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segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Quebrar o silêncio

De volta aos concertos e aos posts. Em pouco mais de uma semana organizei uma visita ao Musicbox para sentir de perto o noise rock dos norte-americanos No Age e passei pelo Coliseu de Lisboa para o aguardado encontro com os britânicos Foals.

Do concerto dos No Age, marcado para as 2 da manhã - mas com início bem perto das 3 horas, devido ao que me pareceu um inexplicável entusiasmo em torno dos If Lucy Fell -, posso dizer que tudo aconteceu muito tarde. Dean Spunt (baterista e vocalista) e Randy Randall (guitarrista) apresentaram «An Object», o quarto e o mais introspetivo álbum do duo, e portaram-se muito bem. A maior parte do público que enchia o Musicbox saiu a correr com o fim da atuação dos If Lucy Fell (provavelmente saíram todos em direção em Braga para assistir à última prestação da banda). Ficaram poucos, mas a festa fez-se. Ao som de temas como «Teen Creeps», «C’mon, Stimmung», «No Ground» e «Eraser» chegámos bem perto das 4 horas de manhã. Foi um bom concerto, mas os No Age e quem foi ao Musicbox para os ver mereciam melhores horas.

Em relação aos Foals, banda que apresentava em Lisboa «Holy Fire», o concerto só veio reforçar a ideia que temos da sua música. Canções com corpo rock e alma indie que muito deram que falar com a edição de «Antidotes» (2008) e «Total Life Forever» (2010). «Holy Fire», o disco editado este ano, entregou-nos canções mais musculadas (ouçam-se, por exemplo, os singles «Inhaler» e «My Number»), mas nunca perde de vista os momentos mais “atmosféricos” e melodiosos dos britânicos. Em palco notámos todos esses aspetos da música dos Foals, mas algo faltou naquela noite de 29 de outubro. O alinhamento, com acelerações e travagens sucessivas, não foi o melhor e raros foram os momentos em que o público se mostrou realmente entusiasmado (recordo «My Number», «Red Socks Pugie» e, já no encore, «Inhaler»). Momentos mais serenos, com «Last Night», «Prelude» e «Spanish Sahara», também se destacaram, mas enquanto concerto a duração pareceu curta e muitas foram as pontas soltas.

sábado, 29 de janeiro de 2011

No Age | Fever Dreaming


«Fever Dreaming» é o mais recente vídeo dos norte-americanos No Age. Tema extraído de «Everything In Between», o álbum do duo de Los Angeles editado em 2010. O vídeo é realizado por Patrick Daughters.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

2010 | Viagens à tasca em período de férias VIII

Albufeira da Caniçada (Gerês)
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Prosseguindo a minha recente passagem pelo norte de Portugal, decido permanecer nas rua do Porto, mais precisamente na Rua de Santa Catarina, para voltar a citar o duo norte-americano No Age. Recupero a minha descoberta da banda e de «Nouns» (ainda um excelente «souvenir» de Lovaina, Bélgica) para aqui transcrever alguma da história da banda de Los Angeles. «Formados em Dezembro de 2005 por Dean Spunt (bateria e voz) e Randy Randall (guitarra), esta dupla, …, fez furor no seio do movimento indie rock com «Weirdo Rippers», uma colecção de cinco EPs que viu a luz do dia no ano passado», portanto em 2007. Onze canções, seleccionadas de cinco EPs de edição limitada, os quais foram editados por cinco editoras diferentes no dia 26 de Março de 2007. O resultado é uma compilação de trinta e poucos minutos de pura distorção e punk pop and roll. Elementos que são favorecidos pela quimera noisy que tão bons resultados tem alcançado nos trabalhos dos apreciados Deerhunter (ouçam-se, por exemplo, o fantástico tema de abertura «Every Artist Needs A Tragedy», o melodioso «I Wanna Sleep», ou o balsâmico «Sun Spots»). Descortinamos a faceta mais pop and roll dos No Age, com «Every Artist Needs A Tragedy», «My Life’s Alright Without You» e «Neck Escaper», e perguntamos: Por que razão não incluíram todos os temas dos identificados EPs? Nós merecíamo-lo e os No Age também.
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De volta a Braga para notar o excelente regresso de Nick Cave, Warren Ellis, Martyn Casey e Jim Sclavunos. Refiro-me aos Grinderman e ao novíssimo álbum «Grinderman 2». Trabalho que prossegue com a demanda ao rock cavernoso e cru do homónimo disco de estreia (2007). Rock visceral e lúbrico que, por qualquer razão, Nick Cave não encaixa nos seus álbuns com os Bad Seeds e, louvado seja, é enquadrado no universo Grinderman. Um verdadeiro escape que permite a Nick Cave e restantes companheiros de estrada explorar os seus limites e fantasias, seja em termos de cadência sonora ou, mesmo, lírica («Well my baby calls me the Loch Ness Monster / Two great big humps and then I’m gone / But actually I am the Abominable Snowman / I guess that I’ve loved you for too long»). Produto que nasce da experimentação e que nos desperta os sentidos. Se «Evil» é um verdadeiro murro no estômago, «Kitchenette» uma áspera e esquizóide declaração capaz de baralhar qualquer um, «What I Know» um enigmático e perturbador momento e «Palaces Of Montezuma» um sonho em formato canção. Música vivida, composta por homens experientes e magníficos músicos, que mantém intactas a irreverência e espontaneidade da juventude. O certo é que os anos passam e Nick Cave continua a ser sinónimo de qualidade e actualidade e «Grinderman 2» é mais um extraordinário trabalho cravado com o seu nome.
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Continuo em trilhos experimentais, mas recuo a 2004 para documentar histórias dos anos 80. «Calling Out Of Context», do compositor, multi-instrumentista e produtor Arthur Russell (1951-1992), foi editado pela Rough Trade em 2004 e reúne material seleccionado de «Corn» – álbum que em 1985 acabou rejeitado pela sua editora da altura – e um segundo trabalho, nunca editado, gravado entre 1986 e 1990 para a mesma Rough Trade. Quanto ao resultado final, é surpreendente. Pouco conheço da história e da música de Arthur Russell, mas depois de ouvir canções como «You And Me Both», «Calling Out Of Context», «That’s Us/Wild Combination», «Make 1, 2», «Get Around To It» ou «Calling All Kids» atrevo-me a afirmar que a música perdeu em 1992 e precocemente um dos seus maiores visionários contemporâneos. É incrível como o material aqui compilado se encontre na fronteira entre a mera demo/esboço (gravação em quatro pistas) e o potencial single independente capaz de marcar toda uma época estival («You And Me Both» e «Get Around To It» comprovam-no). Composições registadas nos anos 80, mas que soam a presente e futuro. Ainda assim, a história diz que Arthur Russell passou um pouco ao lado de tudo e de todos.
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terça-feira, 30 de setembro de 2008

2008 | Viagens à tasca em período de férias III

Voltemos ao recente período de férias e à Bélgica. A última deslocação inter-cidades teve como destino Lovaina, um autêntico pólo universitário belga que respira juventude e história. Enquanto a chuva não apareceu conheceram-se algumas das principais atracções históricas locais. Porém, às primeiras pingas de chuva avistou-se uma FNAC (o que não deixa de ser uma das atracções locais…).
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Praça Grande de Lovaina

Tal como sucedeu em anos anteriores, quando viajo para um novo país o interesse e a curiosidade de conhecer alguma da música local é estimulado. Além dos dEUS, dos Soulwax, Zita Swoon, K’s Choice e Millionaire, descobri em Lovaina duas novas bandas belgas. Aliás, a verdade é que descobri somente uma, pois os autores de um dos discos que acabaram na bagagem de mão já haviam passado pelo i-pod lá de casa.
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Comecemos pela novidade, que se apresenta em neerlandês. Pelas pesquisas que efectuei na Internet, os Monza surgiram em 2000 e o álbum de estreia - «Van God Los» - data de 2001. «Attica!», o terceiro registo de originais, era um dos discos com maior destaque na secção «Expressão Neerlandesa» da FNAC de Lovaina. A breve audição efectuada na zona de pré-escuta revelou uma banda rock interessada no movimento indie belga (preconizado nos anos noventa pelos dEUS), mas igualmente atenta aos ensinamentos Joy Division de finais da década de setenta e difundidos actualmente por nomes como os Interpol e os Editors. Paralelamente identificam-se, na musicalidade dos Monza, a severidade de uns Nirvana, o indie rock praticado nos anos oitenta pelos R.E.M. e/ou Screaming Trees e a aspereza dos Sonic Youth, mas é o lado mais pop da banda que acaba por colocá-los ao lado dos compatriotas Soulwax. Nada que menospreze a sua música, antes pelo contrário. Todavia, os Monza mostram-se mais impetuosos e os fortes riffs das guitarras de Bruno Fevery e Kris Delacourt só fazem aumentar a exuberância e a urgência da sua música. Nota final para o excelente «Conquistadores» que, não manchando a imagem rock do colectivo, nos dá um notável momento pop capaz de alimentar alguma inveja entre os britânicos Editors e/ou Doves.
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Seguimos à descoberta e deparamo-nos com os Girls In Hawaii. Banda que iniciou a sua actividade, também, em 2000 e que, inevitavelmente, saiu da «movida» indie belga. Os dEUS voltam a ser inventariados e anexados a eles surgem agora os Grandaddy, os The Flaming Lips e os Blonde Redhead. A banda apresenta, assim, uma musicalidade mais pop que os anteriores Monza, revelando um lado etéreo e mais sonhador. Até à data o meu contacto com estes Girls In Hawaii tinha ocorrido em 2006, com o filme «Dans Paris», de Christophe Honoré (o mesmo realizador de «Les Chansons D’Amour»). Na altura, o ritmo hipnotizante de «Flavor» contagiava Anna (personagem interpretada por Joana Preiss) e seduzia-me até ao tutano. Não descansei enquanto não descobri quem tocava e que tema era. «Flavor» é ainda hoje uma das canções mais magnetizantes que ouvi e é, sem dúvida alguma, o melhor tema de «From Here To There» (2003), o debut dos Girls In Hawaii. Nenhum outro tema alcança a excelência de «Flavor», mas também nenhuma canção envergonha banda e temas como «Time To Forgive The Winter», «The Fog», «Casper», «Organeum» e «Bees & Butterflies (Down)» merecem toda a minha atenção. No cômputo geral, «From Here To There» é um álbum mediano e, quiçá, um pouco desequilibrado. Poderá, igualmente, ser encarado como um autêntico álbum de fotografias, nas quais poderemos encontrar umas mais espectaculares que outras, mas recordamos, sempre, momentos afectuosos. Tudo resultado da pop neo-psicadélica que a banda pratica.
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Depois de exploradas as secções belgas e dado o boletim meteorológico não melhorar, segui para os escaparates internacionais e, longe de pensar que estaria perante uma das grandes desilusões de 2008, decidi apostar no novo trabalho das/dos Cansei de Ser Sexy (CSS), a banda brasileira mais internacional da actualidade. Que terá mudado na banda de Lovefoxxx comparativamente à estreia de 2006? Infelizmente nada mudou. A pop despretensiosa e disfarçada em punk rock brasileiro continua a ser a imagem de marca do colectivo. Os sintetizadores dividem o protagonismo com os riffs de guitarra e o baixo de Adriano Cintra aquece o clima. Lovefoxxx mantém os registos descontraídos do debut «CSS», mas as letras e respectivos títulos das canções perderam a graça e o festim low-tech desapareceu. A presença de Kim Deal e das suas The Breeders ainda se faz sentir, mas a preocupação da banda parece ser agora a exposição na MTV, perdendo-se algum do entusiasmo do irreverente «CSS». Todavia, «Donkey» não deixa de ser um álbum competente e as/os Cansei de Ser Sexy uma banda capaz de me levar ao Coliseu dos Recreios no próximo dia 28 de Outubro.
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Chegamos ao derradeiro souvenir de Lovaina e, curiosamente, a uma das grandes surpresas de 2008: «Nouns» do duo No Age. Formados em Dezembro de 2005 por Dean Spunt (bateria e voz) e Randy Randall (guitarra), esta dupla, sedeada em Los Angeles, fez furor no seio do movimento indie rock com «Weirdo Ripper», colecção de cinco EPs que viu a luz do dia no ano passado. O disco provocou alguma ansiedade entre os mais atentos, com bloguers e imprensa especializada à cabeça. «Nouns» foi editado em Maio deste ano e os elogios foram imediatos. Manifestação noisy punk partidária de uma postura experimentalista, na qual o formato canção nunca é esquecido. Nirvana meets The Fiery Furnaces? Sem dúvida! Pixies meets Animal Collective? Também! Mas a música dos No Age é mais que isso. É ruído baseado na harmonia; caos eléctrico formatado pela melodia; textura punk menos indómita. Será que lhe podemos chamar punk art? Porque não. No entanto, julgo que é redutor caracterizar a música e o alcance de «Nouns» em duas palavras apenas. O hype está garantido e os No Age entram de rompante para a lista de bandas a acompanhar.
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Para terminar deixo o vídeo de «Eraser», um dos temas fundamentais de «Nouns» dos norte-americanos No Age.
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