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quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Animal Collective | Applesauce

«Applesauce» é um dos temas incluídos em «Centipede Hz», o álbum de 2012 dos norte-americanos Animal Collective, e o mais recente vídeo da banda. O trabalho de realização é de Gaspar Noé.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Animal Hz

Os Animal Collective também editaram novo álbum este ano. «Centipede Hz» sucede ao hype criado em torno da banda e do soberbo «Merriweather Post Pavillion», de 2009. De facto, e apesar dos norte-americanos editarem discos desde 2000, só há dois anos, com o tal «Merriweather Post Pavillion», é que conseguiram a atenção merecida. Acabaram referenciados em todas as listas de final de ano com uma das obras incontornáveis de 2009. Seguiu-se a exposição global e, pasme-se, a nomeação para os Brit Awards, na categoria de revelação. Pelo caminho registaram-se experiências psycho-folk, noise rock, dream pop, freak folk, indie rock, melodic neo-psychedelia, indie pop e alguns dos melhores álbuns dos anos 00 (destaco «Sung Tungs», de 2004, e «Feels», de 2005). Música urbana que vive da experimentação e da adição de elementos novos e menos óbvios no universo pop. «Centipede Hz» mostra que momentos musicais cativantes continuam a emergir das jam sessions de Avey Tare, Panda Bear, Geologist e Deakin (este último de regresso ao colectivo depois de um hiato entre 2009 e 2011). Ouçam-se, por exemplo, «Today’s Supernatural», «Applesauce», «New Town Burnout», «Moonjock», ou «Monkey Riches». Notamos uma ligeira aproximação à “banda a quatro” do passado, fase pelos vistos ignorada, mas igualmente imbatível. Confirma-se: os Animal Collective são uma das grandes forças criativas da pop contemporânea.

domingo, 19 de agosto de 2012

Animal Collective | Today's Supernatural


Os Animal Collective estão prestes a editar «Centipede Hz», aquele que será o nono álbum de originais do grupo norte-americano. «Today's Supernatural», tema que em Julho de 2011 passou pelo palco do CCB menos fantasiado e com o título «Let Go», é o seu single de apresentação. Mais uma excelente canção dos Animal Collective. O vídeo é realizado por Danny Perez.

domingo, 31 de julho de 2011

Magical Collective

Poderá a experimentação mais radical apresentar-se como o produto a oferecer ao ouvinte final? A ideia não é nova, mas o recente concerto dos Animal Collective, no grande auditório do CCB, fez-me repensar a equação. A experimentação, entendida como o constante desbravar de barreiras musicais, a aventura no desconhecido e o consequente abandono do espaço de conforto parece ter sido abraçada pelos quatro elementos da banda de Baltimore. É evidente que o processo de composição dos Animal Collective surge após muito experimentar e muito deitar fora. Processo que se foi aperfeiçoando ao longo dos anos e das várias edições discográficas. Percurso que tornam os Animal Collective numa das maiores forças criativas da actualidade. Um grupo de exploradores dedicados à demanda da harmonia sonora e da textura perfeita e que, na maior parte das vezes coloca de parte o formato clássico da canção. Porém, o facto é que sucessivamente os Animal Collective nos têm surpreendido. Foi o que aconteceu, uma vez mais, no passado dia 25 de Julho, apesar da prestação não ter superado o concerto de 2008, na discoteca Lux. A banda voltou a apresentar as suas experimentações já lapidadas e polidas, a que o recinto do CCB, surpreendentemente, resistiu. Ouvimos temas novos (o compasso de «A Long Time Ago» e a demência de «Let Go» e «Mercury» deixaram-nos a salivar pelo novo disco), peças de «Feels» («Did You See The Words» foi o grande flashback da noite) e canções do obrigatório «Merriweather Post Pavilion» («Brother Sport» apresentou-se, uma vez mais, em excelente forma). O público entusiasmou-se, afinal não é todos os dias que temos a oportunidade de ver uma das bandas mais inventivas da actualidade, mas as investidas de alguns dos presentes no ultrapassado conceito de «discos pedidos» revelaram-se irritantes. Na primeira parte, vimos uma actuação competente da dupla Aquaparque, um dos projectos mais interessantes da pop Made in Portugal. Prestação que fez jus à electro-pop lânguida dos seus dois álbuns de originais, mas que não afastou a sensação de menos consistência em alguns momentos. Os ingredientes são bons e a matriz da música dos Aquaparque recomenda-se, faltando só limar algumas arestas que ainda descortinamos nos seus trabalhos e menos recurso ao método «carrega no botão».

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Animal Collective | Bluish

Mais um vídeo a ser extraído do brilhante «Merriweather Post Pavilion», o elogiado álbum de 2009 dos norte-americanos Animal Collective. A escolha recaiu sobre «Bluish», uma das minhas canções favoritas de 2009. O vídeo é realizado por Jason Oliver Goodman.

sábado, 26 de junho de 2010

Animal Collective | Guys Eyes

Os norte-americanos Animal Collective acabam de revelar mais um vídeo do mui aplaudido «Merriweather Post Pavilion». O tema escolhido foi «Guys Eyes» e o vídeo é realizado por Joey Gallagher.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Viagens à tasca | Fall Be Kind

E o primeiro disco adquirido em 2010 (na tasca Flur) foi o EP «Fall Be Kind» dos norte-americanos Animal Collective. Disquinho da praxe, na discografia da banda, que desde «Sung Tungs» (2003) sucede a cada álbum de originais e que à parte de reunir os respectivos «leftovers» de cada trabalho, abre novos e importantes caminhos para o que há-de vir. «Fall Be Kind» é composto por cinco novas composições que prolongam o fascínio criado à volta de «Merriweather Post Pavilion». Canções mais calmas que mantêm vivo o magnetismo do desconcertante universo melódico-experimental dos Animal Collective. «Graze», o tema de abertura, é um autêntico dois em um: combinação perfeita entre a vertente mais etérea da banda com um ambiente mais gracioso e festivo em que a flauta romena e com laivos celtas de Gheorghe Zamfir faz a diferença. Segue-se «What Would I Want? Sky», o tema que contém o primeiro sample autorizado dos Grateful Dead (retirado de «Unbroken Chain») e que poderá ser definido com uma das canções mais melódicas e afectuosas dos Animal Collective. Os restantes três temas - «Bleed», «On A Highway» e «I Think I Can» -, revelam a faceta mais enigmática e, paralelamente, mais sonhadora da banda. Verdadeiros interlúdios que encaixam na perfeição em qualquer álbum dos Animal Collective e que testemunham o deslumbramento da banda pelo multiculturalismo na demanda da pop e da melodia perfeita. Dados que fazem deste «Fall Be Kind» mais uma magnífica colecção de canções da notável carreira dos Animal Collective. Por fim, e dado ainda não existir nenhum vídeo promocional de «Fall Be Kind», apresento o singular «Grass» (tema de «Feels», ainda o meu álbum favorito da banda de Baltimore).

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Animal Collective | Brother Sport

2009 foi um ano em grande para os norte-americanos Animal Collective. A banda de Baltimore fechou com chave de ouro a década dos anos 00 ao editar «Merriweather Post Pavilion», para muitos a sua obra-prima. O disco acabou por ser eleito, quase por unanimidade, álbum do ano e a banda conquistou novas audiências. «Brother Sport», uma das melhores canções editadas em 2009, é o mais recente vídeo dos Animal Collective.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Animal Collective | In The Flowers

Os Animal Collective estão de regresso aos vídeos e irão, ainda em 2009, editar um novo EP. O vídeo, realizado por Abby Portner, é para «In The Flowers», o tema de abertura do último álbum, «Merriweather Post Pavilion». Quanto ao EP, que se irá intitular «Fall Be Kind», será editado no dia 14 de Dezembro e incluirá cinco novos temas.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Animal Collective | Summertime Clothes

O Verão parece ter chegado finalmente e com ele surge o novíssimo vídeo dos Animal Collective. «Summertime Clothes» é já a segunda aposta dos norte-americanos para promover «Merriweather Post Pavilion». O vídeo é realizado por Danny Perez e conta com a colaboração do grupo de dança nova-iorquino FLEX.
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domingo, 25 de janeiro de 2009

Animal Collective | Merriweather Post Pavilion

O meu fascínio pelo universo Animal Collective não é recente. Já aqui referi várias vezes que a banda norte-americana é uma das maiores e mais importantes forças criativas da música pop da actualidade, sendo responsável por alguns dos álbuns mais admiráveis dos últimos dez anos. Álbuns esses, que agora evocados, me dão uma percepção clara da constante evolução e do aperfeiçoamento de fórmulas e conceitos na música do grupo. No início, o caos sonoro dava mostras de um devaneio experimentalista que ia beber ao rock psicadélico, bem como na folk mais minimalista ou mesmo na música tribal. Não existiam regras nem barreiras para a criação musical desta banda oriunda de Baltimore. Assim, desde 2000 que a música destes senhores tem vindo a aprimorar-se, descobrindo-se a cada novo disco caminhos alternativos para se chegar à melodia e à canção. Ora bem, «Merriweather Post Pavilion», álbum editado há umas semanas atrás e que já vai sendo apontado como o grande disco de 2009, volta a mostrar uns Animal Collective apostados em superarem-se a si mesmos e em lapidar um pouco mais as suas criações. Consumam uma revisão do melhor que produziram no último decénio e misturam-lhe as electrónicas. A música do grupo ganha novas cores e novos sabores (características que já haviam sido vividas em Maio de 2008, num concertaço que a banda deu no Lux). Canções como «My Girls», «Summertime Clothes», «Daily Routine», «Bluish», (…) e «Brother Sport» desvendam uma nova e tribal pop electrónica, que apesar de ser gerada pelas maquinarias se revela humana e plena de sentido e harmonia.
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Para terminar deixo em repeat «My Girls», uma das músicas mais empolgantes dos Animal Collective.
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terça-feira, 10 de junho de 2008

Animal Goodies

Após o empolgante espectáculo oferecido pelos Animal Collective decidi divulgar alguns goodies adquiridos à saída do concerto do passado dia 28 e outros que esperavam a sua oportunidade para se mostrarem neste espaço.
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Seguindo uma metodologia cronológica dou início a esta autêntica viagem no tempo com a compilação «Spirit They’re Gone, Spirit They’ve Vanished / Danse Manatee» (aquisição tasqueira), álbum duplo que reúne as duas primeiras aventuras discográficas do clã Animal Collective. Enquanto «Spirit They’re Gone, Spirit They’ve Vanished» (2000) regista o fervilhar de ideias e emoções compartilhadas entre Avey Tare (a.k.a. David Porter) e Panda Bear (a.k.a. Noah Lennox), em «Danse Manatee» (2001) encontramos, também, as demências musicadas de Geologist (a.k.a. Brian Weitz). Porém, é a dupla que mais brilha, apresentando uma combinação da pop beatlesca com o psicadelismo pink floydiano: ouça-se, por exemplo, o soberbo «April And The Phantom». Do início sonhador e, simultaneamente, revelador da morbidez de David Lynch em «Spirit They’ve Vanished», Avey Tare e Panda Bear seguem caminhos fantasiosos e o resultado final é um autêntico conto de fadas electro acústico tribal. Os oito minutos de «Penny Dreadfuls» e «Chocolate Girl» são hipnóticos (para não dizer psicadélicos) e visionários. Pressentimos o germinar de ideias e melodias Animal Collective. A harmonia sonora é apurada, os ruídos são polidos, as vocalizações são acriançadas e habituais para o mundo Avey Tare e exercícios como «April And The Phantom», «Someday I'll Grow To Be As Tall As The Giant» e o arco-íris musicado «Alvin Row» compõem um dos discos mais criativos e arrojados dos últimos anos.
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Por sua vez «Danse Manatee» parece perdido em si mesmo. Se «Spirit They’re Gone, Spirit They’ve Vanished» é quase um álbum a solo de Avey Tare, dado Panda Bear se limitar a explorar a «perfect percussion», em «Danse Manatee» o protagonismo é compartilhado em simultâneo entre Avey Tare, Panda Bear e Geologist. Há sons animalescos, ruídos de feedback, experimentação a rodos e muita loucura à mistura, o que apesar de se colarem aos devaneios habituais dos Animal Collective, aqui vagueiam sem destino e sem qualquer orientação audível. À excepção de «Essplode», que recupera os espíritos perdidos da estreia, destaque-se a galopante percussão de «Running The Round Ball» que anos mais tarde resultou na pérola que é «Peacebone». «Danse Manatee» é, assim, um álbum de esboços e ideias que viu a luz do dia cedo demais.
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«Here Comes The Indian» (adquirido à saída do concerto do passado dia 28 de Maio) data de 2003 e é o primeiro trabalho em que encontramos os quatro Animal Collective juntos. Deaken (a.k.a. Conrad Deaken) junta-se aos restantes para equilibrar a equação «Danse Manatee». «Here Comes The Indian» contém algumas das composições mais explosivas e tresloucadas deste colectivo animal. Orgia sonora em ritual tribal, dirão alguns. Animal Collective a brincar aos índios, dirão outros. O que é certo é que a criatividade fervilha a cada novo tema apresentado e «Here Comes The Indian» é o primeiro grande caleidoscópio musicado do imaginário colectivo de Avey Tare, Panda Bear, Geologist e Deaken: a irmandade Animal Collective. Com uma atitude experimentalista q.b., os quatro exploradores do som misturam a aspereza dos Sonic Youth com ritmos e vocalizações indígenas, oferecendo-nos um disco envolvente e deveras cativante.
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Após os ovacionados «Sung Tongs» (2004) e «Feels» (2005), os Animal Collective recuperaram «Hollinndagain» (2006): disco originalmente editado em vinil e com tiragem limitada a trezentos exemplares que regista alguns dos temas que compunham os espectáculos dos Animal Collective em 2001 (altura de «Danse Manatee» em que partilhavam o palco com os Black Dice). Contrariamente a «Danse Manatee», as jam sessions aqui gravadas mostram-se mais trabalhadas e completas. Há, mais uma vez, experimentação para dar e vender. Procura-se a textura perfeita, a combinação sonora mais hipnotizante, a percussão mais diabólica, o ruído mais harmonioso, a música mais estranha e paralelamente mais sonhadora. «Hollinndagain» consegue-o a espaços, mas é o conjunto de músicas, ora perfeitas ora disformes, que marca pontos e revela que desde muito cedo esta banda norte-americana sabia o que queria e para onde ia: fazer boa música e divertir-se com isso.
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Chegamos finalmente ao EP «Water Curses», a mais recente edição discográfica dos Animal Collective e o que podemos identificar como o EP da praxe que desde «Sung Tongs», de 2003, sucede a cada álbum de originais. Depois da dreamy folk pop de «Prospect Hummer» (EP que sucedeu a «Sung Tongs»), «People» revelou alguns dos temas que não encaixaram em «Feels», de 2005. Agora é «Water Curses» que junta três temas retirados das sessões de «Strawberry Jam» e um outro gravado no estúdio de Brooklyn, o Rare Book Room. «Water Curses», a canção, é mais um excelente exemplo de como os Animal Collective conseguem atingir o nirvana indie pop como mais nenhuma banda consegue. O ritmo é mais moderado, as vocalizações são mais radio-friendly, mas a sua melodia circula ao som da cadência de um carrossel alegria. Razões pelas quais este «Water Curses» é mais um excelente momento pop oferecido pela banda. Os restantes três temas («Street Flash», «Cobwebs» e «Seal Eyeings») não beliscam em nada a qualidade musical dos Animal Collective, mas são claramente lados-b do soberbo «Strawberry Jam».
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Para finalizar destaco, uma vez mais, o vídeo promocional de «Water Curses», realizado por Andrew Kuo.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

'Eectro tribal jam' na noite de Lisboa

Depois do serão morno presenteado por Cat Power, a agenda de concertos em Lisboa marcava encontro, no Lux, com Bradford Cox e o seu projecto Atlas Sound e os Animal Collective. Numa noite em que a chuva assegurou o papel principal nas ruas de Lisboa, no Lux tanto Atlas Sound como os Animal Collective não deixaram os seus créditos em mãos alheias e à sua própria maneira mostraram como a qualidade dos seus últimos álbuns não se perde quando ensaiados em palco.
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Se Bradford Cox conseguiu transmitir na perfeição o sentimento que corre nas entrelinhas sonoras de «Let The Blind Lead Those Who Can See But Cannot Feel», o de estarmos no seu próprio quarto a ouvir os seus devaneios musicados (destaque especial para o etéreo «Recent Bedroom»); os três Animal Collective (faltou o guitarrista Deakin), de uma forma galopante e entusiasmante, transpuseram-nos para os quatro cantos do mundo e divulgaram algumas das suas maiores maravilhas. Assim, e enquanto Atlas Sound preferiu uma postura low profile, actuando sentado e longe dos olhares da maioria dos presentes, o que poderá ter dispersado a atenção de grande parte do público, os Animal Collective desde cedo mostraram que o final da noite seria festivo. É certo que depois dos álbuns «Feels» (2005) e «Strawberry Jam» (2007) a banda de Baltimore, sedeada em New York, vive em autêntico estado de graça. Porém, também ficou evidente que os espectáculos dos Animal Collective são raros em experimentação pop e enquanto energia electro indie pop tribal. Apresentaram, durante uma hora e meia, algumas das composições pop mais marcantes dos últimos anos, de «Leaf House» a «Fireworks», passando pelos inevitáveis «Grass» e «Peacebone». Aventuraram-se e exploraram as potencialidades de temas como «Who Could Win A Rabit?» e «Brother Sport» (o tema que vai surgindo nos alinhamentos dos vários concertos do colectivo, mas que ainda não viu edição discográfica) e tiveram tempo ainda para mostrar temas novos e «Comfy In Nautica» (um dos rebuçados mais deliciosos da colheita de 2007, extraído do admirável «Person Pitch», de Panda Bear). Houve energia a rodos e os músicos destilaram-na de um forma colorida e em todos os sentidos, mostrando que são, hoje em dia, um dos pólos mais criativos da música contemporânea.
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Aproveitando, uma vez mais, a ocasião de um concerto em palcos nacionais agarro numa das últimas aquisições tasqueiras para revelar um dos segredos mais bem guardados de 2008. «Let The Blind Lead Those Who Can See But Cannot Feel» é, até à data, um dos grandes álbums do ano. Bradford Cox, vocalista do grupo norte-americano Deerhunter, aproveitou a paragem da banda para se enfiar no quarto e gravar o que podemos intitular o «Person Pitch» de 2008. Seguindo a metodologia «copy + paste», Cox apresenta sons envolventes, melodias simples e ambientes caseiros, num álbum despretensioso e sonhador. Na voz, Bradford Cox, aproxima-se do timbre e das deambulações vocais de Chino Moreno, dos Deftones, mas musicalmente a jornada é etérea e devaneada, piscando o olho aos minimalismos de Björk, Spiritualized, Animal Collective e à característica caixinha de música à la Sigur Rós. Todavia, note-se que «Let The Blind Lead Those Who Can See But Cannot Feel» não é de fácil audição. Caso tenha apreendido «Person Pitch», o debut de Atlas Sound deverá ser bem recebido. Se o «bedroom record» de Panda Bear não lhe encheu o olho, então passe à frente que aqui não encontrará nada de estimulante.
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Para terminar em beleza deixo o vídeo de «Peacebone», um dos singles de «Strawberry Jam».

terça-feira, 15 de abril de 2008

Animal Collective | Water Curses

Já podemos ver e ouvir «Water Curses», tema título do novo EP dos norte-americanos Animal Collective. O disco, com edição marcada para a primeira semana de Maio, é composto por mais três temas («Street Flash», «Cobwebs» e «Seal Eyeing»). Por enquanto fica o vídeo, realizado por Andrew Kuo, de mais uma divagação sonora dos Animal Collective.

domingo, 9 de março de 2008

Viagens à tasca

Regressamos aos habituais percursos tasqueiros para destacar uma já longínqua visita à baixa pombalina. Já não me recordo de quais as circunstâncias para tal visita. Provavelmente um qualquer jantar rotineiro no Bairro Alto para o qual decidi efectuar um pequeno pré-desvio. A colheita mostrou-se boa e como resultado lá andei eu, uma vez mais, a noite toda a promover as lojas do saquinho verde…
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As primeiras escolhas recaíram sobre dois EPs dos norte-americanos Animal Collective. Se «Prospect Hummer», edição que conta com a participação e auxílio especiais de Vashti Bunyan, data de 2005 e resulta da fusão dos ambientes experimentais e libertinos dos Animal Collective à folk tradicional e obscura de Bunyan; «People» sugere uma qualquer celebração, mais que merecida diga-se, a «Feels» (soberbo álbum de 2005). De facto, «Prospect Hummer» aproxima-se da tão solenizada fre(ak) folk, com algumas passagens a fazer-nos lembrar a harpa e as divagações acriançadas de Joanna Newsom; e «People» caracteriza-se mais por ser uma obra ao estilo pós-moderno dos Animal Collective. Se «Prospect Hummer», a canção, remete-nos para o universo das irmãs CocoRosie e do amigo Devendra Banhart; «People», o tema, é cumulativamente espacial e festivo, com efusivos «yeah», «yeah», «yeah» à mistura. Se o instrumental «Baleen Sample» sugere uma continuação de alguns dos temas de «Sung Tongs» (de 2004 e pré «Prospect Hummer»); «My Favorite Colors» são cento e onze segundos arrepiantes, mas naturais para Avey Tare e companhia. Enquanto «I Remember Learning How To Dive» se apresenta como uma autêntica composição clerical, enquadrando-se perfeitamente em qualquer cerimónia católica e com Bunyan a mostrar que ainda tem muito para dar; «Tikwid» é melodiosa e Avey Tare volta a maravilhar-nos com as suas criativas vocalizações. «It’s You» compacta tudo o que «Prospect Hummer» enuncia e a versão ao vivo de «People» é só mais um extra. Em suma, levei para casa mais trinta minutos, em oito gravações, dos Animal Collective que merecem toda a nossa atenção: se os primeiros quinze minutos se aventuram em terrenos dream freak free folk, na voz de Vashti Bunyan; os restantes quinze minutos são mais uma prova de qualidade das experiências sonoras dos Animal Collective. Registe-se, ainda, que brevemente será editado mais um EP dos Animal Collective, intitulado «Water Curses», e que nos dias 27 e 28 de Maio a banda nova-iorquina passa pelo Cinema Batalha (no Porto) e pelo Lux (em Lisboa), respectivamente.
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A segunda aposta recaiu sobre outro dos grandes registos de 2007: «Trees Outside the Academy», o segundo álbum a solo de Thurston Moore, guitarrista dos nova-iorquinos Sonic Youth. Se há uns anos atrás nos dissessem que Moore se aventuraria a editar um álbum pop acústico e baseado na estrutura clássica da canção, provavelmente ninguém acreditaria. Porém, o passado mais recente dos Sonic Youth tem-nos mostrado excelentes momentos pop. A aspereza da banda nova-iorquina pressente-se, mas são as melodias e as texturas pop que mais se evidenciam. Por isso, este «Trees Outside the Academy» é como que um descendente directo de «Rather Ripped», de 2006. Composto entre a eficácia da guitarra acústica de Thurston Moore, a elegância do violino de Samara Lubelski, as discretas mas infalíveis percussões de Steve Shelley (companheiro de Moore nos Sonic Youth) e pontuais manifestações da guitarra de J Mascis (dos Dinosaur Jr., em cujo estúdio o álbum foi gravado), «Trees Outside the Academy» é surpreendente e «user-friendly». Ouçam-se, por exemplo, a deliciosa «Honest James» que conta com a colaboração na voz de Christina Carter dos Charalambides; a sónica e melancólica «Fri/End»; a descontraída «American Coffin» que nos mostra os dotes de Moore ao piano; o espírito punk e acelerado em formato unplugged de «Wonderful Witches + Language Meanies»; a versão acústica da crespidão Sonic Youth em «Off Work»; a balada folk de «Never Day»; a intrigante visão grunge de Thurston Moore em «Frozen Gtr»; e a introspectiva «The Shape Is In A Trance». Dando continuação aos devaneios de Moore em «Thurston @ 13», apetece-me avisar: «What you’re about to hear is some of the finest Thurston Moore’s tunes!».
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Mudando, totalmente, de corrente musical e, igualmente, de continente, volto a destacar o francês Benjamin Biolay (BB) para apresentar «Trash Yéyé» (como prometido aquando das «viagens à tasca em período de férias»). Editado em 2007, «Trash Yéyé» é o quarto álbum de originais, em nome próprio, de BB. Depois da espantosa estreia em «Rose Kennedy» (2001), da não menos extraordinária sequela com o duplo álbum «Négatif» (2003) e do menos conseguido «À L’Origine» (2005), «Trash Yéyé» vem confirmar as qualidades de BB como compositor de excepção e oferecer alguns dos momentos pop mais lascivos de 2007. Compactando de uma forma coesa e sucinta as várias aventuras discográficas de BB, «Trash Yéyé» tem a rara proeza de combinar a chanson française de Serge Gainsbourg e Arthur H com as electrónicas francófonas que fizeram história em «Moon Safari» dos compatriotas AirDouloureux Dedans»); com momentos mais clássicos e paradoxalmente mais indieRegarder La Lumière» e «Cactus Concerto»); ensejos soturnos e à lá Nick CaveLa Garçonnière»); piscadelas ao dub embebidas em discretas movimentações reggaeLaisse Aboyer Les Chiens»); e exercícios mais «radio-friendly» («Dans La Merco Benz», «Qu’Est Ce Que Ça Peut Faire» e «Rendez-Vous Qui Sait»). Razões pelas quais BB continua a ser uma das estrelas maiores na minha colecção de discos. Menção final para as baladas «La Chambre D’Amis» e «Woodstock», a faixa escondida, que podiam perfeitamente surgir na banda sonora do belíssimo «Les Chansons D’Amour» (filme de Christophe Honoré). Ora cá está mais um nome interessante para uma passagem por palcos nacionais…
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Chegamos ao derradeiro desvio para falarmos do já extinto trio norte-americano de hip-hop cLOUDDEAD. Composto por Doseone (Adam Drucker), Why? (Yoni Wolf) e Odd Nosdam (David Madson), os cLOUDDEAD são hoje um caso de culto. Em cinco anos de actividade editaram dois álbuns («cLOUDDEAD» de 2001 e «Ten» de 2004) e quase duas mãos cheias de EPs. O seu desaparecimento prematuro em 2004 deixou «água na boca» a muito boa gente. Até então só tinha ouvido alguns minutos soltos da demência do colectivo. A noção que tinha era que produziam um som não muito distante dos conterrâneos Dilated Peoples, ou seja, ambientes sombrios e urbanos, nos quais os beats e as rimas desempenhavam o papel principal. Após a audição do debut «cLOUDDEAD» testemunhei um qualquer casamento entre um hip-hop sagaz e samples de cariz cinematográfico, revelando ambientes ficcionais que nos remetem inadvertidamente para tudo e mais alguma coisa («I Promise Never To Get Paint On My Glasses Again (1)» é um excelente exemplo disso mesmo). «cLOUDDEAD» é, assim, um disco de imagens, de beats, de momentos e ambientes. O já aqui discutido formato canção é ponto que em nada interessa aos três elementos da banda norte-americana. Os sons vão emanando e a magnetização é crescente. Fico à espera de encontrar «Ten» numa futura visita tasqueira...
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A despedida faz-se ao som de Benjamin Biolay, com «Dans La Merco Benz», o primeiro single extraído de «Trash Yéyé».

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Viagens à tasca

Como não há duas sem três, voltamos à tasca da margem sul para repescar «Kill The Moonlight» dos Spoon e «Strawberry Jam» dos Animal Collective, uma das grandes obras de 2007.
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Já aqui expressei a minha admiração por Britt Daniel e os seus Spoon. Também já tive a oportunidade de referir que neste ano de 2007 decidi apostar um pouco mais no colectivo texano. Depois do deleite com «Ga Ga Ga Ga Ga», à primeira oportunidade e em troca de alguns euros, «Kill The Moonlight» ganhou corpo e lá apagámos os MP3 do computador. Editado em 2002, «Kill The Moonlight» é o quarto e um dos melhores álbuns dos Spoon. Composto por doze potenciais singles, Britt Daniel e companhia apresentam uma sonoridade fresca e deveras sedutora. «Small Stakes» e «The Way We Get By» (tema que «comercializou» a banda) é rock inteligente e cheio de «nervo»; «Paper Tiger» e «Back To The Life» são pop elegante e sinistra mas bem intencionada; o falsete de Daniel em «Something To Look Forward To», o swing despretensioso de «All The Pretty Girls Go To The City» e o apontamento beatbox de Daniel em «Stay Don’t Go» são momentos de puro encanto. Pelo meio ainda há espaço para momentos Pixies (ouça-se «Jonathon Fisk» e «You Gotta Feel It») e, a fechar, «Vittorio E.» numa pequena e etérea anotação de Britt Daniel. Trinta e cinco minutos de muito boa música em mais um álbum de excepção dos norte-americanos Spoon.
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Aquando do presente tropeção, os Animal Collective tinham acabado de editar «Strawberry Jam» (para ver, caro amigo, o quão atrasadas andam estas minhas divagações bloguistas). Após a minha (recente) descoberta e fascínio pelo universo paralelo Animal Collective, das amostras sucessivas que iam surgindo no YouTube à rendição perante «Person Pitch» de Panda Bear, «Strawberry Jam» era aguardado com grande ansiedade. Posição não isenta de risco, diga-se de passagem, pois quando as expectativas são altas o resultado é quase sempre diminuto. No entanto, Avey Tare, Panda Bear, Geologist e Deakin deram bem conta do recado e «Strawberry Jam» resultou num dos grandes trabalhos de 2007 (a par de «Person Pitch»). Os ambientes esquizóides regressam em força, as vocalizações únicas e extravagantes de Avey Tare estão no seu auge (ouça-se, por exemplo, «For Reverend Green») e as canções (agora sim podemos afirmar que existem canções dos Animal Colective) são o resultado perfeito de exercícios anteriores. Todavia, «Strawberry Jam», tal como qualquer outro trabalho dos Animal Collective, não é de fácil audição. Para o ouvinte habituado à construção estrofe / ponte / refrão / estrofe, esqueça «Strawberry Jam». Aliás, esqueça que alguma vez existiram os Animal Collective. Contudo, para os conhecedores deste mundo, nas agradáveis «irregularidades» sonoras de «Strawberry Jam» surge um leve romantismo, até agora desconhecido na sonoridade da banda. «Fireworks», um dos momentos mais bem conseguidos na carreira do colectivo norte-americano, é o exemplo máximo desse mesmo enfeitiço. «Cuckoo Cuckoo» e «#1» são etéreos e perfeitos para qualquer sonhador. «Peacebone» é uma mescla de sons e ambiências que culminam num rebuçado delicioso. «Chores» podia muito bem figurar na banda sonora de um filme de Emir Kusturika. «Unsolved Mysteries» é, tal como o título indica, misterioso e «Derek», a fechar, é a parada militar deste colectivo animal, é certo, mas domesticado…
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Para finalizar deixo «Fireworks» dos Animal Collective, uma das canções que marcaram o ano de 2007.
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quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Panda Bear | Comfy In Nautica


É mais um dos grandes temas de 2007 a passar do stereo para a televisão, ou melhor, para o mundo virtual. Noah Lennox, mais conhecido pelo seu papel de Panda Bear (tanto em nome individual como nos Animal Collective), acaba de editar mais um single do aclamado segundo disco de carreira «Person Pitch». Depois de «Bros», a escolha recaiu sobre «Comfy In Nautica», outro exercício de mestre na arte copy&paste. O vídeo é realizado por Patrick O'Dell e Sam Salganik.
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domingo, 2 de setembro de 2007

Viagens à tasca

O que seria um «rally às tascas» sem passarmos pela FNAC? Seria como passar por Belém sem parar nos famosos pastéis… Visitar Sintra e resistir aos afamados travesseiros da ‘Periquita’… Passar pelo mítico ‘Arroz Doce’ sem darmos um valente ‘Pontapé na Cona’… Assim, e antes de me entregar de corpo e alma a outros prazeres, os das férias, voltamos ao principal local do crime e não resistimos a mais um chamamento de Animal CollectiveSung Tong»), Bright Eyes Fevers And Mirrors»), Antony And The Johnsons The Lake») e - caríssimos, vejam como andava completamente perdido - ao apelo sofredor dos KeaneHopes And Fears»).
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Comecemos pelo fim. Caro amigo, já relatei, nos últimos capítulos, o meu mal estar perante o que me rodeia. Como em momentos de fraqueza fico mais vulnerável à «bebida», cedi perante o primeiro «guilty-pleasure» de há muito. Os Keane são um caso desconforme. São capazes de fazer o melhor e o pior num inocente disquinho de quarenta minutos. «Somewhere Only We Know» é um dos melhores temas de 2004. «Hopes And Fears» é um dos álbuns mais desiguais desse mesmo ano. Contudo, a melancolia pedia «Somewhere Only We Know». Porquê? Só viria a descobrir depois das férias:
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«Oh Simple things where have you gone?
I’m Getting old and I need something to rely on
So tell me when you’re gonna let me in
I’m getting tired and I need somewhere to begin
»
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Tom Chaplin e companhia descobriam a causa da taciturnidade. «This could be the end of everything / So why don’t we go somewhere only we know?» era a pergunta que se fazia. Mas o espírito que se vivia era o de «Bend And Break»:
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«If only I don’t bend and break
I’ll meet you on the other side
I’ll meet you in the light
If only I don’t suffocate
I’ll meet you in the morning when you wake
»
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A música é limpinha, as composições de piano são eficazes e colam-se nos ouvidos, os temas são quase todos gravados para a rádio e o mais que produzido resultado final acaba por ser positivo. Porém, há falsetes tão doces que chegam a enjoar, «pianadas» tão açucaradas que sentimos os triglicéridos a manifestarem-se. Uma mescla e desigualdade que cativou Portugal, o que possibilitou a edição especial e exclusiva para o nosso país de um CD bónus com a gravação ao vivo de 4 temas na RFMSomewhere Only We Know» e «Bedshaped» incluídas), demonstrando alguma fragilidade vocal de Tom Chaplin.
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Após uma melancolia açucarada e por vezes plagiada decido manter-me ao piano, mas adensar o ambiente. Facilmente se chega a Antony Hegarty e os seus Johnsons. Desde o início da sua aclamada e curta carreira que Antony tem optado por editar diversos EPs. Discos de 3/4 temas que se revelam autênticas peças de coleccionador. Durante a presente visita encontrámos «The Lake», EP que além de apresentar o genial «I’m A Bird Now» através do não menos soberbo «Fistful Of Love» (com a participação especial de Lou Reed) inclui «The Lake» – tema baseado no poema de Edgar Allan Poe – e «The Horror Has Gone». Iguais a si próprios Antony and The Jonhnsons voltam a marcar pontos e a fazer cada peça musical uma profunda mágoa capaz de deixar lágrimas no rosto de qualquer ouvinte. Todavia, sentimo-nos reconfortados com a dor de Antony e a contar os dias para qualquer novidade que seja de Antony Hegarty.
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A próxima paragem foi feita ao som de Conor Oberst. Mais um projecto onde a palavra parece ganhar uma dimensão maior que a própria música. Porém, esta ideia é mais uma das muitas falácias que marcam a pop dos dias de hoje. A música dos Bright Eyes é apaixonante, brilhante e autêntica. O que parece faltar aos novatos Keane, tem o jovem Conor Oberts em excesso: objectividade, sensibilidade e paixão qb. «Fevers And Mirrors» é o 2.º álbum de originais dos Bright Eyes. Editado em 2000 e sucessor do já aqui exposto «Letting Off The Happiness», assinala o marcar de posição no panorama alternative-country norte-americano. Se o desconforto de «Letting Off The Happiness» foi uma mais que bem sucedida estreia (mais em termos musicais que comerciais), «Fevers And Mirrors» prolongou as «febres» e crises existenciais de Conor Oberst e aumentou o culto em torno dos Bright Eyes. Se «Haligh, Haligh, A Lie, Haligh», «The Calendar Hung Itself...» e «The Center Of The World» mostram uns Bright Eyes com os sentimentos mais à flôr da pele, «A Spindle, A Darkness, A Fever, And a Necklace», «The Movement Of A Hand», «When the Curious Girl Realizes She Is Under Glass» e «Sunrise, Sunset» revelam ambientes mais serenos. É mais um grande álbum na mui radiante carreira dos Bright Eyes.
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Demonstrei, há uns «episódios» atrás, o meu recente fascínio pelo mundo desconcertante dos Animal Collective. A meu ver, este animal colectivo norte-americano revela-se, a par dos irmãos The Fiery Furnaces, como o mais fértil em melodias e texturas musicais. Aqui cada nota é única, cada momento é mágico, cada tema é inspirador e criador de imagens. Apesar do meu daltonismo parcial, a música transmite cores (reais e decifráveis), beleza, aromas, fragrâncias, etc. Para este «Sung Tongs» os Animal Collective pegaram nos Beach Boys e convidaram os Neutral Milk Hotel, Flaming Lips, Mercury Ver, Björk, Müm, Nick Drake e mais umas quantas forças musicais para uma irresistível viagem a África. Nos primeiros ensaios segue-se um trilho mais «World Music», mas o resultado é a mais apurada pop dos últimos tempos (o ADN dos Beach Boys não engana). Em «Leaf House» as cores são maioritariamente bucólicas, porém Nick Drake parece juntar-se a Brian Wilson nas solarengas praias da Califórnia, ou melhor, nas Seychelles (já que viajamos pelo continente Africano). «Who Could Win A Rabbit» são os Neutral Milk Hotel a brincar com as sonoridades terráqueas da gélida Islândia de Björk e Müm. Ouvimos «The Softest Voice» e julgamos ver Damon Albarn às voltas por Marraquexe ou mesmo pelo Mali. «Visiting Friends» revela-se numa agradável viagem de doze doces minutos pelas nossas brincadeiras de infância. Sentimos a presença da sempre bem vinda Maria João, mas aqui a música enquadra-se mais no espírito «afro-tribal». O ambiente é mais acolhedor, mais quente, o espírito é mais hospedeiro, sentimo-nos em casa, apesar de continuarmos pelas sempre perigosas mas atractivas paisagens africanas. Desta forma «Sung Tongs» acabou por ser o bálsamo perfeito para os últimos dias antes das férias de 2007.
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Deixo em airplay e em repeat uma amostra do melhor que os Animal Collective são capazes de oferecer: «Leaf House», o extraordinário tema de abertura de «Sung Tongs», de 2004.

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Viagens à tasca

Dado o tempo e atenção dispendido com «Our Love To Admire», julguei por bem fazer um coffee brake e relatar os restantes pormenores da minha última visita à tasca num segundo episódio do capítulo 3 desta saga.

Além dos Interpol, a última «bebedeira» teve os aromas de Josh Rouse, Animal Collective e Gossip. Se Josh Rouse, um habitué por estas paragens desde a edição do soberbo «1972» em 2003, apresenta o mais recente «Country Mouse City House»; os Animal Collective (a prepararem o lançamento do novo «Strawberry Jam») surgem com o aclamado «Feels»; e o colectivo The Gossip, após a impulsiva passagem pelo SBSR, reeditam o álbum de 2005 «Standing in The Way Of Control».
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Josh Rouse é na actualidade, e a par da canadiana Feist, uma das vozes mais sexys da pop. Natural do Nebraska, Rouse editou o primeiro álbum («Dressed Up Like Nebraska») em 1998 e desde então tem atraído a atenção de críticos e público em geral. O início da sua carreira discográfica indiciava uma direcção mais alternative-country; a colaboração com Kurt Wagner dos Lambchop no EP «Chester» de 1999 é um bom exemplo disso. Contudo, e com a edição de «Home», em 2000, Rouse foi alvo de um forte assédio por parte de realizadores cinematográficos e produtores televisivos. Directa ou indirectamente, Josh Rouse compõe de uma assentada as 2 obras máximas da sua já considerável carreira: «Under Cold Blue Stars» de 2002 e o conceptual «1972» em 2003. Se no início a folk era o goal a atingir, agora a pop açucarada e imprópria para hiperglicémicos sobrepunha-se à folk. Antes do novo «Country Mouse City House», Josh Rouse lançou ainda, e em nome próprio, «The Smooth Sounds Of Josh Rouse» (registo em DVD de uma actuação ao vivo em Nashville e CD com lados b), «Nashville» e «Subtítulo». Este último totalmente composto e gravado em Espanha, onde Josh reside actualmente. Tratando-se de exercícios menores, tal como este «Country Mouse City House», Josh Rouse consegue sempre captar a nossa atenção, pois a sua voz é familiar, o som é afectuoso e as estórias que documenta acabam por soar a contos infantis. Os «la la la la la la la» voltam a marcar presença («Sweetie»), a pop suave e característica de outras épocas está cá («Italian Dry Ice»), a paródia musicada também («Hollywood Bass Player») e a sedutora e lânguida voz volta a marcar pontos («Snowy»). Todavia, «Country Mouse City House» acaba por parecer mais uma agradável viagem entre Nebraska e o sul de Espanha em piloto automático.
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No que toca aos norte-americanos Gossip é impossível dissociar a recente exposição do colectivo do carisma «anti-herói» de Beth Ditto. Se dúvidas existiam sobre a pujança e qualidade enquanto performer de Ditto, essas dissiparam-se com a recente actuação da banda no SBSR. Os temas, por vezes excessivamente simples, são capazes de «agradar a gregos e a troianos». A voz soul, de uma Janis Joplin mais doce, é sem dúvida um dos pontos altos deste trio norte-americano e temas como «Standing In The Way Of Control», «Yr Mangled Heart», «Listen Up!», «Jealous Girls» e «Dark Lines» são razões para lhes darmos uma atenção adicional.
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Chegamos aos Animal Collective e a coisa complica. E ainda bem que assim é. «Feels» foi aclamado e nomeado por meio mundo como uma obra-prima. Confesso que a unanimidade envolta na banda e no disco dissipou o interesse inicial em dar o primeiro passo na descoberta do mundo Animal Collective. É claro que o Youtube foi dando umas luzes, mas na última viagem à tasca tropecei, uma vez mais, no vicío e não resisti ao apelo de Avey Tare, Panda Bear, Deakin e Geologist. Vai desta e «Feels» também foi parar ao fundo do cesto de compras. Como o próprio título sugere, «Feels» é cheio de sentimentos, de vida, de alegria, de liberdade, de afecto e carinho. Avey Tare (David Portner) é o perfeito narrador de(stas) fábulas. A forma teatralizada e cuidada com que são relatadas dão-lhes uma dimensão «bigger than life» e a aparente simplicidade difunde um sentimento singular. Como Avey Tare nos sussurra ao ouvido em «Did You See The Words», «there’s something living in these lines» (…) «There’s something starting don’t know why»…