Escuso de procurar mais. O prémio revelação de 2012 vai para os Alabama Shakes. Banda de Athens, Alabama, que editou este ano o seu álbum de estreia, «Boys & Girls», e é tema de conversa onde quer que se fale de música. Protagonismo mais que merecido, pois «Boys & Girls» é um álbum extraordinário. Um disco de rock requintado que transpira garage soul por todos os seus poros. Canções que nos levam até às raízes blues rock norte-americanas e nos apresentam a admirável voz e portentosas interpretações de Brittany Howard, a vocalista, guitarrista, pianista e, também, percussionista da banda. Um vozeirão que junta a robustez de Janis Joplin e a soul de Sharon Jones (ouçam-se os extraordinários «You Ain’t Alone», «Hold On», «Heartbreaker» e «Be Mine»). Uma fusão entusiástica que é aqui amplificada por excelentes composições garage blues rock, na esfera do alvoroço criado em torno dos conterrâneos The Black Keys. A música dos Alabama Shakes é mais lânguida e confessional, piscando o olho à exuberância de Otis Readding, mas o resultado é igualmente soberbo. Portanto, tudo bate certo em «Boys & Girls». Agitação rock mergulhada em muita soul, num disco repleto de magníficas canções, como este «You Ain’t Alone».
sábado, 16 de junho de 2012
quinta-feira, 7 de junho de 2012
The Black Keys | Gold On The Ceiling
«Gold On The Ceiling» é o segundo single a ser extraído de «El Camino», o aplaudido séptimo álbum da dupla norte-americana The Black Keys. O vídeo promocional, o qual sucede a «The Lonely Boy», é realizado por Harmony Korine.
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quarta-feira, 30 de maio de 2012
M83 | Reunion
«Reunion», o segundo single a ser extraído de «Hurry Up, We're Dreaming», o álbum de 2011 do projecto M83, já tem vídeo. Uma sequela do anterior «Midnight City» e mais um trabalho realizado por Fleur & Manu. Nota especial para a homenagem feita a Adam Yauch (0:00:47).
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M83
segunda-feira, 28 de maio de 2012
Rufus In & Out
A situação não é clara. O canadiano Rufus Wainwright, músico perspicaz e certeiro no que diz, declara-se “out of the game”, mas convoca Mark Ronson para assumir o papel de produtor no seu novo trabalho, o qual conta com a colaboração de nomes como Nick Zinner (Yeah Yeah Yeahs), Andrew Wyatt (Miike Snow), Sean Lennon e Nels Cline (Wilco), e chama a britânica Helena Bonham Carter para as gravações do primeiro vídeo promocional do álbum. Rufus Wainwright sempre fez por fugir às evidências e os seus discos espelham isso mesmo, construindo um importantíssimo legado pop e uma forte identidade criativa. Uma voz excepcional que vagueia entre a pop, a ópera, a música clássica e contemporânea e a cenografia. Singer-songwriter de excepção que este ano nos entrega, então, «Out Of The Game», uma luminosa colecção de canções pop e a resposta perfeita ao anterior «All Days Are Nights: Songs For Lulu» (2010). Rufus Wainwright ultrapassa, assim, a fase mais negra da sua música e fá-lo através de composições menos pomposas, é certo, mas extremamente pop e com tempero seventies. Canções que piscam o olho ao apuro Elton John, melodias The Beatles, glamour Roxy Music e/ou Queen e art-pop 10cc meets Burt Bacharach, mas que mantêm o incontornável cunho Rufus Wainwright. Temas como «Jericho», «Rashida», «Montauk», «Bitter Tears», «Perfect Man» e, claro, «Song Of You» que vêm enriquecer ainda mais a já magnífica mansão de Rufus Wainwright.
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Viagens à tasca
sábado, 26 de maio de 2012
Blood Orange | I'm Sorry We Lied
Devonté Hynes continua a apostar no trabalho que editou em 2011, enquanto Blood Orange. «I'm Sorry We Lied» é o mais recente vídeo do projecto e outra grande canção de «Coastal Grooves». O vídeo é realizado por Abteen Bagheri.
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Devonté Hynes
terça-feira, 22 de maio de 2012
Ainda perto do paraíso
2007 estava a viver os seus derradeiros meses quando ouvi «The Great Escape», excepcional canção que me apresentou Patrick Watson, o músico e compositor nascido na Califórnia, mas crescido em Hudson, no Québec, Canadá, e Patrick Watson, a banda canadiana que apresentava o seu segundo álbum «Close To Paradise». A canção, que conquistou a minha atenção e admiração na primeira audição, juntava o delicado mundo de Antony Hegarty com o vozeado de Jeff Buckley. O álbum acabou por vencer o prémio Polaris em 2007 e a banda Patrick Watson percorreu o mundo para o apresentar, com relativo sucesso em Portugal. É certo que depois da descoberta não mais fui arrebatado pelos Patrick Watson. «Wooden Arms», álbum de 2009, parecia um disco de Patrick Watson para Patrick Watson. Um trabalho bem construído e musicalmente irrepreensível, mas fechado em si mesmo e pouco apelativo ao público que tanto frenesim criou em torno de «Close To Paradise». O mais recente «Adventures In Your Own Backyard» (2012) tenta recuperar a estreita relação estabelecida em 2007 com composições como «The Great Escape», «Daydreamer», «Luscious Life» e «Difters». Por isso, voltamos a encontrar excelentes temas pop, de tempero indie e confecção clássica, como são exemplo «Lighthouse», «Morning Sheets», «The Quiet Crowd», «Blackwind», «Strange Crooked Road» ou mesmo «Adventures In Your Own Backyard». Canções que mantêm as marcas de uma forte identidade musical, marcos de uma voz original. Texturas luminosas e algo melancólicas. O gosto pela pop barroca de um Rufus Wainwright e o molde interpretativo de Jeff Buckley. Em «Blackwind» descobrimos, ainda, pontos de contacto com a pop elegante de Andrew Bird e tanto «Lighthouse» como «Adventures In Your Own Backyard» parecem contar com a colaboração dos sempre bem-vindos Calexico. Disco um pouco irregular, mas cheio de boas canções a la Patrick Watson. Um álbum dedicado a Lhasa de Sela.
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Viagens à tasca
quinta-feira, 17 de maio de 2012
Donna Summer (1948-2012)
Donna Summer, a rainha da disco music, faleceu esta madrugada, com sessenta e três anos de idade. A cantora norte-americana é a voz de temas icónicos como são exemplo «Love To Love You Baby», «Bad Girls», «Hot Stuff», «Last Dance» e, claro, «I Feel Love» (canção que já foi "samplada" por artistas como Madonna, Whitney Houston, Bette Midler, Diana Ross, Moloko, Britney Spears, Robbie Williams, Mylo, Stuart Price e Moby).
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R.I.P.
quarta-feira, 9 de maio de 2012
The Magnetic Fields | Quick!
«Quick!» é o segundo e o mais recente vídeo dos norte-americanos The Magnetic Fields para promover o último álbum de originais «Love At The Bottom Of The Sea».
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The Magnetic Fields
domingo, 6 de maio de 2012
Wagner sings the soul
«Don't know what the fuck they talk about / Maybe blowing kisses maybe blowing names / Really what difference does it make?», em «If Not I'll Just Die». É com estas palavras de dúvida que Kurt Wagner abre as portas de «Mr. M», o mais recente trabalho dos norte-americanos Lambchop e o sucessor do menor «OH (Ohio)», de 2008. Disco dedicado ao amigo e malogrado singer-songwriter Vic Chesnutt e escrito já depois da batalha que Kurt Wagner travou contra uma doença grave. Álbum composto por canções com o cunho Lambchop. Temas de crooner, mas cantados por uma voz invulgar. Folk que caminha a passos largos para a pop, mas mantendo sempre a alma Americana. Elementos que podemos encontrar em qualquer um dos álbuns dos Lambchop. No entanto, «Mr. M» é um disco diferente. As suas canções, apesar de terem sido registadas em 2012, são de uma outra época. Um período de contemplação, requinte e bucolismo. Classicismo pop em tonalidades melancólicas, musicando-se, na perfeição, o sentimento de perda e de angústia. «Friends make you sensitive / Loss made us idiots / Fear make us critical / Knowledge is difficult», em «Mr. Met». Este é, até ao momento, o meu álbum favorito de 2012.
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sábado, 5 de maio de 2012
Pop Magnética
Outra das minhas recentes apostas discográficas, com o selo de
2012, passou pelo mais recente trabalho dos The Magnetic Fields. Banda norte-americana
que conheci aquando do conceptual e triplo álbum «69 Love Songs» (1999) e da passagem
pelo palco do CCB (2001), mas que nunca mais larguei. Ora, apresentadas as suas sessenta e nove variações trovadorescas, Stephin Merrit e os The Magnetic Fields embarcaram em nova
etapa, a «no-synth trilogy», da qual resultaram os competentes «I» (2004),
«Distortion» (2008) e «Realism» (2010). Chegamos, então, a 2012 e a «Love At The Bottom Of The Sea». Álbum que reabilita
os sintetizadores na composição dos The Magnetic Fields, mas que mantem o seu
gosto pelo acaso e, principalmente, pelos amores e desamores de Stephin Merritt («A pity she does not exist / A shame he's not a fag / The only
girl I ever loved was Andrew in drag»). Canções de dois minutos que confirmam uma das facetas mais naïve na
pop da actualidade, que nunca deixa de piscar o olho ao melhor que aí tem surgido
nos últimos tempos: se «Born To Love» parece produzida pelo Sufjan Stevens de
«The Age Of Adz», «Infatuation (With Your Gyration)» e «The Machine In Your
Hand» podem ter-se inspirado em «We Must Become the Pitiless Censors of
Ourselves», de John Maus. Ainda assim, a música de «Love At The Bottom Of The
Sea» vive da alma de Stephin Merritt: canções curtas, rimas caprichosas, instrumentação
com tempero minimalista, entoação de desencanto, bizarrias e eficácia na hora
de construir melodias pop. Dados que fazem de «Love At The Bottom Of The Sea»
uma simpática colecção de canções pop que recupera algum do tempo perdido na
«no-synth trilogy», enriquecendo ainda mais o legado cancioneiro de Stephin
Merritt.
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terça-feira, 1 de maio de 2012
Porto seguro
Tempo de registar um dos regressos mais aguardados de 2012, o
dos norte-americanos The Shins. Banda, que após o sucesso de «Wincing The Night
Away» (2007), passou por algumas transfigurações. Novos membros / convidados foram
substituindo velhos parceiros, consolidando, por sua vez, a posição do cantor e
compositor James Mercer. Músico que no interregno de cinco anos, que separou as
edições de «Wincing The Night Away» e o mais recente «Port Of Morrow», partilhou
esforços com Brian Burton a.k.a. Danger Mouse ao comando dos Broken Bells. Episódio
proveitoso que chega mesmo a dar o ar da sua graça nesta nova etapa The Shins,
em «The Rifle’s Spiral», o tema de abertura e o mais recente single a ser
extraído do disco. Já «Simple Song» e «No Way Down», dois dos exercícios mais refrescantes
agora apresentados, estabelecem a ligação mais forte com o excelente antecessor
«Wincing The Night Away». Por sua vez, «September» tenta recuperar a singular magia
do debut «Oh, Inverted World» (2001), ficando a meio caminho desse objectivo. E se «Brait
& Switch» e «Fall Of ‘82» podiam muito bem passar como lados-b de «It’s
Only Life» e «40 Mark Strasse», a cinematográfica «Port Of Marrow» merecia nova
apresentação de Natalie Portman para uma canção capaz de mudar as nossas vidas.
O novo disco dos The Shins não desilude, mas também não nos enche de entusiasmo.
É uma competente colecção de canções pop, a qual ficará sempre na sombra dos
primeiros três registos da banda de James Mercer.
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The Shins,
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segunda-feira, 30 de abril de 2012
Blood Orange | Champagne Coast
Blood Orange é mais um projecto de Devonté Hynes, a.k.a. Lightspeed Champion. «Coastal Grooves», o debut álbum de Blood Orange, foi editado em Agosto de 2011 e este «Champagne Coast» é um dos seus melhores momentos, a par dos anteriores singles «Sutphin Boulevard» e «Forget It».
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Devonté Hynes
quarta-feira, 25 de abril de 2012
The Dandy Warhols | Sad Vacation
Os norte-americanos The Dandy Warhols estão de regresso aos discos e aos vídeos. «This Machine», editado esta semana, é o título do novo trabalho da banda de Courtney Taylor-Taylor e este «Sad Vacation» é o seu excelente primeiro single.
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The Dandy Warhols
terça-feira, 24 de abril de 2012
The Rapture | How Deep Is Your Love
Foi uma das grandes canções de 2011 e fez parte do alinhamento de «In The Grace Of Your Love», o mais recente trabalho dos norte-americanos The Rapture. O meu amor por «How Deep Is Your Love» continua forte e por isso nada melhor que mostrar o seu vídeo.
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sábado, 21 de abril de 2012
Satisfação Natural
«awE naturalE», o álbum de estreia da dupla de Seattle
THEESatisfaction, é o anunciado “disco do ano” mais recente e preferido de
todos. Funk psicadélico construído em torno de manifestações hip hop e espírito
soul music. Produto pop que percorre alguns dos trilhos explorados e polidos
pelos amigos de rua/estúdio Shabazz Palaces, mantendo vivas as ligações com a
história da música negra norte-americana. Stasia Irons e Catherine Harris-White
fazem mesmo notar que «Thriller», de Michael Jackson, é a razão pela qual hoje
fazem música. Percebemos logo de onde surgem as danças sincronizadas e as
manifestações R&B que passaram pelo palco da Galeria Zé dos Bois no passado
dia 17 de Abril. Elementos aos quais foram adicionadas cadências e agitações
tribais, hip hop feminista, black jazz e um raro sentido de melodia rítmica e
vocal. Descortinámos, aqui e ali, a neo-soul de Ursula Rucker, mas, também, a
de Janelle Monáe e Erykah Badu. Já os “ambientasons”, esses, são alimentados por
texturas sombrias e urbanas (já falei nos Shabazz Palaces, certo? Então, não nos
esqueçamos dos extintos cLOUDDEAD e, também, de Flying Lotus e Gonjasufi). Quanto
ao concerto, o conceito é muito parecido com a faceta live dos “padrinhos” Shabazz Palaces, sendo que no caso das
THEESatisfaction a instrumentação provem toda da técnica “just push play”.
Portanto, foi num palco desprovido de qualquer instrumento musical e com apenas
dois microfones à vista que a estreia do duo norte-americano decorreu. E mais, correu
tudo muito bem. A atitude cativou, o calor da sala empolgou e as canções
entusiasmaram todos os que acorreram ao chamamento das THEESatisfaction.
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Concertos,
THEESatisfaction
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