Mostrar mensagens com a etiqueta Patrick Watson. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Patrick Watson. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 22 de maio de 2012

Ainda perto do paraíso


2007 estava a viver os seus derradeiros meses quando ouvi «The Great Escape», excepcional canção que me apresentou Patrick Watson, o músico e compositor nascido na Califórnia, mas crescido em Hudson, no Québec, Canadá, e Patrick Watson, a banda canadiana que apresentava o seu segundo álbum «Close To Paradise». A canção, que conquistou a minha atenção e admiração na primeira audição, juntava o delicado mundo de Antony Hegarty com o vozeado de Jeff Buckley. O álbum acabou por vencer o prémio Polaris em 2007 e a banda Patrick Watson percorreu o mundo para o apresentar, com relativo sucesso em Portugal. É certo que depois da descoberta não mais fui arrebatado pelos Patrick Watson. «Wooden Arms», álbum de 2009, parecia um disco de Patrick Watson para Patrick Watson. Um trabalho bem construído e musicalmente irrepreensível, mas fechado em si mesmo e pouco apelativo ao público que tanto frenesim criou em torno de «Close To Paradise». O mais recente «Adventures In Your Own Backyard» (2012) tenta recuperar a estreita relação estabelecida em 2007 com composições como «The Great Escape», «Daydreamer», «Luscious Life» e «Difters». Por isso, voltamos a encontrar excelentes temas pop, de tempero indie e confecção clássica, como são exemplo «Lighthouse», «Morning Sheets», «The Quiet Crowd», «Blackwind», «Strange Crooked Road» ou mesmo «Adventures In Your Own Backyard». Canções que mantêm as marcas de uma forte identidade musical, marcos de uma voz original. Texturas luminosas e algo melancólicas. O gosto pela pop barroca de um Rufus Wainwright e o molde interpretativo de Jeff Buckley. Em «Blackwind» descobrimos, ainda, pontos de contacto com a pop elegante de Andrew Bird e tanto «Lighthouse» como «Adventures In Your Own Backyard» parecem contar com a colaboração dos sempre bem-vindos Calexico. Disco um pouco irregular, mas cheio de boas canções a la Patrick Watson. Um álbum dedicado a Lhasa de Sela.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Super Bock em Stock II

O roteiro para a segunda edição do Super Bock em Stock passava por assistir aos concertos de Wild Beasts, The Legendary Tigerman, Beach House, Little Joy, Patrick Watson e tentar espreitar as actuações de Voxtrot, Os Golpes, Ebony Bones, The Invisible e Wave Machine.
.
Na primeira noite os britânicos Wild Beasts apresentaram o magnífico «Two Dancers» (segundo álbum da banda, editado este ano) e saíram claros vencedores deste primeiro tomo Super Bock em Stock de 2009. Incrível como a singularidade do falsete de Hayden Thorpe se mantém em formato live e a envolvência da sonoridade de «Two Dancers» sobrevive às fracas condições que a sala 1 do cinema São Jorge oferece. O público reagiu muito bem e deu a entender que canções como «The Fun Powder Plot», «We Still Got The Taste Dancin’ On Our Tongues», «All The King’s Men», «The Devil’s Crayon» e «Hooting & Howling» constam da actual playlist da maioria dos presentes. Actuação que, a meu ver, merecia uma nova visita ao nosso país, mas agora em nome próprio e numa sala como o Lux. Terminada a actuação dos Wild Beasts atravessámos a Avenida da Liberdade para assistir à salganhada funk pop rock tribal urbana da britânica Ebony Bones que muito tem dado que falar. Ebony Bones é uma mistura de Santigold, Karen O (Yeah Yeah Yeahs) e Skin (Skunk Anansie). Muita energia em palco, mas canções menores (muito menores) que qualquer composição das senhoras supracitadas. O espectáculo é empolgante, mas revela-se, igualmente, inconsequente e inconsistente (aproximação falhada aos Buraka Som Sistema). Seguiu-se The Legendary Tigerman que trouxe consigo algumas vozes femininas para apresentar «Femina», mas cedo se viu que esta não era a noite do Homem Tigre. O próprio, a determinada altura, e apercebendo-se da monotonia que estava a assolar a sua prestação, atirou com a guitarra ao chão e deu inicio à fase rock n’ roll blues que tanto o identifica. De louvar a metamorfose, mas para mim já era tarde e acabei por ir descansar de mais uma longa semana de trabalho…
.
Na segunda noite a primeira cerveja teve o selo do Cabaret Maxime. Porém, rapidamente percebi que a música de Mocky resultaria muito melhor na sexta-feira, após uma intensa semana de trabalho e já em fase de descompressão, que no sábado. Segui para o Teatro Tivoli e aguardei pela estreia em palcos nacionais do duo norte-americano Beach House. Dream pop com travo melancólico que encontra nas entrelinhas da sonoridade dos conterrâneos Mazzy Star (de Hope Sandoval) o segredo do seu «aparente» sucesso. Temas simples e certeiros que cativaram uma sala muito perto de esgotar e justificou o agendar de novo concerto para Março de 2010 (dia 17 no Lux e dia 18 no Centro Cultural Vila Flor). Registe-se que Victoria Legrand e Alex Scally editam já no final de Janeiro «Teen Dream», o terceiro álbum de originais. Com mais uma caminhada até ao outro lado da Avenida da Liberdade espreitámos a competente actuação dos The Invisible. Já ouvi uma ou outra coisinha do novo álbum deste trio que soa a TV On The Radio, mas que aposta mais num experimentalismo indie pop ambiental enraizado na sonoridade dos Sonic Youth e que conta com o precioso auxílio de Matthew Herbert. Voltamos ao Tivoli para assistir ao concerto mais festejado do festival. Os Little Joy, banda que nasceu em Lisboa e que reúne Rodrigo Amarante (Los Hermanos), Frabrizio Moretti (The Strokes) e Binki Shapiro, mostraram ter uma forte legião de seguidores em solo português. A sala estava a abarrotar e o público celebrou cada tema como se tratasse do último single de sucesso que tanto nos seduziu nas últimas semanas. Confesso que o álbum é simpático e o concerto também o foi. Tanto o público como a banda estavam bastante contentes por ali estar a comemorar a música do homónimo álbum de estreia do trio que em palco é octeto. Tudo corria bem, mas eu saí de mansinho para conferir o concerto de Patrick Watson. O músico/banda, que ainda em Março de 2008 nos ofereceu um magistral concerto na Aula Magna, estava de regresso ao nosso país para apresentar «Wooden Arms», terceiro álbum de originais que se revela menos apelativo (entenda-se pop) e mais destinado a musicar qualquer película cinematográfica rodada no deserto norte-americano. Pois é, novo concerto, novo momento para ficar registado na memória. Patrick Watson é um músico de excepção e é autor de algumas das melhores canções editadas nos últimos anos. Canções acima da média e de um nível superior a qualquer uma das bandas presentes no festival da passada semana. Facto que ficou comprovado no momento em que músico e banda subiram ao palco da sala 1 do cinema São Jorge. É pena que o recinto não tenha estado à altura dos acontecimentos. O som foi abaixo umas três ou quatro vezes, o jogo de luz foi uma vergonha (incrível como Patrick Watson esteve completamente às escuras durante «The Great Escape») e quando os músicos se aventuraram a fazer o habitual número de «Man Under The Sea», ou seja, subir à plateia para tocar e cantar com o público, não houve ninguém que se lembrasse de ligar as luzes da sala… Peripécias que não impediram Patrick Watson de oferecer mais um magnífico espectáculo, mas que acabaram por manchar o festival e nos fazem pensar se será mesmo bom promover esta tipo de iniciativas quando os recursos são escassos.

sábado, 15 de março de 2008

Patrick What?

Já tinha lido, por aí, que os espectáculos ao vivo de Patrick Watson são consideravelmente diferentes dos registos estúdio. Ora bem, convém esclarecer que Patrick Watson, compositor da banda que dá pelo mesmo nome, nascido na Califórnia mas criado no Quebec, cedo evidenciou apetência para a música. Participou em coros de igreja, estudou jazz e piano clássico, e colaborou com os Gangster Politics (grupo de ska que integrou no liceu). Inesperadamente é a referência ao jazz que interessa agora. Porquê? Porque o jazz é uma expressão musical «rebelde», ou seja, partindo de uma base há imenso espaço para a exploração e experimentação. Foram esses os dois pontos que mais surpreenderam na noite do passado dia 13 de Março na Aula Magna. Partindo dos acordes, melodias e cadências base gravadas em «Just Another Ordinary Day» (2003) e «Close To Paradise» (2006) Patrick Watson e irmãos de estrada demonstraram como se pode e deve revisitar canções em formato live sem perder o norte. Todavia, há que expor a inicial apatia do público presente que, ansioso por ver e ouvir os temas de «Close To Paradise», lá foi decifrando excertos das mencionadas composições e adaptando-se gradualmente às sonoridades ora Godspeed You! Black Emperor, ora Pink Floyd, ora Sigur Rós, ora Mogwai e à frenética e esquizóide forma interpretativa de Mr. Watson. Assim sendo ninguém estranhou e todos menearam e aplaudiram ao som da versão mais country e mais festiva de «The Storm», ao turbilhão sonoro que foi «Drifters», ao ensaio indie de «Shame» (extraído da estreia «Just Another Ordinary Day»), ao melodioso e intrigante «Luscious Life», à visão mais cabaret alienado de «Weight Of The World», ao belíssimo momento que foi «The Great Escape» ou ao improvisado «What?» (título escolhido pelo público presente) e à versão de Eric Satie (disse que não, mas lá acabou por apresentar as duas opções colocadas à nossa escolha…). Numa sala bem preenchida, Patrick Watson revelou-se um excelente comunicador e melhor entertainer: após a actuação da banda holandesa que assegurou a primeira parte certificou-se que estava tudo ok com o seu piano; queixou-se da zoada que um dos seus instrumentos emanava; afirmou a sua amizade pelo povo português, apesar de se precipitar algumas vezes para o merci; interpretou à capela e do balcão que divide as cadeiras doutrinais da restante plateia «Man Under The Sea»; cantou os parabéns a um dos presentes; e no fim autografou alguns discos à saída do recinto. Firmou a sua posição de compositor de excepção perante o público presente e deu mostras de vir a ser um forte caso de culto em Portugal.
..
Aproveitamos a boleia do concerto do canadiano Patrick Watson e da sua banda na Aula Magna para, mais uma vez, repescar um dos discos em lista de espera para se apresentar neste espaço «sonhador». Em finais de 2007 e princípios de 2008 Patrick Watson surpreendeu muitos com «Close To Paradise», o segundo álbum do(s) canadiano(s). É certo que alguns já conheciam o principal compositor, através da colaboração em «Ma Fleur», álbum de 2007 da Cinematic Orchestra. No entanto, julgo que estaríamos longe de perceber que alguns meses antes de «Ma Fleur» existiu «Close To Paradise». Editado em 2006 e descoberto no velho continente em finais de 2007, «Close To Paradise» é mais um dos grandes discos a serem produzidos em terras canadianas. «Just Another Ordinary Day» marcou a sua estreia em nome próprio, em 2003. Porém, foi com o segundo álbum que se mostrou ao mundo, vencendo o galardão máximo do Polaris Music Prize (o equivalente canadiano ao inglês Mercury Music Prize). Sâo reconhecíveis vários parentes musicais que vão desde Nick Drake à música impressionista (por exemplo, Debussy), passando por Jeff Buckley ou Björk. Em muitos momentos, revela uma fragilidade arrepiante à Antony Hegarty (Antony And The Johnsons) ou envereda por uma pop meio clássica, meio indie de Rufus Wainwright, Sufjan Stevens, Ben Folds e Jens Lekman. A voz, essa, é um misto entre a versatilidade de Jeff Buckley e a citada fragilidade de Antony. Atributos ao serviço de «Close To Paradise», um dos discos mais intrigantes, belos e sensuais dos últimos meses. Puro lirismo, dirão muitos. Disco com as cuidadas partículas que vestem a sonoridade indie oriunda de Montreal, dirão outros. Mais um compositor lamechas, asseveram ainda outros. As opiniões dividem-se, é certo, mas por aqui e após o concerto de Lisboa, temas como «Close To Paradise», «Weight Of The World», «The Storm», «Mr. Tom», «Luscious Life», «Drifters», «The Great Escape», «Sleeping Beauty», «Slip Into Your Skin», etc., não param de ser ouvidas. Essencial para qualquer sonhador e um sacrilégio para quem não lhe der a devida atenção. Simplesmente espantoso (digo eu).
.
A última paragem deste capítulo Patrick Watson passa por «Just Another Ordinary Day» (disco de estreia e disponibilizado à saída do concerto da Aula Magna). Os pressupostos descritos para o soberbo «Close To Paradise» são, igualmente, válidos para este «Just Another Ordinary Day». O piano e a harmonia sonora são os pilares da música apresentada. A produção e os arranjos são menos elaborados que «Close To Paradise». No entanto, a voz e interpretações ao estilo Jeff Buckley e, aqui e ali, a pisar terreno Sigur Rós e o som impregnado de referências a Michael Nyman, Björk, Antony And The Johnsons, Rufus Wainwright e Claude Debussy colocam Patrick Watson no mapa da melhor música produzida no Canadá.

A fechar deixo a mais recente aposta de «Close To Paradise», o extraordinário vídeo, realizado por Ralph Dfouni, de «The Storm».

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Pensamento do dia...

E já lá vão 27 Primaveras... 27 anos de alegrias; 27 anos de desilusões; 27 anos com algumas bebedeiras; 27 anos com outras enfermidades; 27 anos de amores e desamores; encontros e desencontros; sorrisos e algumas lágrimas; tropeções e o seguir em frente de cabeça erguida; lições de vida e incertezas quanto à nossa verdadeira razão de ser e estar; muitas amizades, muito trabalho e muito boa música (e má também...). Neste meu primeiro aniversário «bloguista», envio um sincero obrigado a tudo e todos os que me têm «moldado» nesta minha caminhada.
.
Quanto à banda sonora para mais este «apagar de velas», fica a excitação do momento: Patrick Watson com «The Great Escape», refúgio perfeito do mundo que nos vai rodeando... Para conferir no próximo dia 13 de Março na acolhedora Aula Magna de Lisboa.