«Come Home To Mama», o terceiro álbum de originais de Martha Wainwright, não é um disco fácil. «Proserpina», o seu primeiro single e a última composição conhecida de Kate McGarrigle, a Mãe de Martha e Rufus Wainwright que faleceu em Janeiro de 2010, proporciona-nos um momento raro na discografia da canadiana. O tema evoca a relação entre Mãe e Filha (Proserpina é filha de Júpiter e Ceres e é raptada por Plutão para ser sua esposa), por isso é impossível não notar a emoção que percorre na voz de Martha. A sua interpretação visceral, ainda o elemento diferenciador na música de Martha Wainwright, e as texturas clássicas da canção aproximam-na do cancioneiro do irmão Rufus. Porém, «Proserpina» parece ter sido escrita para a sua voz grave e feminina. Até esse momento, «Come Home To Mama» mantém os parâmetros habituais em Martha Wainwright, combinando construções folk com estruturas pop-rock e atitude singer-songwriter irreverente. No entanto, na segunda metade de «Come Home To Mama», Martha Wainwright perde essa postura e, apesar de nos mostrar afinidades com ferramentas mais electrónicas, em «Four Black Sheep», canções atraentes, como «Leave Behind», e confissões maternais, em «Everything Wrong», o facto é que o disco não se segura em pé. «Come Home To Mama» não desilude, mas o resultado seria bem melhor se Martha Wainwright optasse por apresentar um EP.
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terça-feira, 20 de novembro de 2012
sábado, 14 de junho de 2008
Martha Wainwright | You Cheated Me
Outro dos regressos mais aguardados de 2008 é o da canadiana Martha Wainwright. Depois do homónimo e surpreendente debut de 2005, a irmã mais nova de Rufus Wainwright regressa com o álbum «I Know You're Married But I've Got Feelings Too» (um dos títulos que marcará o ano). «You Cheated Me» é o seu primeiro single.
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domingo, 20 de janeiro de 2008
Incursões na «selva»
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Apesar do debut só ter surgido em 2005, Martha já anda no mundo da canção há muito. O longínquo ano de 1999 marcou a sua estreia discográfica com um homónimo E.P. de 6 temas, entre os quais «G.P.T.» e «Don’t Forget» que surgiram no alinhamento final de «Martha Wainwright», o álbum. Em 2002 é editado o E.P. «Factory», outro dos grandes temas incluídos no debut álbum de Martha. Ambos os registos não estavam disponíveis para entrega no país periférico que era Portugal. Porém, «Bloody Motherfucking Asshole», de 2004, e «I Will Internalize», de 2005, chegaram cá e intensificaram a admiração por esta singer/singwriter canadiana (os outros dois ficam para os próximos episódios). «Bloody Motherfucking Asshole» é visceral e um dos temas mais fortes da «musicografia» de Martha Wainwright. «Oh I wish, I wish, I wish I was born a man / So I could learn how to stand up for myself / Like those guys with guitars / I've been watching in bars / Who've been stamping their feet to a different beat / To a different beat» reclama Martha, transmitindo uma aparente revolta que se dissipa com os primeiros acordes do espacial «I Will Internalize». «When The Day Is Short», numa versão mais curta que o single extraído de «Martha Wainwright», é exercício pop solarengo e banda sonora para um agradável final de tarde na companhia de alguém especial («And I don’t care if you / If you love me tomorrow just / Love me tonight & I / I will be all right / I’ll be all right / Until tomorrow night»). Em «It’s Over» descobrimos a presença de uma Sheryl Crow ébria e mais acessível para ouvidos indie e «How Soon», a terminar, é uma autêntica lullaby que se desenvolve ao som de uma caixinha de música e que representa uma despedida perfeita para este E.P...
Mudamos de E.P., mas continuamos de ouvidos bem colados às histórias que Martha Wainwright nos tem para contar. «I Will Internalize» é outro E.P., editado em 2005 e em exclusivo para o mercado canadiano, a figurar na discografia de Martha. A simplicidade/minimalismo dos teclados iniciais confere uma ambiência mais etérea à música de Mrs. Wainwright. A voz apresenta-se na máxima força e o tema é acompanhado por uma discreta e compassada guitarra acústica. «Baby», «Bring Back My Heart» (que conta com a presença de Rufus Wainwright) e «Dis, Quand Reviendras-Tu?» (cover de um tema de Barbara, com Kate McGarrigle no piano) são os extras da edição especial do debut «Martha Wainwright». «Baby» é uma autêntica declaração de amor musicada e centrada na voz da intérprete: Edith Piaff meets Nick Drake dirão muitos. «Bring Back My Heart» junta os manos Wainwright para um delicado momento no qual é impossível não comparar vozes, interpretações, colocação de voz, etc. Se Rufus segue o caminho de um persuasivo falsete, Martha surge num registo mais habitual e igual a si mesma, mas não menos proveitoso. «Dis, Quand Reviendras-Tu?», original de Barbara, é uma estupenda interpretação de Martha que conta com a ajuda de Kate McGarrigle ao piano e que não envergonharia a própria Barbara. E em «New York, New York, New York» julgamos ver e ouvir no mesmo palco o smooth-jazz de Norah Jones e os excessos sedativos de Tori Amos. Razões mais que suficientes para estarmos atentos a esta senhora.Em forma de despedida e a aguçar o apetite para o novo álbum que chegará ao mercado ainda este ano fica o vídeo de «When The Day Is Short».
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Martha Wainwright
sábado, 6 de outubro de 2007
2007 | Viagens à tasca em período de férias VI
Por entre as visitas a museus, monumentos e locais de interesse de Zürich, lá damos de caras com uma nova tasca. A segunda paragem deste autêntico «raide às tascas» em Zürich foi um tentáculo da rede de lojas Jecklin. Mais uma agradável surpresa. A oferta destacou-se pela quantidade e qualidade. Como não podíamos trazer a loja, lá optámos pelos disquinhos que mais brilharam aos meus olhos, as estreias de Martha Wainwright e dos The Shins.
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Limat - Zürich
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A família Wainwright é cada vez mais um caso a seguir de perto. Não bastasse o pai de família ser Loudon Wainwright III e a mãe Kate McGarrigle, que com a tia Anna formam o duo Kate & Anna McGarrigle, os frutos desta relação são dois dos maiores ícones da pop clássica actual. Se Rufus Wainwright dispensa quaisquer apresentações, a irmã mais nova Martha Wainwright, apesar das muitas colaborações em álbuns dos restantes membros da família Wainwright e de artistas como Gordon Gano (dos Violent Femmes), Teddy Thompson e Snow Patrol, só em 2005 editou o seu LP.
É certo que esporadicamente e desde 1999 que Martha grava e edita EPs (sobre os quais falaremos mais à frente), mas o reconhecimento e a glória surgiu com o debut homónimo. Martha deixou de se camuflar atrás de outros nomes e, sem medos, gravou uma das mais doces e elegantes colecções de temas pop. Se quota-parte da admiração que parece existir por Rufus se baseia no timbre de voz, a irmã não lhe fica nada atrás. Temas como «Far Away», «Factory», «Don’t Forget», «This Life», «When The Day Is Short», «Bloody Mother Fucking Asshole», «Who Was I Kidding?», «Whither Must I Wander» e «The Maker» (com a participação especial de Rufus) destacam-se pela interpretação de Martha. Porém, o fascínio por este «Martha Wainwright» não se cinge aos atributos vocais e interpretativos de Martha. Cada tema é singular, uma visão deliciosa dos vários mundos em que Martha se move. São pedaços celestiais, grandiloquentes. A cada instante sentimo-nos mais envolvidos pela voz e sensibilidade de Martha Wainwright. No fim fica um cansaço voluptuoso de uma longa noite de amor… Embora possa parecer estranho, o irmão Rufus, que nos visitará no próximo dia 6 de Novembro, não conseguiu seduzir tanto na sua estreia discográfica.
Como bónus, tivemos a sorte de encontrar a edição especial de «Martha Wainwright» e com isto temos direito a mais três canções, temas incluídos previamente em EPs, onde se destacam «Bring Back My Heart», que conta com a ajuda de Rufus, e a lindíssima e desconcertante versão de «Dis, Quand Reviendras-Tu?», de Barbara. Não bastasse estarmos de férias e numa cidade encantadora, Martha Wainwright entrou em cena e revigorou o espírito e a alma.
Como bónus, tivemos a sorte de encontrar a edição especial de «Martha Wainwright» e com isto temos direito a mais três canções, temas incluídos previamente em EPs, onde se destacam «Bring Back My Heart», que conta com a ajuda de Rufus, e a lindíssima e desconcertante versão de «Dis, Quand Reviendras-Tu?», de Barbara. Não bastasse estarmos de férias e numa cidade encantadora, Martha Wainwright entrou em cena e revigorou o espírito e a alma.
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A segunda aposta, também um verdadeiro achado para a realidade tasqueira portuguesa, recaiu sobre a estreia discográfica dos norte-americanos The Shins. «Oh, Inverted World» é o início de mais uma viciante história de admiração. Por aqui tudo começou com Natalie Portman, em «Garden State», a afirmar que os The Shins são capazes de mudar as nossas vidas. «New Slang» era o mote para a confissão. Na tela, o rapaz após conhecer a rapariga tentava arranjar assunto para conversa e a “pequena”, um pouco envergonhada de início, refugiava-se nas doces melodias dos The Shins para não ceder aos encantos de Zach Braff. É este o ponto exacto onde os The Shins fazem a diferença e nos podem virar a vida do avesso: as melodias e consequentes construções pop. As influências são mais que muitas e vão desde os The Beach Boys aos Gorky’s Zygotic Mynci, dos The Cure aos Love, dos The Magnetic Fields aos Neutral Milk Hotel, dos The Byrds a Elliott Smith, ou mesmo dos Belle & Sebastian aos Echo & The Bunnymen. Porém, influências à parte, centremo-nos na música dos The Shins que vale por si só. «New Slang» é um autêntico toucinho-do-céu (claro que aqui a sobremesa escolhida depende sempre dos gostos de cada um). «Caring Is Creepy», um dos temas mais psicadélicos do álbum, junta os The Cure da sua fase mais harmoniosa aos The Beach Boys e o festim freak (leia-se indie) é garantido. «One By One All Day» mantém o estado alucinogénico e à segunda faixa o ouvinte capitula perante as substâncias traficadas. «Weird Divide» dá um ar mais tranquilo, mas mesmo assim telúrico a «Oh, Inverted World» e «Know Your Onion!» volta a recuperar os sons da década de 60, com os teclados à The Doors a marcarem presença. «Girl Inform Me», «The Celibate Life», «Girl On The Wing» e «Pressed In A Book» mantêm os espírito 60’s e a sedução é permanente. Destaque ainda para «Your Algebra» que recupera os devaneios Pink Floyd, na fase Syd Barret, e «The Past And Pending» que fecha «Oh, Inverted World» em espírito The Beatles.
A segunda aposta, também um verdadeiro achado para a realidade tasqueira portuguesa, recaiu sobre a estreia discográfica dos norte-americanos The Shins. «Oh, Inverted World» é o início de mais uma viciante história de admiração. Por aqui tudo começou com Natalie Portman, em «Garden State», a afirmar que os The Shins são capazes de mudar as nossas vidas. «New Slang» era o mote para a confissão. Na tela, o rapaz após conhecer a rapariga tentava arranjar assunto para conversa e a “pequena”, um pouco envergonhada de início, refugiava-se nas doces melodias dos The Shins para não ceder aos encantos de Zach Braff. É este o ponto exacto onde os The Shins fazem a diferença e nos podem virar a vida do avesso: as melodias e consequentes construções pop. As influências são mais que muitas e vão desde os The Beach Boys aos Gorky’s Zygotic Mynci, dos The Cure aos Love, dos The Magnetic Fields aos Neutral Milk Hotel, dos The Byrds a Elliott Smith, ou mesmo dos Belle & Sebastian aos Echo & The Bunnymen. Porém, influências à parte, centremo-nos na música dos The Shins que vale por si só. «New Slang» é um autêntico toucinho-do-céu (claro que aqui a sobremesa escolhida depende sempre dos gostos de cada um). «Caring Is Creepy», um dos temas mais psicadélicos do álbum, junta os The Cure da sua fase mais harmoniosa aos The Beach Boys e o festim freak (leia-se indie) é garantido. «One By One All Day» mantém o estado alucinogénico e à segunda faixa o ouvinte capitula perante as substâncias traficadas. «Weird Divide» dá um ar mais tranquilo, mas mesmo assim telúrico a «Oh, Inverted World» e «Know Your Onion!» volta a recuperar os sons da década de 60, com os teclados à The Doors a marcarem presença. «Girl Inform Me», «The Celibate Life», «Girl On The Wing» e «Pressed In A Book» mantêm os espírito 60’s e a sedução é permanente. Destaque ainda para «Your Algebra» que recupera os devaneios Pink Floyd, na fase Syd Barret, e «The Past And Pending» que fecha «Oh, Inverted World» em espírito The Beatles..
Se Martha Wainwright veio revitalizar a alma e espírito, os The Shins, com este «Oh, Inverted World», preencheram um vazio que existia na colecção de discos lá de casa, completando a discografia destes norte-americanos.
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Como aperitivo desta última e mais proveitosa colheita durante as férias de 2007 deixo «Factory», uma das pérolas incluídas em «Martha Wainwright».
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Como aperitivo desta última e mais proveitosa colheita durante as férias de 2007 deixo «Factory», uma das pérolas incluídas em «Martha Wainwright».
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