terça-feira, 6 de setembro de 2011

And the Mercury Prize goes to...


«Let England Shake», o oitavo álbum de originais de PJ Harvey, foi mesmo o grande vencedor do Mercury Prize de 2011. Apontado como o favorito, «Let England Shake» representou a quarta nomeação e a segunda conquista para a britânica. A primeira distinção ocorreu há precisamente dez anos, com o soberbo «Stories From The City, Stories From The Sea».

domingo, 4 de setembro de 2011

2011 | Viagens à tasca em período de férias VII

Próximo destino: Estocolmo. Despeço-me das straβen berlinenses e atiro-me às gator da capital da Suécia. A oferta discográfica local despertou o meu interesse e, acima de tudo, saciou a minha sede de pop. Ora, se em Berlim foram as propostas internacionais a brilharem, em Estocolmo a minha atenção recaiu preferencialmente pelas ofertas locais. Não é novidade que a Suécia continua a produzir alguma da música mais apetecível da actualidade.


Stockholm

A primeira proposta-surpresa chegou de Gotemburgo, dos irmãos Philip e Henrik Ekström, dos The Mary Onettes. O duo Det Vackra Livet, ou se preferirem La Dolce Vita em sueco, formou-se em 2010 e o seu debut álbum homónimo era um dos grandes destaques nas lojas de discos. Synth pop resgatada aos The Cure, sem nunca esquecer os contributos de New Order e Echo & The Bunnymen. Portanto, cadência retro e excelentes melodias pop condimentadas pelo rock de 80. Foi assim que me apresentaram «Det Vackra Livet», na excelente loja de discos Pet Sounds, e bastou-me ouvir «Viljan», o single de apresentação, para me convencerem. Ritmos e riffs new wave que os irmão Ekström já exploraram nos The Mary Onettes. No entanto, as canções destes Det Vackra Livet, além de cantadas em sueco, são mais uplifting. «Det Vackra Livet» foi inspirado nas memórias das avós de Philip e Henrik e em obras literárias do psiquiatra, poeta e político Claes Andersson e é um disco radioso. Canções emotivas e melodias retiradas do baú dos Ekström. Temas nocturnos, mas, igualmente celebrativos. «Kristallen», «Barn Av En Istid», «Genom Sprickorna», «Askan», «Skammen» e, claro, «Viljan» conquistaram-me, animando e de que maneira a minha primeira passagem por Estocolmo.

Continuo na Pet Sounds, mas agora ao som de El Perro Del Mar, o projecto pessoal de Sarah Assbring, também originário da cidade de Gotemburgo. El Perro Del Mar é uma das muitas boas propostas Made in Sweden que teimam em não conseguir o seu espaço em Portugal. Não é fácil encontrarmos por cá os discos do projecto e quando acontece os preços são proibitivos. Por isso, aproveitei a estadia para comprar dois dos seus trabalhos: «Look! It’s El Perro Del Mar!» (2005) e «Love Is Not Pop» (2009). Se o primeiro reúne os vários singles e EP que marcaram o início de carreira de Sarah Assbring na editora Hybris, «Love Is Not Pop» é já o último trabalho conhecido do projecto, este editado pela independente Licking Fingers. No entanto, e apesar das melodias etéreas e das heartbreaking stories de Sarah Assbring percorrerem ambos os discos, cada um dos trabalhos apresenta a sua própria identidade. Enquanto «Look! It’s El Perro Del Mar!» exibe uma melancolia nórdica num registo despido e até mesmo descontraído, «Love Is Not Pop» mostra-nos uma fase já mais madura da composição de Sarah Assbring.
Etapas que se complementam, pois tanto morro de amores pelo childish lo-fi melódico de «This Loneliness», «Party», «Sad» e «Dog» como pelo requinte de «L Is For Love» e «Change Of Heart». Lá pelo meio ainda encontramos duas covers: «Here Comes That Feeling» (Brenda Lee) e «Heavenly Arms» (Lou Reed).

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Destroyer | Savage Night At The Opera


«Kaputt», o novo álbum dos Destroyer, o projecto do canadiano Dan Bejar, é um dos melhores registos de 2011 e este «Savage Night At The Opera» uma das suas melhores canções.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

2011 | Viagens à tasca em período de férias VI

Sempre que percorro as tascas de um outro país, um dos principais objectivos é conhecer alguma da cultura local. Este ano os escaparates destacavam Wir Sind Helden e Beatsteaks, mas as sugestões passaram pelos Tocotronic, Einstürzende Neubauten, Kettcar e Element Of Crime. Excluídos os Einstürzende Neubauten, já que a ideia seria descobrir novidades, e depois de uma rápida espreitadela aos chatinhos Element Of Crime e aos interessantes Kettcar (pena só estar disponível um disco ao vivo), apostei nos Tocotronic. No entanto, a derradeira passagem por Berlim começa com um disco que já ia “encomendado”.

East Side Gallery

Pantha Du Prince, projecto do alemão Hendrik Weber, é um sucesso nas minhas viagens de automóvel. Música feita de imagens. Paisagens planas. Ambientes serenos. Ritmos negros. Cadência techno. Sentimentos. Elementos que parecem dispares, mas que Pantha Du Prince trabalha como ninguém. «Diamond Daze», o debut álbum do projecto que ainda não teve edição internacional, data de 2004, e regista o período em que Hendrik Weber semeia as texturas hipnóticas e ambiências mecânicas que mais tarde resultaram em «This Bliss» (2007). Canções construídas em laboratório e que têm alimentado o culto em torno de Pantha Du Prince. Apesar de este ser um campeonato diferente para mim, o certo é que há algo na música de Pantha Du Prince que me fascina. «Eisregen» e «St. Denis Bei Licht», por exemplo, são canções fantásticas. Momentos techno que abrem com ritmos hipnóticos e aos quais Hendrik Weber lhe vai adicionando novos e importantes elementos que parecem retirados do imaginário Angelo Badalamenti/David Lynch. No entanto, nem sempre essa técnica acumuladora dá bons frutos. «Circle Glider», por exemplo, perde-se nos vários caminhos que pretende explorar e «Satin Drone» simplesmente não resulta melodicamente. Ainda assim, o disco é bem recomendável. Não estivéssemos perante um dos melhores produtores e “remisturadores” da actualidade.

Passamos então aos Tocotronic. Banda de Hamburgo que aparece pela segunda vez neste espaço. Já em 2007, aquando da minha viagem pela Suiça, tinha apostado nos Tocotronic e no seu rock com tempero indie de finais dos anos 80 e inícios de 90. Na altura o disco em destaque era «Kapitulation», sendo que agora a proposta recaiu sobre «Schall & Wahn». Álbum de 2010 que alcançou o nº 1 do top germânico, o primeiro da banda. A toada indie rock mantém-se, mas agora são as melodias The National e a energia The Walkmen que mais encantam («Eure Liebe Tötet Mich» e «Schall Und Wahn» são excelentes). Percebemos que os Tocotronic são músicos atentos e que conseguem facilmente assimilar novas ideias e influências. No entanto, continuamos a encontrar a electricidade dos R.E.M. de 80 («Bitte Oszillieren Sie»), a aspereza dos Sonic YouthEin Leiser Hauch Von Terror») e as estruturas PavementMacht Es Nicht Selbst»). Descortinamos, ainda, uma melancólica e recomendável secção de cordas em «Das Blut Na Meinen Händen» e «Im Zweifel Für Den Zweifel», a faceta mais punk dos Tocotronic em «Stürmt Das Schloss» e o momento mais etéreo em «Gift». Um excelente disco totalmente cantado em alemão.

Para fechar esta minha primeira passagem por Berlim apresento um dos discos que marcou presença em todas as tascas por lá visitadas. Lucy Wainwright Roche é filha dos músicos Loudon Wainwright III e Suzzy Roche e meia irmã de Rufus e Martha Wainwright. O passado de Lucy Roche passa por Nova Iorque, cidade onde nasceu, completou o liceu e o mestrado em Educação, mas também pelo Ohio e a sua formação académica em escrita criativa. Além do brilhante percurso escolar, sempre que podia, Lucy acompanhava Rufus Wainwright nas suas várias digressões como backup vocal. Verificamos que a música sempre fez parte do background de Lucy Wainwright Roche. Devido à sua história e família, a estreia em disco lá foi causando algum burburinho. No entanto, «Lucy» foi mesmo a maior desilusão deste Verão de 2011. O disco já é de 2010, mas a música parece amarrada à folk dos anos 60. Atenção, não tenho nada contra a folk e à “message music” ligeira que marcaram a década de 60. Porém, as canções de Lucy Wainwright Roche apresentam-se desprovidas de sentimento. É evidente a qualidade musical e melódica, mas falta o essencial: a profundidade emocional. A paixão do singing-songwritting e pela canção. Desta forma, e neste território musical, mais vale aguardar pelo novo trabalho de Rosie Thomas.

domingo, 21 de agosto de 2011

Bon Iver | Holocene

«Holocene» é já o segundo vídeo a ser extraído de «Bon Iver», o segundo e homónimo álbum do projecto do norte-americano Justin Vernon.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

2011 | Viagens à tasca em período de férias V


Brandenburger Tor

Uma das bandas que até há bem pouco tempo passava completamente despercebida nas tascas de Lisboa são os norte-americanos The Black Keys. O duo, composto por Dan Auerbach (guitarra e voz) e Patrick Carbey (bateria e produção), fez os seus primeiros ensaios em Akron, Ohio, decorria o ano de 2001. Em 2002, editam o álbum de estreia «The Big Come Up» e as comparações com os The White Stripes são inevitáveis. Electric power blues com tempero garage rock que muito deu que falar na passagem dos anos 90 para os anos 00. Uma guitarra, uma bateria e uma voz poderosa e visceral. Género que não pegou em Portugal, mas que eu sempre acompanhei com os citados The White Stripes e, numa variante mais pop, com os The Strokes, The Kills e Yeah Yeah Yeahs. Os The Black Keys são uma descoberta relativamente recente. Se no ano passado Madrid me proporcionou «Attack & Release» e «Brothers», este ano Berlim ofereceu-me «Thickfreakness» (2003). Trabalho gravado e produzido pela própria banda em cerca de catorze horas. Um disco composto por onze canções urgentes e de textura blues-rock. Tudo apresentado de uma forma rude, mas extremamente eficaz. «Thickfreakness», «Hard Row», «Set You Free» e «Have Love Will Travel» são excelentes canções, dignas de figurarem num qualquer best of da dupla. Já «Hurt Like Mine» e «If You See Me» expõem a faceta mais controlada e, consequentemente, menos excitante dos The Black Keys. No entanto, o que impressiona é o facto de dois músicos com pouco mais de vinte anos (recorde-se que «Thickfreakness» foi editado em 2003) conseguirem escrever e produzir música tão “crescida”. Canções calejadas que encontram em Dan Auerbach o seu narrador de eleição.

A par dos The Black Keys, os norte-americanos Death Cab For Cutie (DCFC) também não têm a vida facilitada por cá. Os discos da banda de Bellingham, Washington, são difíceis de encontrar. A procura de Berlim reservou-me a edição limitada e comemorativa dos dez anos de «Something About Airplanes» (1998). Uma década de pop seminal e tempero lo-fi de «Bend To Squares», «Champagne From A Paper Cup» e «Line Of Best Fit». Canções que misturam a pop beatlish de Elliott Smith e Ben Folds, com arranjos John Vanderslice. Ambientes explorados pelos Built To Spill, The Shins e Rogue Wave, mas com a carga emocional de uns Red House Painters («Your Bruise») e Mazzy Star («Sleep Spent»). A receita saiu-se bem em 1998 e o percurso da banda de Ben Gibbard (The Postal Service e ¡All-Time Quarterback!) é hoje um dos casos de maior sucesso indie norte-americano. Aproveitando a boleia do êxito alcançado, principalmente, com «Transatlanticism» (2003), «Plans» (2005) e «Narrow Stairs» (2008), os DCFC lá se decidiram a reeditar «Something About Airplanes». A ideia seria mostrar aos novos fãs as canções que deram início à viagem da banda. Para o efeito juntaram-lhe um segundo CD com a primeira actuação dos DCFC em Seattle, no Crocodile Cafe, a 25 de Fevereiro de 1998. Uma verdadeira relíquia para quem estima a música dos DCFC.

Outra banda com dificuldades de colocar os seus trabalhos nas tascas de Lisboa são os Okkervil River. A minha relação com o colectivo de Austin, Texas, nasceu em 2007 com a edição do soberbo «The Stage Names». Em Berlim encontrei «Down the River of Golden Dreams» (2003) e «I Am Very Far» (2011), o segundo e sexto álbuns dos norte-americanos. Folk rock com cadência retro que pisca o olho à pop, sem perder a personalidade indie. Modelo cultivado pelos Neutral Milk Hotel, mas acompanhado de perto pelo lirismo de um Conor Oberst (Bright Eyes) e Stephin Merritt (The Magnetic Fields). Storytelling de primeira linha, portanto, que domina o extraordinário «Down the River of Golden Dreams». Dados aos quais Will Sheff e companhia acrescentam, no mais recente «I Am Very Far», pitadas de Bruce SpringsteenRider»), Mercury RevWe Need A Myth») e Arcade FireWhite Shadow Waltz»).
Empenham-se na cadência waltz de «Wake And Be Fine» e mostram que a pop pode ser um lugar comum para todas as suas influências («Piratess»). Músicas triunfantes, às quais adiciono «The Valley», «Hanging From A Hit», «Show Yourself» e «Your Past Life As A Blast», que constroem um álbum, igualmente, glorioso. Mais um dos Okkervil River.

Quem também não faz nada ao acaso são os …And You Will Know Us By The Trail Of Dead (só o nome já os denunciam), banda oriunda, também, de Austin, no Texas. Formaram-se em 1993 e até à data já nos ofereceram dois dos melhores álbuns dos últimos doze anos: «Madonna» (1999) e «Source Tags & Codes» (2002). Ainda assim, a carreira dos …AYWKUBTTOD tem-se pautado pela irregularidade: «Worlds Apart» e «So Devided» são verdadeiros tiros ao lado. A apetência da banda para o prog-rock épico com tempero post-punk estava lá, mas o todo simplesmente não resultava. «Tao Of The Dead» é já o sétimo álbum dos norte-americanos e o trabalho mais forte desde o seminal «Source Tags & Codes». Na verdade, «Tao Of The Dead» recupera toda a pujança e esplendor da obra-prima dos …AYWKUBTTOD (os trechos «Fall Of The Empire» e «Summer Of All Dead Souls» são soberbos). Tudo muito bem ordenado, aqui, numa edição dupla e limitada. Se no primeiro CD encontramos as duas faixas do disco - «Tao Of The Dead» (35:50) e «Strange News From Another Planet» (16:32) -, no CD dois podemos ouvir as «stand alone versions» dos onze temas que compõem os quase trinta e seis minutos de «Tao Of The Dead», a faixa título, e mais meia hora de música com «The Bubble Demo» (as versões demo). Uma preciosidade que vem acompanhada de dezasseis páginas da ‘comic’ «Strange News From Another Planet – The Voyages Of The Festival Theme» e da respectiva «short story» da autoria do vocalista e guitarrista Conrad Keely.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

2011 | Viagens à tasca em período de férias IV

Se em Portugal desejamos conseguir agarrar aquela edição especial e limitada, ou aquele disco de estreia de um dos artistas mais falados na Uncut e/ou Mojo, em Berlim os nossos desejos são acessíveis e facilmente concretizáveis. Há espaço para o debut que faz furor na imprensa especializada, para aquela edição limitada que faz as delícias de qualquer fã e para o disco/artista que é completamente ignorado pelo mercado português.


East Side Gallery

«Sir Lucious Left Foot… The Son Of Chico Dusty», de Antwan André Patton, a.k.a. Big Boi, é um desses discos. Editado em 2010 e aprovado pela crítica, o verdadeiro debut de Big Boi (já que «Speakerboxxx» é, tecnicamente, um álbum dos OutKast) foi completamente ignorado em Portugal. Desatenção imperdoável, pois os singles que antecederam o seu lançamento previam algo grande. Algo capaz de igualar os feitos alcançados por «Speakerboxxx / The Love Below», o último grande momento discográfico da dupla Outkast. Por isso, enquanto lá fora se celebravam e auscultavam as rimas e os beats de Big Boi, em Portugal apostava-se na repetida recuperação de Eminem e companhia. O certo é que «Sir Lucious Left Foot… The Son Of Chico Dusty» foi mesmo o grande concorrente de «My Beautiful Dark Twisted Fantasy», de Kanye West, no campeonato rap de 2010. Big Boi construiu um álbum com a matriz hip-hop, mas cheio de funk, r&b e singlesShine Blockas» é um excelente exemplo disso). Um disco que apresenta as canções mais funky e upbeat na sua primeira metade («Daddy Fat Sax», «Shutterbugg» e «General Patton» marcam pontos nesse campo), deixando para a segunda parte os temas mais suaves e down-tempoHustle Blood», que conta com a voz de Jamie Foxx, «The Train Pt. 2 (Sir Lucious Left Foot Saves The Day)», «Be Still», com a participação de Janelle Monáe, e «Shine Blockas» são notáveis). Composições que vêm dar protagonismo a Big Boi, mostrando que o mesmo não merece ficar na sombra de André Lauren Benjamin, a.k.a. André 3000 (a outra metade dos OutKast).

2010 foi também o ano de Aloe Blacc, com o álbum «Good Things». No entanto, a estreia discográfica do autor de «I Need A Dollar» data de 2006. «Shine Through» foi aposta da Stones Throw e o depoimento de Egbert Nathaniel Dawkins III sobre as suas raízes culturais. Temos hip-hop norte-americano (Aloe Blacc deu os primeiros passos na indústria discográfica, em 1995, ao lado do DJ e produtor Exile no duo Emanon), sem nunca perder de vista a salsa e os ritmos latinos (os pais do cantor são panamenses) e a soul. Elementos que encontramos logo em «Whole World», o tema de abertura de «Shine Through», no qual Aloe Blacc vai identificando os vários nomes que o têm influenciado. De Nina Simone a António Carlos Jobim, passando por Marvin Gaye, David Miles, Stevie Wonder, ou mesmo Ella Fitzgerald e John Coltrane. Porém, o desfile de referências musicais não se esgota aqui: «Long Time Coming», por exemplo, é uma surpreendente adaptação do original de Sam Cooke «A Change Is Gonna Come», «Caged Birdsong» é o momento hip-hop em jeito old school do disco, «Bailar (Scene I)», «Patria Mia», «Gente Ordinaria» (um remake de «Ordinary People» de John Legend) e «Severa» revelam a faceta mais latina de Aloe Blacc e «Nascimento (Birth)» é uma homenagem a Milton Nascimento. Com tantas tendências, «Shine Through» acaba por se revelar um pouco irregular. Porém, há algo de “produto inacabado” nestas canções que me fascina. A sensação de DIY caseiro que nos apresenta um compositor talentoso e capaz de se desembaraçar em qualquer um dos campeonatos identificados. Um cantautor de excepção que nos oferece excelentes canções como «Busking», «Shine Through», «Arrive» e «One Inna».

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

2011| Viagens à tasca em período de férias III


Holocaust Memorial

De regresso às férias e a Berlim. Os dias passavam e as pernas começavam a dar os primeiros sinais de cansaço, mas a mente e a minha sede de sight and sound intensificavam-se a cada nova jornada. Berlim é uma cidade fantástica e exerce no visitante uma estranha atracção.

No campo da pop, e já que falo em estranha atracção, o «Best Of The Capitol Years 1995-2007», dos The Dandy Warhols, foi outro dos discos a entrar para o álbum de recordações do Verão de 2011. Na verdade, esta compilação revisita os melhores anos da vida da banda norte-americana. Datas em que os boémios Courtney Taylor-Taylor, Peter Holmström, Zia McCabe e Brent DeBoer nos ofereceram os seus melhores registos: «…The Dandy Warhols Come Down» (1997), «Thirteen Tales From Urban Bohemia» (2000) e «Welcome To The Monkey House» (2003). Discos fortemente influenciados pelo Sex, Drugs & Rock n’ Roll e envoltos no psicadelismo cultivado pelos The Velvet Underground e The Rolling Stones (dois nomes incontornáveis na biografia da banda de Portland, tal como a capa do magnífico «Welcome To The Monkey House» o comprova). Ainda assim, os The Dandy Warhols conseguem mergulhar na brit pop e subir à superfície com verdadeiros hinos indie capazes de se tornarem na cara publicitária de uma grande marca. Canções que não os livram das críticas, sendo mesmo uma das bandas mais subavaliadas do pós-grunge. Música desvairada e afogada em excessos, brada a imprensa especializada. Mas, se assim não fosse, como poderia Courtney Taylor-Taylor escrever canções como «Every Day Should Be A Holiday», «Bohemian Like You», «The Last High» e «Not If You Were The Last Junkie On Earth»? Ou entoar, com ironia, "I never thought you were a junkie because heroin is so passé"? Quanto a «Best Of The Capitol Years 1995-2007», julgo que se trata de uma boa amostra da obra dos The Dandy Warhols. Além das passagens obrigatórias pelos trabalhos supra-identificados, encontramos também alguns temas do menor «Odditorium or Warlords of Mars» e o mediano «This Is The Tide» (o único inédito). No entanto, para quem sempre seguiu a carreira da banda norte-americana que mais parece britânica, é inevitável identificar algumas ausências, como são exemplo «Sleep», «Ride», «Mohammed», «Everyone Is Totally Insane» e as covers «Hells Bells» (AC/DC), «Call Me» (Blondie), e «Relax» (Frankie Goes To Hollywood).

Aproveitando a boleia do «Best Of», pego na compilação que reúne alguns dos momentos mais felizes da carreira dos Madrugada, banda norueguesa que desde início dos anos 00 me seduz com uma sonoridade intensa, mas extremamente requintada. Texturas que integram a sensualidade que fez escola nos trabalhos de Leonard Cohen, arranjos melancólicos e o aprumo melodioso a que nos habituou um Chris Isaak. Tudo muito bem conduzido pela intensa voz de Sivert Høyem. «The Best Of Madrugada» revê, assim, os quase 10 anos de actividade discográfica da banda de Stokmarknes. Cinco álbuns que me passaram um pouco ao lado, confesso, mas que ainda hoje são recordados por algumas das suas canções: «Vocal», «Majesty», «Strange Colour Blue», «Sail Away», «Hands Up – I Love You», «Quite Emotional», «Electric», «The Kids Are On High Street» e «Black Mambo» são obrigatórias. Portanto, já estava mesmo na altura de termos uma compilação como esta. «The Best Of Madrugada» está organizado em torno dos vários singles da banda, de temas ao vivo, versões remasterizadas e uma canção nova («All This Waiting To Be Free»). 28 gravações muito bem ordenadas e condimentadas em dois discos temáticos: se o primeiro apresenta a vertente mais agressiva e up tempo dos Madrugada, o segundo revela o quanto estes noruegueses conseguem ser doces, mantendo a mesma intensidade. Ambientes que não terão continuidade, uma vez que após o falecimento do guitarrista Robert Burås (1975-2007), Frode Jacobsen (baixo) e Sivert Høyem (voz) decidiram por um ponto final aos Madrugada.

«American VI: Ain’t No Grave» de Johnny Cash é, também ele, um disco de despedida. Gravado, essencialmente, entre a morte de June Carter Cash (1929-2003) e o desaparecimento do próprio Johnny Cash (1932-2003) – durante 4 meses –, o sexto capítulo da série American Recordings foi editado só no ano passado e, na KaDeWe, o disco já se encontrava na prateleira dos € 5,00. Negócio irrecusável e concluído na hora. Curioso o facto de me ter aventurado nestes American Recordings aquando da minha passagem pela Suíça Alemã e, agora, terminar a viagem em Berlim. Os elementos continuam a ser os mesmos, ou seja, inspiração e mestria de Johnny Cash e produções de Rick Rubin. Porém, os dez temas que compõem «American VI: Ain’t No Grave» mostram um Johnny Cash frágil e consciente de que o seu tempo está a esgotar-se («I Corinthians 15:55», composição de Johnny Cash, é um limbo constante entre a vida e a morte e «Can’t Help But Wonder Where I’m Bound» um olhar pungente do seu passado). Atenção, não encontramos aqui nada de novo. Johnny Cash reinterpreta temas de outros artistas e, como é habitual, sai-se muito bem. Por isso, «American VI: Ain’t No Grave» vale também pela sua carga histórica, uma vez que reúne algumas das derradeiras gravações de um dos nomes mais importantes da música norte-americana.

domingo, 31 de julho de 2011

Magical Collective

Poderá a experimentação mais radical apresentar-se como o produto a oferecer ao ouvinte final? A ideia não é nova, mas o recente concerto dos Animal Collective, no grande auditório do CCB, fez-me repensar a equação. A experimentação, entendida como o constante desbravar de barreiras musicais, a aventura no desconhecido e o consequente abandono do espaço de conforto parece ter sido abraçada pelos quatro elementos da banda de Baltimore. É evidente que o processo de composição dos Animal Collective surge após muito experimentar e muito deitar fora. Processo que se foi aperfeiçoando ao longo dos anos e das várias edições discográficas. Percurso que tornam os Animal Collective numa das maiores forças criativas da actualidade. Um grupo de exploradores dedicados à demanda da harmonia sonora e da textura perfeita e que, na maior parte das vezes coloca de parte o formato clássico da canção. Porém, o facto é que sucessivamente os Animal Collective nos têm surpreendido. Foi o que aconteceu, uma vez mais, no passado dia 25 de Julho, apesar da prestação não ter superado o concerto de 2008, na discoteca Lux. A banda voltou a apresentar as suas experimentações já lapidadas e polidas, a que o recinto do CCB, surpreendentemente, resistiu. Ouvimos temas novos (o compasso de «A Long Time Ago» e a demência de «Let Go» e «Mercury» deixaram-nos a salivar pelo novo disco), peças de «Feels» («Did You See The Words» foi o grande flashback da noite) e canções do obrigatório «Merriweather Post Pavilion» («Brother Sport» apresentou-se, uma vez mais, em excelente forma). O público entusiasmou-se, afinal não é todos os dias que temos a oportunidade de ver uma das bandas mais inventivas da actualidade, mas as investidas de alguns dos presentes no ultrapassado conceito de «discos pedidos» revelaram-se irritantes. Na primeira parte, vimos uma actuação competente da dupla Aquaparque, um dos projectos mais interessantes da pop Made in Portugal. Prestação que fez jus à electro-pop lânguida dos seus dois álbuns de originais, mas que não afastou a sensação de menos consistência em alguns momentos. Os ingredientes são bons e a matriz da música dos Aquaparque recomenda-se, faltando só limar algumas arestas que ainda descortinamos nos seus trabalhos e menos recurso ao método «carrega no botão».

sábado, 30 de julho de 2011

Blonde Redhead Remixed

Os Blonde Redhead estão a oferecer um EP com seis remisturas de temas de «Penny Sparkle», o último álbum de originais da banda norte-americana. Entre os nomes convidados encontramos Pantha Du Prince, Salem e Gayngs.


sexta-feira, 29 de julho de 2011

2011 | Viagens à tasca em período de férias II

Resolvida a questão do formato EP, sigo viagem com algumas das propostas que, ainda em Portugal, me aguçaram o apetite para as férias. Propostas estivais que, tratando-se de novidades para mim, se revelaram a «sombra do momento, tentação a experimentar».

Sony-Center

Os neozelandeses The Naked And Famous editaram os seus dois primeiros EP ainda em 2008. No entanto, só em 2010, com o estrondoso hit single «Young Blood», é que conseguiram dar nas vistas. Nesse mesmo ano é editado na Austrália «Passive Me, Agressive You», o álbum de estreia da banda. Na Europa, o disco, que combina a pop melodiosa com condimentos post-punk de 80, só viu a luz do dia em 2011. Descendentes directos da synth-pop de uns The Killers e da irreverência Yeah Yeah Yeahs, os The Naked And Famous seguem a pop fantástica de «Oracular Spectacular» dos MGMT, as electrónicas multicolor Passion Pit e alguma incorporação Nine Inch Nails. «Passive Me, Agressive You» está repleto de boas ideias e temas bem simpáticos para a época estival. Canções frescas capazes de fazer as delícias de rockers, popers e indiers. No entanto, o debut álbum dos The Naked And Famous peca por se revelar um caldeirão de referências, sem encontrar o seu próprio caminho. «Young Blood», «Punching In A Dream», «The Sun», «No Way», «All Of This», «Frayed» ou mesmo «Eyes» e «Girls like You» são momentos a reter. Porém, a distorção de «A Wolf In A Geek’s Clothing» mostra-se inconsequente, «The Ends» é etéreo de mais e sem rumo aparente e «Spank» retrata um mau dia dos Muse. É pena, pois os The Naked And Famous mostram que, quando no seu melhor, nos podem surpreender com composições nostálgicas e, ao mesmo tempo, empolgantes. Canções libertinas que se enquadraram na perfeição com a irreverência e descontracção berlinenses, estando ainda a marcar positivamente o meu Verão de 2011.

O segundo «Gelado de Verão» é «Torches», o álbum de estreia dos norte-americanos Foster The People. Banda que viu a sua sorte mudar quando os cremosos sabores de «Pumped Up Kicks» chegaram ao éter de todo o mundo. Sucesso inesperado que está a agitar o panorama indie de 2011. Ainda recentemente, numa votação do sítio electrónico Stereogum, «Pumped Up Kicks» foi eleito o hino indie para esta época estival e, verdade seja dita, o reconhecimento é bem merecido. A canção é um impecável modelo da premissa less is more. Ritmo solarengo, conduzido por um baixo lânguido, mas perseverante, e acompanhado por um canto descontraído e extremamente festivo. Ambiente apropriado para as férias e para as longas caminhadas que dominaram a minha passagem por Berlim e Estocolmo. No entanto, há algo em «Torches» que me assusta. Isto porque o debut álbum destes Foster The People se aproxima da estreia dos, também, norte-americanos Maroon 5Call It What You Want» e «Life On The Nickel», por exemplo, encaixam no alinhamento de ambos os trabalhos). Embora «Songs For Jane» e o hit «This Love» tenham marcado o ano de 2002, passado um ano já ninguém os podia ouvir. «Torches» não terá o mesmo impacto de «Songs For Jane» e «Pumped Up Kicks» não atingirá o sucesso de «This Love», mas a esperança é que a história destas duas bandas de Los Angeles seja bem diferente uma da outra. A ver vamos. Entretanto, e enquanto o calor apertar, vou-me deliciando com «Pumped Up Kicks», «Waste», «Helena Beat», «Miss You» e «Houdini».

Outra das tentações que se concretizaram em Berlim, provavelmente a mais saborosa, foi «Kaputt», o nono trabalho dos Destroyer, projecto do canadiano Daniel Bejar. Apesar do meu desconhecimento da história e da música destes Destroyer, vi-me obrigado a rotular «Kaputt» como mais uma tentação devido às apreciações dos opinion makers do costume. Juízos que irradiavam maravilhas sobre o recente caso de Daniel Bejar com a pop delicada dos Roxy Music e a elegância melodiosa de Sade. Elementos tremendamente sedutores, quentes e apaixonantes que consolidam as palavras de Paul Valéry: «O que há de melhor numa coisa nova é aquilo que satisfaz um desejo antigo». A verdade é que «Kaputt» recupera esse requinte sonoro que marcou a pop com temperos crooner de finais de 70 e inícios de 80. Melodias com as quais Daniel Bejar musica um sonho tornado realidade. O bálsamo de uma paixão de Verão que nos acompanhará para sempre. «Kaputt» colecciona os vários episódios desse ardente Verão, apresentando-se como um primoroso álbum de memórias doces e nostálgicas. Acontecimento que recordaremos com um sorriso nos lábios, apesar do sentimento de perda… um momento único… sem retorno… kaputt.

«Black Up», álbum de estreia de Shabazz Palaces, foi também motivo de interesse suscitado pela leitura de algumas críticas bastante elogiosas. Provavelmente, o primeiro disco hip-hop a ser editado pela conceituada Sub Pop, o “álbum da capa de veludo” obrigou-me a repescar os dois únicos e brilhantes trabalhos dos mui apreciados cLOUDDEADcLOUDDEAD» de 2001 e «Ten» de 2004). Portanto, «Black Up» oferece-nos hip-hop sombrio e urbano para ouvir com headphones. Música feita de beats bizarros e samples de tudo e mais alguma coisa. Ambientes sinistros e rimas sagazes que elevam o hip-hop a um novo patamar. Um estádio onde o formato canção não existe e o refrão é coisa de betinho. Campeonato que recentemente se viu no centro de todas as atenções com a edição de «Cosmogramma», de Flying Lotus, e «A Sufi And A Killer», de Gonjasufi. Peças estranhas, mas essenciais. Representações claras de uma nova forma de criar e manifestar o hip-hop. Uma evolução que se mostra cada vez mais necessária e que representa um claro passo em frente no género.





domingo, 24 de julho de 2011

2011 | Viagens à tasca em período de férias I

Chegaram, finalmente, as tão aguardadas e desejadas férias e, com elas, a oportunidade de viajar e conhecer outras culturas e tascas. Para já, o Verão de 2011 fica marcado quer por um descontraído multiculturalismo e imensa oferta cultural de Berlim, quer pela discreta elegância sueca e a excelência da cidade de Estocolmo. Mas, percorramos, primeiro, as Straβen e Kneipen de Berlim. Na sequência de um roteiro predeterminado, complementado por descobertas locais, visitei estabelecimentos que se revelaram surpreendentemente fartos nas suas ofertas e com uma tabela de preços bastante similar à realidade portuguesa. Ainda assim, os souvenirs foram mais que muitos...

Siegessäule

Uma das primeiras caminhadas levou-me a FriedrichStraβe e à mui recomendada KulturKaufhaus Dussmann. Quatro andares repletos de música, cinema e literatura que provaram, uma vez mais, o quão mal servida está Lisboa...

Ora bem, esta “viagem às tascas em período de férias” inicia com o formato EP. Já por várias vezes aqui referi a minha admiração pelo EP. Objecto ao qual o mercado português tem demonstrado alguma resistência, mas que nos mercados por onde tenho passado está sempre bem representado. As investidas nesse formato compreenderam as edições de «Meyrin Fields», dos Broken Bell, «Body Talk Pt. 3», de Robyn, «Exquisite Corpse», das Warpaint, e «thecontrollersphere», dos Of Montreal.

A dupla Broken Bells, constituída pelos norte-americanos James Mercer (The Shins) e Danger Mouse (Gnarls Barkley), editou o apreciável e homónimo debut álbum em 2010. Trabalho que combina a indie pop que tão bons resultados obteve com os The Shins e celebradas produções de Danger Mouse (a.k.a. Brian Burton). «Broken Bells» foi um dos discos mais elogiados de 2010 e os seus singles «The High Road» e «The Ghost Inside» e temas como «October», «Citizen» e «The Mall & Misery» bem o mereceram. Entretanto, e decorridos doze meses, os Broken Bells regressaram com o não menos interessante «Meyrin Fields EP». Disco composto por sobras das sessões de «Broken Bells». Quatro temas – dois deles editados como lados-b dos singles «The High Road» e «The Ghost Inside» – que enriquecem ainda mais o espólio desta super-dupla. Canções que voltam a piscar o olho ao legado dos The Shins, mas que se fazem acompanhar pelo primado de Elliott Smith («An Easy Life»), por devaneios pop com o cunho de Beck Hansen e Damon Albarn («Windows») e o shoegazingHeartless Empire»). Apesar de curto, «Meyrin Fields EP» revela-se um extraordinário complemento ao álbum de estreia dos Broken Bells e, com apenas quatro canções, abre o apetite para o que ainda aí possa vir.

Outro dos EP que teima em não chegar aos escaparates portugueses é a terceira e última parte da série «Body Talk», da sueca Robyn. Sim, aqui me confesso um admirador da euro-disco-pop apresentada pela cantora. Apego recente que já me presenteou com verdadeiras pérolas de escrita pop: de «With Every Heartbeat» a «Don’t F***ing Tell Me What To Do», passando por «Hang With Me», «None Of Dem» e «Dancing On My Own». Canções que percorrem campeonatos já explorados por Madonna e Kylie Minogue e que em nada se mostram inferiores às propostas das suas concorrentes. A situação ainda é mais evidente com os cinco temas que compõem «Body Talk Pt. 3», EP que vem fechar da melhor forma o tríptico «Body Talk». Se «Indestructible» é mais uma das pérola eurodisco de Robyn, «Time Machine» é pop mecânica ao serviço da ficção científica e do regresso aos anos 80. Já a balada «Call Your Girlfriend» recupera um je ne sais quoi do espírito vivido aquando da febre «Flashdance», «Stars 4-Ever» é uma doce declaração em cadência mid-tempo e o ritmo pulsante do autêntico hit «Get Myself Together» revela uma voz criativa com imenso espaço para crescer. «Body Talk Pt. 3» apresenta-se, assim, como a melhor fatia do bolo «Body Talk».

Relativamente às norte-americanas Warpaint, banda que editou em 2010 o bastante elogiado «The Fool», adquiri a reedição da Rough Trade do EP de estreia «Exquisite Corpse». Trabalho originalmente disponibilizado numa edição de autor, corria o ano de 2008. Na altura, Emily Camille Kokal (vocalista) namorava John Frusciante, que acabou por fazer as misturas finais do disco. Temperos indie que combinam, da melhor forma, a acidez folk com ambientes sombrios e uma voz suave, a qual se cola muitas vezes a Chan Marshall, a.k.a. Cat Power. Ouça-se, por exemplo, a impressionante «Billie Holiday»: canção que vai buscar grande parte da sua letra e inspiração ao clássico «My Guy» (autoria de Smokey Robinson, mas popularizada por Mary Wells). Mas, «Exquisit Corpse» não fica por aqui. O que dizer de «Stars», o remansado momento de abertura, ou mesmo dos psicadélicos «Elephants» e «Beetles»? Facilmente se identificam conexões com a matriz agregadora dos Radiohead, sem nunca perder de vista o brilho sombrio de uns Mazzy Star e Cocteau Twins. Já «Burgundy», aqui numa versão ao vivo, e «Kirmson» (faixa extra desta reedição de 2010) recorrem à estrutura canção em crescendo que já é imagem de marca de uns Sigur Rós ou mesmo Mogwai. «Exquisite Corpse» é, assim, um excelente complemento ao álbum «The Fool» e um artigo essencial para quem ainda o ouve.

Chegamos, então, aos Of Montreal para dar conhecimento de mais um disco construído por sobras. Canções que não couberam no alinhamento final de «False Priest» (2010) e que acabaram agora encaixotadas neste «thecontrollersphere». Cinco canções que definem um pouco o que é a música da banda de Kevin Barnes. Estes momentos piscam o olho à indie pop extravagante em «Holiday Call», vagueiam pela folk psicadélica a la Pink Floyd em «Flunkt Sass Vs. The Root Plume», aventuram-se no glam funk agridoce em «L’Age d’Or» e ainda passam pelo pop n’ roll meets noise rock em «Slave Translator». Porém, é com o tema de abertura, «Black Lion Massacre», que os Of Montreal surpreendem. Cinco minutos de pura distorção, que mais parecem um murro no estômago. Kevin Barnes já tinha avisado que queria explorar uma faceta mais visceral e crua na música dos Of Montreal. Feito mais que conseguido com este «Black Lion Massacre». Quanto a «thecontrollersphere», de facto, a ideia de estarmos perante uma colecção de leftovers revela-se evidente. No entanto, fica a esperança das novas experiências de Kevin Barnes e companhia poderem abrir novos caminhos para a criatividade avant-garde destes Of Montreal.



sábado, 23 de julho de 2011

Amy Winehouse (1983-2011)


A cantora britânica faleceu hoje, 23 de Junho de 2011, aos 27 anos de idade.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Foster The People | Pumped Up Kicks


O quarteto Foster The People formou-se em L.A. corria o ano de 2009. No entanto, só em 2011 é que editam, primeiro, o EP homónimo, e, agora, o debut álbum «Torches». Registos que contam, nos seus alinhamentos, com «Pumped Up Kicks», uma das canções mais irresistíveis dos últimos tempos. Tema que promete fazer furor neste Verão de 2011.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Braids | Plath Heart


«Native Speaker», o debut álbum dos canadianos Braids, é uma das grandes revelações deste ano de 2011. Banda que encontra nos Animal Collective, da era «Feels», a sua maior influência e inspiração.