Benjamin Biolay continua a sua demanda pop, em registo sussurrante (por via da sua voz grave e rouca) e tempero chanson française. No novo trabalho «Vengence» vemo-lo a dar mais um passo seguro na sua caminhada nouvelle chanson, com retratos da tradicional chanson em filtros pop («Marlène Déconne» e «L’Insigne Honneur»), rock («Le Sommeil Attendra»), hip hop [«Belle Époque (Night Shop #2)» e «Ne Regrette Rien»], folk («Personne Dans Mon Lit» e «Confettis»), electro («Sous Le Lac Gelé» e «L’Insigne Honneur»), brit pop («Trésor Trésor») e, também, em elementos mais sinfónicos («Venganza» e «La Fin De La Fin»). Tudo muito bem condimentado pelo espírito indie de Benjamin Biolay. «Vengence» conta, também, com a preciosa participação de Vanessa Paradis, no soberbo «Profite». Em «Sous Le Lac Gelé» ouvimos o francês a cantar com a designer Gesa Hansen e em «Confettis», tema que encerra o disco, é Julia Stone do colectivo Angus & Julia Stone a convidada. Colaborações e canções que mostram um "chantauteur" confiante e atento ao que vai sendo produzido na pop da actualidade. «Vengence» não será a melhor entrega de Benjamin Biolay, mas é um trabalho luminoso, colorido e repleto de energia.
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segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
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Benjamin Biolay continua a sua demanda pop, em registo sussurrante (por via da sua voz grave e rouca) e tempero chanson française. No novo trabalho «Vengence» vemo-lo a dar mais um passo seguro na sua caminhada nouvelle chanson, com retratos da tradicional chanson em filtros pop («Marlène Déconne» e «L’Insigne Honneur»), rock («Le Sommeil Attendra»), hip hop [«Belle Époque (Night Shop #2)» e «Ne Regrette Rien»], folk («Personne Dans Mon Lit» e «Confettis»), electro («Sous Le Lac Gelé» e «L’Insigne Honneur»), brit pop («Trésor Trésor») e, também, em elementos mais sinfónicos («Venganza» e «La Fin De La Fin»). Tudo muito bem condimentado pelo espírito indie de Benjamin Biolay. «Vengence» conta, também, com a preciosa participação de Vanessa Paradis, no soberbo «Profite». Em «Sous Le Lac Gelé» ouvimos o francês a cantar com a designer Gesa Hansen e em «Confettis», tema que encerra o disco, é Julia Stone do colectivo Angus & Julia Stone a convidada. Colaborações e canções que mostram um "chantauteur" confiante e atento ao que vai sendo produzido na pop da actualidade. «Vengence» não será a melhor entrega de Benjamin Biolay, mas é um trabalho luminoso, colorido e repleto de energia.
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quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
Benjamin Biolay | Aime Mon Amour
Benjamin Biolay está de regresso aos discos de originais e aos vídeos. «Vengeance» é o sexto trabalho do francês e este «Aime Mon Amour» é o seu primeiro single.
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terça-feira, 27 de outubro de 2009
Benjamin Biolay | La Superbe
Benjamin Biolay, um dos «chantauteurs» de eleição por estas paragens, está de regresso aos discos e aos vídeos. «La Superbe» sucede ao estupendo «Trash Yéyé», de 2007, e, pela amostra, promete prolongar o fascínio pelos momentos mais sinfónicos, sem esquecer o requinte da «chanson française». «Superbe!».
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Benjamin Biolay
domingo, 9 de março de 2008
Viagens à tasca
Regressamos aos habituais percursos tasqueiros para destacar uma já longínqua visita à baixa pombalina. Já não me recordo de quais as circunstâncias para tal visita. Provavelmente um qualquer jantar rotineiro no Bairro Alto para o qual decidi efectuar um pequeno pré-desvio. A colheita mostrou-se boa e como resultado lá andei eu, uma vez mais, a noite toda a promover as lojas do saquinho verde…
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As primeiras escolhas recaíram sobre dois EPs dos norte-americanos Animal Collective. Se «Prospect Hummer», edição que conta com a participação e auxílio especiais de Vashti Bunyan, data de 2005 e resulta da fusão dos ambientes experimentais e libertinos dos Animal Collective à folk tradicional e obscura de Bunyan; «People» sugere uma qualquer celebração, mais que merecida diga-se, a «Feels» (soberbo álbum de 2005). De facto, «Prospect Hummer» aproxima-se da tão solenizada fre(ak) folk, com algumas passagens a fazer-nos lembrar a harpa e as divagações acriançadas de Joanna Newsom; e «People» caracteriza-se mais por ser uma obra ao estilo pós-moderno dos Animal Collective. Se «Prospect Hummer», a canção, remete-nos para o universo das irmãs CocoRosie e do amigo Devendra Banhart; «People», o tema, é cumulativamente espacial e festivo, com efusivos «yeah», «yeah», «yeah» à mistura. Se o instrumental «Baleen Sample» sugere uma continuação de alguns dos temas de «Sung Tongs» (de 2004 e pré «Prospect Hummer»); «My Favorite Colors» são cento e onze segundos arrepiantes, mas naturais para Avey Tare e companhia. Enquanto «I Remember Learning How To Dive» se apresenta como uma autêntica composição clerical, enquadrando-se perfeitamente em qualquer cerimónia católica e com Bunyan a mostrar que ainda tem muito para dar; «Tikwid» é melodiosa e Avey Tare volta a maravilhar-nos com as suas criativas vocalizações. «It’s You» compacta tudo o que «Prospect Hummer» enuncia e a versão ao vivo de «People» é só mais um extra. Em suma, levei para casa mais trinta minutos, em oito gravações, dos Animal Collective que merecem toda a nossa atenção: se os primeiros quinze minutos se aventuram em terrenos dream freak free folk, na voz de Vashti Bunyan; os restantes quinze minutos são mais uma
prova de qualidade das experiências sonoras dos Animal Collective. Registe-se, ainda, que brevemente será editado mais um EP dos Animal Collective, intitulado «Water Curses», e que nos dias 27 e 28 de Maio a banda nova-iorquina passa pelo Cinema Batalha (no Porto) e pelo Lux (em Lisboa), respectivamente.
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A segunda aposta recaiu sobre outro dos grandes registos de 2007: «Trees Outside the Academy», o segundo álbum a solo de Thurston Moore, guitarrista dos nova-iorquinos Sonic Youth. Se há uns anos atrás nos dissessem que Moore se aventuraria a editar um álbum pop acústico e baseado na estrutura clássica da canção, provavelmente ninguém acreditaria. Porém, o passado mais recente dos Sonic Youth tem-nos mostrado excelentes momentos pop. A aspereza da banda nova-iorquina pressente-se, mas são as melodias e as texturas pop que mais se evidenciam. Por isso, este «Trees Outside the Academy» é como que um descendente directo de «Rather Ripped», de 2006. Composto entre a eficácia da guitarra acústica de Thurston Moore, a elegância do violino de Samara Lubelski, as discretas mas infalíveis percussões de Steve Shelley (companheiro de Moore nos Sonic Youth) e pontuais manifestações da guitarra de J Mascis (dos Dinosaur Jr., em cujo estúdio o álbum foi gravado), «Trees Outside the Academy» é surpreendente e «user-friendly». Ouçam-se, por exemplo, a deliciosa «Honest James» que conta com a colaboração na voz de Christina Carter dos Charalambides; a sónica e melancólica «Fri/End»; a descontraída «American Coffin» que nos mostra os dotes de Moore ao piano; o espírito punk e acelerado em formato unplugged de «Wonderful Witches + Language Meanies»; a versão acústica da crespidão Sonic Youth em «Off Work»; a balada folk de «Never Day»; a intrigante visão grunge de Thurston Moore em «Frozen Gtr»; e a introspectiva «The Shape Is In A Trance». Dando continuação aos devaneios de Moore em «Thurston @ 13», apetece-me avisar: «What you’re about to hear is some of the finest Thurston Moore’s tunes!».
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Mudando, totalmente, de corrente musical e, igualmente, de continente, volto a destacar o francês Benjamin Biolay (BB) para apresentar «Trash Yéyé» (como prometido aquando das «viagens à tasca em período de férias»). Editado em 2007, «Trash Yéyé» é o quarto álbum de originais, em nome próprio, de BB. Depois da espantosa estreia em «Rose Kennedy» (2001), da não menos extraordinária sequela com o duplo álbum «Négatif» (2003) e do menos conseguido «À L’Origine» (2005), «Trash Yéyé» vem confirmar as qualidades de BB como compositor de excepção e oferecer alguns dos momentos pop mais lascivos de 2007. Compactando de uma forma coesa e sucinta as várias aventuras discográficas de BB, «Trash Yéyé» tem a rara proeza de combinar a chanson française de Serge Gainsbourg e Arthur H com as electrónicas francófonas que fizeram história em «Moon Safari» dos compatriotas Air («Douloureux Dedans»); com momentos mais clássicos e paradoxalmente mais indie («Regarder La Lumière» e «Cactus Concerto»); ensejos soturnos e à lá Nick Cave («La Garçonnière»); piscadelas ao dub embebidas em discretas movimentações reggae («Laisse Aboyer Les Chiens»); e exercícios mais «radio-friendly» («Dans La Merco Benz», «Qu’Est Ce Que Ça Peut Faire» e «Rendez-Vous Qui Sait»). Razões pelas quais BB continua a ser uma das estrelas maiores na minha colecção de discos. Menção final para as baladas «La Chambre D’Amis» e «Woodstock», a faixa escondida, que podiam perfeitamente surgir na banda sonora do belíssimo «Les Chansons D’Amour» (filme de Christophe Honoré). Ora cá está mais um nome interessante para uma passagem por palcos nacionais…
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Chegamos ao derradeiro desvio para falarmos do já extinto trio norte-americano de hip-hop cLOUDDEAD. Composto por Doseone (Adam Drucker), Why? (Yoni Wolf) e Odd Nosdam (David Madson), os cLOUDDEAD são hoje um caso de culto. Em cinco anos de actividade editaram dois álbuns («cLOUDDEAD» de 2001 e «Ten» de 2004) e quase duas mãos cheias de EPs. O seu desaparecimento prematuro em 2004 deixou «água na boca» a muito boa gente. Até então só tinha ouvido alguns minutos soltos da demência do colectivo. A noção que tinha era que produziam um som não muito distante dos conterrâneos Dilated Peoples, ou seja, ambientes sombrios e urbanos, nos quais os beats e as rimas desempenhavam o papel principal. Após a audição do debut «cLOUDDEAD» testemunhei um qualquer casamento entre um hip-hop sagaz e samples de cariz cinematográfico, revelando ambientes ficcionais que nos remetem inadvertidamente para tudo e mais alguma coisa («I Promise Never To Get Paint On My Glasses Again (1)» é um excelente exemplo disso mesmo). «cLOUDDEAD» é, assim, um disco de imagens, de beats, de momentos e ambientes. O já aqui discutido formato canção é ponto que em nada interessa aos três elementos da banda norte-americana. Os sons vão emanando e a magnetização é crescente. Fico à espera de encontrar «Ten» numa futura visita tasqueira...
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As primeiras escolhas recaíram sobre dois EPs dos norte-americanos Animal Collective. Se «Prospect Hummer», edição que conta com a participação e auxílio especiais de Vashti Bunyan, data de 2005 e resulta da fusão dos ambientes experimentais e libertinos dos Animal Collective à folk tradicional e obscura de Bunyan; «People» sugere uma qualquer celebração, mais que merecida diga-se, a «Feels» (soberbo álbum de 2005). De facto, «Prospect Hummer» aproxima-se da tão solenizada fre(ak) folk, com algumas passagens a fazer-nos lembrar a harpa e as divagações acriançadas de Joanna Newsom; e «People» caracteriza-se mais por ser uma obra ao estilo pós-moderno dos Animal Collective. Se «Prospect Hummer», a canção, remete-nos para o universo das irmãs CocoRosie e do amigo Devendra Banhart; «People», o tema, é cumulativamente espacial e festivo, com efusivos «yeah», «yeah», «yeah» à mistura. Se o instrumental «Baleen Sample» sugere uma continuação de alguns dos temas de «Sung Tongs» (de 2004 e pré «Prospect Hummer»); «My Favorite Colors» são cento e onze segundos arrepiantes, mas naturais para Avey Tare e companhia. Enquanto «I Remember Learning How To Dive» se apresenta como uma autêntica composição clerical, enquadrando-se perfeitamente em qualquer cerimónia católica e com Bunyan a mostrar que ainda tem muito para dar; «Tikwid» é melodiosa e Avey Tare volta a maravilhar-nos com as suas criativas vocalizações. «It’s You» compacta tudo o que «Prospect Hummer» enuncia e a versão ao vivo de «People» é só mais um extra. Em suma, levei para casa mais trinta minutos, em oito gravações, dos Animal Collective que merecem toda a nossa atenção: se os primeiros quinze minutos se aventuram em terrenos dream freak free folk, na voz de Vashti Bunyan; os restantes quinze minutos são mais uma
prova de qualidade das experiências sonoras dos Animal Collective. Registe-se, ainda, que brevemente será editado mais um EP dos Animal Collective, intitulado «Water Curses», e que nos dias 27 e 28 de Maio a banda nova-iorquina passa pelo Cinema Batalha (no Porto) e pelo Lux (em Lisboa), respectivamente..
A segunda aposta recaiu sobre outro dos grandes registos de 2007: «Trees Outside the Academy», o segundo álbum a solo de Thurston Moore, guitarrista dos nova-iorquinos Sonic Youth. Se há uns anos atrás nos dissessem que Moore se aventuraria a editar um álbum pop acústico e baseado na estrutura clássica da canção, provavelmente ninguém acreditaria. Porém, o passado mais recente dos Sonic Youth tem-nos mostrado excelentes momentos pop. A aspereza da banda nova-iorquina pressente-se, mas são as melodias e as texturas pop que mais se evidenciam. Por isso, este «Trees Outside the Academy» é como que um descendente directo de «Rather Ripped», de 2006. Composto entre a eficácia da guitarra acústica de Thurston Moore, a elegância do violino de Samara Lubelski, as discretas mas infalíveis percussões de Steve Shelley (companheiro de Moore nos Sonic Youth) e pontuais manifestações da guitarra de J Mascis (dos Dinosaur Jr., em cujo estúdio o álbum foi gravado), «Trees Outside the Academy» é surpreendente e «user-friendly». Ouçam-se, por exemplo, a deliciosa «Honest James» que conta com a colaboração na voz de Christina Carter dos Charalambides; a sónica e melancólica «Fri/End»; a descontraída «American Coffin» que nos mostra os dotes de Moore ao piano; o espírito punk e acelerado em formato unplugged de «Wonderful Witches + Language Meanies»; a versão acústica da crespidão Sonic Youth em «Off Work»; a balada folk de «Never Day»; a intrigante visão grunge de Thurston Moore em «Frozen Gtr»; e a introspectiva «The Shape Is In A Trance». Dando continuação aos devaneios de Moore em «Thurston @ 13», apetece-me avisar: «What you’re about to hear is some of the finest Thurston Moore’s tunes!»..
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Chegamos ao derradeiro desvio para falarmos do já extinto trio norte-americano de hip-hop cLOUDDEAD. Composto por Doseone (Adam Drucker), Why? (Yoni Wolf) e Odd Nosdam (David Madson), os cLOUDDEAD são hoje um caso de culto. Em cinco anos de actividade editaram dois álbuns («cLOUDDEAD» de 2001 e «Ten» de 2004) e quase duas mãos cheias de EPs. O seu desaparecimento prematuro em 2004 deixou «água na boca» a muito boa gente. Até então só tinha ouvido alguns minutos soltos da demência do colectivo. A noção que tinha era que produziam um som não muito distante dos conterrâneos Dilated Peoples, ou seja, ambientes sombrios e urbanos, nos quais os beats e as rimas desempenhavam o papel principal. Após a audição do debut «cLOUDDEAD» testemunhei um qualquer casamento entre um hip-hop sagaz e samples de cariz cinematográfico, revelando ambientes ficcionais que nos remetem inadvertidamente para tudo e mais alguma coisa («I Promise Never To Get Paint On My Glasses Again (1)» é um excelente exemplo disso mesmo). «cLOUDDEAD» é, assim, um disco de imagens, de beats, de momentos e ambientes. O já aqui discutido formato canção é ponto que em nada interessa aos três elementos da banda norte-americana. Os sons vão emanando e a magnetização é crescente. Fico à espera de encontrar «Ten» numa futura visita tasqueira....
A despedida faz-se ao som de Benjamin Biolay, com «Dans La Merco Benz», o primeiro single extraído de «Trash Yéyé».
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Viagens à tasca
quinta-feira, 25 de outubro de 2007
2007 | Viagens à tasca em período de férias IX
De volta ao período de férias, à cidade e às tascas genebrinas. O inter-rail helvético mostrou um país onde a natureza vive no seu esplendor máximo. Os campos são verdes, o ar é puro e a organização é marca de referência. No entanto, e como nada é perfeito também encontramos alguns pontos negativos e nesta última passagem do campo para cidade deparámos com uma propaganda chocante do partido de extrema direita (UDC - União Democrática de Centro).
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«Para mais segurança»...
Passado o primeiro impacto demos logo de caras com uma tasca (daquelas a que ninguém parece dar atenção) em liquidação total… Desgraça das desgraças estará a pensar. Encontrámos variadíssimos títulos a preços tentadores, mas na factura final só figuraram Benjamin Biolay (para muitos o Serge Gainsbourg do século XXI) e os suspeitos do costume: Interpol.
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A colheita foi muito boa, principalmente porque voltámos a aprofundar o reportório francófono. Desta vez a escolha recaiu sobre a estimulante discografia de Benjamin Biolay. De uma assentada, e por menos de 25,00 FCH, preenchemos os lugares deixados em aberto lá em casa, na discografia do dito senhor (faltando o mais recente «Trash Yéyé» que na altura ainda não tinha sido editado e que ficará para outras núpcias).
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Comecemos então pelo início. Desde cedo que Benjamin Biolay estabeleceu contacto com a música. O pai, um adepto ferrenho do clarinete, inscreveu o filho nas aulas de violino e, mais tarde, tuba e trombone. Contudo, nenhum destes instrumentos seduziu Benjamin e foi, posteriormente, através da guitarra e da cultura pop norte-americana que Biolay desenvolveu o seu apuradíssimo sentido para a construção de texturas e melodias pop. Depois de ter assinado contrato com a EMI e ter editado dois singles («La Révolution», de 1997, e «Le Jour Viendra», de 1998) sem grande sucesso, Benjamin conheceu Keren Ann, com quem compôs alguns temas para Henri Salvador e produziu os dois primeiros álbuns da artista israelita («La Biographie de Luka Philipsen» e o soberbo «La Disparition»). Pelo meio surge a sua estreia discográfica com «Rose Kennedy», um dos mais saborosos chocolates trazidos da Suiça… Se «Négatif» (único álbum conhecido até à data) mostrava um compositor acima da média, com algumas tendências melancólicas, «Rose Kennedy» comprova a grandiosidade e todo o glamour que há na música de Benjamin Biolay. Aqui, o requinte é a principal arma de sedução. «Novembre Toute L’Annee» traz consigo uma leve névoa de nicotina que se entranha à medida que o disco se desdobra. «Les Cerfs-Volants» segue o trilho de «My Way», imortalizado por Frank Sinatra, mas a referência maior é Serge Gainsbourg. «La Melodie du Bonheur» é a fusion perfeita da chanson française e da sonoridade «Norah Jones». «L’Observatoire» é a marca registada Benjamin Biolay que fez história em «La Disparition» de Keren Ann: minimalismo acústico associado a ambientes trip-hop e com adereços clássicos. «La Monotonie» é tudo menos monótona; o ambiente parece retirado de uma película do agente secreto 007, onde o suspense e a sumptuosidade marcam pontos. «Los Angeles» é o expoente máximo deste «Rose Kennedy». Exercício pop com a «cidade dos anjos» como pano de fundo. «Les Ros
es Et Les Promesses» e «Rose Kennedy» estão ao mesmo nível enquanto «Les Joggers Sur la Plage» só engrandece a vertente cinematográfica da música de Benjamin Biolay. Registe-se que a «companheira de estrada» Keren Ann também surge na ficha técnica deste «Rose Kennedy», sem dúvida um dos grandes debuts da geração 2000.
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A colheita foi muito boa, principalmente porque voltámos a aprofundar o reportório francófono. Desta vez a escolha recaiu sobre a estimulante discografia de Benjamin Biolay. De uma assentada, e por menos de 25,00 FCH, preenchemos os lugares deixados em aberto lá em casa, na discografia do dito senhor (faltando o mais recente «Trash Yéyé» que na altura ainda não tinha sido editado e que ficará para outras núpcias).
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Comecemos então pelo início. Desde cedo que Benjamin Biolay estabeleceu contacto com a música. O pai, um adepto ferrenho do clarinete, inscreveu o filho nas aulas de violino e, mais tarde, tuba e trombone. Contudo, nenhum destes instrumentos seduziu Benjamin e foi, posteriormente, através da guitarra e da cultura pop norte-americana que Biolay desenvolveu o seu apuradíssimo sentido para a construção de texturas e melodias pop. Depois de ter assinado contrato com a EMI e ter editado dois singles («La Révolution», de 1997, e «Le Jour Viendra», de 1998) sem grande sucesso, Benjamin conheceu Keren Ann, com quem compôs alguns temas para Henri Salvador e produziu os dois primeiros álbuns da artista israelita («La Biographie de Luka Philipsen» e o soberbo «La Disparition»). Pelo meio surge a sua estreia discográfica com «Rose Kennedy», um dos mais saborosos chocolates trazidos da Suiça… Se «Négatif» (único álbum conhecido até à data) mostrava um compositor acima da média, com algumas tendências melancólicas, «Rose Kennedy» comprova a grandiosidade e todo o glamour que há na música de Benjamin Biolay. Aqui, o requinte é a principal arma de sedução. «Novembre Toute L’Annee» traz consigo uma leve névoa de nicotina que se entranha à medida que o disco se desdobra. «Les Cerfs-Volants» segue o trilho de «My Way», imortalizado por Frank Sinatra, mas a referência maior é Serge Gainsbourg. «La Melodie du Bonheur» é a fusion perfeita da chanson française e da sonoridade «Norah Jones». «L’Observatoire» é a marca registada Benjamin Biolay que fez história em «La Disparition» de Keren Ann: minimalismo acústico associado a ambientes trip-hop e com adereços clássicos. «La Monotonie» é tudo menos monótona; o ambiente parece retirado de uma película do agente secreto 007, onde o suspense e a sumptuosidade marcam pontos. «Los Angeles» é o expoente máximo deste «Rose Kennedy». Exercício pop com a «cidade dos anjos» como pano de fundo. «Les Ros
es Et Les Promesses» e «Rose Kennedy» estão ao mesmo nível enquanto «Les Joggers Sur la Plage» só engrandece a vertente cinematográfica da música de Benjamin Biolay. Registe-se que a «companheira de estrada» Keren Ann também surge na ficha técnica deste «Rose Kennedy», sem dúvida um dos grandes debuts da geração 2000..
Depois do matrimónio, em 2002, com a actriz Chiara Mastroianni, Benjamin Biolay regressa aos discos em 2003 com o magnífico duplo álbum «Négatif». No ano seguinte e com a ajuda da sua actual ex-mulher (divórcio com Mastroianni ocorreu em 2005) surge Home, um projecto que nos deu um agradável conjunto de canções solarengas e pensadas para as viagens de carro. O resultado é uma autêntica banda sonora de um qualquer road movie norte-americano, apesar do francês dominar. A folk ganha terreno em relação à voluptuosidade característica em Biolay. Os temas são mais simples, o ambiente é calmo e sereno e no horizonte surge o deserto da Califórnia. Porém, a vertente sussurrante da chanson française também está presente, reflectindo de alguma forma as limitações vocais de Chiara. Nada que não nos impeça de repetir a viagem e locais como «La Ballade Du Mois De Juin», «Folle De Toi», «Quelque Part On M'Attend» vezes sem conta.
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Poucos meses depois de Home, Benjamin Biolay atira-se definitivamente às bandas sonoras. «Clara Et Moi» foi a película seleccionada. A música volta a apresentar-se em bom nível. O requinte é de novo convocado mas a densidade não é tão forte, como nos dois exercícios anteriores em nome próprio. Dos 15 temas que compõem o disco só um não saiu do imaginário Benjamin Biolay, estando incluído «Au Coin Du Monde (Streets Go Down)» de Keren Ann. Se «Rose Kennedy» era aveludado e «Home» foi pensado para o asfalto, este «Clara Et Moi» é feito para o coração. O início, com «Eden Luxembourg», espalha uma certa leveza musical que associamos a uma qualquer história simples (e não banal) de «Garçon répond fille». De acordo com o grafismo do disco e do filme pensamos que «acertou na mouche». A determinada altura, desta autêntica viagem Benjamin Biolay, sentimos a crescente enculturação pela pop anglo-saxónica e apesar de termos andado perdidos pela route 66 em «Home», agora a produção é mais universal e a influência de universos como Moby e Yann Tiersen sente-se mais intensamente. Já nos ending credits ouvimos composições mais clássicas e ao piano de Benjamin. Uma banda sonora irregular mas que não nos deixa de apresentar belíssimos temas do universo BB.
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Depois do matrimónio, em 2002, com a actriz Chiara Mastroianni, Benjamin Biolay regressa aos discos em 2003 com o magnífico duplo álbum «Négatif». No ano seguinte e com a ajuda da sua actual ex-mulher (divórcio com Mastroianni ocorreu em 2005) surge Home, um projecto que nos deu um agradável conjunto de canções solarengas e pensadas para as viagens de carro. O resultado é uma autêntica banda sonora de um qualquer road movie norte-americano, apesar do francês dominar. A folk ganha terreno em relação à voluptuosidade característica em Biolay. Os temas são mais simples, o ambiente é calmo e sereno e no horizonte surge o deserto da Califórnia. Porém, a vertente sussurrante da chanson française também está presente, reflectindo de alguma forma as limitações vocais de Chiara. Nada que não nos impeça de repetir a viagem e locais como «La Ballade Du Mois De Juin», «Folle De Toi», «Quelque Part On M'Attend» vezes sem conta..
Poucos meses depois de Home, Benjamin Biolay atira-se definitivamente às bandas sonoras. «Clara Et Moi» foi a película seleccionada. A música volta a apresentar-se em bom nível. O requinte é de novo convocado mas a densidade não é tão forte, como nos dois exercícios anteriores em nome próprio. Dos 15 temas que compõem o disco só um não saiu do imaginário Benjamin Biolay, estando incluído «Au Coin Du Monde (Streets Go Down)» de Keren Ann. Se «Rose Kennedy» era aveludado e «Home» foi pensado para o asfalto, este «Clara Et Moi» é feito para o coração. O início, com «Eden Luxembourg», espalha uma certa leveza musical que associamos a uma qualquer história simples (e não banal) de «Garçon répond fille». De acordo com o grafismo do disco e do filme pensamos que «acertou na mouche». A determinada altura, desta autêntica viagem Benjamin Biolay, sentimos a crescente enculturação pela pop anglo-saxónica e apesar de termos andado perdidos pela route 66 em «Home», agora a produção é mais universal e a influência de universos como Moby e Yann Tiersen sente-se mais intensamente. Já nos ending credits ouvimos composições mais clássicas e ao piano de Benjamin. Uma banda sonora irregular mas que não nos deixa de apresentar belíssimos temas do universo BB..
Chegamos a 2005 e Benjamin Biolay, já divorciado de Chiara Mastroianni, adensa as suas tendências melancólica e anglo-saxónica com «A L’Origine». O disco, radicalmente diferente do que já tinha realizado, é capaz de ser (a par da banda sonora «Clara Et Moi») o registo menos conseguido da carreira de BB. O rock entra de rompante em cena, mas a electrónica apurada, associada à chanson française, não é totalmente esquecida. «À L’Origine», o tema de abertura, soa ao conterrâneo Arthur H (o que não o desmerece), «Mon Amour M’A Baisé» (com a participação especial de Françoise Hardy) e «Ground Zero Bar» recordam os belgas dEUS na fase «The Ideal Crash» (o que também não lhe fica nada mal), mas depois os ensejos maçudos The Edge / U2 parecem afogar o génio de Benjamin Biolay. «Dans Mon Dos» ainda traz o espírito mais clássico de BB, mas pela primeira vez soa a «já ouvido». «L'Histoire D'Un Garçon» e «Cours» aventuram-se por terrenos indie, mas a fotografia fica tremida e muito desfocada. A contemplação de «Paris, Paris», os beats embebidos de «L'Appat» e a despedida ao som dos Sparklehorse com «Adieu Triste Amour» (também com a voz de Françoise Hardy) ainda se safam, mas no fim «À L’Origine» revela-se uma manta de retalhos sem emenda possível. O primeiro grande tiro ao lado de Benjamin Biolay..
Relativamente aos Interpol, o EP «Evil» foi a razão para mais um encontro comercial. «Evil» é, porventura, a melhor canção de «Antics», o segundo álbum dos nova-iorquinos. Por isso mesmo julgamos que carece de quaisquer apresentações. Como lados-b encontramos as gravações BBC de «Evil» e «Narc» (outro dos grandes temas de «Antics»), para o programa radiofónico de Zane Lowe, e «Song Seven», uma mescla da serenidade rock de «C’mere» com o aparente desespero de «Narc». Como extra é-nos oferecido o vídeo de «Slow Hands» (primeiro single retirado de «Antics»). O disco não acrescenta nada ao reportório Interpol, mas soube e sabe tão bem ouvir a empatia existente à guitarra entre Paul Banks e Daniel Kessler….
Como amostra desta visita tasqueira deixo a versão single (mais dançável, mas menos cativante) de «Los Angeles», o soberbo tema de Benjamin Biolay retirado do fantástico debut «Rose Kennedy».
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