Os norte-americanos Gossip acabam de revelar o vídeo para a segunda aposta de «Music For Men», o mais recente trabalho da banda. «Love Long Distance» sucede ao hit «Heavy Cross» e o sucesso parece garantido.sexta-feira, 31 de julho de 2009
Gossip | Love Long Distance
Os norte-americanos Gossip acabam de revelar o vídeo para a segunda aposta de «Music For Men», o mais recente trabalho da banda. «Love Long Distance» sucede ao hit «Heavy Cross» e o sucesso parece garantido.terça-feira, 16 de junho de 2009
Gossip | Heavy Cross
Os Gossip acabam de lançar um segundo vídeo de «Heavy Cross», o excelente primeiro single de «Music For Men». Uma nova visão que mostra Beth Ditto e companheiros numa versão com mais glamour..
domingo, 17 de maio de 2009
Gossip | Heavy Cross
«Music For Men» é o título escolhido para o quarto álbum de originais dos norte-americanos Gossip. O disco, produzido por Rick Rubin, será editado no próximo dia 22 de Junho, mas o seu primeiro single já se ouve por todo o lado. «Heavy Cross» mantém a força e a rebeldia evidenciadas nos trabalhos anteriores e mostra Beth Ditto em grande forma.domingo, 20 de julho de 2008
Optimus Alive!08
O passeio marítimo de Algés acolheu, entre os dias 10 e 12 de Julho, a segunda edição do Optimus Alive! As bandas em cartaz faziam do evento lisboeta o mais desejado da temporada festivaleira de 2008. Em três noites assistiram-se a algumas estreias em solo nacional e a alguns regressos há muito aguardados. Porém, houve a necessidade de fazer opções: logo no primeiro dia, além de termos de escolher entre os concertos de Beck e Duran Duran, que actuaram no décimo quarto Super Bock Super Rock que decorreu no Parque Tejo, e actuações de bandas como os Vampire Weekwend, MGMT, The National e Rage Against The Machine que passaram por Algés, foi necessário escolher entre os Spiritualized e os Vampire Weekend, os The National e os MGMT, os The Hives / Rage Against The Machine e os Hercules And Love Affair. Foi difícil, confesso, mas a vida é feita de escolhas e aqui ficam as minhas:.
O meu Optimus Alive!08 começou às 18h50m do dia 10 na tenda Metro On Stage, o palco secundário do festival, com o afro-indie-rock-pop&roll-e-mais-qualquer-coisa dos nova-iorquinos Vampire Weekend. Temas como «Cape Cod Kwassa Kwassa», «Walcott», «M79», «Oxford Comma», «One (Blake’s Got A New Face)», «Mansard Roof» e o inevitável «A-Punk» fizeram as delícias dos presentes. Numa altura em que o sol ainda se fazia sentir, as lonas de plástico que vestiam o Metro On Stage aqueceram ainda mais as hostilidades, activando a energia da prestação da banda de Ezra Koening e que o público retribuiu. Quem assistiu ao concerto teve muitas dificuldades em manter-se quieto. Ouviu-se um tema novo, apinhado de «uuuhhhhssss» e «yeahs», e dançou-se/saltou-se muito. No fim, só tive pena de não ouvir a extraordinária versão que os nova-iorquinos fazem ao clássico «Exit Music (For A Film)», dos Radiohead..
Refrescado o espírito, com o habitual sumo de cevada, seguiu-se a escolha que mais me custou em todo o festival: MGMT ou The National? Dado ter assistido à singular apresentação dos The National na Aula Magna, a 11 de Maio, permaneci no encalorado Metro On Stage para ouvir os temas que compõem «Oracular Spectacular». No entanto, depois do fulgor demonstrado pelos Vampire Weekend, posso afirmar que os compatriotas MGMT não souberam manter o nível e a actuação foi tudo menos espectacular. Após um conveniente atraso de vinte minutos (relembro que a banda brasileira Cansei de Ser Sexy havia entretanto cancelado a sua actuação), Ben Goldwasser e Andrew VanWyngarden não se mostraram à altura dos acontecimentos nem do palco secundário que podia muito bem ser o cenário principal em qualquer canto do mundo. A equipa que auxiliou os norte-americanos também não ajudou em nada e os problemas técnicos foram uma constante. Andrew VanWyngarden mostrou alguma falta de profissionalismo e o concerto que supostamente deveria ser um pouco maior, devido ao cancelamento Cansei de Ser Sexy, acabou em menos de uma hora com o adoçado «Kids» transformado em exercício noisy-clumsy, com muito feedback à mistura. O público tentou sempre equilibrar as coisas, mas infelizmente este era um dia não para os MGMT..
Um pouco desiludido e com o estômago vazio segui para o palco principal à procura de algo estimulante. Os The National haviam terminado a sua actuação (morna segundo algumas testemunhas) e os Gogol Bordello preparavam-se para incendiar o Palco Optimus. Como não conheço a carreira destes nova-iorquinos (mais uns na noite da passada quinta-feira), depois de uma meia hora explosiva do gypsy folk punk da banda de Nikolai Gogol decidi saciar outras necessidades e como a área da restauração se situava perto do Metro On Stage acabei por me render às capacidades em DJing de Peaches. Excepcional selecção de temas e artistas que resultaram numa ardente e provocadora prestação da canadiana.
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Para as 23h10m estava marcada a actuação dos The Hives, concerto que ficou marcado pela exuberância e carisma do vocalista Howlin’ Pelle Almqvist. As músicas são, só por si, uma autêntica descarga de energia. O ritmo é acelerado, os riffs incisivos e os rumos são sempre trepidantes. A presença de Pelle Almqvist amplifica cada explosão e a adrenalina triplica. Personifica o narcisismo da declaração «Your Favourite New Band» na perfeição e transforma temas simples como «Main Offender», «Walk Idiot Walk», «Tick Tick Boom» e, essencialmente, «Hate To Say I Told You So» em momentos bigger than life..
Antes dos Rage Against The Machine subirem ao palco houve tempo para espreitar o Metro on Stage e confirmar que os Hercules And Love Affair vivem muito da presença e da voz de Antony Hegarty. Contrariamente ao esperado, o disco do colectivo não me surpreendeu por aí além e ver o projecto de Andrew Bulter órfão de Antony foi uma pequena desilusão. Retornamos assim rapidamente ao palco principal para recordar memórias e protestos doutros tempos com os Rage Against The Machine (RATM). Os californianos, inactivos desde Outubro de 2000, regressaram ao activo para uma série de concertos e após o fim dos Audioslave (super-banda que dificilmente chegaria a algum lado, pois, um pouco à semelhança da má experiência Red Hot Chili Peppers plus Dave Navarro, julgo que o funk rapcore metal dos RATM não se enquadra com o vozeirão não tão flexível de Chris Cornell). O espectáculo decorreu como esperado. Zach de la Rocha e Tom Morello não deixaram os seus créditos por mãos alheias e o público delirou ao som de hinos contestatários como «Testify», «Bulls On Parade», «Guerilla Radio», «Bombtrack», «Sleep Now In The Fire», «Killing In The Name», «Tire Me», etc. Concerto explosivo de quatro músicos que parecem ter recuperado o prazer e o espírito de outros tempos..
O segundo dia, a meu ver o mais fraco dos três, servia para ver e ouvir uma das maiores lendas vivas da cultura folk protestante norte-americana e mundial: Mr. Bob Dylan. Os nomes que passaram pelo palco Metro On Stage não me diziam nada e dos que figuravam no palco principal somente os ausentes Nouvelle Vague, o mítico Bob Dylan e os portugueses Buraka Som Sistema me despertavam o interesse. Ora bem, os franceses Nouvelle Vague ficaram retidos no aeroporto em Paris e John Butler Trio esticou a sua actuação por mais quarenta minutos. Oh céus, pensei eu. Aproveitámos o momento para conhecer algumas das atracções do recinto Optimus Alive!08. Janta-se e jogam-se umas partidas (muitas) de matraquilhos. Pela altura do concerto de Bob Dylan estava sedento por boa música e alguma emoção. Notou-se um súbito aumento na média de idades dos presentes e Dylan munido do seu órgão entrou em cena. Ligou o piloto automático, deu o seu concerto padrão e não se esforçou muito mais. Apresentou a sua banda, tocou umas músicas (alguns êxitos e muitos temas menos conhecidos do grande público) e deixou-me completamente enfadado. Por muito que quisesse ver as actuações dos holandeses Within Temptation e dos sempre festivos Buraka Som Sistema, depois da amorfa prestação de Bob Dylan só consegui mesmo seguir para a minha caminha..
A terceira e derradeira noite do Optimus Alive!08 iniciou-se com sons australianos. O multi-instrumentalista Xavier Rudd abriu as hostilidades e conseguiu transportar-me para uma belíssima praia australiana onde o didgeridoo marcou pontos. Interessante prestação de Xavier que aqueceu ainda mais o meu final de tarde de sábado. Seguiram-se os conterrâneos Midnight Juggernauts. Os autores de «Dystopia», um dos discos mais ouvidos durante o primeiro semestre de 2008, são descritos pela Rolling Stone como «a hipotética colaboração de David Bowie, na trilogia «Berlin», com Kraftwerk e Faust». Existe, contudo, uma vertente mais rock que me seduz neste trio de Melbourne. O concerto foi empolgante e o público contribuiu para isso. Temas como «Ending Of An Era», «Shadows», «Road To Recovery» e «Tombstone» obrigaram o público a dançar e todos perdoaram o momentâneo «apagão» que se viveu durante «Into The Galaxy». Todavia, Andrew Juggernaut e companhia regressaram ao palco para a devida reprise, fechando em beleza uma convincente primeira actuação em Portugal dos Midnight Juggernauts..
A noite prosseguiu com o concerto camaleão de Róisín Murphy. A vocalista dos Moloko (banda que vive um período sabático desde 2006, ano em que editou o best of «Catalogue») já conta com dois álbuns a solo e apesar dos mesmos não manterem os níveis conseguidos pelos Moloko, ao vivo Róisín revela ter a lição bem estudada, mantendo a intensidade alta e dando atractivos espectáculos. As electrónicas merecem toda a atenção dos intervenientes, mas é a figura desconcertante de Róisín Murphy que mais brilha. Fulgor que arde logo aos primeiros instantes da sua actuação e entusiasma a assistência. Excitação que se intensificou às primeiras batidas do soberbo «Forever More» (única revisitação ao catálogo Moloko). A maioria dos depoimentos descreve uma empolgante actuação de Róisín Murphy e eu, depois de ver os primeiros trinta minutos, acredito que tenha sido um verdadeiro espectáculo..
Deixo o concerto de Róisín Murphy a meio para ver Neil Young, o outro sexagenário presente no Optimus Alive!08 e, para muitos, o avô do grunge. Contrariamente ao que aconteceu na noite anterior, com a actuação de Bob Dylan, a média de idades da assistência era bem mais nova e a bela prestação de Neil Young conseguiu animar os presentes. «Rockin’ In The Free World» foi o momento da noite, como era de esperar, mas os restantes temas que passaram pelo palco e a que eu assisti não desiludiram e o canadiano Neil Young saiu de cena com uma das mais acreditadas actuações da segunda edição do Optimus Alive!..
Por muito que Neil Young merecesse toda a minha atenção, a prestação dos Gossip no SBSR de 2007 obrigou-me a ir até ao Metro On Stage. À semelhança do que sucede com os suecos The Hives, a prestação de Beth Ditto é um extra e um factor adicional de interesse nos concertos destes norte-americanos. As músicas são despretensiosas e não pretendem salvar nada nem ninguém, mas o vozeirão e a presença de Ditto são, sem dúvida, mais valias do rock alternativo dos dias de hoje e «Standing In The Way Of Control» um dos hinos indie rock mais forte dos últimos tempos. Banda e público sabiam disso e aquando da passagem de «Standing In The Way Of Control» pelo Metro On Stage viveu-se um dos momentos mais loucos a que tive a oportunidade de presenciar neste Optimus Alive!08: Ditto decidiu partilhar as suas emoções com o público e as primeiras filas juntaram-se aos restantes dois elementos que estavam em palco para expressar algum do entusiasmo que sentiam. Comunhão perfeita que fechou mais uma surpreendente passagem dos Gossip pelo nosso país..
Ben Harper foi o senhor que se seguiu e para abrir mais um espectáculo em Portugal escolheu duas das minhas músicas favoritas da sua já considerável carreira: «Jah Work» e «Excuse Me Mr.». Início auspicioso, pensei. Porém, os temas mais insonsos de «Lifeline» arrefeceram o ambiente e o autêntico jogo de canções e de emoções protagonizado – se num minuto Ben Harper interpretava o desencanto (esperançoso, diga-se) de «Welcome To The Cruel World» no instante seguinte proclamava e gritava toda a sua fé em «Better Way» – não trouxeram nada de novo às já inúmeras actuações deste singer-songwriter em Portugal. Recordaram-se outras experiências, como «Burn One Down», e houve tempo para vermos a colaboração com o amigo Donavon Frankenreiter no tema «Diamonds On The Inside», mas foi a surpresa «Boa Sorte/Good Luck», com o público a interpretar em uníssono os versos portugueses de Vanessa da Mata, que se voltou a sentir o entusiasmo colectivo. O concerto que durou quase duas horas terminou com o manifesto reggae de «My Own Two Hand». Foi, assim, mais uma passagem de Ben Harper por palcos nacionais que não desiludiu nem causou regozijos de maior (excepto para os aficionados)..
Para fechar a noite e o festival a organização ofereceu-nos energia e excitação pelas mãos dos MSTRKRFT. Dançou-se, pulou-se e cantou-se «como não houvesse amanhã».
quinta-feira, 19 de julho de 2007
Viagens à tasca
Além dos Interpol, a última «bebedeira» teve os aromas de Josh Rouse, Animal Collective e Gossip. Se Josh Rouse, um habitué por estas paragens desde a edição do soberbo «1972» em 2003, apresenta o mais recente «Country Mouse City House»; os Animal Collective (a prepararem o lançamento do novo «Strawberry Jam») surgem com o aclamado «Feels»; e o colectivo The Gossip, após a impulsiva passagem pelo SBSR, reeditam o álbum de 2005 «Standing in The Way Of Control».
Josh Rouse é na actualidade, e a par da canadiana Feist, uma das vozes mais sexys da pop. Natural do Nebraska, Rouse editou o primeiro álbum («Dressed Up Like Nebraska») em 1998 e desde então tem atraído a atenção de críticos e público em geral. O início da sua carreira discográfica indiciava uma direcção mais alternative-country; a colaboração com Kurt Wagner dos Lambchop no EP «Chester» de 1999 é um bom exemplo disso. Contudo, e com a edição de «Home», em 2000, Rouse foi alvo de um forte assédio por parte de realizadores cinematográficos e produtores televisivos. Directa ou indirectamente, Josh Rouse compõe de uma assentada as 2 obras máximas da sua já considerável carreira: «Under Cold Blue Stars» de 2002 e o conceptual «1972» em 2003. Se no início a folk era o goal a atingir, agora a pop açucarada e imprópria para hiperglicémicos sobrepunha-se à folk. Antes do novo «Country Mouse City House», Josh Rouse lançou ainda, e em nome próprio, «The Smooth Sounds Of Josh Rouse» (registo em DVD de uma actuação ao vivo em Nashville e CD com lados b), «Nashville» e «Subtítulo». Este último totalmente composto e gravado em Espanha, onde Josh reside actualmente. Tratando-se de exercícios menores, tal como este «Country Mouse City House», Josh Rouse consegue sempre captar a nossa atenção, pois a sua voz é familiar, o som é afectuoso e as estórias que documenta acabam por soar a contos infantis. Os «la la la la la la la» voltam a marcar presença («Sweetie»), a pop suave e característica de outras épocas está cá («Italian Dry Ice»), a paródia musicada também («Hollywood Bass Player») e a sedutora e lânguida voz volta a marcar pontos («Snowy»). Todavia, «Country Mouse City House» acaba por parecer mais uma agradável viagem entre Nebraska e o sul de Espanha em piloto automático.
No que toca aos norte-americanos Gossip é impossível dissociar a recente exposição do colectivo do carisma «anti-herói» de Beth Ditto. Se dúvidas existiam sobre a pujança e qualidade enquanto performer de Ditto, essas dissiparam-se com a recente actuação da banda no SBSR. Os temas, por vezes excessivamente simples, são capazes de «agradar a gregos e a troianos». A voz soul, de uma Janis Joplin mais doce, é sem dúvida um dos pontos altos deste trio norte-americano e temas como «Standing In The Way Of Control», «Yr Mangled Heart», «Listen Up!», «Jealous Girls» e «Dark Lines» são razões para lhes darmos uma atenção adicional.domingo, 8 de julho de 2007
Rescaldo do Super Bock Super Rock 2007
A 13.ª edição do festival Super Bock Super Rock chegou ao fim. Após 4 dias repletos de energia, suor, sumo de cevada, cansaço e boa música o rescaldo é mais que positivo.Houve regressos aguardados, reencontros já impensáveis, estreias desejadas e outras canceladas. Metallica, Arcade Fire, LCD Soundsystem e Underworld tinham a responsabilidade de fechar as 4 noites SBSR. Contudo, podemos afirmar que nem tudo passou pelos «fechos»…
Como tudo na vida, há que fazer escolhas. A preferência do dia 28 de Junho (dia inaugural do festival e o mais pesado) foi ver os veteranos Metallica. Numa altura em que o rock evidencia facetas mais flexíveis e, mesmo, plásticas, confesso ter passado por uma pequena sensação de afastamento em relação a todo o ambiente envolvente à causa do 1.º dia SBSR. Todavia, não posso deixar de felicitar os músicos e fãs que aqueceram e entusiasmaram a maior multidão da edição 2007 do SBSR. Temas como «For Whom The Bell Tolls», «Ride The Lightning», «The Unforgiven», «The Memory Remains», «Fade To Black», «Master Of Puppets» e os inevitáveis «Nothing Else Matters», «One» e «Enter Sandman» satisfizeram os milhares de fãs que acorreram ao chamamento de James Hetfield e companhia.As escolhas da 2.ª noite SBSR passavam pelos Klaxons, Bloc Party e Arcade Fire. A caminho do recinto ouve-se, via Antena3, o espectáculo apresentado pelos conimbricenses Bunnyranch (se fosse hoje teria feito um esforço adicional para assistir à força demonstrada através do éter do serviço público radiofónico). Já em frente ao palco presencia-se o concerto mais que visto dos The Gift (parece que o interesse em ver a banda de Alcobaça passa pela possibilidade de ver Sónia Tavares a igualar a extravagância da islandesa Björk no guarda roupa a utilizar). Cenário que se alterou com os britânicos Klaxons. Para gáudio do público temas como «Golden Skans», «Magik», «Atlantis To Interzone», «It’s Not Over Yet», «2 Receivers» e «Four Horsemen Of 2012» não faltaram. Apesar do ambiente ter aquecido significativamente e de terem cumprido a missão, julgo que certos maneirismos rock teriam sido perfeitamente evitados! Com os The Magic Numbers o ambiente volta a arrefecer. Claramente fora de jogo neste festival, coube à banda hippie a difícil tarefa de passar o testemunho dos Klaxons para os Bloc Party. Não tendo conseguido igualar a festa que se verificou no Coliseu de Lisboa há cerca de um mês, Kele Okereke e amigos de bairro mostraram mais uma vez que têm força e boas músicas. Porém, as melhores composições para serem tocadas e vividas ao vivo têm todas o selo de «Silent Alarm». Registe-se o aceso final com «Pioneers» e «Helicopter». C
hega a vez dos tão aguardados Arcade Fire. Vistos, por uma grande parte do público, como os verdadeiros «cabeças de cartaz» da edição 13 do SBSR, esta linhagem canadiana não deixou os seus créditos em mãos alheias. Num cenário clerical, com o órgão de tubos a não faltar, a actuação dos Arcade Fire pautou-se pela paixão e dedicação à música. Excelentes composições, desde «Black Mirror» a abrir as hostilidades a «No Cars Go», passando por «Intervention», «Ocean Of Noise», a mais velhinha «Headlights Look Like Diamonds» (com a chuva fazer bluff) e abençoando todos os presentes com a sequência magnífica de «Neighbourhood # 1 (Tunnels)», «Neighbouthood # 3 (Power Out)”, «Rebellion (Lies)» e «Wake Up», já em encore. Celebrou-se a música e quem ganhou mais foi o público… Bem haja aos Arcade Fire.
Na noite dos LCD Soundsystem surgiu a pior notícia deste festival. De acordo com a imprensa, por motivos de doença de um dos elementos dos norte-americanos The Rapture, a actuação da banda foi cancelada. Descansa-se mais uma hora, pois os estamos a meio do festival e ainda se esperam grandes momentos. Mundo Cão e Linda Martini ouvem-se através da Antena3. Destaque para os Linda Martini que demonstrar pontencial para uma solidificada carreira no panorama indie rock português. Saltamos para o outro lado do atlântico e é-nos apresentada a bizarria dos Clap Your Hands Say Yeah. Com 2 álbuns na bagagem, o homónimo e «Some Loud Thunder», estes norte-americanos (embora a simpatia e o apoio obtidos junto de várias comunidades indie) não cativaram o público presente. Apesar das boas composições, cansaram um pouco e a afinação alternativa de Alec Ounswort encarregou-se do resto. No fim ou se ama ou se odeia. Já ao início da noite, os Maxïmo Park deram bem conta do recado e tanto «A Certain Trigger» como «Our Earthly Pleasures» foram festejados. Bons temas pop rock a fazer lembrar a leveza à The Smiths. Paul Smith (o vocalista) não desiludiu e cativou a audiência a cantar e dançar ao ritmo de «Apply Some Preasure», «Our Velocity», «Limassol», «Graffiti», «Going Missing», «The Coast Is Always Changing», «Books From Boxes», «Girls Who Play Guitars», «By The Monument» ou «Parisian Skies». Chegamos aos The Jesus And Mary Chain e apesar de identificarmos muitos seguidores e admiradores acérrimos da banda escocesa, parece existir algum desconforto e falta de empatia entre a banda. Ambiente que trespassa para o exterior e resulta numa actuação morna, ou seja, competente mas com alguma falta de garra. Todavia, tudo muda com James Murphy em palco. LCD Soundsystem is
playing at our house! A agitação era grande entre o público. Uma das bandas mais excitantes da actualidade estava prestes a subir ao palco para apresentar 2 dos álbuns mais celebrados dos últimos anos («LCD Soundsystem» e «Sound Of Silver»). James Murphy revela em palco toda a sua preocupação/obsessão na busca do som perfeito, no colmatar do pequeno erro que não pode acontecer. A propósito, o som esteve excelente, o público excelente esteve, a música é boa por excelência e o SBSR de 2007 ganhou mais uma aposta ao trazer estes norte-americanos a Portugal. Da irrepreensível setlist apresentada, destaque para «Us Vs. Them» a abrir; «Daft Punk Is Playing At My House» a seguir-se e a captar a atenção de tudo e todos; «North American Scum» a inflamar as hostes; «All My Friends» a confirmar a vertente mais melodiosa da banda, «Tribulations» e «Yeah» a obrigar o público a saltar e «New York I Love You, But You’re Bringing Me Down» a funcionar melhor ao vivo que em disco. Grande Concerto!
Com o fim à vista, o cansaço adensa-se e… há que fazer escolhas. Os contagiantes X-Wife têm direito à transmissão via Antena3 (e ainda bem). Os Gossip dão conta do recado e Beth Ditto canta e encanta. Com um carisma à flor da pele, Ditto não hesita em reproduzir os Wham em «Careless Whisper» ou a homenagear Aaliyah em «Are You That Somebody». Porém, todos esperavam ansiosos por «Standing In The Way Of Control», hino máximo à emancipação e independência pessoal. Seguiram-se os TV On The Radio e a luz do dia causa a sua primeira vítima, «boicotando» a actuação da banda. Os dois álbuns que compõem a discografia destes norte-americanos são excelentes; os temas são óptimos e estimulantes; a atitude indie rock está lá, mas a vertente noctívaga não se adaptou ao sol do final de tarde. Ficamos à aguardar um futuro regresso para rectificar a estreia em solo português. Finda a transmissão televisiva via rádio as «irmãs tesouras» ocuparam-se de incendiar o recinto do SBSR. Com uma atitude festiva e bastante alegre os nova-iorquinos Scissor Sisters conseguiram captar a atenção de rockeiros e indies, pondo toda a gente a dançar e a cantarolar temas como «Take Your Mama» a abrir, «Laura», «Comfortably Numb», «She’s My Man», «I Don’t Feel Like Dancing», «Tits On The Radio» e «Filthy Gorgeous» a fechar o teatro gay. Continuando em Nova Iorque, os Interpol estrearam-se (e já confirmaram nova passagem por palcos nacionais a 7 de Novembro no Coliseu de Lisboa) da melhor forma. Com o público ainda entusiasmado com a presta
ção dos vizinhos Scissor Sisters, Paul Banks e colegas conseguiram dar seguimento ao ambiente de empatia entre banda e público, arrancando uma excelente actuação. Com uma setlist que não esqueceu nenhum dos poucos singles da ainda curta carreira discográfica dos Interpol, houve espaço para alguns temas do novo «Our Love To Admire», a ser editar no dia 9 de Julho. O som esteve bom, o público mostrou-se apaixonado, a entrega foi total e quase ninguém deu conta do valente trambolhão do guitarrista Daniel Kessler durante «Obstacle 1». Temas como «PDA», «Slow Hands», «Evil», «Say Hello To The Angels», «Not Even Jail», «Obstacle 1», «C’mere», «Stellar Was A Diver And She Was Always Down» e o novíssimo «The Heinrich Maneuver» não defraudaram as expectativas de ninguém. Seja o regresso tão bom como a estreia e o culto por estes norte-americanos está garantido. Por fim, e já em fase de descompressão e dos necessários alongamentos, os Underworld tentaram animar o fecho do SBSR. Apesar do recinto ter ficado reduzido a metade após a saída de palco dos Interpol, a banda britânica cumpriu a tarefa, deixando para o final os tão desejados hits «Born Slippy» e «Jumbo».
Que venha a edição 14 e o nível das bandas a figurar no cartaz se mantenha.
Para o ano há mais…
Bem haja à organização.

