou ambientes mais bucólicos. Acabam, assim, por serem uma mescla do melhor que há nos Sonic Youth, Pixies, Yo La Tengo, Lambchop, Mogwai, Calla, Tortoise e porque não dos conterrâneos Godspeed You! Black Emperror. Mais um excelente exemplo do melhor que a música indie canadiana tem para oferecer nos dias que correm.

Chegamos a «Definitely Maybe» e o leitor deverá estar a pensar: «mas porque carga de água é que este tipo compra um disco do século passado e em segunda-mão?» Bem, antes de mais «Definitely Maybe» é, provavelmente, o melhor álbum dos manos Gallagher e um dos grandes marcos da Britpop da década de 90. Por fim, capitulei mais uma vez ao vício e não resisti à edição especial e limitada na qual está incluído um disquinho bónus com uma das melhores composições de Noel Gallagher, «Whatever». O tema, o mais «beatlesco» do colectivo até à data, foi editado no natal de 1994 e representou uma ponte perfeita entre o marcante «Definitely Maybe» e o consensual «(What’s The Story) Morning Glory?». Quanto ao álbum, «Definitely Maybe» já era mais que conhecido e se ouvirmos «Stop The Clocks» (a colectânea retrospectiva editada no ano passado) verificamos que é o álbum mais representado com «Rock 'N’ Roll Star», «Slide Away», «Cigarettes & Alcohol», «Live Forever» e «Supersonic». Editado no período «pós Kurt Kobain», a estreia hedonista dos Oasis veio espicaçar o panorama discográfico britânico e revelou-se, há cerca de 3 semanas, uma surpreendente redefinição para os meus ouvidos.