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domingo, 14 de dezembro de 2008

2008 | Viagens à tasca em período de férias VI

Chegamos então a Londres, a verdadeira capital europeia da cultura pop. Cidade onde a cada esquina se esconde uma sala de espectáculos, uma livraria ou uma loja de discos. Com Museus e Parques à séria e alguns monumentos memoráveis. As suas ruas oferecem animação e boa disposição em qualquer dia da semana. Razão pela qual se beberam muitas pints, fizeram-se demasiadas viagens underground e as chicken wings caíram sempre bem à ceia. Dei de caras com o grande Philip Seymour Hoffman e perdi as contas às lojas de discos que encontrei e aos discos que comprei. Por isso optei por expor esta segunda etapa das férias de 2008 por categorias. Desta forma, em vez de descrever uma determinada ida à Zavvi (antiga Virgin) ou à HMV, decidi destacar os EP, os singles, as edições especiais, as promoções, os guilty pleasures, as apostas, etc.. Assim, neste primeiro post, destaco o EP.
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Big Ben & London Eye
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Desde 2001 que faço por seguir todos os passos dos Sparklehorse, projecto do norte-americano Mark Linkous. «It’s A Wonderful Life» revelou-se, desde então, num pequeno pedaço de céu que me continua a musicar maravilhas aos ouvidos. Afectuosas músicas que têm em Tom Waits, PJ Harvey, Nina Persson (The Cardigans) e Dave Fridmann (Mercury Rev, The Flaming Lips, Mogwai, Clap Your Hands Say Yeah, MGMT, etc.) os parceiros perfeitos na demanda à canção pop com um travo down-indie. Rapidamente adquiri o não menos singular debut álbum «Vivadixiesubmarinetransmissionplot» (1995) e o seu distinto sucessor «Good Morning Spider» (1998). Já em 2006 foi editado «Dreamt For Light Years In The Belly Of A Mountain», álbum que, incompreensivelmente, acabou ignorado por quase todo o mundo. Contudo, o que me traz a Mark Linkous é «Chords I’ve Known» (1996), um simples EP que nos mostra cinco temas a la Sparklehorse em dez minutos e que continuava em falta na discografia lá de casa. Cinco canções distintas, mas que se relacionam na mesma procura pela melodia perfeita. Dez minutos de música que parecem gravados no sótão de Mark Linkous, mas que mais uma vez nos emocionam e marcam. Do instrumental «Midget In A Junkyard» que parece retirado de «Gulag Orkestar», de Zach «Beirut» Condon, à fantasia pop low-fi de «Heart Of Darkness» (numa versão alternativa à que saiu no álbum de estreia) e «Almost Lost My Mind». Descortinamos a admiração de Mark Linkous por Lou Reed em «Dead Opera Star» e «The Hatchet Song» fecha o EP em forma de lullaby. Excelente aquisição que efectuei no coração do Soho.
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O segundo EP, este adquirido no bairro de Chelsea, trata-se de uma das mais marcantes estreias do século XXI. Em 2004 os escoceses Franz Ferdinand reviraram o mundo melómano do avesso com o homónimo álbum de estreia. «Franz Ferdinand» é pop&roll ao serviço de hedonistas que procuram a dança, o deleite e a canção. Ora bem, antes da capitulação perante o álbum, a banda editou um primeiro EP intitulado «Darts Of Pleasure» (um dos grandes singles da estreia em LP). Além de «Darts Of Pleasure» (primeiro em versão estúdio e no fim a Home Demo) este EP inclui os lados-b «Van Tango» e «Shopping For Blood», tal como a versão Home Demo de «Tell Her Tonight». Cinco canções que ateavam o rastilho para a excitação que se viveu com «Franz Ferdinand». Porém, já aqui Alex Kapranos cantava e declarava sem quaisquer rodeios: «Ich heisse super fantastische». Frase que nós corroboramos, pois já aqui se pressentia a história que a banda escocesa estava prestes a escrever e o swing punk pop rock já nos entusiasmava até ao tutano.
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Os ares de Chelsea fizeram-me bem. Além de me brindarem com a estreia dos Franz Ferdinand, presentearam-me com um EP de uma das bandas mais aplaudidas de 2008, os Fleet Foxes. «Sun Giant» foi editado poucos meses antes do lançamento do LP homónimo que tem percorrido todas as listagens com o melhor deste ano que agora termina. A pop barroca da banda de Seattle é, sem dúvida, uma das imagens de marca de 2008 e «Sun Giant» (o tema que abre o EP) é a melhor introdução aos Fleet Foxes e à sua música. Melodia perfeita para um exemplar momento canónico e a capella capaz de persuadir qualquer descrente. Um pequeno hino à vida e à constante mutação da natureza: «What a life I lead in the summer / What a life I lead in the spring». Porém, o melhor do disco surge com «Mykonos», o momento rock bucólico do EP. Mais uma vez a melodia é abrilhantada pela introdução vocal de Robin Pecknold. A canção revela-se free as a bird até ao momento em que Pecknold afirma «Brother, you don’t need to turn me away». As emoções estão à flor da pele, mas a banda volta a pegar na canção para um triunfante final. Os restantes temas do disco mantêm o apurado sentido folk da banda ao qual lhe é adicionado elementos eclesiásticos e rock clássico. Factos que fazem deste «Sun Giant» o melhor EP de 2008.
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Quarto EP, quarta pérola (esta encontrada em Charing Cross)! «Head’s Up» é mais uma estreia em disco. Desta feita os estreantes surgem do Canada e dão pelo nome de Death From Above 1979. Jesse F. Keelerno (baixo e sintetizador) e Sebastien Grainger (bateria e vozes) foram as forças motrizes deste colectivo stoner electro punk rock que por vezes pisca o olho ao death metal. Escrevo “foram” porque, infelizmente, o duo já se separou, deixando para trás uma das carreiras mais promissoras que nunca o chegou a ser por culpa própria. «Head’s Up» (2002) antecede a autêntica bomba que foi «You’re A Woman, I’m A Machine», de 2004. Apesar dos dois anos que separam ambas as edições, os trabalhos não se distanciam muito um do outro. A banda pratica um frenético stoner punk rock que destila energia e pujança por todos os lados e temas como «Dead Womb» (ao qual os conterrâneos Crystal Castles foram buscar um sample que lhes deu um jeitão em «Untrust Us»), «Too Much Love» e «Losing Friends» justificam-no. «Do It!» (aqui numa versão ao vivo) é capaz de ser o tema que mais se distancia dos demais, pois pressentimos a influência da produção superior dos franceses Daft Punk. No entanto, o ritmo é sempre acelerado e cada momento é único, pelo que o seu desaparecimento constitui uma das grandes perdas dos últimos anos.
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O quinto destaque, adquirido já na famosa Oxford Street, vai para os britânicos Klaxons e o seu EP de estreia «Xan Valleys EP». Lançado em 2006 e antecedendo o LP «Myths Of The Near Future», os Klaxons davam aqui os primeiros passos da aventura electro punk que mais tarde lhes valeu o Mercury Prize de 2007. O EP é composto por três temas que surgiram no alinhamento final do álbum de estreia («Gravity’s Rainbow», «Atlantis To Interzone» e «4 Horsemen Of 2012»), um tema exclusivo («The Bouncer»), duas estrondosas remixesGravity’s Van She Remix» e «Atlantis Crystal Castles Mix») e o vídeo para «Gravity’s Rainbow». Não sendo o melhor do trio, encontramos aqui alguma da nata já produzida pelos Klaxons. «Atlantis To Interzone» e «Gravity’s Rainbow» são duas das composições mais bem conseguidas do trio. Por sua vez, «The Bouncer» e «4 Horsemen Of 2012» revelam uma banda mais vulgar, com um bom sentido musical, mas alguma falta de brilho (não basta ser cool para fazer boa música!). O vídeo de «Gravity’s Rainbow», assemelhando-se a um autêntico home made video, enquadra-se perfeitamente com o início de carreira dos Klaxons. No entanto, as versões dos australianos Van She e, principalmente, dos canadianos Crystal Castles acabam por repor o fulgor inicial e o disco termina muito bem.
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Continuo na Oxford Street para falar de mais dois EP. «Four Winds» do talento Conor «Bright Eyes» Oberst e «Follow The Lights» do workaholic Ryan Adams. Ora bem, enquanto os Bright Eyes são já um habitué por estas paragens, Ryan Adams é capaz de ser um estreante. Todavia, desde «Gold» (2001) que sigo as cantorias deste norte-americano. Compositor compulsivo e de gosto bastante ecléctico. Tanto se afirma num admirador incondicional dos The Strokes, como escolhe o mais recente trabalho de Beyoncé para a sua lista dos melhores cinco álbuns de 2008. Produtor que já trabalhou com meio mundo e onde se destacam Beth Orton, Counting Crows, The Wallflowers e Elton John. O singer/songwriter preferido de Elton John que odeia que o confundam com o canadiano Bryan Adams. Figura de relevo na música americana dos nossos dias. Rapaz que escreveu o hit-single «New York, New York» e que em 2007 editou o saudado «Easy Tiger», álbum ao qual este «Follow The Lights EP» se anexou como um perfeito complemento. Alternative-country de primeira linha que tem em «Follow The Lights» e «My Love For You Is Real» as melhores canções aqui apresentadas. Porém, o destaque vai inteirinho para a versão de «Down In A Hole», original dos Alice In Chains. Mais uma vez Ryan Adams atira-se a temas de outros universos e, como sempre, sai-se extraordinariamente bem. Se já o havia conseguido com o hino britpop «Wonderwall» (versão dos Oasis editada no álbum «Love Is Hell»), agora é a vez de se aventurar no grunge. A canção mantém o seu lado sujo e cru e Ryan Adams mostra que as covers continuam a ser um veículo importantíssimo na sua carreira (um álbum de covers já se justificava). A fechar o EP encontramos (versões alternativas para «This Is It» (tema que abre o flop «Rock N’ Roll»), «If I Am A Stranger» (uma das melhores canções do duplo «Cold Roses») e «Dear John» (tema escrito em parceria com Norah Jones e originalmente editado na banda sonora de «Jacksonville City Nights»). De facto, este é um excelente complemento a «Easy Tiger».
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Quanto a «Four Winds», single extraído de «Cassadaga» (2007), o último álbum de originais dos Bright Eyes, deparamo-nos com cinco excelentes lados-b. Cinco canções que podiam muito bem constar no alinhamento final de «Cassadaga», ou de qualquer outro álbum dos Bright Eyes. Conor Oberst é, de facto, um dos melhores letristas norte-americanos e a folk de «Four Winds» é um pequeno exemplo disso mesmo («Your class, your caste, your country, sect, your name or your tribe / There's people always dying trying to keep them alive» «The Bible is blind. The Torah is deaf. The Qur’an is mute. / If you burned them all together you’d get close to the truth»). No entanto, a alternative-country embebida na pop em «Reinvent The Wheel» não lhe fica nada atrás: «I’m sure the TV sets will tell us when someone reinvents the wheel / Till then I'll have a million conversations about shit that isn't real». Já para não falar do blues rock americana de «Cartoon Blues»: «I felt something changing the world / Like a new constitution / A thief I would have to pursue / At all times / At all costs / The truth!». Descobrimos, ainda, uma voluptuosa linha de guitarra recuperada aos anos 70 em «Stray Dog Freedom» e cedemos por completo perante «Smoke Without Fire» (tema que conta com a participação vocal de Mr. M. Ward) e «Tourist Trap»: dois singulares momentos folksy capazes de arrepiar o próprio Bruce Springsteen.
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Para terminar esta primeira viagem a Londres, escolhi um vídeo dos extintos Death From Above 1979.

domingo, 8 de julho de 2007

Rescaldo do Super Bock Super Rock 2007

A 13.ª edição do festival Super Bock Super Rock chegou ao fim. Após 4 dias repletos de energia, suor, sumo de cevada, cansaço e boa música o rescaldo é mais que positivo.

Houve regressos aguardados, reencontros já impensáveis, estreias desejadas e outras canceladas. Metallica, Arcade Fire, LCD Soundsystem e Underworld tinham a responsabilidade de fechar as 4 noites SBSR. Contudo, podemos afirmar que nem tudo passou pelos «fechos»…

Como tudo na vida, há que fazer escolhas. A preferência do dia 28 de Junho (dia inaugural do festival e o mais pesado) foi ver os veteranos Metallica. Numa altura em que o rock evidencia facetas mais flexíveis e, mesmo, plásticas, confesso ter passado por uma pequena sensação de afastamento em relação a todo o ambiente envolvente à causa do 1.º dia SBSR. Todavia, não posso deixar de felicitar os músicos e fãs que aqueceram e entusiasmaram a maior multidão da edição 2007 do SBSR. Temas como «For Whom The Bell Tolls», «Ride The Lightning», «The Unforgiven», «The Memory Remains», «Fade To Black», «Master Of Puppets» e os inevitáveis «Nothing Else Matters», «One» e «Enter Sandman» satisfizeram os milhares de fãs que acorreram ao chamamento de James Hetfield e companhia.

As escolhas da 2.ª noite SBSR passavam pelos Klaxons, Bloc Party e Arcade Fire. A caminho do recinto ouve-se, via Antena3, o espectáculo apresentado pelos conimbricenses Bunnyranch (se fosse hoje teria feito um esforço adicional para assistir à força demonstrada através do éter do serviço público radiofónico). Já em frente ao palco presencia-se o concerto mais que visto dos The Gift (parece que o interesse em ver a banda de Alcobaça passa pela possibilidade de ver Sónia Tavares a igualar a extravagância da islandesa Björk no guarda roupa a utilizar). Cenário que se alterou com os britânicos Klaxons. Para gáudio do público temas como «Golden Skans», «Magik», «Atlantis To Interzone», «It’s Not Over Yet», «2 Receivers» e «Four Horsemen Of 2012» não faltaram. Apesar do ambiente ter aquecido significativamente e de terem cumprido a missão, julgo que certos maneirismos rock teriam sido perfeitamente evitados! Com os The Magic Numbers o ambiente volta a arrefecer. Claramente fora de jogo neste festival, coube à banda hippie a difícil tarefa de passar o testemunho dos Klaxons para os Bloc Party. Não tendo conseguido igualar a festa que se verificou no Coliseu de Lisboa há cerca de um mês, Kele Okereke e amigos de bairro mostraram mais uma vez que têm força e boas músicas. Porém, as melhores composições para serem tocadas e vividas ao vivo têm todas o selo de «Silent Alarm». Registe-se o aceso final com «Pioneers» e «Helicopter». Chega a vez dos tão aguardados Arcade Fire. Vistos, por uma grande parte do público, como os verdadeiros «cabeças de cartaz» da edição 13 do SBSR, esta linhagem canadiana não deixou os seus créditos em mãos alheias. Num cenário clerical, com o órgão de tubos a não faltar, a actuação dos Arcade Fire pautou-se pela paixão e dedicação à música. Excelentes composições, desde «Black Mirror» a abrir as hostilidades a «No Cars Go», passando por «Intervention», «Ocean Of Noise», a mais velhinha «Headlights Look Like Diamonds» (com a chuva fazer bluff) e abençoando todos os presentes com a sequência magnífica de «Neighbourhood # 1 (Tunnels)», «Neighbouthood # 3 (Power Out)”, «Rebellion (Lies)» e «Wake Up», já em encore. Celebrou-se a música e quem ganhou mais foi o público… Bem haja aos Arcade Fire.

Na noite dos LCD Soundsystem surgiu a pior notícia deste festival. De acordo com a imprensa, por motivos de doença de um dos elementos dos norte-americanos The Rapture, a actuação da banda foi cancelada. Descansa-se mais uma hora, pois os estamos a meio do festival e ainda se esperam grandes momentos. Mundo Cão e Linda Martini ouvem-se através da Antena3. Destaque para os Linda Martini que demonstrar pontencial para uma solidificada carreira no panorama indie rock português. Saltamos para o outro lado do atlântico e é-nos apresentada a bizarria dos Clap Your Hands Say Yeah. Com 2 álbuns na bagagem, o homónimo e «Some Loud Thunder», estes norte-americanos (embora a simpatia e o apoio obtidos junto de várias comunidades indie) não cativaram o público presente. Apesar das boas composições, cansaram um pouco e a afinação alternativa de Alec Ounswort encarregou-se do resto. No fim ou se ama ou se odeia. Já ao início da noite, os Maxïmo Park deram bem conta do recado e tanto «A Certain Trigger» como «Our Earthly Pleasures» foram festejados. Bons temas pop rock a fazer lembrar a leveza à The Smiths. Paul Smith (o vocalista) não desiludiu e cativou a audiência a cantar e dançar ao ritmo de «Apply Some Preasure», «Our Velocity», «Limassol», «Graffiti», «Going Missing», «The Coast Is Always Changing», «Books From Boxes», «Girls Who Play Guitars», «By The Monument» ou «Parisian Skies». Chegamos aos The Jesus And Mary Chain e apesar de identificarmos muitos seguidores e admiradores acérrimos da banda escocesa, parece existir algum desconforto e falta de empatia entre a banda. Ambiente que trespassa para o exterior e resulta numa actuação morna, ou seja, competente mas com alguma falta de garra. Todavia, tudo muda com James Murphy em palco. LCD Soundsystem is playing at our house! A agitação era grande entre o público. Uma das bandas mais excitantes da actualidade estava prestes a subir ao palco para apresentar 2 dos álbuns mais celebrados dos últimos anos («LCD Soundsystem» e «Sound Of Silver»). James Murphy revela em palco toda a sua preocupação/obsessão na busca do som perfeito, no colmatar do pequeno erro que não pode acontecer. A propósito, o som esteve excelente, o público excelente esteve, a música é boa por excelência e o SBSR de 2007 ganhou mais uma aposta ao trazer estes norte-americanos a Portugal. Da irrepreensível setlist apresentada, destaque para «Us Vs. Them» a abrir; «Daft Punk Is Playing At My House» a seguir-se e a captar a atenção de tudo e todos; «North American Scum» a inflamar as hostes; «All My Friends» a confirmar a vertente mais melodiosa da banda, «Tribulations» e «Yeah» a obrigar o público a saltar e «New York I Love You, But You’re Bringing Me Down» a funcionar melhor ao vivo que em disco. Grande Concerto!

Com o fim à vista, o cansaço adensa-se e… há que fazer escolhas. Os contagiantes X-Wife têm direito à transmissão via Antena3 (e ainda bem). Os Gossip dão conta do recado e Beth Ditto canta e encanta. Com um carisma à flor da pele, Ditto não hesita em reproduzir os Wham em «Careless Whisper» ou a homenagear Aaliyah em «Are You That Somebody». Porém, todos esperavam ansiosos por «Standing In The Way Of Control», hino máximo à emancipação e independência pessoal. Seguiram-se os TV On The Radio e a luz do dia causa a sua primeira vítima, «boicotando» a actuação da banda. Os dois álbuns que compõem a discografia destes norte-americanos são excelentes; os temas são óptimos e estimulantes; a atitude indie rock está lá, mas a vertente noctívaga não se adaptou ao sol do final de tarde. Ficamos à aguardar um futuro regresso para rectificar a estreia em solo português. Finda a transmissão televisiva via rádio as «irmãs tesouras» ocuparam-se de incendiar o recinto do SBSR. Com uma atitude festiva e bastante alegre os nova-iorquinos Scissor Sisters conseguiram captar a atenção de rockeiros e indies, pondo toda a gente a dançar e a cantarolar temas como «Take Your Mama» a abrir, «Laura», «Comfortably Numb», «She’s My Man», «I Don’t Feel Like Dancing», «Tits On The Radio» e «Filthy Gorgeous» a fechar o teatro gay. Continuando em Nova Iorque, os Interpol estrearam-se (e já confirmaram nova passagem por palcos nacionais a 7 de Novembro no Coliseu de Lisboa) da melhor forma. Com o público ainda entusiasmado com a prestação dos vizinhos Scissor Sisters, Paul Banks e colegas conseguiram dar seguimento ao ambiente de empatia entre banda e público, arrancando uma excelente actuação. Com uma setlist que não esqueceu nenhum dos poucos singles da ainda curta carreira discográfica dos Interpol, houve espaço para alguns temas do novo «Our Love To Admire», a ser editar no dia 9 de Julho. O som esteve bom, o público mostrou-se apaixonado, a entrega foi total e quase ninguém deu conta do valente trambolhão do guitarrista Daniel Kessler durante «Obstacle 1». Temas como «PDA», «Slow Hands», «Evil», «Say Hello To The Angels», «Not Even Jail», «Obstacle 1», «C’mere», «Stellar Was A Diver And She Was Always Down» e o novíssimo «The Heinrich Maneuver» não defraudaram as expectativas de ninguém. Seja o regresso tão bom como a estreia e o culto por estes norte-americanos está garantido. Por fim, e já em fase de descompressão e dos necessários alongamentos, os Underworld tentaram animar o fecho do SBSR. Apesar do recinto ter ficado reduzido a metade após a saída de palco dos Interpol, a banda britânica cumpriu a tarefa, deixando para o final os tão desejados hits «Born Slippy» e «Jumbo».

Que venha a edição 14 e o nível das bandas a figurar no cartaz se mantenha.

Para o ano há mais…
Bem haja à organização.