quinta-feira, 26 de julho de 2012

Savage night @ Musicbox


Os canadianos Destroyer, banda que edita álbuns desde 1996, passaram recentemente pelo Musicbox e a sala mais acolhedora de Lisboa encheu para os ver, naquela que terá sido a noite mais quente de Julho. É certo que a maior fatia do público presente respondeu ao chamamento devido a «Kaputt», o último e extraordinário álbum da banda e, na minha opinião, o melhor disco de 2011. Pop sofisticada, canções polidas e melodias lustrosas que fazem de «Kaputt» um momento brilhante da pop recente. Daniel Bejar, o crooner errante que em palco demonstra o seu gosto pela palavra (e também por Baco…), e os restantes sete elementos que subiram ao pequeno palco do Musicbox recriaram na perfeição toda a beleza de «Kaputt». Portanto, foi com alguma naturalidade que a cumplicidade se tenha notado mais viva em momentos como «Savage Night At The Opera», «Kaputt», «Suicide Demo For Kara Walker» (momento da noite?), «Blue Eyes», «Chinatown» e «Downtown». Porém, os registos mais antigos desta banda de Vancouver não ficaram esquecidos e, por isso, outros discos, outras canções e outras preciosidades foram recordados. Do deleite de «Your Eyes», a abrir o concerto, à pop The Beatles meets David Bowie de «European Oils», passando pela rapsódia «Rubies», a boémia «Libby’s First Sunrise» e terminando na orquestra shoegaze de «Hey, Snow White», já no encore. Temas que não se esconderam à sombra de «Kaputt», fazendo da actuação dos Destroyer mais uma noite bravia no Musicbox.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Optimus Alive '12: Dia 3

O derradeiro dia da edição 2012 do festival Optimus Alive, o mais forte do cartaz, foi mesmo o mais concorrido. Jornada destinada, também, aos fenómenos, com os Radiohead a mostrarem-se como o principal factor desestabilizador. As T-shirts alusivas à causa e os "Radiohead freaks" eram mais que muitos.
Foi com a power soul do norte-americano Eli “Paperboy” Reed, uma mistura de James Brown com o swing de Mayer Hawthorne, que a música começou. Interessante prestação e uma voz que não esqueceremos tão facilmente. O Sr. abusou dos Yeahs, mas a festa estava montava. Por isso, dou um salto ao espaço Clubbing para abraçar um pouco da pop, com temperos electrónicos e melodias sedutoras, do duo Best Youth. No entanto, os PAUS já chamavam pelo público e, aproveitei, para conferir a versão live do excelente single «Deixa-me Ser». Não cativaram muito, confesso, e acabo por regressar ao palco Heineken para assistir à calorosa prestação das norte-americanas Warpaint. Banda que continua a apresentar o álbum de estreia «The Fool» e a apoiar-se em êxitos como «Stars», «Bees», «Elephants», «Composure» e, claro, «Undertow». Canções com ADN indie e texturas dream pop. Melodias irresistíveis que funcionaram muito bem e, não fosse o feedback irromper por duas ou três vezes, o concerto teria sido perfeito. The Maccabees foi a banda que se seguiu e o espaço Heineken encheu para ver o grupo londrino apresentar o mais recente álbum «Given To The Wild». Não conheço a carreira destes The Maccabees, mas a sua prestação no Optimus Alive já me fez correr o Youtube em busca das suas canções. Porém, nova pesquisa levou-me também ao palco principal para ver algumas das composições camaleónicas de Dan Snaith, a.k.a. Caribou. Canções elegantes e para headphones que não encaixaram muito bem no palco Optimus. Quanto aos Mazzy Star, e do que deu para ver, pois havíamos que assegurar o lugar para o concerto dos Radiohead, vislumbrou-se a negra melancolia que tanto me marcou nos anos 90. O concerto foi sombrio e Hope Sandoval assumiu a habitual postura blasé, a imagem de marca dos Mazzy Star. Não se criou empatia com o público e por isso, comenta-se, o espaço foi ficando cada vez mais desocupado.
À hora marcada, os Radiohead subiram ao palco principal para tocar «Bloom», o tema que abre também o último registo «The King Of Limbs». Álbum de 2011 que a banda ainda anda a promover e que passou quase todo pelo Optimus Alive (só «Little By Little» e «Codex» decidiram não aparecer). Ouviu-se, também, grande parte de «In Rainbows», o trabalho de 2007, e para compor o acontecimento recuperaram-se alguns dos melhores momentos de «Hail To The Thief», «The Bends», «Kid A», «Amnesiac» e, evidentemente, «OK Computer». Thom Yorke dançou, saltou e até desafinou (em «Climbing Up The Walls» fez tudo para estragar o momento), mas este era um concerto ganho. Bastava aos Radiohead subirem ao palco para o público rejubilar. Portanto, se adicionarmos a esta equação canções como «Pyramid Song», «Exit Music (For A Film)», «There There», «Nude», «Lucky», «Idioteque», «Paranoid Android», «Street Spirit (Fade Out)», «I Might Be Wrong», «Lotus Flower» e «Reckoner», o resultado será a exaltação de uma das maiores entidades criativas da pop. O desfile durou cerca de duas horas, com dois encores incluídos, encerrando ao som de «Street Spirit (Fade Out)». A adrenalina atingia, por esta altura, os seus píncaros.
Dirijo-me para o espaço Heineken, onde os SBTRKT estavam a dar o seu melhor, com «Hold On». Foi pena a prestação do londrino Aaron Jerome estar a entrar nos seus derradeiros momentos, mas o que se passou no palco obriga-me a marcar presença numa próxima visita a Lisboa do projecto SBTRKT. Canções de laboratório que soam muito bem ao vivo. Portanto, Aaron Jerome convence, também, no formato live. Quem não precisava de me convencer era a dupla The Kills. Há anos que esperava pelo momento de os ver em palco e essa sede foi finalmente saciada. Alison “VV” Mosshart e Jamie “Hotel” Hince começaram por anunciar “This ain’t no wow now / … / This ain’t no wow no more”, mas a cumplicidade entre ambos os protagonistas apaixonou-nos e o single «Future Starts Slow» logo repôs os níveis de adrenalina. O público respondeu ao desafio e foi um gozo tremendo ouvir temas como «Kissy Kissy», «Satellite», «Tape Song», «Baby Says», «Last Day Of Magic» e, claro, «Fuck The People». Lá pelo meio, e aquando de «The Last Goodbye», Alison interrompeu tudo para pedir assistência a alguém que sucumbia na plateia.
Ultrapassada a contrariedade seguiram-se «Pots And Pans» e os portentosos «Fuck The People» e «Monkey 23». I say that this deserves a fuckin’ wow!!! Entretanto, a festa dos Metronomy estava prestes a começar e, apesar de já passarem das três da manhã, o fim do festival ainda estava longe. Música electrónica com pinta de pinga amor que nos deixa a menear o corpo continuamente. Foi o encerramento perfeito ao som de «The Bay», «Corinne», «She Wants», «Heartbreaker», «Everything Goes My Way» «Radio Ladio» e «The Look». Não sei o que sentem, mas há muito tempo que eu não saía tão cheio de um dia de festival.

sábado, 21 de julho de 2012

Optimus Alive '12: Dia 2

Dia marcado pelos inúmeros sósias de Robert Smith, pela ausência já anunciada de Florence + The Machine e consequente entrada em cena dos amigos de longa data Morcheeba. Contudo, a maratona de concertos começou com a irlandesa Lisa Hannigan. Cantora e compositora que iniciou a sua carreira ao lado de Damien Rice (alguém se recorda da voz feminina que surge em «The Blower’s Daughter» e «9 Crimes»?; e do tema «Silent Night» que encerra o álbum «O»?). O que se ouviu em palco resulta da mistura da sentimentalidade Damien Rice com o éter Holly Miranda e a formalidade Amanda Palmer. Fruto que curiosamente mostrou ter alguns admiradores. A própria Lisa Hannigan mostrou-se surpreendida com a recepção. Mas, do que ouvimos, o nosso afecto até foi merecido. Seguiu-se a dupla Big Deal. Ele (Kacey Underwood) e ela (Alice Costelloe) apresentaram a sua dream pop com rótulo retro, mas o concerto foi anémico e passou-se sem qualquer efervescência. Já os Here We Go Magic, banda de Brooklyn que este ano já nos presenteou com o álbum «A Different Ship», deram conta do recado. Canções com texturas mais ornadas e um sentido de espectáculo ao vivo que tanta falta fizeram aos Big Deal. Simpática prestação que nos fez acreditar numa segunda oportunidade, agora para actuar num recinto mais acolhedor, como o Musicbox.
Sem tempo a perder, os The Antlers sobem ao palco para afinar os últimos pormenores e, sem qualquer pré-aviso, dão início ao seu segundo concerto em Lisboa no espaço de oito meses. A banda de Brooklyn continua a promover o último álbum «Burst Apart», do qual ouvimos temas como «I Don’t Want Love» e «No Widows», e Peter Silberman continua a abusar dos falsetes. Porém, e no seguimento da edição dos recentes EP «(Together)» e «Undersea», pudemos ainda aferir à face mais experimental destes norte-americanos. Não deslumbraram, até porque a música dos The Antlers vive melhor ao frio e na falta de luz do que ao calor que se fazia sentir no Passeio Marítimo de Algés, mas a prestação (a que vi) foi positiva. Sigo, então, para o palco Optimus e dou de caras com outro dos fenómenos dos anos 00, os britânicos Mumford & Sons. Confesso o meu desconhecimento da música destes londrinos, mas o espirito vivido é idêntico ao que se vê em alguns dos Irish Pubs do Cais do Sodré. A diferença residiu no número de assistentes… Quanto aos Morcheeba, detectámos algum nervosismo de Skye Edwards, aquando das primeiras palavras dirigidas ao público. Lamentou-se a ausência de Florence Welch, mas a banda de «Rome Wasn't Built In A Day» não deixou os seus créditos por mãos alheias. Com uma mão cheia de excelentes canções, com o selo de qualidade do trip-hop, os Morcheeba apresentaram-se iguais a si mesmos, ou seja, em forma, mas sem grandes euforias. Decorridos cerca de trinta minutos, durante os quais pude namorar novamente «Otherwise», passo pelo palco Clubbing para apurar o estado da arte dos Art Department (podiam ao menos disfarçar o “just push play”).
Corro para Tricky e o palco Heineken está ao rubro, com o que parece ser um encontro imediato de Tricky Kid com o heavy metal dos Motörhead e algum do público que marcava presença na área. Rebel nineties are back, baby! «Ace Of Spades» soube mesmo bem e a aparente rebeldia / anarquia que se viveu em palco transportou-me para outros tempos e outros quotidianos. A prestação de Tricky não mais atingiu a mesma adrenalina, mas do que se viu e ouviu, o regresso do britânico a Portugal foi bem sucedido. Foi ainda com Tricky em palco que Robert Smith e os seus The Cure me levaram ao palco Optimus. Estão velhinhos, é certo, mas as suas canções permanecem actuais. «Pictures Of You», «Lullaby», «End Of The World», «Lovesong» e «In Between Days» foram algumas das canções que passaram pelo Optimus Alive. É pena que os temas de «Bloodflowers», o subavaliado álbum de 2000, continuem a ser ignorados e «Burn» teimar em esconder-se das multidões. Foi já ao som de «Just Like Heaven», que segui para as concorridas eleições de SebastiAn.
O conceito da sua «Primary Tour» baseia-se na eleição do candidato SebastiAn à governação mundial, ao seu declínio e posterior destruição. Excelente desempenho, que convenceu o eleitorado através de imagens e mensagens de apoio à causa. E nem foram necessários discursos, pois a retórica deste SebastiAn está toda na sua arte “remisturadora”. Terminada a actuação ainda ouvimos ao longe os The Cure, com «Boys Don’t Cry» (impressionante, não?), mas por esta altura o destino já estava traçado e o descanso chamava por mim.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Optimus Alive '12: Dia 1

As expectativas eram altas. Os Radiohead regressavam a Portugal dez anos depois da última visita, na altura para promover «Hail To The Thief»; os The Cure prometiam uma maratona de êxitos e estórias temperadas com a new wave dos eighties; os Mazzy Star quebravam o silêncio que durou mais de uma década, durante os quais Hope Sandoval partilhou o palco e as suas canções com os The Warm Inventions; os The Stone Roses regressavam também aos grandes palcos para ganhar umas coroas; os The Kills estreavam-se em palcos da capital; os franceses Justice e Sebastian prometiam festa até ao amanhecer; e nomes como Santigold, Metronomy, Tricky, Caribou, SBTRKT e The Antlers ofereciam muita e boa música para animar quem quisesse passar um bom bocado. No entanto, e como é habitual nestas ocasiões, a correria entre palcos e entre universos cancioneiros foram uma constante. Não deu para ver tudo o que se desejava, principalmente na derradeira noite do festival, mas deu para assistir a belos momentos em palco.

Efectuado o reconhecimento ao recinto e explorado o ambiente criado pelos Aeroplane no palco Clubbing, fixo-me no palco Heineken para dar as boas vindas às Dum Dum Girls. Iguais a si mesmas, a banda norte-americana deu voz à pop solarenga de tempero retro que percorre os seus discos. Concerto competente, mas morno para um final de tarde quente. Seguiu-se a Miúda de que todos falam e o factor histeria, sem fundamento, deu os seus primeiros sinais de vida. Com uma atitude de “miúda” que tenta seguir a moda e a boleia do hype Lana Del Rey, Mel, Pedro Puppe e Tiago Bettencourt deram cara ao hit de verão «Com Quem Eu Quero». O público gostou, mas a sensação de desequilíbrio ficou patente. Desequilíbrio que continuou com os LMFAO. Ainda hoje estou para tentar perceber o fenómeno. O concerto foi uma verdadeira festa, com zebras e palmeiras insufláveis, bolas de praia e confettis aos molhos, leggings e sungas, danças paródicas e uma quantidade imensa de música descartável. Porém, o histerismo aliado à velocidade com que os acontecimentos se iam desenrolando em palco animou, e muito, o espaço Heineken. Ultrapassada a histeria metade do público saiu em debandada. Melhor ficámos para receber de braços abertos a pop travestida de Santi White, a.k.a. Santigold.

A norte-americana regressava a Lisboa, depois da actuação no Super Bock em Stock de 2008, para mostrar o mais recente e excelente «Master of My Make-Believe». Apesar de este ano ter trazido consigo uma banda suporte, relembro que na estreia a música era dada por um DJ, o espectáculo Santigold continua muito parecido ao de 2008, no Teatro Tivoli. Canções pop que continuam a inspirar-se no melhor que se vai ouvindo por aí: se «Go», um dos singles de «Master of My Make-Believe» e o tema que abriu o concerto, percorre os caminhos (des)torcidos do punk, «Disparate Youth», outro single, encontra no reggae a sua maior força e «Big Mouth», tema que fechou a actuação, descobre o kuduro dos nossos Buraka Som Sistema. Ainda assim, parece que a retraída prestação de Santi White corta um pouco o entusiasmo que o próprio espectáculo propõe. Julgo que com uma atitude mais expansiva o concerto de Santigold atingiria novos e melhores patamares. Porém, são as canções que aqui fazem a diferença e essas ofereceram-nos um excelente espectáculo. Seguimos, depois, para o palco Optimus para ver uns The Stone Roses, indolentes e enferrujados, a expedir clássicos para uma multidão. Passámos, então, pelo palco Clubbing para sondar o DJing de Miss Kittin. Seguiram-se os franceses Justice e apesar do excelente início, o último álbum «Audio, Video, Disco» cedo nos cortou a elevação criada. O palco pareceu grande demais para a ocasião e, por isso, acabamos a noite ao som da norte-americana Zola Jesus. Pop industrial, meio gótica, meio experimental, que tanto pisca o olho à música clássica, com a sua voz operática, como se atira de corpo e alma à electrónica mais negra (dark wave). Do pouco que se viu e ouviu, descortinámos a tal energia que faltou a Santi White e ouvimos boas canções pop. Óptimo momento que encerrou o meu primeiro dia do Optimus Alive 2012.

sábado, 16 de junho de 2012

Alabama Earthshake

Escuso de procurar mais. O prémio revelação de 2012 vai para os Alabama Shakes. Banda de Athens, Alabama, que editou este ano o seu álbum de estreia, «Boys & Girls», e é tema de conversa onde quer que se fale de música. Protagonismo mais que merecido, pois «Boys & Girls» é um álbum extraordinário. Um disco de rock requintado que transpira garage soul por todos os seus poros. Canções que nos levam até às raízes blues rock norte-americanas e nos apresentam a admirável voz e portentosas interpretações de Brittany Howard, a vocalista, guitarrista, pianista e, também, percussionista da banda. Um vozeirão que junta a robustez de Janis Joplin e a soul de Sharon Jones (ouçam-se os extraordinários «You Ain’t Alone», «Hold On», «Heartbreaker» e «Be Mine»). Uma fusão entusiástica que é aqui amplificada por excelentes composições garage blues rock, na esfera do alvoroço criado em torno dos conterrâneos The Black Keys. A música dos Alabama Shakes é mais lânguida e confessional, piscando o olho à exuberância de Otis Readding, mas o resultado é igualmente soberbo. Portanto, tudo bate certo em «Boys & Girls». Agitação rock mergulhada em muita soul, num disco repleto de magníficas canções, como este «You Ain’t Alone».

quinta-feira, 7 de junho de 2012

The Black Keys | Gold On The Ceiling


«Gold On The Ceiling» é o segundo single a ser extraído de «El Camino», o aplaudido séptimo álbum da dupla norte-americana The Black Keys. O vídeo promocional, o qual sucede a «The Lonely Boy», é realizado por Harmony Korine.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

M83 | Reunion

«Reunion», o segundo single a ser extraído de «Hurry Up, We're Dreaming», o álbum de 2011 do projecto M83, já tem vídeo. Uma sequela do anterior «Midnight City» e mais um trabalho realizado por Fleur & Manu. Nota especial para a homenagem feita a Adam Yauch (0:00:47).

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Rufus In & Out


A situação não é clara. O canadiano Rufus Wainwright, músico perspicaz e certeiro no que diz, declara-se “out of the game”, mas convoca Mark Ronson para assumir o papel de produtor no seu novo trabalho, o qual conta com a colaboração de nomes como Nick Zinner (Yeah Yeah Yeahs), Andrew Wyatt (Miike Snow), Sean Lennon e Nels Cline (Wilco), e chama a britânica Helena Bonham Carter para as gravações do primeiro vídeo promocional do álbum. Rufus Wainwright sempre fez por fugir às evidências e os seus discos espelham isso mesmo, construindo um importantíssimo legado pop e uma forte identidade criativa. Uma voz excepcional que vagueia entre a pop, a ópera, a música clássica e contemporânea e a cenografia. Singer-songwriter de excepção que este ano nos entrega, então, «Out Of The Game», uma luminosa colecção de canções pop e a resposta perfeita ao anterior «All Days Are Nights: Songs For Lulu» (2010). Rufus Wainwright ultrapassa, assim, a fase mais negra da sua música e fá-lo através de composições menos pomposas, é certo, mas extremamente pop e com tempero seventies. Canções que piscam o olho ao apuro Elton John, melodias The Beatles, glamour Roxy Music e/ou Queen e art-pop 10cc meets Burt Bacharach, mas que mantêm o incontornável cunho Rufus Wainwright. Temas como «Jericho», «Rashida», «Montauk», «Bitter Tears», «Perfect Man» e, claro, «Song Of You» que vêm enriquecer ainda mais a já magnífica mansão de Rufus Wainwright.

sábado, 26 de maio de 2012

Blood Orange | I'm Sorry We Lied


Devonté Hynes continua a apostar no trabalho que editou em 2011, enquanto Blood Orange. «I'm Sorry We Lied» é o mais recente vídeo do projecto e outra grande canção de «Coastal Grooves». O vídeo é realizado por Abteen Bagheri.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Ainda perto do paraíso


2007 estava a viver os seus derradeiros meses quando ouvi «The Great Escape», excepcional canção que me apresentou Patrick Watson, o músico e compositor nascido na Califórnia, mas crescido em Hudson, no Québec, Canadá, e Patrick Watson, a banda canadiana que apresentava o seu segundo álbum «Close To Paradise». A canção, que conquistou a minha atenção e admiração na primeira audição, juntava o delicado mundo de Antony Hegarty com o vozeado de Jeff Buckley. O álbum acabou por vencer o prémio Polaris em 2007 e a banda Patrick Watson percorreu o mundo para o apresentar, com relativo sucesso em Portugal. É certo que depois da descoberta não mais fui arrebatado pelos Patrick Watson. «Wooden Arms», álbum de 2009, parecia um disco de Patrick Watson para Patrick Watson. Um trabalho bem construído e musicalmente irrepreensível, mas fechado em si mesmo e pouco apelativo ao público que tanto frenesim criou em torno de «Close To Paradise». O mais recente «Adventures In Your Own Backyard» (2012) tenta recuperar a estreita relação estabelecida em 2007 com composições como «The Great Escape», «Daydreamer», «Luscious Life» e «Difters». Por isso, voltamos a encontrar excelentes temas pop, de tempero indie e confecção clássica, como são exemplo «Lighthouse», «Morning Sheets», «The Quiet Crowd», «Blackwind», «Strange Crooked Road» ou mesmo «Adventures In Your Own Backyard». Canções que mantêm as marcas de uma forte identidade musical, marcos de uma voz original. Texturas luminosas e algo melancólicas. O gosto pela pop barroca de um Rufus Wainwright e o molde interpretativo de Jeff Buckley. Em «Blackwind» descobrimos, ainda, pontos de contacto com a pop elegante de Andrew Bird e tanto «Lighthouse» como «Adventures In Your Own Backyard» parecem contar com a colaboração dos sempre bem-vindos Calexico. Disco um pouco irregular, mas cheio de boas canções a la Patrick Watson. Um álbum dedicado a Lhasa de Sela.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Donna Summer (1948-2012)


Donna Summer, a rainha da disco music, faleceu esta madrugada, com  sessenta e três anos de idade. A cantora norte-americana é a voz de temas icónicos como são exemplo «Love To Love You Baby», «Bad Girls», «Hot Stuff», «Last Dance» e, claro, «I Feel Love» (canção que já foi "samplada" por artistas como Madonna, Whitney Houston, Bette Midler, Diana Ross, Moloko, Britney Spears, Robbie Williams, Mylo, Stuart Price e Moby).

quarta-feira, 9 de maio de 2012

The Magnetic Fields | Quick!


«Quick!» é o segundo e o mais recente vídeo dos norte-americanos The Magnetic Fields para promover o último álbum de originais «Love At The Bottom Of The Sea».

domingo, 6 de maio de 2012

Wagner sings the soul


«Don't know what the fuck they talk about / Maybe blowing kisses maybe blowing names / Really what difference does it make?», em «If Not I'll Just Die». É com estas palavras de dúvida que Kurt Wagner abre as portas de «Mr. M», o mais recente trabalho dos norte-americanos Lambchop e o sucessor do menor «OH (Ohio)», de 2008. Disco dedicado ao amigo e malogrado singer-songwriter Vic Chesnutt e escrito já depois da batalha que Kurt Wagner travou contra uma doença grave. Álbum composto por canções com o cunho Lambchop. Temas de crooner, mas cantados por uma voz invulgar. Folk que caminha a passos largos para a pop, mas mantendo sempre a alma Americana. Elementos que podemos encontrar em qualquer um dos álbuns dos Lambchop. No entanto, «Mr. M» é um disco diferente. As suas canções, apesar de terem sido registadas em 2012, são de uma outra época. Um período de contemplação, requinte e bucolismo. Classicismo pop em tonalidades melancólicas, musicando-se, na perfeição, o sentimento de perda e de angústia. «Friends make you sensitive / Loss made us idiots / Fear make us critical / Knowledge is difficult», em «Mr. Met». Este é, até ao momento, o meu álbum favorito de 2012.

sábado, 5 de maio de 2012

Pop Magnética

Outra das minhas recentes apostas discográficas, com o selo de 2012, passou pelo mais recente trabalho dos The Magnetic Fields. Banda norte-americana que conheci aquando do conceptual e triplo álbum «69 Love Songs» (1999) e da passagem pelo palco do CCB (2001), mas que nunca mais larguei. Ora, apresentadas as suas sessenta e nove variações trovadorescas, Stephin Merrit e os The Magnetic Fields embarcaram em nova etapa, a «no-synth trilogy», da qual resultaram os competentes «I» (2004), «Distortion» (2008) e «Realism» (2010). Chegamos, então, a 2012 e a «Love At The Bottom Of The Sea». Álbum que reabilita os sintetizadores na composição dos The Magnetic Fields, mas que mantem o seu gosto pelo acaso e, principalmente, pelos amores e desamores de Stephin Merritt («A pity she does not exist / A shame he's not a fag / The only girl I ever loved was Andrew in drag»)Canções de dois minutos que confirmam uma das facetas mais naïve na pop da actualidade, que nunca deixa de piscar o olho ao melhor que aí tem surgido nos últimos tempos: se «Born To Love» parece produzida pelo Sufjan Stevens de «The Age Of Adz», «Infatuation (With Your Gyration)» e «The Machine In Your Hand» podem ter-se inspirado em «We Must Become the Pitiless Censors of Ourselves», de John Maus. Ainda assim, a música de «Love At The Bottom Of The Sea» vive da alma de Stephin Merritt: canções curtas, rimas caprichosas, instrumentação com tempero minimalista, entoação de desencanto, bizarrias e eficácia na hora de construir melodias pop. Dados que fazem de «Love At The Bottom Of The Sea» uma simpática colecção de canções pop que recupera algum do tempo perdido na «no-synth trilogy», enriquecendo ainda mais o legado cancioneiro de Stephin Merritt.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Porto seguro



Tempo de registar um dos regressos mais aguardados de 2012, o dos norte-americanos The Shins. Banda, que após o sucesso de «Wincing The Night Away» (2007), passou por algumas transfigurações. Novos membros / convidados foram substituindo velhos parceiros, consolidando, por sua vez, a posição do cantor e compositor James Mercer. Músico que no interregno de cinco anos, que separou as edições de «Wincing The Night Away» e o mais recente «Port Of Morrow», partilhou esforços com Brian Burton a.k.a. Danger Mouse ao comando dos Broken Bells. Episódio proveitoso que chega mesmo a dar o ar da sua graça nesta nova etapa The Shins, em «The Rifle’s Spiral», o tema de abertura e o mais recente single a ser extraído do disco. Já «Simple Song» e «No Way Down», dois dos exercícios mais refrescantes agora apresentados, estabelecem a ligação mais forte com o excelente antecessor «Wincing The Night Away». Por sua vez, «September» tenta recuperar a singular magia do debut «Oh, Inverted World» (2001), ficando a meio caminho desse objectivo. E se «Brait & Switch» e «Fall Of ‘82» podiam muito bem passar como lados-b de «It’s Only Life» e «40 Mark Strasse», a cinematográfica «Port Of Marrow» merecia nova apresentação de Natalie Portman para uma canção capaz de mudar as nossas vidas. O novo disco dos The Shins não desilude, mas também não nos enche de entusiasmo. É uma competente colecção de canções pop, a qual ficará sempre na sombra dos primeiros três registos da banda de James Mercer.