«Don't know what the fuck they talk about / Maybe blowing kisses maybe blowing names / Really what difference does it make?», em «If Not I'll Just Die». É com estas palavras de dúvida que Kurt Wagner abre as portas de «Mr. M», o mais recente trabalho dos norte-americanos Lambchop e o sucessor do menor «OH (Ohio)», de 2008. Disco dedicado ao amigo e malogrado singer-songwriter Vic Chesnutt e escrito já depois da batalha que Kurt Wagner travou contra uma doença grave. Álbum composto por canções com o cunho Lambchop. Temas de crooner, mas cantados por uma voz invulgar. Folk que caminha a passos largos para a pop, mas mantendo sempre a alma Americana. Elementos que podemos encontrar em qualquer um dos álbuns dos Lambchop. No entanto, «Mr. M» é um disco diferente. As suas canções, apesar de terem sido registadas em 2012, são de uma outra época. Um período de contemplação, requinte e bucolismo. Classicismo pop em tonalidades melancólicas, musicando-se, na perfeição, o sentimento de perda e de angústia. «Friends make you sensitive / Loss made us idiots / Fear make us critical / Knowledge is difficult», em «Mr. Met». Este é, até ao momento, o meu álbum favorito de 2012.
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domingo, 6 de maio de 2012
segunda-feira, 30 de março de 2009
2008 | Viagens à tasca em período de férias X
De regresso a Londres para continuar o autêntico rally às tascas melómanas. Os preços continuavam a surpreender e a bagageira de mão a encher… Depois da dança hedonista com os The Go! Team e do majestoso fascínio do texano Devendra Banhart, segui viagem pelo Texas e ao som dos amigos de longa data …And You Will Know Us By The Trail Of Dead (…AYWKUBTTOD). Banda que em 2002 editou o seminal «Source Tags & Codes» e que desde então tenho como obrigatória. É certo que os últimos registos têm ficado um pouco aquém do desejado (vamos ver se o novíssimo «The Century Of Self» altera um pouco o cenário), mas o facto é que a cada nova audição de «Source Tags & Codes» as esperanças nesta banda texana renovam-se. Temas como «Another Morning Stoner» (surpreendente a sua cadência em crescendo), «Baudelaire», «Homage» (verdadeiras pedradas no charco prog-rock), «How Near How Far», «Relative Ways» e «Source Tags & Codes» (rock épico com melodias pop de crescer água na boca) assim o exigem. É certo que não mais voltei a ser surpreendido por esta banda de Austin. Contudo, lá fui coleccionando os discos, sendo que «Madonna» (2000) foi ficando para trás (os preços portugueses assim o obrigaram). Como em Londres bastavam £ 3,00 para ter «Madonna», não hesitei. O segundo álbum dos …AYWKUBTTOD e o antecessor de «Source Tags & Codes» mostra já uma banda em excelente forma, a tocar um coeso prog-punk-art-rock épico e único para a sua época. Temas como «Mistakes And Regrets», «Mark David Chapman» e «Aged Dolls» já anteviam o que acabou por acontecer com «Source Tags & Codes», ou seja, um disco sónico e repleto de energia que evocando a aspereza de uns Sonic Youth, a pujança de uns Fugazi e a distorção de uns My Bloody Valentine, consegue alcançar melodias que têm percorrido os nossos sonhos desde «Siamese Dream» (The Smashing Pumpkins), «Automatic For The People» (R.E.M.) ou mesmo «Worst Case Scenario» (dEUS). Não sendo nenhum «Source Tags & Codes», «Madonna» também não deixa de ser um brilhante exercício indie rock dos …And You Will Know Us By The Trail Of Dead..
Persisto no rock para voltar a falar dos escoceses Mogwai e, espantem-se, do futebolista francês Zinedine Zidane. Estávamos em Abril de 2005 quando a dupla de realizadores Douglas Gordon e Philippe Parreno levaram dezassete câmaras para um estádio de futebol para documentar todos os movimentos de Zidane num jogo do Real Madrid. O objectivo seria, durante noventa minutos, mostrar ao pormenor toda a beleza e personalidade do futebol de Zidane. O resultado visual ainda não sei qual é. Porém e por £ 2,00, decidi dar um primeiro passo na descoberta de «Zidane: A 21st Century Portrait». Como já devem ter adivinhado, a banda sonora está a cargo dos post-rockers Mogwai. A música reveste-se de um hipnótico downtempo que tanto pode enveredar por um caminho de inquietação/angústia (ouça-se o soberbo «Half Time»), como seguir uma vertente mais etérea e aprazível, mas menos surpreendente (as sequelas «Black Spider» e «Terrific Speech» são um bom exemplo disso mesmo). Em suma, os Mogwai, com o seu característico minimalismo rock, revelam capacidades na construção de retratos musicados, sejam eles pessoais ou paisagísticos (tenho que voltar a destacar «Half Time» que, apanhando a boleia dos Sigur Rós e durante seis minutos e meio, nos evoca algumas das mais bonitas paisagens escocesas; ou serão elas islandesas?). No entanto, o resultado final não surpreende, pois os ritmos e melodias repetem-se e os adereços sonoros deste retrato do século XXI revelam-se aborrecidos e já conhecidos nestes Mogwai. Inesperadamente o disco despertou-me o interesse em descobrir «Zidane: A 21st Century Portrait», o documentário.
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Chegamos aos The Libertines: fãs convictos dos Oasis que na hora de compor preferiam a companhia de uns The Clash ou uns The Kinks. Confesso que nunca engracei muito com esta banda inglesa. Porquê? Essencialmente, porque os anunciaram como uma resposta inglesa aos The Strokes e, verdade seja dita, os primeiros singles que me foram apresentados ficavam a léguas de tudo o que se relacionasse com a banda de Julian Casablancas. O entusiasmo pelos nova-iorquinos perdurou e os The Libertines, que acabaram por ter uma história fugaz, lá ficaram esquecidos. Que me traz então a esta rapaziada agora? O meu incansável desejo em descobrir e conhecer coisas novas e as £ 3,00 que me pediram pela compilação «Time For Heroes». Pensado para mostrar o «best of» dos dois álbuns e três EP que marcaram a curta e conflituosa parceria de Carl Barât e Pete Doherty (as forças motrizes deste colectivo londrino), o disco reúne os singles de «Up The Bracket» (2002) e «The Libertines» (2004), o orelhudo «Don’t Look Back Into The Sun» - tema que justificou a edição de um EP exclusivo para o mercado nipónico - e alguns lados-b. O revivalismo do garage punk rock britânico surge aqui em boa forma, com excelentes momentos como «What A Waster», «Up The Bracket», «I Get Along» ou mesmo «Time For Heroes». Há, também, espaço para exercícios mais propensos ao indie rock, como são exemplo «Can’t Stand Me Now» e «Don’t Look Back Into The Sun». Porém, a música desta geração Oasis parece ter mais fama que proveito. Encontramos, de facto, canções muito boas e a colectânea até chega a entusiasmar, mas no fim há um qualquer sentimento de vazio que me arrasta a «Is This It», dos The Strokes. Por que será?
Chegamos aos The Libertines: fãs convictos dos Oasis que na hora de compor preferiam a companhia de uns The Clash ou uns The Kinks. Confesso que nunca engracei muito com esta banda inglesa. Porquê? Essencialmente, porque os anunciaram como uma resposta inglesa aos The Strokes e, verdade seja dita, os primeiros singles que me foram apresentados ficavam a léguas de tudo o que se relacionasse com a banda de Julian Casablancas. O entusiasmo pelos nova-iorquinos perdurou e os The Libertines, que acabaram por ter uma história fugaz, lá ficaram esquecidos. Que me traz então a esta rapaziada agora? O meu incansável desejo em descobrir e conhecer coisas novas e as £ 3,00 que me pediram pela compilação «Time For Heroes». Pensado para mostrar o «best of» dos dois álbuns e três EP que marcaram a curta e conflituosa parceria de Carl Barât e Pete Doherty (as forças motrizes deste colectivo londrino), o disco reúne os singles de «Up The Bracket» (2002) e «The Libertines» (2004), o orelhudo «Don’t Look Back Into The Sun» - tema que justificou a edição de um EP exclusivo para o mercado nipónico - e alguns lados-b. O revivalismo do garage punk rock britânico surge aqui em boa forma, com excelentes momentos como «What A Waster», «Up The Bracket», «I Get Along» ou mesmo «Time For Heroes». Há, também, espaço para exercícios mais propensos ao indie rock, como são exemplo «Can’t Stand Me Now» e «Don’t Look Back Into The Sun». Porém, a música desta geração Oasis parece ter mais fama que proveito. Encontramos, de facto, canções muito boas e a colectânea até chega a entusiasmar, mas no fim há um qualquer sentimento de vazio que me arrasta a «Is This It», dos The Strokes. Por que será?.
De Londres seguimos a nossa aventura musical em direcção a Liverpool para chegarmos a Hoylake e aos The Coral. Banda que iniciou actividade em 1996, mas que só em 2001 lançou o seu primeiro single. «Shadow Fall» é, ainda hoje, um dos momentos chave na história deste quinteto. Em três minutos e meio, uma psicadélica folk russa invade a lúgubre bizarria da produção Gorillaz, piscando o olho a Morricone e Kusturica. Promissora estreia que abriu o caminho a mais algumas curtas edições antes do lançamento do homónimo álbum de estreia. «The Coral» (2002) foi muito bem recebido pelo público e pela imprensa especializada, chegando mesmo a ser nomeado para o prestigioso Mercury Music Prize. O revivalismo da folk psicadélica dos anos 60 dava de caras com algumas das mais importantes e inesperadas influências do rock moderno. «Dreaming Of You», outro dos singles que promoveram o disco, é um delicioso momento brit folk pop (ou será world folk pop?). Por sua vez, «Goodbye» - que parece inspirado num riff de Kirk Hammett - revela uma vertente mais garage punk folk. Mas existem mais pontos de interesse. «Spanish Main», «I Remember When», «Skeleton Key», «Wildfire», «Calendar And Clocks», … Tudo boas razões para apostar nestes The Coral e nos seus cinco álbuns de originais. Entretanto, e para quem já segue os passos desta banda, ou pretende vir a seguir, aviso que há uns meses foi editada a colectânea «The Singles Collection». Excelente colecção de canções que nos oferece um novíssimo single («Being Somebody Else») e um segundo disco repleto de raridades e lados-b. Querem melhor?
De Londres seguimos a nossa aventura musical em direcção a Liverpool para chegarmos a Hoylake e aos The Coral. Banda que iniciou actividade em 1996, mas que só em 2001 lançou o seu primeiro single. «Shadow Fall» é, ainda hoje, um dos momentos chave na história deste quinteto. Em três minutos e meio, uma psicadélica folk russa invade a lúgubre bizarria da produção Gorillaz, piscando o olho a Morricone e Kusturica. Promissora estreia que abriu o caminho a mais algumas curtas edições antes do lançamento do homónimo álbum de estreia. «The Coral» (2002) foi muito bem recebido pelo público e pela imprensa especializada, chegando mesmo a ser nomeado para o prestigioso Mercury Music Prize. O revivalismo da folk psicadélica dos anos 60 dava de caras com algumas das mais importantes e inesperadas influências do rock moderno. «Dreaming Of You», outro dos singles que promoveram o disco, é um delicioso momento brit folk pop (ou será world folk pop?). Por sua vez, «Goodbye» - que parece inspirado num riff de Kirk Hammett - revela uma vertente mais garage punk folk. Mas existem mais pontos de interesse. «Spanish Main», «I Remember When», «Skeleton Key», «Wildfire», «Calendar And Clocks», … Tudo boas razões para apostar nestes The Coral e nos seus cinco álbuns de originais. Entretanto, e para quem já segue os passos desta banda, ou pretende vir a seguir, aviso que há uns meses foi editada a colectânea «The Singles Collection». Excelente colecção de canções que nos oferece um novíssimo single («Being Somebody Else») e um segundo disco repleto de raridades e lados-b. Querem melhor?.
Os Lambchop são outros dos amigos de longa data que reencontrei em Londres. A banda de Nashville editou recentemente «Oh (Ohio)», mas é a compilação «The Decline Of The Contry & Western Civilization (1993 – 1999)» que merece aqui o meu destaque. Colecção de singles e raridades que a banda registou entre 1993 e 1999, ou seja, o período entre o debut «I Hope That You’re Sitting Down (a.k.a. Jack’s Tulips)» (1994) e o reconhecimento global em «Nixon» (2000). Uma verdadeira retrospectiva dos primeiros anos de actividade destes Lambchop: alternative-country que recupera o funk e a soul dos anos 70, sem nunca esquecer o rock veloz dos anos 80 (ouçam-se «Nine» e «Loretta Lung»). Deparamo-nos com canções mais delicadas e, igualmente, mais adequadas à musicalidade Americana dos Lambchop, como são os casos de «Soaky In The Pooper», «Playboy, The Shit», «Whitey» e o extraordinário «The Gettysburg Address». Paradoxalmente, e sendo esta uma compilação de singles e raridades, encontramos também alguns momentos mais experimentais e menos consensuais. «Two Kittens Don’t Make A Puppy», resultado de uma colaboração com Mac McCaughn, dos Superchunk, e Mark Robinson, dos Unrest, é a maior extravagância de Kurt Wagner. Canção inenarrável que mistura um trompete desvairado, com beats descontrolados e com vocalizações disparatadas. Esquizofrenia sonora que não é habitual na banda, mas que nos dá uma visão maior sobre as valências desta família Lambchop. Razão pela qual este «The Decline Of The Contry & Western Civilization (1993 – 1999)» se revela um importante registo na história dos Lambchop e da música Americana. Excelente trabalho que documenta a evolução de uma das mais importantes entidades da música norte-americana.
Para terminar recupero «Mistakes & Regrets» dos …And You Will Know Us By The Trail Of Dead e «Dreaming Of You» dos The Coral.
Os Lambchop são outros dos amigos de longa data que reencontrei em Londres. A banda de Nashville editou recentemente «Oh (Ohio)», mas é a compilação «The Decline Of The Contry & Western Civilization (1993 – 1999)» que merece aqui o meu destaque. Colecção de singles e raridades que a banda registou entre 1993 e 1999, ou seja, o período entre o debut «I Hope That You’re Sitting Down (a.k.a. Jack’s Tulips)» (1994) e o reconhecimento global em «Nixon» (2000). Uma verdadeira retrospectiva dos primeiros anos de actividade destes Lambchop: alternative-country que recupera o funk e a soul dos anos 70, sem nunca esquecer o rock veloz dos anos 80 (ouçam-se «Nine» e «Loretta Lung»). Deparamo-nos com canções mais delicadas e, igualmente, mais adequadas à musicalidade Americana dos Lambchop, como são os casos de «Soaky In The Pooper», «Playboy, The Shit», «Whitey» e o extraordinário «The Gettysburg Address». Paradoxalmente, e sendo esta uma compilação de singles e raridades, encontramos também alguns momentos mais experimentais e menos consensuais. «Two Kittens Don’t Make A Puppy», resultado de uma colaboração com Mac McCaughn, dos Superchunk, e Mark Robinson, dos Unrest, é a maior extravagância de Kurt Wagner. Canção inenarrável que mistura um trompete desvairado, com beats descontrolados e com vocalizações disparatadas. Esquizofrenia sonora que não é habitual na banda, mas que nos dá uma visão maior sobre as valências desta família Lambchop. Razão pela qual este «The Decline Of The Contry & Western Civilization (1993 – 1999)» se revela um importante registo na história dos Lambchop e da música Americana. Excelente trabalho que documenta a evolução de uma das mais importantes entidades da música norte-americana.Para terminar recupero «Mistakes & Regrets» dos …And You Will Know Us By The Trail Of Dead e «Dreaming Of You» dos The Coral.
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sábado, 5 de janeiro de 2008
Incursões na «selva»
Há algumas semanas atrás decidi fazer um retiro na «selva». Coisa pacata, sem grandes sobressaltos, imaginava eu. Todavia, influências várias logo surgiram para me dissuadir, acabando eu, um pobre melómano, por ceder às fortes pressões exercidas pelos Lambchop, Bloc Party, Antony & The Johnsons, Martha Wainwright, Rosie Thomas, Mogwai, Keren Ann e o formato E.P..
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O primeiro E.P. seleccionado, da autoria dos Lambchop, do indie crooner Kurt Wagner, data de Julho 1996 e regista as «sobras» do então segundo álbum de originais «How I Quit Smoking» (editado em Janeiro de 1996). «Hank» é composto por seis canções com a marca Lambchop e uma demência à Kurt Wagner, de trinta e oito segundos, intitulada «I Sucked My Boss's Dick». Liricamente, Kurt Wagner continua a escrever cartas enigmáticas a si mesmo. Para os visitantes habituais deste misterioso e aveludado mundo, «Hank» parece uma viagem ao Hawaii. Ao seu jeito, Kurt Wagner adiciona à folk característica de Nashville cadências tropicais, levando-nos a menear a anca ao som da hula music. São essas as regras estabelecidas em «I’m A Stranger Here», a abrir, e em «Blame It On The Brunettes», que se lhe segue. «The Tin Chime» é exercício mais ao estilo Lambchop. Os instrumentos de sopro entram em cena e as cordas vocais de Wagner deambulam por registos inesperados. «Randi», «Doak's Need» e «Poor Bastard» mantêm os preceitos do espírito Lambchop, ou seja, ensejos de pura sedução Kurt Wagner, o crooner maldito. Porém, «Hank E.P.» acaba por se revelar um conjunto de temas secundários na carreira dos norte-americanos Lambchop.
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A segunda escolha recaiu sobre os escoceses Mogwai, banda que se tem caracterizado por sucessivos altos e baixos nos já doze anos de carreira. «E.P. + 6», apesar do nome, não é nenhum E.P. (os seus quase setenta e três minutos denunciam-no). Trata-se de uma compilação de três E.P. – «4 Satin», «No Education = No Future: Fuck the Curfew» e «Mogwai E.P.» – lançados durante os primeiros anos de actividade da banda. «E.P. + 6» comprova os supracitados altos e baixos, apresentando as diversas incursões sonoras do colectivo pelo space/post/avant rock. Das complexas e intensas texturas sonoras, quase sempre desenvolvidas em espirais sucessivas, descobrimos verdadeiros momentos de êxtase. Porém, os «grafittis» criados nos autênticos muros de som Mogwai nem sempre chegam a bom porto. «Stereodee», por exemplo, aborrece com os seus treze minutos de ininterrupto ruído radiofónico, «Xmas Steps» coloca frente a frente os Tool e os Broken Social Scene para mais onze minutos de completa desorientação e no fim de «E.P. + 6» nem demos pela presença de «Now You’re Taken» e «Rollerball». No entanto, «Superheroes Of BMX» e os quatro temas que fecham o álbum (que compõem «Mogwai E.P.»), dão algum ar da graça destes escoceses. A intensa densidade sonora e os arranjos de guitarra reforçam a sensação de desolação e desamparo presentes nos Sigur Rós e/ou Godspeed You! Black Emperror e/ou Tortoise, mas criando temas paradoxalmente reconfortantes. As melodias e compassados silêncios revelam um aparente frio cortante. Evidencia-se uma harmonia cósmica que, a meio da compilação, pensávamos inatingível e deparamo-nos com alguns dos mais refinados momentos da carreira dos Mogwai.
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Chegamos ao segundo E.P. desta primeira levada on-line para falarmos dos britânicos Bloc Party. Excelente banda ao vivo, apesar de perderem um pouco de gás em palcos festivaleiros (situação perfeitamente normal). Bons músicos e canções muitas vezes a roçarem a perfeição. Ritmo alto, batidas frenéticas, guitarras «a rasgar», corpos suados e muito boa energia à mistura. Foram estes os condimentos para a criação de «Silent Alarm» e dos primeiros E.P. do colectivo. A edição exclusiva para o mercado japonês de «Little Thoughts» enquadra-se perfeitamente nesses preceitos iniciais, aos quais lhe são adicionados batidas Gang Of Four, distorções Sonic Youth, desassossegos Joy Division e excitações The Cure. «Little Thoughts», a canção (incluída posteriormente na apetitosa reedição em formato duplo de «Silent Alarm»), está ensopada em fluidos libidinosos dos The Cure. O ritmo acelerado das guitarras acompanham na perfeição a sensualidade afro das vocalizações de Kele Okereke (uma mais valia da música britânica). «Tulips» é um dos melhores singles dos Bloc Party e uma canção de amor à moda antiga. «This could be an opportunity / If you promise to let it grow» sussurra Kele ao nosso ouvido e nós quase que acreditamos no amor à primeira vista. «Helicopter» é outro dos grandes temas dos Bloc Party. Portentosas guitarradas a abrir e um penetrante refrão a anunciar um qualquer milagre. «Are you hoping for a miracle?» questiona Kele e nós, ao som de «Helicopter», julgamos que é real um milagre denominado Bloc Party. Porém, «Skeleton» e «Storm And Stress», exercícios que não passam da mera reprodução de outros momentos Bloc Party, logo nos voltam a pôr os pés no chão. A fechar é-nos oferecido o vídeo promocional de «Little Thoughts» e uma remistura de «Tulips», que lamentavelmente não encontramos na recomendável revisitação «Silent Alarm Remixed» e que acaba por ser mais um ponto positivo desta preciosa edição nipónica.
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O primeiro E.P. seleccionado, da autoria dos Lambchop, do indie crooner Kurt Wagner, data de Julho 1996 e regista as «sobras» do então segundo álbum de originais «How I Quit Smoking» (editado em Janeiro de 1996). «Hank» é composto por seis canções com a marca Lambchop e uma demência à Kurt Wagner, de trinta e oito segundos, intitulada «I Sucked My Boss's Dick». Liricamente, Kurt Wagner continua a escrever cartas enigmáticas a si mesmo. Para os visitantes habituais deste misterioso e aveludado mundo, «Hank» parece uma viagem ao Hawaii. Ao seu jeito, Kurt Wagner adiciona à folk característica de Nashville cadências tropicais, levando-nos a menear a anca ao som da hula music. São essas as regras estabelecidas em «I’m A Stranger Here», a abrir, e em «Blame It On The Brunettes», que se lhe segue. «The Tin Chime» é exercício mais ao estilo Lambchop. Os instrumentos de sopro entram em cena e as cordas vocais de Wagner deambulam por registos inesperados. «Randi», «Doak's Need» e «Poor Bastard» mantêm os preceitos do espírito Lambchop, ou seja, ensejos de pura sedução Kurt Wagner, o crooner maldito. Porém, «Hank E.P.» acaba por se revelar um conjunto de temas secundários na carreira dos norte-americanos Lambchop..
A segunda escolha recaiu sobre os escoceses Mogwai, banda que se tem caracterizado por sucessivos altos e baixos nos já doze anos de carreira. «E.P. + 6», apesar do nome, não é nenhum E.P. (os seus quase setenta e três minutos denunciam-no). Trata-se de uma compilação de três E.P. – «4 Satin», «No Education = No Future: Fuck the Curfew» e «Mogwai E.P.» – lançados durante os primeiros anos de actividade da banda. «E.P. + 6» comprova os supracitados altos e baixos, apresentando as diversas incursões sonoras do colectivo pelo space/post/avant rock. Das complexas e intensas texturas sonoras, quase sempre desenvolvidas em espirais sucessivas, descobrimos verdadeiros momentos de êxtase. Porém, os «grafittis» criados nos autênticos muros de som Mogwai nem sempre chegam a bom porto. «Stereodee», por exemplo, aborrece com os seus treze minutos de ininterrupto ruído radiofónico, «Xmas Steps» coloca frente a frente os Tool e os Broken Social Scene para mais onze minutos de completa desorientação e no fim de «E.P. + 6» nem demos pela presença de «Now You’re Taken» e «Rollerball». No entanto, «Superheroes Of BMX» e os quatro temas que fecham o álbum (que compõem «Mogwai E.P.»), dão algum ar da graça destes escoceses. A intensa densidade sonora e os arranjos de guitarra reforçam a sensação de desolação e desamparo presentes nos Sigur Rós e/ou Godspeed You! Black Emperror e/ou Tortoise, mas criando temas paradoxalmente reconfortantes. As melodias e compassados silêncios revelam um aparente frio cortante. Evidencia-se uma harmonia cósmica que, a meio da compilação, pensávamos inatingível e deparamo-nos com alguns dos mais refinados momentos da carreira dos Mogwai..
Chegamos ao segundo E.P. desta primeira levada on-line para falarmos dos britânicos Bloc Party. Excelente banda ao vivo, apesar de perderem um pouco de gás em palcos festivaleiros (situação perfeitamente normal). Bons músicos e canções muitas vezes a roçarem a perfeição. Ritmo alto, batidas frenéticas, guitarras «a rasgar», corpos suados e muito boa energia à mistura. Foram estes os condimentos para a criação de «Silent Alarm» e dos primeiros E.P. do colectivo. A edição exclusiva para o mercado japonês de «Little Thoughts» enquadra-se perfeitamente nesses preceitos iniciais, aos quais lhe são adicionados batidas Gang Of Four, distorções Sonic Youth, desassossegos Joy Division e excitações The Cure. «Little Thoughts», a canção (incluída posteriormente na apetitosa reedição em formato duplo de «Silent Alarm»), está ensopada em fluidos libidinosos dos The Cure. O ritmo acelerado das guitarras acompanham na perfeição a sensualidade afro das vocalizações de Kele Okereke (uma mais valia da música britânica). «Tulips» é um dos melhores singles dos Bloc Party e uma canção de amor à moda antiga. «This could be an opportunity / If you promise to let it grow» sussurra Kele ao nosso ouvido e nós quase que acreditamos no amor à primeira vista. «Helicopter» é outro dos grandes temas dos Bloc Party. Portentosas guitarradas a abrir e um penetrante refrão a anunciar um qualquer milagre. «Are you hoping for a miracle?» questiona Kele e nós, ao som de «Helicopter», julgamos que é real um milagre denominado Bloc Party. Porém, «Skeleton» e «Storm And Stress», exercícios que não passam da mera reprodução de outros momentos Bloc Party, logo nos voltam a pôr os pés no chão. A fechar é-nos oferecido o vídeo promocional de «Little Thoughts» e uma remistura de «Tulips», que lamentavelmente não encontramos na recomendável revisitação «Silent Alarm Remixed» e que acaba por ser mais um ponto positivo desta preciosa edição nipónica..
Fechando, da melhor forma, esta primeira incursão na «selva amazónica» apresento «Stanley Kubrick». Não o saudoso realizador norte-americano, mas o vídeo para o tema dos Mogwai, originalmente editado em 1999 em «Mogwai E.P.».
Fechando, da melhor forma, esta primeira incursão na «selva amazónica» apresento «Stanley Kubrick». Não o saudoso realizador norte-americano, mas o vídeo para o tema dos Mogwai, originalmente editado em 1999 em «Mogwai E.P.».
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segunda-feira, 22 de outubro de 2007
Kurt's goodies
Voltamos, por breves instantes, a Kurt Wagner e ao concerto do passado dia 17 de Outubro no Santiago Alquimista para destacar os dois trabalhos, em forma de bootleg, disponíveis à saída. Para os repetentes de espectáculos Lambchop as edições especiais de suporte às várias digressões da banda não são novidade. A recente passagem por Lisboa de Kurt Wagner não fugiu à regra e após o agradável mas longo concerto, o próprio Kurt dirigiu-se para a saída da sala e com um generoso e comercial autógrafo ajudou a vender umas quantas cópias de «Kurt» e «Succulence - Live In Vienna» (este último já disponibilizado na visita dos Lambchop, a 10 de Dezembro de 2006, na Aula Magna)..
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Mudamos de CD e, por momentos, sentimos que a aparelhagem difunde o espectáculo de Kurt Wagner no Santiago Alquimista. «Kurt» foi registado a 6 de Agosto de 2006 num estúdio de Nashville por Mark Nevers e reflecte, de uma maneira geral, a digressão que Wagner apresenta por estes dias na Europa, incluindo temas novos e a inconfundível versão de «Chelsea Hotel #2», de Leonard Cohen. Tal como exposto aquando do concerto, aqui encontramos as canções tal e qual como vieram ao mundo, despidas de qualquer arranjo adicional às melodias base e à inconfundível voz de Kurt Wagner. Porém, em disco o «estendal de canções» revela-se menos pesado. Mesmo sem a restante família Lambchop, os temas sabem a leite condensado, a voz surge no seu esplendor máximo, a sensibilidade está à flor da pele e a admiração por Kurt Wagner e os seus Lambchop aumenta. É impossível resistir à folk minimalista de «Slipped Dissolved And Loosed», «A Hold Of You» e «Playboy, The Shit» (este retirado da compilação «The Decline Of Country And Western Civilization»). «Popeye» traz consigo um «sha la la la la la» delicioso, em jeito de lullaby, para depois terminar numa guitarrada western. «Sharing A Gibson With Martin Luther King Jr.» e «Stand» são as habituais gracinhas à Kurt Wagner (tal como a história do lápis em «A Hold Of You»). «Chelsea Hotel #2» peca por não se ter dado a conhecer antes da sublime interpretação de Rufus Wainwright (incluída na banda sonora do documentário «Leonard Cohen: I’m Your Man»). A confissão de «It’s Impossible» (também registada em «The Decline...») convence-nos e sem saber porquê tomamos o partido de Kurt. «Of Raymond» retrata um dos mais recentes ódios figadais de Kurt Wagner (o programa televisivo «Everybody Loves Raymond») e o fecho é ao som do agradável instrumental «Marking The Same Spot». Ao cabo de 42 minutos sentimos um leve desejo em conhecer as novas composições com os restantes Lambchop. Todavia, esse registo só está previsto para 2008 e por isso mesmo vale mais rendermo-nos a este «Kurt».
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Em forma de despedida deixo em airplay o vídeo de «Is A Woman», o lindíssimo tema título do fantástico álbum de 2002.
Em forma de despedida deixo em airplay o vídeo de «Is A Woman», o lindíssimo tema título do fantástico álbum de 2002.
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quinta-feira, 18 de outubro de 2007
Kurt no(s) caminho(s) de Santiago
«Damn, I’ve got too many songs», confessa Kurt Wagner a determinada altura da noite. Algum do público presente no Santiago Alquimista dava os primeiros sinais de cansaço quando Kurt, com um sorriso nos lábios, voltava a revolver os ‘leftovers’ das inúmeras cábulas das canções seleccionadas para a sua mais recente digressão europeia. Na mochila trazia alguns dos temas que farão parte do próximo álbum de originais dos Lambchop e canções mais antigas, as quais foram apresentadas tal e qual como vieram ao mundo. Despidas de qualquer arranjo e sem o habitual trabalho de produção, mas com o melhor que há em cada uma delas, a melodia, as «dementes» peripécias do mundo Wagner (palavras do próprio) e a voz. Não é novidade para ninguém, Kurt Wagner é detentor de uma das mais singulares vozes no panorama alternative-country da actualidade e é um dos pontos de maior interesse nos Lambchop. Desta forma e apesar do relógio marcar 1:00 da manhã, a música continuava a preencher o palco e as almas presentes, tendo o autêntico «estendal de canções» construído em palco transmitido uma vertente mais experimental e divertida ao espectáculo. Ninguém, até então, tinha dado pela falta do restante clã Lambchop, pois a essência musical, o bálsamo da passada noite de 17 de Outubro, estava presente. Houve tempo e espaço para perguntas e respostas, pequenas confissões e algumas piadas. Não estivéssemos nós a meio de mais uma semana de intenso trabalho, o cansaço não se sentiria tanto e a comunhão entre artista e público ter-se-ia prolongado até o amanhecer..
Na primeira parte desta autêntica maratona Kurt Wagner esteve Mazgani. Com um conjunto de temas competentes, associados ao universo Nick Drake, Shahryar Mazgani portou-se à altura, captando a atenção do público e aquecendo o ambiente Alquimista. Destaque para a versão de «The Desperate Kingdom of Love» de PJ Harvey. «Song Of A New Heart», editado no passado dia 15 de Outubro, já se encontra nos locais habituais e de acordo com a amostra promete.
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Como recuerdo deixo os dois temas que fecharam a mais recente passagem de Kurt Wagner por Portugal, «Up With People» e «Chelsea Hotel # 2», uma surpreendente versão do original de Leonard Cohen (compositor também revisitado por Mazgani, com «If It Be Your Will»).
Como recuerdo deixo os dois temas que fecharam a mais recente passagem de Kurt Wagner por Portugal, «Up With People» e «Chelsea Hotel # 2», uma surpreendente versão do original de Leonard Cohen (compositor também revisitado por Mazgani, com «If It Be Your Will»).
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