terça-feira, 24 de julho de 2012
Optimus Alive '12: Dia 3
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
Radiohead | Lotus Flower
sábado, 2 de janeiro de 2010
Venham mais dez...
...And You Will Know Us By The Trail Of Dead - «Another Morning Stoner» (2002)
Radiohead - «Idioteque» (2000)
Sigur Rós - «Ný Batterí» (2000)
sábado, 29 de novembro de 2008
Radiohead | 15 Step
domingo, 23 de novembro de 2008
Radiohead | Weird Fishes/Arpeggi
domingo, 9 de novembro de 2008
2008 | Viagens à tasca em período de férias V
Aproveitando a oportunidade de estar na Bélgica, adquiri o EP «My Sister = My Clock», dos dEUS, e «Leave The Story Untold», álbum de estreia dos Soulwax. Ambas as edições se destinam (e só farão sentido) aos fãs mais acérrimos de cada uma das bandas. «My Sister = My Clock», EP editado em 1995, contém esboços de algumas canções que ficaram de fora do excelente álbum de estreia «Worst Case Scenario», disco de 1994. É composto por uma única faixa que se divide em treze capítulos distintos, mas igualmente complementares. Vinte e seis minutos de experiências sonoras que, com um pouco de mais trabalho, poderiam resultar num qualquer sucesso indie belga como são exemplos «Suds & Soda», «Via» e «Hotellounge». O disco foi gravado em cinco dias e editado (leia-se, junção dos vários temas) em apenas seis horas. Não traz nada de novo à discografia da banda, mas colmata o espaço deixado em aberto entre «Worst Case Scenario» e «In A Bar, Under The Sea». Quanto aos conterrâneos Soulwax, o debut «Leave The Story Untold» data de 1996 e, tal como «My Sister = My Clock», não acrescenta nada de novo ao que já se conhece dos irmãos Dewaele. Encontramos a banda num limbo entre o teen-rock de uns Silverchair (ambicionando chegar aos calcanhares dos Nirvana) e a serenidade de um Jeff Buckley. Não há nenhum tema que se destaque dos demais e ainda não se evidenciavam momentos de brilhantismo pop. Contudo, é certo que se denota já uma importante preocupação pela canção, apesar dos resultados estarem longe do des
ejado. No entanto, «Leave The Story Untold» poderá, também, ser encarado como estando na génese do potencial de «Much Against Everyone’s Advice», álbum de 1999. Menção final para a produção que ficou a cargo de Chris Goss, consagrado produtor que, entre outros, trabalhou com nomes como Queens Of The Stone Age, UNKLE e Screaming Trees.
Um dos meus maiores caprichos durante as férias 2008 foi a compra da edição japonesa de «Pablo Honey», o álbum debut dos mais que preferidos Radiohead. Lá tive que me livrar da edição standard (obrigado F.), pois, nos dias que correm, a crise também é de falta de espaço lá em casa. O álbum é, ainda hoje, qualificado como o mais «fraquinho» e o que menos se enquadra na história discográfica dos fab five. Paradoxalmente, «Creep» continua a ser o único grande sucesso comercial dos britânicos. «Pablo Honey» (1993) é fruto da geração grunge, mas além de se vislumbrarem influências de Pixies, Nirvana e Pearl Jam, nas suas entrelinhas sonoras também cabem nomes como The Kinks, The Who, U2 e Jane’s Addiction. Um caldeirão de distorção eléctrica que, aquando da sua edição, não convenceu quase ninguém. Poucos previam um futuro risonho para os Radiohead. Cenário que não melhorou quando, ainda em 1993, a banda editou o single/EP «Pop Is Dead» (tema que não figurava no alinhamento final de «Pablo Honey», mas que saiu para o mercado entre as edições dos singles «Anyone Can Play Guitar» e «Stop Whispering»). Ora bem, não se tratando de uma canção de encher o ouvido, o facto é que o single/EP «Pop Is Dead» já se encontra descatalogado. Razão mais que suficiente para adquirir a edição japonesa de «Pablo Honey», pois o seu alinhamento final contém cinco faixas extra, entre as quais a raridade «Pop Is Dead». Encontramos, também, os lados-b de «Creep» («Inside My Head» e «Million Dollar Question») e duas versões live de «Creep» e «Ripcord» (dois dos melhores temas do disco). Um autêntico capricho que, além de não estar nas prateleiras reservadas para as promoções, veio enriquecer a minha colecção de discos dos Radiohead.
Outro dos discos que veio colmatar uma falha numa determinada colecção de discos foi «Government Commissions BBC Sessions 1996-2003», dos escoceses Mogwai. Até então não tinha comprado o disco porque me recuso a dar mais de € 15,00 por qualquer compilação de gravações ao vivo que seja e de que banda for. Como em Portugal os discos continuam a ser vendidos a preço de ouro, foi na Bélgica que saciei a minha vontade de ouvir as várias Peel Sessions dos Mogwai [programa de rádio do carismático radialista John Peel (1939-2004)]. Na verdade, «Government Commissions» não nos oferece nada de novo. Todas as composições apresentadas foram originalmente editadas em LP ou EP da banda. Todavia, são os próprios Mogwai que afirmam ter gravado alguns dos seus melhores takes nas inúmeras sessões para a BBC. Razão pela qual decidiram juntar algumas dessas mesmas gravações num álbum que acabaria por homenagear um dos seus maiores seguidores, John Peel (que abre o álbum a anunciar mais uma prestação da banda nos estúdios BBC). Setenta minutos de música divididos por dez temas que mostram quase todas as facetas destes escoceses. Porém, são os temas mais antigos que acabam por se safar melhor. «Superheros Of BMX», originalmente editado em «4 Satin EP» (1997), e «R U Still In 2 It», do debut álbum «Young Team» (1997), apresentam uma sonoridade mais solta e revigorante, acabando por lhes dar uma roupagem nova e justificando as suas presenças no disco. Por sua vez «Hunted By A Freak», de «Happy Songs For Happy People» (2003), acaba por não se adaptar muito bem ao espaço, perdendo algum do esplendor revelado em disco. «Kappa» e «Cody», de «Come On Die Young» (1999), cumprem as suas tarefas. No entanto, os dezoito minutos de «Like Herod», original de «Young Team», arrastam-nos para um dispensável e maçador crescendo de som e feedback que, dependendo do ponto de vista, tanto pode dignificar a criatividade e o espírito rockeiro dos Mogwai como menosprezar a sua imagem, evidenciando uma banda chatíssima. Contudo, para quem segue a banda de Stuart Braithwaite e Dominic Aitchison, «Government Commissions BBC Sessions 1996-2003» pode ser um excelente cartão de visita para o melhor e o pior dos Mogwai.
A última aposta com o selo da cidade de Bruxelas foi o álbum de estreia do duo francês Justice. Confesso que o baixíssimo preço foi a principal razão para a compra. O que, até então, conhecia dos Justice era o soberbo single «D.A.N.C.E.». Um autêntico toucinho-do-céu que se deglute em quatro escassos minutos e que nos deixa sempre a vontade de repetir. No entanto, e após cuidada audição a «†», percebi que conhecia mais dos Justice do que eu pensava. Para além do toucinho-do-céu, encontramos uma deliciosa mousse de chocolate banhada por uma irresistível adega velha em «DVNO», um singular doce da casa que dá pelo nome de «Genesis», um ensopado brigadeiro em «Phantom» e um molotov (que é só para quem gosta) com a densa «Waters Of Nazareth». «†» é, assim, um autêntico banquete de doces que não se aconselha a hiperglicémicos. Todavia, e como o fruto proibido é sempre o mais apetecido, será muito difícil resistir a esta «cruz» dos Justice..
Para terminar deixo em alta rotação o extraordinário vídeo de «D.A.N.C.E.», dos franceses Justice.
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
And the winner is...
Está escolhido o grande vencedor do «In Rainbows Animated Music Contest». O vídeo eleito pelos Radiohead, para o tema «Reckoner» (curiosamente, o próximo single da banda), é realizado pelo francês Clement Picon.quarta-feira, 16 de julho de 2008
Radiohead | House Of Cards
Mais um vídeo, acabadinho de estrear, a passar por este espaço. Os autores são os britânicos Radiohead e o tema é «House Of Cards», outra excelente aposta a ser retirada de «In Rainbows» (2007). O vídeo é realizado por James Frost.domingo, 29 de junho de 2008
Viagens à tasca
Começamos com «Creep – 4 Track E.P.» dos Radiohead. Tanto a banda como a canção dispensam quaisquer apresentações. «Creep» continua a ser o maior sucesso comercial dos Radiohead. Originalmente lançado em Setembro de 1992, «Creep» foi o primeiro single de «Pablo Honey», o debut da banda de Thom Yorke, e um dos maiores sucessos radiofónicos do início dos anos 90. Numa altura em que o grunge ainda dominava o panorama rock, «Creep» surgiu em cena como um autêntico «outsider». Mostrou ao mundo o «weirdo» Thom Yorke e classificou os britânicos Radiohead como mais uma banda «one hit wonder». Inesperadamente e ouvindo agora esta edição japonesa do E.P. «Creep», a história revelou-nos o primeiro caso «one hit wonder» com credibilidade. Os álbuns que se seguiram evidenciavam cinco músicos em estado de graça. O sucesso comercial ficou relegado para segundo plano e «Creep» acabou por se tornar numa das composições mais indistintas dos Radiohead. No entanto, os riffs são incisivos e a tensão é inquietante. Sentimos um leve desconforto emocional e fazemos nossas as palavras de Thom Yorke («But I’m a creep / I’m a weirdo / What the hell am I doin’ here / I don’t belong here»). Dos restantes três temas incluídos neste precioso E.P. encontramos «Yes I Am», um dos lados-b de «Pablo Honey», a interessante remistura de Phil Vinall para «Blow Out» e uma versão ao vivo de «Inside My Head» (original editado no single de «Creep»), registada na mítica sala Metro de Chicago. Nada de extraordinário na discografia dos Radiohead, mas um doce para qualquer admirador dos Radiohead..
Seguimos em solo japonês e na companhia de Thom Yorke. 2006 foi o ano da sua estreia a solo. «The Eraser» seguiu as pisadas de «Kid A» e «Amnesiac» e as opiniões dividiram-se, tal como aquando da edição dos dois álbuns mais electrónicos dos Radiohead. O E.P. «Spitting Feathers», exclusivo para o mercado japonês, reúne os «leftovers» de «The Eraser» (lados-b dos singles «Harrowdown Hill» e «Analyse») e o vídeo de «Harrowdown Hill». Mais uma vez o disco revelar-se-á mais apetecível para os seguidores dos Radiohead e Thom Yorke. Dos cinco temas que compõem «Spitting Feathers», é a «Extended Mix» do soberbo «Harrowdown Hill» que mais brilha: as electrónicas são delicadas e sonhadoras, a cadência gerada é afectuosa e a interpretação de Thom Yorke oferece-lhe uma sedutora tensão emocional. Ouvimos ainda a noctívaga e embriagada «The Drunkk Machine», a despretensiosa e divagadora «A Rat’s Nest», o frenesim dopado de «Jetstream» e a tresloucada declaração «Iluvya» (I Luv Ya). Importante complemento a «The Eraser». Menção final para o extraordinário vídeo, realizado por Chel White, de «Harrowdown Hill»..
Falemos agora dos Kaiser Chiefs. Depois da auspiciosa estreia discográfica com «Employment» (2004), álbum que incluía os singles «Oh My God», «I Predict A Riot», «Everyday I Love You Less And Less» e «Modern Way», houve quem vislumbrasse um qualquer renascimento da britpop dos anos 90. Apesar de evidenciarem uma postura rock mais agressiva, Ricky Wilson e companhia não conseguiam disfarçar as constantes piscadelas de olhos a nomes como Blur, Elastica, The La’s, Supergrass e Pulp. Referências às quais adicionavam, habilmente, uma vertente cénica para apresentarem inebriantes exercícios pop. Cenário que se transmutou com o segundo e pouco inspirado álbum «Yours Truly, Angry Mob». Porém, e antes de «Your Truly, Angry Mob» surgiu, no mercado japonês, a compilação de lados-b «Lap Of Honour». Do single «I Predict A Riot» encontramos o frenesim pop de «Sink That Ship» e a empolgante versão live, gravada na sala Fillmore de San Francisco, do também lado-b «Take My Temperature». De «Oh My God» são repescados dois apontamentos: o divertido «Hard Times Send Me» e o slow dissimulado e em crescendo que é «Think About You (And I Like It)». Da edição maxi-single do mega-sucesso «Everyday I Love You Less And Less» surgem «Not Surprised», retirado do imaginário Morrissey + Johnny Marr, e um dos temas mais swingantes e dançáveis dos Kaiser Chiefs com «Seventeen Cups». Registe-se, ainda, a inclusão, exclusiva para este E.P., da remistura mais acelerada e mecânica do tema «Na Na Na Na Naa» (autoria do colectivo japonês Polysics). Desta forma, e com apenas sete temas retirados das sessões de «Employment», os Kaiser Chiefs superam «Yours Truly, Angry Mob», dando-nos algumas esperanças para futuros registos..
Chegamos à derradeira proposta do presente post. Julgo que esta será a primeira passagem dos «manos» The White Stripes por este espaço. O duo de Detroit lançou em 2007 «Icky Thump», o sexto álbum de uma notável carreira discográfica. O disco acabou por ser galardoado com o Grammy de melhor álbum alternativo do ano. Porém, o que me traz aqui é a autêntica pérola que é «Walking With A Ghost», E.P. datado de Dezembro de 2005 (seis meses após «Get Behind Me Satan», provavelmente o registo menos inspirado da banda, mas igualmente bom). O tema título desta edição é um original do «twin-duo» canadiano Tegan & Sara, uma composição pop que respira o indie blues rock que faz mover os The White Stripes. Razão pela qual «Walking With A Ghost» é tão bem tratada por Jack & Meg White, que lhe dão uma imagem mais eléctrica e radiosa e um pouco mais acelerada. Como extras encontramos alguns dos lados-b dos singles de «Get Behind Me Satan», os quais passam pelas versões live, registadas a 1 de Junho de 2005 em Manaus (Brasil), de «Same Boy You’ve Always Known» e «Screwdriver» (um clássico dos The White Stripes que surge aqui anexada a «Passive Manipulation»); pela passagem da banda em Agosto de 2005 nas sessões radiofónicas «Morning Becomes Electric» da KCRW com os temas «As Ugly As I Seem» e «The Denial Twist»; e, exclusivamente para esta edição japonesa, a brilhante cover (mais uma) de «Shelter Of Your Arms», original dos The Greenhornes (banda onde militam alguns dos elementos que compõem os The Raconteurs, de Jack White). Enfim, mais uma extraordinária aposta dos norte-americanos The White Stripes.Para terminar não deixo uma, mas sim duas propostas audiovisuais das edições agora apresentadas: o arrebatador «Harrowdown Hill» de Thom Yorke e a vibrante cover dos The White Stripes para «Walking With A Ghost».
sábado, 3 de maio de 2008
segunda-feira, 24 de março de 2008
Radiohead | Nude
Está escolhido o segundo single de «In Rainbows» e o vídeo promocional já anda por aí. Entre as nove possíveis opções, o resultado desta autêntica lotaria recaiu sobre «Nude», um descendente directo de «Exit Music (For A Film)» e «Pyramid Song». Desde há muito composto pelos Radiohead, mas só no ano passado disponibilizado em disco, «Nude» foi durante alguns anos apresentado ao vivo e revisitado. Não sei ao certo como o fizeram, mas o resultado é simplesmente arrebatador. Fica o vídeo para conferir.quarta-feira, 5 de março de 2008
Betwe(in) Rainbows - Act 2
11 de Outubro de 2007: a febre Radiohead e «In Rainbows» eclodiam, anunciando uma qualquer revolução que, de acordo com a imprensa especializada, marcaria o fim das editoras discográficas e da própria indústria tal como a conhecíamos. Numa fulminante operação estratégica, os Radiohead disponibilizavam «In Rainbows», sétimo álbum de originais, via Internet e sem quaisquer intermediários. Enquanto que o preço do formato digital seria «à escolha do freguês», a edição física e deluxe da discbox marcava as £ 40,00 (± € 60,00). Tratando-se dos Radiohead não hesitei um minuto e lá encomendei a discbox. Os dez MP3 foram logo disponibilizados e consumidos. Contudo, no que toca a trabalhos discográficos, confesso ser ainda um pouco «old school». O ritual de comprar o disco na loja, abri-lo e explorá-lo visual e auditivamente em casa é ainda um dos meus maiores prazeres desta vida. Por isso, as primeiras audições efectuadas a «In Rainbows» souberam a pouco, pois não havia o suporte físico para a música apresentada..
29 de Fevereiro de 2008: quatro meses e dezoito dias depois da ordem de débito na conta bancária, o bendito disco chegou ao destinatário. Note-se que entretanto a versão standard de «In Rainbows» conheceu edição comercial e desde 31 de Dezembro de 2007 que o poderemos encontrar em qualquer «tasca» que se preze. Porém, falemos da edição especial e de luxo de «In Rainbows»..
Composto por dois CD (um com o original de «In Rainbows» e outro com os lados-b) e dois vinis (que registam os dez temas que compõem «In Rainbows»), este autêntico pacote de luxo é mais um caso de perfeição na inteligente carreira da banda britânica mais importante dos nossos tempos. Esteticamente não há nada a apontar. Musicalmente «In Rainbows» faz-nos esquecer o desequilibrado «Hail To The Thief», recuperando a marca e o entusiasmante pulsar dos Radiohead. Após as viagens espaciais (leia-se electrónicas) de «Kid A» e «Amnesiac», «Hail To The Thief» ficou a meio caminho entre a experimentação e o formato clássico da canção – não era nem carne nem peixe – e a união sonora da banda, patenteada em exercícios anteriores, saiu ferida. «In Rainbows» reúne estes fab five para mais um excelente lote de canções e o disco mais coeso desde «Kid A». Aqui tudo parece estar no lugar certo: desde a desinquieta cadência de «15 Step», aos riffs incisivos e ritmo galopante de «Bodysnatchers», passando pela redenção em «Nude», a desarmante «Reckoner» e a acústica orquestrada de «Faust Arp» e terminando nas harmoniosas «House Of Cards» e «Videotape». Aparentemente tudo leva a crer que a criação musical está uma vez mais centrada nas linhas de guitarra, nos ritmos do baixo e bateria, nas melodias ao piano e na versátil voz de Thom Yorke. As electrónicas que tanto marcaram o vocalista surgem agora num segundo plano, mais moderadas e mais eficazes.Mudamos de disco e «MK 1», primeiro tema da compilação de «leftovers» de «In Rainbows», traz consigo a melodia ao piano de «Videotape», última canção do álbum original. De imediato nos identificamos com esta continuação do mais recente registo dos Radiohead. Porém, a fasquia já não é a mesma. Composto por oito faixas, todas elas mais experimentais, os grandes destaques vão para a acelerada e descomprometida «Bangers + Mosh», para a tocante e apaixonada «Last Flowers», a etérea «Go Slowly», que podia perfeitamente surgir no alinhamento final de «In Rainbows», a sinistra «Down Is The New Up» e a simplicidade de «4 Minute Warning». No fim ouvem-se mais 30 minutos de boa música com a marca registada Radiohead.
Para terminar fica o vídeo de «Jigsaw Falling Into Place», o primeiro single extraído do mais recente trabalho dos britânicos Radiohead.
quarta-feira, 10 de outubro de 2007
Somewhere betwe(in) rainbows
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Enquanto o álbum não é digerido de forma adequada deixo como aperitivo a versão ao vivo de «Nude», um dos novos temas dos Radiohead.
quarta-feira, 19 de setembro de 2007
2007 | Viagens à tasca em período de férias II

Jet d'Eau - Lac Léman (Genève)
A primeira das capelinhas genebrinas visitadas, a mais genuína das tascas, a FNAC, destaca-se por não disponibilizar as promoções de fim de estação, já habituais em Portugal. Porém, e para meu espanto, aqui as novidades discográficas são disponibilizadas por 21,90 CHF, o que na moeda comunitária significa(va) cerca de € 13,50. Assim, por mais que pareça estranho, enquanto em Lisboa o novíssimo álbum dos Wilco se vendia a € 18,95, em Genève (caro leitor, Genève está colocada na 2.ª posição do ranking mundial das cidades com melhor qualidade de vida) podiamos adquirir «Sky Blue Sky» por 21,90 CHF... Como poderá depreender bebeu-se muito durante a segunda metade das férias deste ano.
As expectativas eram grandes: novo mercado discográfico, novos costumes, novas tendências e novos bálsamos para alimentar o vício. A estratégia era simples: encontrar artigos estranhos (para as tascas) portuguesas, tentar explorar um pouco da cultura local e averiguar se compensava “importar” um ou outro disquinho.
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Bem, falemos da música, propriamente dita, pois é essa a razão destes «devaneios». Olhando para a minha «escolaridade» musical, quase que posso afirmar ter completado o 1.º ciclo em Seatle. O grunge corre-me nas veias (para o bem e para o mal) e bandas como os Pearl Jam, Nirvana, Soundgarden, Alice In Chains, Mudhoney, etc., etc., etc. fazem parte da minha «cultura geral» (para não dizer ADN). Aquando do início das férias os The Smashing Pumpkins (SP), ou melhor, Billy Corgan e Jimmy Chamberlin, tinham acabado de editar «Zeitgeist», álbum que em Portugal foi disponibilizado única e exclusivamente na edição standard. Em terras helvéticas a versão especial e limitada em formato livro com um total de 76 páginas aguçou o apetite e não resisti.
A promoção ao álbum anuncia estarmos perante a primeira gravação dos SP em 7 anos. Porém, e olhando para trás, a percepção do fim dos SP e o inicio dos vários projectos de Billy Corgan revela-se um exercício difícil. O facto é que tanto D’Arcy Wretzky, como James Iha são passado e Billy Corgan, depois do flop chamado Zwan e do medíocre álbum a solo, sentiu saudades dos estádios cheios e reabilitou os SP com Jimmy Chamberlin. Jeff Schroeder, Ginger Reyes e Lisa Harriton ocuparam os lugares deixados em aberto e «Zeitgeist» foi o resultado final.
Convém desde já esclarecer que não estamos perante nenhuma obra-prima, ao estilo de «Siamese Dream» ou «Mellon Collie And The Infinite Sadness», mas «Zeitgeist» tem conseguido sobreviver e recolocou os SP nas playlists de todo o mundo. Para trás ficou a pop lagareira de «TheFutureEmbrace» e a proclamada «revolução» em «United States» é um bom exemplo disso mesmo. O som é definitivamente mais rude, as guitarras são mais incisivas e o ambiente é mais austero. «Tarantula», primeiro single e tema já rodado neste «diário», «Doomsday Clock», «7 Shades Of Black» e «United States» revelam-no. Porém, «Bleeding The Orchid», «That’s The Way (My Love Is)» (segundo e actual single), «Neverlost», «For God And Country» e «Pomp And Circumstances» tentam seguir as pisadas de outros exercícios mais polidos na carreira dos SP, mas o resultado fica muito distante dos originais. No fim o resultado acaba por ser positivo, mas paira no ar uma sensação de monotonia. Os temas parecem clones de si mesmos e após 52 minutos de música não temos grande vontade em repetir a dose, obrigando-nos, igualmente, a recuperar os míticos «Siamese Dream» e «Mellon Collie And The Infinite Sadness».
Após a viagem ao passado com os The Smashing Pumpkins, optámos por aprofundar um pouco mais o universo francófono. Descobri a chanson française há relativamente pouco tempo. Desde a edição do soberbo «Quelq’un M’a Dit» de Carla Bruni que me tenho aventurado por «território» gaulês. Além de Carla Bruni o panorama actual da música francesa apresenta muito boas apostas e, nos dias que correm, uma colecção de discos sem a presença de Benjamin Biolay, Arthur H, Emilie Simon, Yann Tiersen, Carla Bruni e Keren Ann pode considerar-se incompleta.
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Keren Ann, de ascendência holandesa e russa, nasceu em Israel e passou grande parte da sua infância na Holanda. Cedo se estabeleceu em Paris, onde deu os primeiros passos nas lides discográficas. Com residência actual em Nova Iorque, esta israelita parece ser sinónimo de multiculturalidade. 2007 marca a edição do homónimo e 5.º álbum a solo de Keren Ann. Para trás ficaram as participações com os amigos Benjamin Biolay e Bardi Johannson. A língua inglesa ganha terreno e a sonoridade praticada por Keren Ann revela-se mais familiar que nunca. Reabilita os Mazzy Star, de Hope Sandoval e David Roback, e convida Leslie Feist, Shivaree, Nick Drake, Cat Power e Serge Gainsbourg para a «festa melancólica».
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«It’s All A Lie» mostra o quanto os Mazzy Star nos têm feito falta. «Lay Your Head Down», primeiro single, junta Feist aos mesmos Mazzy Star e o festim lânguido, com direito a palminhas e tudo, é garantido. «In Your Back» podia perfeitamente enquadrar-se na magnífica banda sonora do «Virgens Suicidas» de Sofia Cappolla. Em «The Harder Ships Of The World» damos de caras com o minimalismo de Cat Power. «It Ain’t No Crime», o tema trash do disco, mantém a influência de Cat Power, mas agora são os devaneios à guitarra que sobressaem. «Where No Endings End» chama ao palco François Hardy e os Shivaree fazem-se convidados. Em «Liberty» Nick Drake parece brincar com a caixinha de música dos islandeses Sigur Rós. «Between the Flatland and the Caspian Sea» abraça «Take A Walk On The Wild Side» de Lou Reed para darmos um passeio por Manhatham e «Caspia» recupera as divagações reggae de Serge Gainsbourg.
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«Keren Ann» pode não ser um disco excepcional, mas prende-nos. Keren Ann detém uma voz suave e viciante, revelando-se perfeita para as narrações melosas que apresenta. Assim, depois da minha estreia marcante com «La Disparition», de 2002, «Keren Ann» surge para aguçar e vincar o culto por esta artista israelita.
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Continuamos a pisar solo folk e os Wilco são chamados ao palco. Depois de muito ler na imprensa especializada (principalmente na excelente UNCUT) sobre o génio de Jeff Tweedy, lá me decidi a explorar um pouco mais as facetas destes norte-americanos. Há quem diga estarmos perante a melhor banda norte-americana, mas há também quem se mostre mais céptico, pois os álbuns deste colectivo têm-se pautado pela instabilidade. A sonoridade contínua num limbo entre os belgas dEUS e o alternative-country de um Bruce Springsteen e/ou Bod Dylan. «Sky Blue Sky» é assim mais um disco regular na já considerável carreira dos Wilco. Não será nenhum «Yankee Hotel Foxtrot» (não encontramos nenhum tema como «Jesus, etc.»), é sim um disco que se situa mais no nível de um «A Ghost Is Born». Porém, foi este mesmo «A Ghost Is Born» que deu aos Wilco o Grammy para melhor álbum alternativo de 2002. Por isso, a veneração irá prosseguir e o génio de Jeff Tweedy continuará a viver, pelo menos nas crónicas da imprensa especializada de todo o mundo. Por aqui vai-se ouvindo temas como «Either Way», «Side With The Seeds», «Impossible Germany», «Please Be Patient With Me», «On and On and On», mas o que se vai cantando é «There’s a Light! / What Light?».
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As últimas escolhas da primeira visita à tasca passaram por EPs, esse precioso formato que me vai enchendo os olhos e os ouvidos, esvaziando-me a conta bancária. Sim, sou viciado em EPs! Esses disquinhos malandros que têm 5/6 músicas daquele artista especial e que só são editados no Japão, ou, saíram numa edição muito especial e limitadíssima. Desta vez a escolha recaiu sobre artigos que dificilmente se encontram em Portugal.
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Despachemos os Sigur Rós. Já tive a oportunidade de aqui transmitir a minha «adoração» por este colectivo islandês. As suas edições discográficas revelam-se sempre autênticas peças de coleccionador, ora pela sua componente musical, ora pela vertente visual. Há pouco mais de duas semanas tinha adquirido «Hoppípolla», desta vez «Ný Batterí» e a edição japonesa de «Sæglópur» foram, igualmente, importados para terras lusas. Pouco há a dizer sobre estas duas edições. Enquanto «Ný Batterí» é composto pelo tema título e um dos expoentes máximos de «Ágætis Byrjun», uma adequada introdução ao mesmo «Ný Batterí» e as duas peças que os Sigur Rós compuseram, com a ajuda de Hilmar Örn Hilmarsson, para a banda sonora de «Angels Of The Universe». Desta forma «Ný Batterí» revela-se imprescindível para o fã incondicional dos Sigur Rós e para quem ainda não conhece as contribuições do colectivo islandês para «Angels Of The Universe» (filme de Fridrik Thor Fridriksson), com os exemplares «Dánarfregnir Og Jar∂arfarir» e «Bíum Bíum Bambaló». A segunda aposta, «Sæglópur (Japan Only Tour EP)», junta os lados
-b incluídos na edição europeia (CD + DVD) do mesmo «Sæglópur» e «Hafsól» (tema incluído no já referido EP «Hoppípolla». Por fim ainda se adicionam os vídeos promocionais de «Glósóli» e «Hoppípolla», ambos retirados do último «Takk…». Portanto será uma edição só para os seguidores mais acérrimos.
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Chegamos à última bebida da tarde e a escolha recai sobre uma das mais respeitadas bandas do mundo (a minha «melhor banda do mundo»). Os Radiohead, conotados no início de carreira como mais uns «One Hit Wonders», editaram até à data 3 dos mais aclamados discos dos últimos anos. «The Bends», «OK Computer» e «Kid A» continuam a ser referenciados como obras superiores. O facto é que a carreira destes britânicos parece ter esmorecido nos últimos anos. Além de alguns dos seus elementos terem enveredado por carreiras e projectos paralelos, os dois últimos álbuns já não agradaram a todos. Por estes lados o apoio e acompanhamento têm sido constantes. Por isso o EP de edição limitada «Airbag / How Am I Driving?» foi a cereja em cima do bolo. Thom Yorke e companhia voltam a transmitir toda a electricidade, magnetismo e diversidade de «OK Computer». Porém, e dado que «Airbag / How Am I Driving?» foi editado logo após a edição de «OK Computer», os 6 inéditos apresentados revelam-se autênticos «leftovers» do aclamado disco de 1997. Todavia, Ed O’Brien e Jonny Greenwood voltam a seduzir em «Pearly*». «Meeting In The Aisle», instrumental, revela-se numa das primeiras experiências electrónicas que caracterizaram os posteriores «Kid A» e «Amnesiac». «A Reminder» e «Melatonin» são dois apontamentos pessoais de Thom Yorke. «Polyethylene [Parts 1 & 2]» é o andróide paranóico deste EP e «Palo Alto» mantém acesa a chama rock dos Radiohead. No fim a soma das partes acaba por ser melhor que o resultado final, mas o facto de estarmos perante um EP de edição limitada com 6 labos-b de «OK Computer» dissipam quaisquer descontentamentos que possam existir. No entanto, a inclusão do extraordinário «Talk Show Host» (editado na banda sonora de «Romeo + Juliet» de Baz Luhrmann) poderia representar outra cereja em cima de outro bolo…
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Por fim, e como já vem sendo hábito, deixo «Lay Your Head Down» de Keren Ann como aperitivo.
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sábado, 30 de junho de 2007
Radiohead - OK Computer
Considerado a obra maior dos britânicos Radiohead (não menosprezando os restantes registos, com especial enfoque para «The Bends» e «Kid A»), «OK Computer» representou uma pedrada no charco. Em meados dos anos 90, com a morte lenta e há muito anunciada do grunge em terras do Tio Sam e um cenário amorfo em terras de sua majestade, onde o relevante eram as quezílias entre bandas na imprensa «cor-de-rosa», o rock parecia escrever a sua nota de suicídio.
Nomeado para os Grammys de 1998 na categoria de Melhor Álbum de Música Alternativa, os Radiohead acabaram por vencer o Grammy para a Melhor Actuação de Música Alternativa. Porém, o reconhecimento foi massivo e tanto público como críticos especializados abraçaram «OK Computer» como obra-prima dos conturbados anos 90.







