Desde a edição de «Boxer» (2007) que a música aveludada dos The National me seduz até ao tutano. Atracção que me fez ir à Aula Magna, a 11 de Maio de 2008, mas que agora me estava a afastar do concerto marcado para o dia 24 de Maio de 2011, no Campo Pequeno. Porquê? Além das recentes más experiências na sala do Campo Pequeno, simplesmente não queria manchar as memórias que ainda guardo daquela noite de 2008. Depois, e apesar de gostar bastante de «High Violet», o certo é que «Boxer» continua a demarcar-se de todos os restantes trabalhos dos The National e esse concerto já ocorreu em 2008. No entanto, um convite de última hora e a imensa admiração que tenho pela música destes senhores levou-me a mais um concerto. A noite estava muito quente e o público, que preencheu todos os sectores da sala de espectáculos do Campo Pequeno, tornou o ar quase irrespirável. No entanto, a prestação dos The National conseguiu aquecer ainda mais o ambiente. O público mostrou-se verdadeiramente apaixonado pela música da banda de Cincinnati (Ohio), mas sediada em Brooklyn, e as sempre empolgantes palmas rítmicas foram uma constante, mesmo quando o ritmo não o solicitava (recordo-me, por exemplo, de «Start A War» e «Slow Show»). Quanto aos The National, mostraram-se mais uma vez agradados por estar em Lisboa e até nos ofereceram um pequeno presente, tocando «Friend Of Mine», tema de «Alligator» que, segundo a banda, já não subia ao palco há mais de sete anos. De resto, houve boa música e excelentes canções (apesar de ter sentido a falta de «Brainy», «Daughters Of The Soho Riots», «Mistaken For Strangers» e «Lit Up»). Matt Berninger voltou a invadir a área reservada para o público e no fim houve ainda espaço para um momento unplugged e em formato a cappella, com o lindíssimo «Vanderlyle Crybaby Geeks».
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sábado, 28 de maio de 2011
segunda-feira, 4 de abril de 2011
The National | Think You Can Wait
«Win Win» é o título do novo filme do realizador Thomas McCarthy. Película que conta com a prestação de Paul Giamatti no ecrã e a colaboração dos The National na respectiva banda sonora. «Think You Can Wait» é mais uma excelente canção retirada da melancólica jukebox dos norte-americanos The National.
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sábado, 12 de março de 2011
The National | Conversation 16
«Conversation 16» é um dos meus temas favoritos de «High Violet», o quinto álbum dos norte-americanos The National, e a escolha da banda para mais um vídeo promocional ao disco. O vídeo é realizado por Scott Jacobson e conta com a participação de Kristen Schall («Flight Of The Conchords») e John Slattery («Mad Men»).
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sexta-feira, 22 de outubro de 2010
The National | Terrible Love (Alternate Version)
Os The National continuam em alta. Primeiro, anunciaram a reedição de «High Violet», agora numa edição dupla que incluirá dois temas novos, dois lados-b, três registos em formato live e uma versão alternativa de «Terrible Love». Depois, surgiu o vídeo dessa mesma versão alternativa de «Terrible Love» (realização a cargo de Tom Berninger) para promover o lançamento do respectivo single. Agora, é a notícia que a banda norte-americana regressará ao nosso país em Maio de 2011 para dois concertos. Que mais poderemos pedir?
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quinta-feira, 13 de maio de 2010
The National | Bloodbuzz Ohio
A crise económica teima em dominar a nossa actualidade. Os impostos vão aumentar e os tempos são de muita contenção. Mas nem tudo são agruras. Os The National estão aí de novo para nos hipnotizar com mais uma extraordinária colecção de canções. «High Violet» segue os preceitos do seu antecessor «Boxer» e o resultado é, uma vez mais, estupendo. «Bloodbuzz Ohio» é o excelente primeiro single de «High Violet», o quinto álbum de originais da banda norte-americana.
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terça-feira, 13 de maio de 2008
Noite (The) National
A noite do passado dia 11 de Maio tinha tudo para ser memorável. Enquanto metade de Portugal palpitava e celebrava as emoções futebolísticas de finais de temporada e de carreira (uma sentida e profunda palavra de apreço para um dos símbolos maiores de futebol português, Rui Costa), uma Aula Magna esgotadíssima ansiava pelo som aveludado dos The National, a banda do Ohio (sediada em Nova Iorque) mais conhecida da actualidade. «Boxer», quarto álbum do colectivo e mote para o concerto em Lisboa, marcou presença em qualquer listagem que se preze entre os melhores de 2007 (para mim foi mesmo o melhor disco de 2007). Como se não bastasse, os bilhetes para esta estreia em nome próprio e na capital portuguesa esgotaram em poucas semanas. Razões pelas quais podemos afirmar que as expectativas eram grandes..
A euforia começou cedo para quem antecipou a entrada na Aula Magna, pois o vocalista Matt Berninger decidiu confirmar se tudo estava operacional na mesa de som, pelo que a curta e apressada sessão de autógrafos foi inevitável. No entanto, as emoções fortes iniciaram-se ao som de «Brainy», um dos temas mais melodiosos de «Boxer» e uma das canções mais rodadas no meu leitor de MP3 durante 2007. Todavia, a performance vocal de Matt Berninger surgiu fria, o som parecia metalizado e os «altos» ritmos do baixo tornaram-se impróprios para a harmonia patenteada na versão estúdio de «Brainy». «Secret Meeting» seguiu-se-lhe e a desconfiança foi diminuindo, pois Padma Newsome (o sexto elemento do colectivo que se ocupa do violino e keyboards) carregou no acelerador e aqueceu os restantes membros da banda. Aquando de «Mistaken For Strangers», o excelente primeiro single de «Boxer», já tudo corria dentro da normalidade e o público saltou das cadeiras para menear-se ao som sedutor dos The National. «Baby We’ll Be Fine» foi outro dos temas recuperados de «Alligator» (2005). O ritmo abrandou e «Slow Show» comprovou-o, mas «Squalor Victoria» logo alvoroçou os presentes e, principalmente, Matt Berninger que mostrou os primeiros sinais de desatino, berrando alguns dos versos do tema. «Abel», um dos singles essenciais de «Alligator» adensou a entusiasmo vivido que só a sequência «Wasp Nest» (do EP «Cherry Trea»), «Racing Like A Pro» e «Ada» conseguiram aquietar. «Apartment Story» incitou às palmas e «Daughters Of The Soho Riots» surpreendeu os próprios The National, com o público a entoar em uníssono o refrão desarmante no final do tema. Os magníficos «Fake Empire» e «Start A War» fecharam o alinhamento original do espectáculo. Após o ensurdecedor chamamento do público, os The National fecharam esta brilhante noite com a folk melódica de «Green Gloves», a pujança de «Mr. November» (com Matt Berninger tresloucado a invadir os lugares doutrinários da Aula Magna) e a calmaria de «Gospel» e «About Today». Acenderam as luzes e os sorrisos de satisfação eram evidentes na cara de todos..
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domingo, 2 de março de 2008
2008 boom de concertos
E quando pensávamos que já não nos poderiam surpreender mais, confirmam, de uma assentada, a passagem por palcos nacionais dos prodigiosos The National (concerto marcado para a Aula Magna a 11 de Maio e entretanto já esgotado) e da carismática Cat Power, a.k.a. Chan Marchall (26 de Maio no Coliseu de Lisboa)… Enquanto que os norte-americanos The National se estreiam em nome próprio e em recintos da capital portuguesa; Cat Power regressa depois de um grande concerto na Aula Magna a 4 de Dezembro de 2006. Ambas as datas já estão devidamente reservadas para os espectáculos e, entretanto, a esperança de ver Tori Amos e Fiona Apple em Portugal vai aumentando... É que tudo parece ser possível em 2008…
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domingo, 30 de dezembro de 2007
Viagens à tasca
Rapidamente a minha obcecação tasqueira reactivou e após novo fim-de-semana, nova escorregadela (no orçamento). A culpa é da tasca da margem sul! De uma assentada perfiz a discografia, em termos de álbuns originais, do «eterno adolescente mais maduro da América» Conor Oberst a.k.a. Bright Eyes e dos já sólidos The National.
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Comecemos pelos The National (na minha opinião, os grandes vencedores da corrida ao melhor álbum de 2007, com o sublime «Boxer»). Na colecção de CDs originais lá de casa estavam em falta «Sad Songs For Dirty Lovers» (2003) e «Alligator» (2005). Como é da praxe, e após se tornarem na mais recente dependência auditiva, há que ter os discos em formato original. «Sad Songs For Dirty Lovers», segundo álbum na carreira do colectivo norte-americano, é mais um exemplo revelador da discutível opção gráfica patenteada nas capas dos discos dos The National e do apurado sentido melodioso da banda. A música (o que realmente interessa aqui) é afectiva e harmoniosa. «Cardinal Song», a abrir, dá-nos uma perfeita visão americana dos Tindersticks, com o canadiano Owen Pallett a.k.a. Final Fantasy à mistura. «Slipping Husband» revela uns The National mais mexidos, mais pop, mais radio-friendly, mais senhores de si mesmo (com direito a berraria e tudo). «90-Mile Water Wall», o melhor dos doze temas aqui apresentados, é doce e etéreo, dando indícios do que se seguiria com «Alligator» e «Boxer». «Thirsty» mantém os ambientes serenos e melódicos e «Available» é acelerada e forte, com portentosos riffs que mais tarde fariam mossa nos Editors. No entanto, «Murder Me Rachel» é exercício indie rock que se desenquadra um pouco da musicalidade dos The National. «Sugar Wife», «Throphy Wife» e «Patterns of Fairytales» parecem exercícios inacabados, não se sabendo ao certo qual o rumo desejado. E «Lucky You» fecha as hostilidades em mais um exercício competente, não passando daí. Desequilibrado este «Sad Songs For Dirty Lovers», mas depois de «Boxer» tudo é perdoado e tudo acaba por soar suave e doce.
Comecemos pelos The National (na minha opinião, os grandes vencedores da corrida ao melhor álbum de 2007, com o sublime «Boxer»). Na colecção de CDs originais lá de casa estavam em falta «Sad Songs For Dirty Lovers» (2003) e «Alligator» (2005). Como é da praxe, e após se tornarem na mais recente dependência auditiva, há que ter os discos em formato original. «Sad Songs For Dirty Lovers», segundo álbum na carreira do colectivo norte-americano, é mais um exemplo revelador da discutível opção gráfica patenteada nas capas dos discos dos The National e do apurado sentido melodioso da banda. A música (o que realmente interessa aqui) é afectiva e harmoniosa. «Cardinal Song», a abrir, dá-nos uma perfeita visão americana dos Tindersticks, com o canadiano Owen Pallett a.k.a. Final Fantasy à mistura. «Slipping Husband» revela uns The National mais mexidos, mais pop, mais radio-friendly, mais senhores de si mesmo (com direito a berraria e tudo). «90-Mile Water Wall», o melhor dos doze temas aqui apresentados, é doce e etéreo, dando indícios do que se seguiria com «Alligator» e «Boxer». «Thirsty» mantém os ambientes serenos e melódicos e «Available» é acelerada e forte, com portentosos riffs que mais tarde fariam mossa nos Editors. No entanto, «Murder Me Rachel» é exercício indie rock que se desenquadra um pouco da musicalidade dos The National. «Sugar Wife», «Throphy Wife» e «Patterns of Fairytales» parecem exercícios inacabados, não se sabendo ao certo qual o rumo desejado. E «Lucky You» fecha as hostilidades em mais um exercício competente, não passando daí. Desequilibrado este «Sad Songs For Dirty Lovers», mas depois de «Boxer» tudo é perdoado e tudo acaba por soar suave e doce..
Mudamos de disco e aos primeiros acordes de «Alligator» percebemos que algo mudou nos The National. A música é agora ainda mais envolvente. Ouvimos uma banda mais madura. «I had a secret meeting in the basement of my brain», canta Matt Berninger em «Secret Meeting» (tema de abertura) e nós imaginamos que foi esta autêntica auto-descoberta a razão para este passo de gigante. Se anteriormente os The National se evidenciavam, a espaços, pelo sentido melódico de um Leonard Cohen e/ou Tindersticks, agora juntam-lhes temperos Joy Division (ouça-se «Lit Up» e «Abel»), acidez Nick Cave («Karen»), bálsamos Rosie Thomas («Daughters Of The Soho Riots»), aromas Wilco («Val Jester») e momentos de pura magia que misturam orquestrações Disney com atmosferas dream indie pop («The Geese of Beverly Road» e «City Middle»). «Alligator», depois de dois álbuns e um E.P. (já aqui documentados), marca a estreia pela histórica Beggars Banquet e o apurar da linguagem The National, no primeiro grande álbum deste colectivo sediado em Nova Iorque..
Continuamos na América do Norte, mais precisamente no sempre bem vindo estado do Nebraska, para destacarmos Conor Oberst e os seus Bright Eyes. Desde muito cedo que Oberst se revelou um autêntico compositor compulsivo. Aos catorze anos já compunha e editava discos, resultado dos seus vários projectos musicais, desde os Norman Bailer (mais tarde conhecidos como The Faint) aos Commander Venus. Produto dos anos 80, Oberst cresceu a ouvir Nirvana, Rage Against The Machine, Soundgarden e afins. O grunge sente-se nas entrelinhas da sua música. «A Collection of Songs Written and Recorded 1995-1997» foi o primeiro testemunho de Oberst enquanto Bright Eyes. Tal como o próprio nome o denúncia, o disco é uma colecção de temas escritos e gravados entre 1995 e 1997. Registada no sótão de Conor Oberts e num gravador de 4-pistas, esta compilação de vinte excertos musicais acaba por não ser tão fascinante como os restantes exercícios Bright Eyes. De facto, descobrimos verdadeiros desatinos inenarráveis para qualquer um («Solid Jackson» e «Supriya» são bons exemplos disso mesmo). No entanto, lá encontramos, também, o fantasma de Kurt Cobain em versão caseira (ouça-se «Saturday as Usual»); damos de caras com Mark Linkous e os seus delicados Sparklehorse («Patient Hope In New Show» e «Falling Out Of Love At This Volume»); conhecemos outros devaneios electrónicos e mais pessoais de Conor Oberst («The Invisible Gardener» e «Driving Fast Through A Big City At Night»); e comprovamos a excelência da composição de Oberst («The Awful Sweetness Of Escaping Sweet», «I Watched You Taking Off», «Lila», «The ‘Feel Good’ Revolution», etc.). Compilação irregular, é certo, mas extremamente valiosa para os seguidores dos Bright Eyes..
Seguimos viagem (cronológica) até ao E.P. «Every Day And Every Night», de 1999. Editado logo após o enigmático «Letting Off The Happiness», «Every Day And Every Night» parece-se já com um conjunto de canções escritas e registadas com um propósito comum: editar uma colecção de canções embebidas na folk, no alternative country e, fundamentalmente, na pop. O timbre de voz de Conor Oberst deambula entre os delírios de Gordon Gano (Violent Femmes) e Robert Smith (The Cure). Se «A Perfect Sonnet», o melhor tema das cinco canções aqui apresentadas, se distingue pelo crescendo emocional, «A New Arrangement» recorre a melodias Nick Drake para uma autêntica prece musical, renovada em «Neely O’Hara». «A Line Allows Progress, A Circle Does Not» junta ensinamentos Adam Kasper aos primeiros momentos folk de Bruce Springsteen. Outra pérola para os fãs dos Bright Eyes..
A última paragem desta visita tasqueira recupera o ano de 2002 e o álbum «Lifted, Or, The Story Is In The Soil, Keep Your Ear To The Ground». Após «Letting Off The Happiness» e «Fevers And Mirrors», o resultado final do terceiro trabalho dos Bright Eyes não é nada convincente para quem ansiava por algo totalmente diferente/novo. Tudo o que aqui se encontra já se havia saboreado anteriormente. Desde o swing acústico do colectivo à berraria estridente e o apurado lirismo de Conor Oberts, passando pela folk embriagada e a pop esquizóide do Nebraska. Todavia, e após várias audições denotamos uma maior sensibilidade de Conor Oberts para a melodia. Encontramos igualmente instrumentações de sopro e mais composições de cordas capazes de nos hipnotizar. «Lover I Don't Have To Love», «Bowl Of Oranges», «Nothing Gets Crossed Out», «False Advertising» e «Don’t Know When But A Day Is Gonna Come» são algumas das melhores canções dos Bright Eyes. Contudo, «When The President Talks To God», momento crucial para a difusão e popularização da carreira dos Bright Eyes, ainda estava longe, estando em 2002 o culto Bright Eyes reservado a sortudos «happy few»..
Para rematar sugiro a famosa actuação de Conor Oberst, enquanto Bright Eyes, no programa de Jay Leno interpretando «When The President Talks To God».
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terça-feira, 20 de novembro de 2007
Viagens à tasca
Há algumas semanas tive a oportunidade de visitar, pela primeira vez, a tasca da Margem Sul, a qual se revelou um dos mais estimulantes estabelecimentos «disqueiros». Entre as novidades e as promoções do costume, lá descobrimos artigos raros para a nossa capital (e em formato E.P.)...
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Joan Wasser, mais conhecida por Joan As Police Woman, palmilha os trilhos da música há mais de 10 anos. De eterna namorada de Jeff Buckley a colaboradora habitual de variadíssimos artistas como os Scissor Sisters, Lou Reed, Sheryl Crow, Rufus Wainwright, Antony ou mesmo John Cale, Wasser foi ganhando prestígio e, nos intervalos das suas muitas participações em trabalhos alheios, foi gravando as suas próprias canções. Em 2003 edita «My Gurl», primeiro single e um dos seus melhores trabalhos que um ano depois integra o homónimo E.P. de estreia. «Joan As Police Woman» revela algum desequilíbrio, é certo, mas temas como o soberbo «My Gurl», «Stagger Into The Light» (onde paira o espírito de Jeff Buckley) e «Game Of Life» davam alguns indícios do que seria a sua estreia, em 2006, com «Real Life». Joan Wasser caracteriza a sua música como «punk rock r&b» que resulta de duas grandes influências: a soul clássica de Al Green e Nina Simone e o som rude e experimental de uns Sonic Youth. A experimentação é, de facto, a metodologia favorita de Joan As Police Woman, sendo as divagações sonoras ora ao piano ora ao violino e a sua voz lembra algumas soul artists. Porém, é a assimilação de traços interpretativos de Antony Hegarty e Rufus Wainwright que mais nos fascina. Para primeiros contactos com a obra de Joan As Police Woman aconselho «Real Life» (álbum que inclui o magnífico «I Defy»); para os admiradores «Joan As Police Woman E.P.» representa os primeiros meses de gestação do fantástico «Real Life»..
Se Joan As Police Woman foi uma das grandes surpresas do ano transacto, os norte-americanos The National têm-se revelado um dos melhores partidos neste ano de 2007. Desde a edição de «Boxer» que não consigo parar de os ouvir e de os procurar (ora na internet, ora nas tascas). Nesta estreia sulista encontrámos o saboroso E.P. «Cherry Tree». Lançado em 2004, entre «Sad Songs For Dirty Lovers» (2003) e «Alligator» (2005), este conjunto de sete temas representou um certo limar de arestas por parte dos The National. Se até então a banda revelava potencial, ainda por concretizar, após «Cherry Tree» apuraram-se fórmulas e os The National atinaram, dando indícios do que são actualmente: uma das melhores propostas vindas da terra do Tio Sam. O colectivo continua a abordar Nick Cave, Leonard Cohen, Tindersticks, Tom Waits, Bruce Springsteen, The Walkabouts, etc. de uma forma muito particular. A voz de Matt Berninger engrandece a música e a própria banda, mas é a empatia entre esta autêntica família que mais brilha. Os ambientes são harmoniosos q.b. e temas como «All Dolled-Up in Straps», «Cherry Tree», «About Today» e «Wasp Nest» revelam o início da fase mais proveitosa dos The National. Depois chegaram «Alligator» e «Boxer» e o culto surgiu.
Se Joan As Police Woman foi uma das grandes surpresas do ano transacto, os norte-americanos The National têm-se revelado um dos melhores partidos neste ano de 2007. Desde a edição de «Boxer» que não consigo parar de os ouvir e de os procurar (ora na internet, ora nas tascas). Nesta estreia sulista encontrámos o saboroso E.P. «Cherry Tree». Lançado em 2004, entre «Sad Songs For Dirty Lovers» (2003) e «Alligator» (2005), este conjunto de sete temas representou um certo limar de arestas por parte dos The National. Se até então a banda revelava potencial, ainda por concretizar, após «Cherry Tree» apuraram-se fórmulas e os The National atinaram, dando indícios do que são actualmente: uma das melhores propostas vindas da terra do Tio Sam. O colectivo continua a abordar Nick Cave, Leonard Cohen, Tindersticks, Tom Waits, Bruce Springsteen, The Walkabouts, etc. de uma forma muito particular. A voz de Matt Berninger engrandece a música e a própria banda, mas é a empatia entre esta autêntica família que mais brilha. Os ambientes são harmoniosos q.b. e temas como «All Dolled-Up in Straps», «Cherry Tree», «About Today» e «Wasp Nest» revelam o início da fase mais proveitosa dos The National. Depois chegaram «Alligator» e «Boxer» e o culto surgiu..
A última aposta, no meio de tantas outras possíveis, passou pelo álbum de remisturas dos sempre bem-vindos Bloc Party. Pela primeira vez encontrámos o dito álbum a preço decente (aceitável para uma colecção de remisturas, entenda-se) e nem pensámos duas vezes. As canções da recomendável estreia «Silent Alarm» são boas e os convidados, para a metamorfose sonora «Silent Alarm Remixed», foram escolhidos a dedo. O resultado final é bem bom para um álbum de remisturas. Entre as propostas apresentadas encontramos nomes e ambientes tão diversos como Ladytron que nos dão uma visão ainda mais sinistra e mecânica de «Like Eating Glass»; M83 que surge com uma assombrada versão de «The Pioneers»; Four Tet que pega em «So Here We Are» e o resultado é ainda mais etéreo que o original; Mogwai que desiludem um pouco com a pop plana em «Plans»; Nick Zinner (Yeah Yeah Yeahs) que traz lições dadas pelos TV On The Radio para o universo Bloc Party; e os saudosos Death From Above 1979 que dão um interesse adicional ao já por si admirável «Luno». Pelo meio encontramos ainda belíssimos exercícios como «Helicopter [Whitey Remix]» que nos transporta para o mundo esquizofrénico dos Avalanches; o já aqui comentado «Banquet [Phones Disco Edit]» com a bateria e o baixo no volume máximo; a serenidade «This Modern Love [Dave P. And Adam Sparkles' Making Time Remix]» com tempero disco; e o rebelde «Price of Gasoline [Automato Remix]» numa versão mais «kraftwerkiana». Resumindo e concluindo: é mais um excelente conjunto de canções pop com a assinatura Bloc Party..
Segue-se o vídeo de «Christobel», um dos melhores temas de Joan As Police Woman incluídos em «Real Life» e que conta com a ajuda preciosa de Joseph Arthur.
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sábado, 29 de setembro de 2007
The National | Apartment Story
É, finalmente, conhecido o segundo single extraído de «Boxer», quarto álbum dos norte-americanos The National e, até à data, um dos mais conseguidos álbuns de 2007. Depois de «Mistaken For Strangers», uma combinação viciante de ambientes Depeche Mode com ritmos The Cure e espírito Joy Division, «Apartment Story» está aí para dar vida ao culto The National. Para marcar o ritmo desta «história» Matt Berninger e os irmãos Dessner e Devendorf dão uma piscadela aos New Order, mas é a arte e o engenho dos The National que fazem a diferença. «I’m getting tied, I’m forgetting why» canta Berninger e nós, sem nos apercebermos, ficamos cada vez mais envoltos no som deste grupo de amigos do Ohio. «So worry not / All things are well / We'll be alright / We have our looks and perfume on»...
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domingo, 1 de julho de 2007
Viagens à tasca
Por muito que tente evitar, é-me impossível passar mais de dois fins-de-semana sem pôr os pés numa das várias lojas da cadeia FNAC (a minha tasca). Desta vez, e por variadíssimas razões, das quais destaco o aproximar do período de férias e os investimentos no SBSR e na estreia de Aimee Mann em palcos portugueses (25 de Julho de 2007 no Coliseu de Lisboa), o cartão Multibanco ficou em casa. Contudo, há sempre que levar alguns € para acomodar o estômago se necessário.
Desta vez saciei, «o meu estômago», com o novo álbum dos britânicos Editors e o disco de estreia, de 2001, da actual coqueluche indie norte-americana, os The National…
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Não fosse «Boxer» este disco teria ficado para sempre esquecido e conotado como «o álbum com a capa sui generis», para não dizer bimbo, já que parece estarmos perante uma fotografia caseira e não uma capa para uma obra discográfica. Confesso que a aparência tem muito impacto no produto final e por variadíssimas vezes adquiri discos devido à sua cara de apresentação (como são exemplos «Welcome To The Monkey House» dos The Dandy Warhols; «Is This It» dos The Strokes; ou, mesmo «Beautiful Freak» dos Eels) e comprei outros tantos como sendo mais uma obra daquele artista/banda em especial, mas com um visual muito aquém das expectativas (o novíssimo «Era Vulgaris» dos Queens Of The Stone Age é um bom exemplo disso). Todavia, «as aparências iludem» e ainda bem para estes norte-americanos.«The National» foi editado em 2001 e já na altura Matt Berninger e companhia mostravam capacidades para reunir uma significativa e fiel legião de fãs. As referências são mais que muitas, desde Nick Cave a Pulp, de Leonard Cohen a The Cure, de Tindersticks a The Walkabouts, de Ryan Adams a Tom Waits, de Beck a Wilco... Conclusão, foi mais uma bela surpresa dos The National neste ano de 2007 e mais um disco a ir direitinho para o meu i-pod (com a capa do disco a ficar em casa)...
No caso dos Editors, o novo «An End Has A Start» vem tentar dar seguimento à exposição mediática que «The Back Room» angariou. Como não podia deixar de suceder, muito se falou do difícil segundo disco dos Editors e de bandas que (supostamente) não conseguiram ultrapassar esse obstáculo com distinção, de acordo com opiniões generalizadas, casos dos Bloc Party, Maxïmo Park, Razorlight e Futurheads à cabeça.
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O ambiente continua a ser sombrio. A voz de Tom Smith mantém a urgência desesperante perfeita para encarar a morte de frente. Os fortes riffs de guitarra continuam a marcar um bom ritmo. Contudo, algo mudou. Basta saber se mudou para melhor ou para pior... Tenho que admitir que este «An End Has A Star» está uns pontos abaixo de «The Back Room». Não deixando de ter bons momentos, Tom Smith e companhia regressam com uma clara tentativa de solidificar a posição dos Editors nas tabelas de vendas, com uma aproximação aos universos U2 e Coldplay. «Bones» são os U2 nos inícios dos anos 80 em «I Will Follow» (ao menos acertaram na época dos U2 a «reproduzir»); o primeiro single «Smokers Outside The Hospital Doors» e grande parte do disco junta Chris Martin à banda (veja-se o video e a postura de Tom Smith)..
Não sendo um mau disco, confesso que esperava um pouco mais destes Editores. Desta forma, deixo como recordação «Munich», incluído em «The Back Room» e um dos melhores singles de 2005 (a par de «Bullets»).
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sexta-feira, 22 de junho de 2007
The National – Boxer
Oriundos de Cincinnati (Estado do Ohio), os The National cedo perceberam que o caminho para o sucesso estaria em Nova Iorque. Após a mudança, editam 2 álbuns e um EP antes de serem reconhecidos através de «Alligator» (2005). «Boxer», o sucessor, vem provar que «Alligator» não se tratou de um mero acidente de percurso e que os The National estudaram bem a lição em Nova Iorque. «Boxer» soa a Interpol em fase de reabilitação e sob o efeito de Prozac para atenuar o negrume que caracteriza a sua música («Squalor Victoria» e «Guest Room» comprovam-no). Porém, durante as gravações os The National dão de caras com os She Wants Revenge e revelam em «Mistaken For Strangers» como reunir Joy Division, The Cure e Depeche Mode num único tema. Apanham boleia de Leonard Cohen e apresentam «Green Gloves». Tentam abanar a anca com os New Order e o resultado é «Apartment Story». Pedem ajuda a Joanna Newsom e Devendra Banhart para cantarolar «sometimes you go la di da di da di da da» em «Racing Like A Pro». E oferecem «Brainy» para sonharmos no que os The National ainda nos poderão oferecer…Composto por 12 prováveis singles a figurar em qualquer blogue melómano, «Boxer» junta-se a «Wincing The Night Away» dos The Shins e «Dressed Up For The Letdown» de Richard Swift na melhor colheita pop de 2007. Como aperitivo, fica aqui, «Mistaken For Strangers», o primeiro avanço de «Boxer».
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