“I must admit / I can't explain / Any of these thoughts racing / Through my brain / It's true / Baby I'm howlin' for you”. Foram estas as palavras escolhidas pelos The Black Keys para abrir o concerto no Pavilhão Atlântico. O público, que encheu a plateia, uivava pela estreia da banda de Akron, Ohio. Dan Auerbach assumia o papel de salvador do blues-rock. Porém, alguém esqueceu-se de ligar o microfone. Ouviram-se assobios e os “Nana Nana Na, Nana Nana Na” dos coros, mas Dan Auerbach não parou: “There's something wrong / With this plot / The actors here / Have not got / A clue / Baby I'm howlin' for you (...) Nana Nana Na, Nana Nana Na / Nana Nana Na, Nana Nana Na...” Ainda antes do lânguido e poderoso riff de «Next Girl», trocou-se de microfone e as coisas pareciam ter encarrilhado. No entanto, houve sempre uma sensação de desconforto quanto ao som e ao espaço. A música da dupla é grande e incendiária, mas as suas canções pedem proximidade. Factor que nunca existiu na noite da passada terça-feira. Ainda assim, os The Black Keys revelaram mestria na hora de rock n’ rollar. Apresentaram-nos algumas das melhores malhas rock dos últimos anos («Tighten Up» e «Lonely Boy» são magníficas), recuperaram os tempos mais ásperos e de garagem, com «Thickfreakness», «Girl Is On My Mind» e «Your Touch», mostraram estar no auge da sua popularidade com novos sucessos (impressionante o feedback do público a temas como «Little Black Submarines», «Dead And Gone» e «Gold On The Ceiling») e ainda tiveram tempo para inflamar o ambiente com promessas de regresso. Houve espaço para um único encore, composto pelo falsete irresistível de «Everlasting Light» e o portentoso «I Got Mine». Os norte-americanos, que davam o primeiro concerto de uma digressão europeia com treze actos, cumpriram, mas não deslumbraram. Por isso, é com um brilhozinho nos olhos que continuarei à espera de ver Dan Auerbach e Patrick Carney num outro espaço da cidade, com outras condições.
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quinta-feira, 29 de novembro de 2012
domingo, 18 de novembro de 2012
The Black Keys | Little Black Submarines
Os norte-americanos The Black Keys têm novo vídeo. «Little Black Submarines» é mais um single retirado de «El Camino», o último trabalho de originais da dupla. O vídeo é realizado por Danny Clinch.
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quinta-feira, 7 de junho de 2012
The Black Keys | Gold On The Ceiling
«Gold On The Ceiling» é o segundo single a ser extraído de «El Camino», o aplaudido séptimo álbum da dupla norte-americana The Black Keys. O vídeo promocional, o qual sucede a «The Lonely Boy», é realizado por Harmony Korine.
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segunda-feira, 26 de setembro de 2011
2011 | Viagens à tasca em período de férias X
Vasa Museet
Para fechar de vez as incursões tasqueiras em férias de 2011, relembro uma das mais desconcertantes record stores que visitei. Apesar de ser em tudo idêntica às nossas Carbono e Louie Louie, a Record Hunter tem a particularidade de procurar oferecer o que já é ignorado pelas editoras: discos descatalogados, edições especiais e limitadas, singles e EPs raros. Matéria que não deu para explorar como gostaria, mas que me proporcionou alguns discos bem interessantes e, há muito, desejados. O primeiro é o EP de estreia do colectivo Hope Sandoval & The Warm Inventions, i.e., a dupla composta por Hope Sandoval (Mazzy Star) e Colm O’Cloisig (My Bloody Valentine). «At The Doorway Again» data de 2000 e antecede a edição do álbum «Bavarian Fruit Bread» (2001). Sempre gostei muito dos Mazzy Star e da sua sonoridade. Folk shoegaze em cadência indie que encontra na voz de Hope Sandoval o elo necessário para o alheamento do corrupio do dia-a-dia. Ambientes explorados, também, pelos Beach House, se bem que numa perspectiva mais pop. Porém, o som melancólico/doce percorre as melodias de ambas as bandas. Componentes que encontramos neste curto, mas apetecível, «At The Doorway Again». Se «Around My Smile» e a lindíssima «Charlotte» já eram conhecidas (ambas as canções integraram o alinhamento final de «Bavarian Fruit Bread»), o aéreo «Sparkly» e a autêntica lullaby «Down The Steps» só vêm atirar ainda mais lenha para a fogueira. Fogo que arde desde a segunda metade dos anos 90, época em que descobri «Fade Into You» e os álbuns «She Hangs Brightly» (1990), «So Tonight That I Might See» (1993) e «Among My Swan» (1996).
Continuo na folk e com outra voz feminina. Conheci o projecto Russian Red, da madrilena Lourdes Hernández, em 2010, aquando de uma curta passagem pela capital espanhola. «I Love Your Glasses», o debut álbum editado em 2008, foi, desde então, consumido quase até à exaustão. Isto, ao ponto de canções como «No Past Land», «Cigarettes», «Gone, Play On», «Nice Thick Feathers» e uma tocante cover de «Girls Just Want To Have Fun» ainda por cá andarem. Por isso «Fuerteventura», o segundo capitulo Russian Red, foi chamamento ao qual não pude resistir. Lourdes Hernández, volta a encantar com canções cheias de sentimento e típicas do singer-songwriting. Elementos aos quais dificilmente resisto. Porém, este segundo tomo já não tem a força da estreia. Voltamos a encontrar excelentes composições, como são os casos de «Tarantino», «Braver Soldier», «Everyday Everynight», «A Hat» e «Nick Drake», a produção de Tony Doogan mostra-se numa mais-valia, mas o efeito surpresa já não lá está. O disco revela, ainda assim, novos caminhos para a música de Lourdes Hernández, os quais passam pela surf pop de «January 14th», o country norte-americano de «Fuerteventura», a melancolia Mazzy Star em «I Hate You But I Love You» e a pop mais cintilante de «The Sun The Trees». No fim ainda encontramos uma nova versão de «Cigarettes» (tema originalmente editado em «I Love Your Glasses»). Mais um excelente disco Russian Red que, vá lá saber-se porquê, continua a ser ignorado em Portugal.
Como não há duas sem três, continuo a deambular pelos caminhos da folk. Desta feita, a preferência recaiu sobre os norte-americanos Vetiver, projecto de Andy Cabic, e pela sequela do aplaudido disco de covers «Things Of The Past». «More Of The Past» é um EP de cinco temas editado pela Gnomonsong. Mais cinco canções que, de alguma forma, marcaram e inspiraram Andy Cabic e restantes elementos da banda. EP que segue as pisadas de «Things Of The Past», apresentando uma sonoridade retro e extremamente convincente. Um disco que poderia ter sido editado em finais da década de 60 e inícios de 70, mas que, na realidade, viu a luz do dia em 2008. Porém, a receita passa pela folk psicadélica de «See You Tonight» (The Wizards), pelo rockabilly gingão de «Hey Doll Baby» (The Everly Brothers), o country rock de «Before The Sun Goes Down» (tema tradicional), o alternative country de «Just To Have You» (Grin) e a cadência free folk de «Hills Of Isle Au Haut” (Gordon Bok). Pena a não inclusão de «Miles Apart», original dos A.R. Kane (alguém se lembra disto?) e o lado-b do single «Hey Doll Baby». EP obrigatório para os aficionados, como eu, da folk music, dos Vetiver e de «Things Of The Past».
Para terminar, escolhi uma das melhores bandas rock da actualidade. Patrick Carney e Dan Auerbach já andam por cá desde 2011, mas foi só com as edições de «Attack & Release» (2008) e, principalmente, «Brothers» (2010) que conseguiram alcançar esse estatuto. Dois álbuns obrigatórios para quem gosta de power rock blues gingão em cadência garage rock. Ora, se Berlim me apresentou «Thickfreakness» (2003), Estocolmo deu-me a possibilidade de completar a discografia dos The Black Keys, disponibilizando-me, a preço de amigo, o debut «The Big Come Up» (2002) e os EP «The Moan» (2004) e «Chulahoma: The Songs Of Junior Kimbrough» (2006). Mais uma missão cumprida, portanto. Jornada electric power blues que incorpora, também, pitadas de funk, soul e hard rock. «The Big Come Up» é uma verdadeira viagem ao passado e às raízes do blues rock. Música rude e visceral que está longe do easy listening, ou, se preferirem, da vertente mais pop de «Attack & Release» e «Brothers». O álbum também tem as suas pérolas pop, como são «I’ll Be Your Man», «Yearnin’», «Them Eyes», ou a surpreendente cover de «She Said, She Said» (original dos The Beatles), mas o melhor passa mesmo pelo acento rock n’ blues de «Busted», «Countdown», «Leavin’ Trunk» (tema tradicional), «The Breaks» e «Heavy Soul». Este último tema foi, posteriormente, regravado e incluído no EP «The Moan», disco fundamental para coleccionadores e seguidores mais acérrimos dos The Black Keys.
Trata-se de mais um bom trabalho rock n’ blues da banda de Akron, Ohio. Além da versão alternativa de «Heavy Soul», podemos encontrar o inédito «The Moan» e as covers «Have Love Will Travel» (original de Richard Berry, mas imagem de marca dos The Sonics, que já havia sido incluído em «Thickfreakness») e «No Fun» (The Stooges). Quanto a «Chulahoma», deparamo-nos com uns The Black Keys mais lânguidos e simultaneamente mais harmoniosos. Feito de seis originais de David “Junior” Kimbrough (1930-1998), provavelmente o guitarrista blues mais importante da segunda metade do séc. XX, «Chulahoma» é uma notável homenagem da dupla norte-americana ao seu importante legado. Isto, depois da banda norte-americana ter reinterpretado «Do The Rump» (cover incluída em «The Big Come Up») e «Everywhere I Go» (tema gravado para «Thickfreakness»). Porém, em nenhuma das ocasiões os The Black Keys alcançavam o psicadelismo sombrio que percorre «Chulahoma». As texturas não deixam de ser blues rock, mas as canções aqui ganham uma outra dimensão (ouçam-se, por exemplo,
«Meet Me In The City» e «Have Mercy On Me»). Desta forma, e uma vez que os The Black Keys não se limitam a interpretar as canções de Kimbrough, «Chulahoma» é uma inigualável homenagem à obra de David “Junior” Kimbrough. Seis impressionantes cover versions que não deixam de ser seis canções notáveis dos The Black Keys.
P.S.: A minha recente passagem por Estocolmo não se fez só de música e visitas turísticas. Além da muito interessante oferta musical, a qual já tive a oportunidade de apresentar, a capital sueca garante, também, excelentes propostas literárias. As lojas de livros são grandes e superam qualquer uma da nossa Lisboa. Por entre os muitos destaques da secção “língua inglesa”, decidi apostar em «Just Kids», o sincero e apaixonante depoimento de Patti Smith sobre a sua relação com Robert Mapplethorpe (1946-1989). Uma obra ambientada nas ruas de Nova Iorque que documenta, de uma forma impressionante, o difícil início de carreira de Smith e Mapplethorpe.
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segunda-feira, 15 de agosto de 2011
2011 | Viagens à tasca em período de férias V
Brandenburger Tor
Uma das bandas que até há bem pouco tempo passava completamente despercebida nas tascas de Lisboa são os norte-americanos The Black Keys. O duo, composto por Dan Auerbach (guitarra e voz) e Patrick Carbey (bateria e produção), fez os seus primeiros ensaios em Akron, Ohio, decorria o ano de 2001. Em 2002, editam o álbum de estreia «The Big Come Up» e as comparações com os The White Stripes são inevitáveis. Electric power blues com tempero garage rock que muito deu que falar na passagem dos anos 90 para os anos 00. Uma guitarra, uma bateria e uma voz poderosa e visceral. Género que não pegou em Portugal, mas que eu sempre acompanhei com os citados The White Stripes e, numa variante mais pop, com os The Strokes, The Kills e Yeah Yeah Yeahs. Os The Black Keys são uma descoberta relativamente recente. Se no ano passado Madrid me proporcionou «Attack & Release» e «Brothers», este ano Berlim ofereceu-me «Thickfreakness» (2003). Trabalho gravado e produzido pela própria banda em cerca de catorze horas. Um disco composto por onze canções urgentes e de textura blues-rock. Tudo apresentado de uma forma rude, mas extremamente eficaz. «Thickfreakness», «Hard Row», «Set You Free» e «Have Love Will Travel» são excelentes canções, dignas de figurarem num qualquer best of da dupla. Já «Hurt Like Mine» e «If You See Me» expõem a faceta mais controlada e, consequentemente, menos excitante dos The Black Keys. No entanto, o que impressiona é o facto de dois músicos com pouco mais de vinte anos (recorde-se que «Thickfreakness» foi editado em 2003) conseguirem escrever e produzir música tão “crescida”. Canções calejadas que encontram em Dan Auerbach o seu narrador de eleição.
A par dos The Black Keys, os norte-americanos Death Cab For Cutie (DCFC) também não têm a vida facilitada por cá. Os discos da banda de Bellingham, Washington, são difíceis de encontrar. A procura de Berlim reservou-me a edição limitada e comemorativa dos dez anos de «Something About Airplanes» (1998). Uma década de pop seminal e tempero lo-fi de «Bend To Squares», «Champagne From A Paper Cup» e «Line Of Best Fit». Canções que misturam a pop beatlish de Elliott Smith e Ben Folds, com arranjos John Vanderslice. Ambientes explorados pelos Built To Spill, The Shins e Rogue Wave, mas com a carga emocional de uns Red House Painters («Your Bruise») e Mazzy Star («Sleep Spent»). A receita saiu-se bem em 1998 e o percurso da banda de Ben Gibbard (The Postal Service e ¡All-Time Quarterback!) é hoje um dos casos de maior sucesso indie norte-americano. Aproveitando a boleia do êxito alcançado, principalmente, com «Transatlanticism» (2003), «Plans» (2005) e «Narrow Stairs» (2008), os DCFC lá se decidiram a reeditar «Something About Airplanes». A ideia seria mostrar aos novos fãs as canções que deram início à viagem da banda. Para o efeito juntaram-lhe um segundo CD com a primeira actuação dos DCFC em Seattle, no Crocodile Cafe, a 25 de Fevereiro de 1998. Uma verdadeira relíquia para quem estima a música dos DCFC.
Outra banda com dificuldades de colocar os seus trabalhos nas tascas de Lisboa são os Okkervil River. A minha relação com o colectivo de Austin, Texas, nasceu em 2007 com a edição do soberbo «The Stage Names». Em Berlim encontrei «Down the River of Golden Dreams» (2003) e «I Am Very Far» (2011), o segundo e sexto álbuns dos norte-americanos. Folk rock com cadência retro que pisca o olho à pop, sem perder a personalidade indie. Modelo cultivado pelos Neutral Milk Hotel, mas acompanhado de perto pelo lirismo de um Conor Oberst (Bright Eyes) e Stephin Merritt (The Magnetic Fields). Storytelling de primeira linha, portanto, que domina o extraordinário «Down the River of Golden Dreams». Dados aos quais Will Sheff e companhia acrescentam, no mais recente «I Am Very Far», pitadas de Bruce Springsteen («Rider»), Mercury Rev («We Need A Myth») e Arcade Fire («White Shadow Waltz»).
Empenham-se na cadência waltz de «Wake And Be Fine» e mostram que a pop pode ser um lugar comum para todas as suas influências («Piratess»). Músicas triunfantes, às quais adiciono «The Valley», «Hanging From A Hit», «Show Yourself» e «Your Past Life As A Blast», que constroem um álbum, igualmente, glorioso. Mais um dos Okkervil River.
Quem também não faz nada ao acaso são os …And You Will Know Us By The Trail Of Dead (só o nome já os denunciam), banda oriunda, também, de Austin, no Texas. Formaram-se em 1993 e até à data já nos ofereceram dois dos melhores álbuns dos últimos doze anos: «Madonna» (1999) e «Source Tags & Codes» (2002). Ainda assim, a carreira dos …AYWKUBTTOD tem-se pautado pela irregularidade: «Worlds Apart» e «So Devided» são verdadeiros tiros ao lado. A apetência da banda para o prog-rock épico com tempero post-punk estava lá, mas o todo simplesmente não resultava. «Tao Of The Dead» é já o sétimo álbum dos norte-americanos e o trabalho mais forte desde o seminal «Source Tags & Codes». Na verdade, «Tao Of The Dead» recupera toda a pujança e esplendor da obra-prima dos …AYWKUBTTOD (os trechos «Fall Of The Empire» e «Summer Of All Dead Souls» são soberbos). Tudo muito bem ordenado, aqui, numa edição dupla e limitada. Se no primeiro CD encontramos as duas faixas do disco - «Tao Of The Dead» (35:50) e «Strange News From Another Planet» (16:32) -, no CD dois podemos ouvir as «stand alone versions» dos onze temas que compõem os quase trinta e seis minutos de «Tao Of The Dead», a faixa título, e mais meia hora de música com «The Bubble Demo» (as versões demo). Uma preciosidade que vem acompanhada de dezasseis páginas da ‘comic’ «Strange News From Another Planet – The Voyages Of The Festival Theme» e da respectiva «short story» da autoria do vocalista e guitarrista Conrad Keely.
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
The Black Keys | Howlin' For You
Os norte-americanos The Black Keys foram um dos grandes destaques de 2010 e «Brothers», o sexto álbum da dupla, marcou presença em tudo o que foi lista de «os melhores de 2010». O disco ainda não perdeu a sua vitalidade e a prová-lo está o seu mais recente single «Howlin' For You». O vídeo é realizado por Chris Marrs Piliero.
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terça-feira, 15 de junho de 2010
2010 | Viagens à tasca em período de férias IV
Regresso às «calles madrillenas» e à música espanhola para dar conta de uma das mais recentes descobertas consumadas via Pitchfork. Os Delorean formaram-se em 2000, na cidade basca de Zarautz, e desde então já editaram quatro LPs e dois EPs. A minha história com este quarteto composto por Ekhi Lopetegi (voz e baixo), Guillermo Astrain (guitarra), Unai Lazcano (keyboards) e Igor Escudeo (bateria) começou em meados de Maio com o álbum «Subiza». A aposta no trabalho da então desconhecida banda basca foi como que uma reacção ao esplendor anunciado pela Pitchfork. Não costumo deixar-me influenciar por críticas, confesso. No entanto, o facto de se tratar de uma banda espanhola com uma sonoridade assente em pressupostos «alternative dance music», com especial enfoque nas electrónicas que fizeram a história dos clubes nocturnos de Ibiza, fez-me largar uns euros ainda em Lisboa e, há cerca de duas semanas, outros quantos em Madrid. Ainda em Lisboa, «Subiza» mostrou-me uma banda em busca da melodia perfeita e adepta de momentos electro-rave-indie-jam-party que continuam a fazer a festa dos Animal Collective. Porém, os Delorean movimentam-se em ritmos electro-tropicais (em vez de electro-tribais, dos Animal Collective) e os seus temas ficam a meio caminho entre o modus operandi Animal Collective, a prática experimental de uns Foals e El Guincho e a danceteria Cut / Copy. Temas irresistíveis como «Stay Close», «Grow», «Infinite Desert», «Warmer Places» (com cadência afro-som sistema), «Simple Grace» e, do soberbo «Ayrton Senna EP», o qual descobri em Madrid, «Seasun», «Big Dipper», «Moonson» e, principalmente, «Deli». Música estival que marcará, de
certeza, o Verão que tarda em chegar. «Ayrton Senna» (2009) e «Subiza» (2010) são, assim, discos que se complementam e que muito provavelmente acabarão por ser reeditados numa única edição de luxo, ou melhor deluxe (expressão agora em voga)..
Agora um «disco da casa». As CocoRosie já são quase família e «Grey Oceans» vem, uma vez mais, confirmar o meu gosto pela aparente inocência que percorre as entrelinhas folk da sua música («Lemonade», o primeiro single, é uma verdadeira delícia). Faz, também, esquecer o menor «Coconuts, Plenty Of Junk Food», o EP que foi disponibilizado na última digressão (2009) que passou por Lisboa. «Grey Oceans» é, assim, um disco que mantém viva a identidade das CocoRosie, mas que revela uma clara intenção de ir mais além, mais ao encontro da canção. A dupla continua a utilizar a folk e a sua desafiante criatividade urbana para moldar as composições, mas agora os temas revelam-se mais ricos («Hopscotch», «The Moon Asked The Crow» e «Fairy Paradise» são bons exemplos disso mesmo). Desta forma, e apesar da habitual criancice bucólica («Gallows», «Undertaker», «Grey Oceans» e «R.I.P. Burn Face» recuperam bem esse registo), as CocoRosie mostram sinais de crescimento e amadurecimento, abrindo novos caminhos para a sua música. Exemplos? Enquanto «Smokey Taboo» nos transporta para Marraquexe, a diversidade sonora de «The Moon Asked The Crow» resulta num «je ne sais quois» Gotan Project. «Fairy Paradise» atira as irmãs Casady para a pista de dança e «Hopscotch» é um verdadeiro dois em um: ora uma paródia em estilo cabaret, ora um ritmo galopante capaz de meter inveja a Björk. Resumindo e concluindo, «Grey Oceans» não será um disco para angariar novos adeptos, mas, eventualmente, poderá recuperar algum do público que foi perdendo a esperança na música das irmãs Casady.
Agora um «disco da casa». As CocoRosie já são quase família e «Grey Oceans» vem, uma vez mais, confirmar o meu gosto pela aparente inocência que percorre as entrelinhas folk da sua música («Lemonade», o primeiro single, é uma verdadeira delícia). Faz, também, esquecer o menor «Coconuts, Plenty Of Junk Food», o EP que foi disponibilizado na última digressão (2009) que passou por Lisboa. «Grey Oceans» é, assim, um disco que mantém viva a identidade das CocoRosie, mas que revela uma clara intenção de ir mais além, mais ao encontro da canção. A dupla continua a utilizar a folk e a sua desafiante criatividade urbana para moldar as composições, mas agora os temas revelam-se mais ricos («Hopscotch», «The Moon Asked The Crow» e «Fairy Paradise» são bons exemplos disso mesmo). Desta forma, e apesar da habitual criancice bucólica («Gallows», «Undertaker», «Grey Oceans» e «R.I.P. Burn Face» recuperam bem esse registo), as CocoRosie mostram sinais de crescimento e amadurecimento, abrindo novos caminhos para a sua música. Exemplos? Enquanto «Smokey Taboo» nos transporta para Marraquexe, a diversidade sonora de «The Moon Asked The Crow» resulta num «je ne sais quois» Gotan Project. «Fairy Paradise» atira as irmãs Casady para a pista de dança e «Hopscotch» é um verdadeiro dois em um: ora uma paródia em estilo cabaret, ora um ritmo galopante capaz de meter inveja a Björk. Resumindo e concluindo, «Grey Oceans» não será um disco para angariar novos adeptos, mas, eventualmente, poderá recuperar algum do público que foi perdendo a esperança na música das irmãs Casady..
Chegamos à dupla blues-rock The Black Keys e a um dos discos mais cool de 2010. Formados em 2001, por Dan Auerbach (voz e guitarra) e Patrick Carney (bateria), os The Black Keys foram imediatamente catalogados como descendentes directos dos conterrâneos The White Stripes. Na verdade, os factos eram evidentes: uma bateria perspicaz, uma voz penetrante e uma guitarra capaz de acordar para o mundo o Santo Papa Bento XVI. Pessoalmente, os The Black Keys eram, até há bem pouco tempo, mais uma entre muitas bandas «Black... something» com alguns singles interessantes. Porém, «Strange Times» (single do álbum de 2008 «Attack & Release») e, principalmente, «Tighten Up» (primeiro avanço de «Brothers», de 2010) vieram mostrar-me que afinal estava a perder um dos melhores projectos rock da actualidade. Vai daí decidi comprar não um, mas sim os dois últimos álbuns da dupla, entretanto já aqui identificados. Ambos os trabalhos são co-produzidos pelo camaleão Danger Mouse e este facto revela-se uma clara vantagem em relação ao passado garage rock minimalista que foi domi
nando os discos da banda. Ouçam-se, por exemplo, o falsete irresistível de «Everlasting Light», os lânguidos «Too Afraid To Love You» e «Lies», ou os sedutores «So He Won’t Break» e «Things Ain’t Like They Used To Be». Extraordinárias canções rock de uma banda de excepção que, apesar de chegaram tarde, chegam em boa hora.
Chegamos à dupla blues-rock The Black Keys e a um dos discos mais cool de 2010. Formados em 2001, por Dan Auerbach (voz e guitarra) e Patrick Carney (bateria), os The Black Keys foram imediatamente catalogados como descendentes directos dos conterrâneos The White Stripes. Na verdade, os factos eram evidentes: uma bateria perspicaz, uma voz penetrante e uma guitarra capaz de acordar para o mundo o Santo Papa Bento XVI. Pessoalmente, os The Black Keys eram, até há bem pouco tempo, mais uma entre muitas bandas «Black... something» com alguns singles interessantes. Porém, «Strange Times» (single do álbum de 2008 «Attack & Release») e, principalmente, «Tighten Up» (primeiro avanço de «Brothers», de 2010) vieram mostrar-me que afinal estava a perder um dos melhores projectos rock da actualidade. Vai daí decidi comprar não um, mas sim os dois últimos álbuns da dupla, entretanto já aqui identificados. Ambos os trabalhos são co-produzidos pelo camaleão Danger Mouse e este facto revela-se uma clara vantagem em relação ao passado garage rock minimalista que foi domi
nando os discos da banda. Ouçam-se, por exemplo, o falsete irresistível de «Everlasting Light», os lânguidos «Too Afraid To Love You» e «Lies», ou os sedutores «So He Won’t Break» e «Things Ain’t Like They Used To Be». Extraordinárias canções rock de uma banda de excepção que, apesar de chegaram tarde, chegam em boa hora.O rock nunca pareceu tão cool!
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Para terminar fica um vídeo, recentemente disponibilizado pelos The Black Keys e registado em estúdio, para o soberbo «Too Afraid To Love You» (tema que surge no alinhamento de «Brothers»).
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Para terminar fica um vídeo, recentemente disponibilizado pelos The Black Keys e registado em estúdio, para o soberbo «Too Afraid To Love You» (tema que surge no alinhamento de «Brothers»).
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sábado, 12 de junho de 2010
The Black Keys | Tighten Up
É a canção do momento! «Tighten Up» é retirada de «Brothers», o mais recente trabalho da dupla blues-rock The Black Keys e é perfeita. Para ajudar, o vídeo também é óptimo.
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