segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Bat For Lashes | A Wall

A inglesa Natasha Khan, a.k.a. Bat For Lashes, tem um novo vídeo. «A Wall» é já o terceiro vídeo promocional do excelente álbum «The Haunted Man». A realização ficou a cargo de Noel Paul.

Kudos

Benjamin Biolay continua a sua demanda pop, em registo sussurrante (por via da sua voz grave e rouca) e tempero chanson française. No novo trabalho «Vengence» vemo-lo a dar mais um passo seguro na sua caminhada nouvelle chanson, com retratos da tradicional chanson em filtros popMarlène Déconne» e «L’Insigne Honneur»), rock Le Sommeil Attendra»), hip hopBelle Époque (Night Shop #2)» e «Ne Regrette Rien»], folk Personne Dans Mon Lit» e «Confettis»), electro Sous Le Lac Gelé» e «L’Insigne Honneur»), brit popTrésor Trésor») e, também, em elementos mais sinfónicos («Venganza» e «La Fin De La Fin»). Tudo muito bem condimentado pelo espírito indie de Benjamin Biolay. «Vengence» conta, também, com a preciosa participação de Vanessa Paradis, no soberbo «Profite». Em «Sous Le Lac Gelé» ouvimos o francês a cantar com a designer Gesa Hansen e em «Confettis», tema que encerra o disco, é Julia Stone do colectivo Angus & Julia Stone a convidada. Colaborações e canções que mostram um "chantauteur" confiante e atento ao que vai sendo produzido na pop da actualidade. «Vengence» não será a melhor entrega de Benjamin Biolay, mas é um trabalho luminoso, colorido e repleto de energia.

"Pesada, mas bonita"

Se há banda que me surpreende pela sua longevidade e integridade, essa banda terá que ser os Deftones. Os norte-americanos, carimbados à nascença com o selo do nu-metal, cresceram com os sons de 90, mas cedo souberam adaptar-se às correntes e moldar o seu som às várias dinâmicas metal. Rock experimental para uns, post-grunge para outros e alternative metal para muitos, a música dos Deftones continua a desafiar-nos com estruturas dinâmicas e estridências pop. Como o próprio Chino Moreno (vocalista) afirma: “É pesada, mas bonita”. «Koi No Yokan», que é como quem diz “premonição de amor”, é já o sétimo trabalho da banda de Sacramento e o segundo a não contar com o contributo do baixista Chi Cheng (que continua a recuperar de um grave acidente de viação ocorrido em 2008). Este é, também, o disco que nos mostra os melhores Deftones desde «White Pony» (2000). O som é visceral, mas sonhador (ouçam-se «Entombed», «Rosemary» e «What Happened To You?»). A toada é agressiva, mas extremamente melodiosa («Swerve City», «Leathers» e «Tempest»). Canções com a cara de 90, mas pensadas para o novo milénio. Notam-se mais elementos pop (os sintetizadores em «Entombed» são de destaque) e a identidade provocadora e áspera da banda mantém-se. Os Deftones estão de regresso, estão vivos e recomendam-se.

domingo, 30 de dezembro de 2012

Change Of Heart

A sueca Sarah Assbring, a.k.a. El Perro Del Mar, está diferente. Se nos primeiros trabalhos a ouvíamos melancólica e a lamber algumas feridas (“I lost the blues for you”, em «Coming Down The Hill», ou “This loneliness / Ain’t pretty no more / Loneliness / Only taking a place of a friend”, em «This Loneliness»), agora as suas composições mostram-se mais upbeat e combativas (“Does it take a foreign place / Don’t want to feel lonely / Don’t want to feel lonely / Take it step by step / For a little moment / Don’t want to feel lonely / Don’t want to feel”, em «To The Beat Of A Dying World»). A música de El Perro Del Mar mantém a cara indie, maquilhagem agridoce e expressão pop de câmara (via Kate Bush). Porém, «Pale Fire», disco inspirado pela house music e pelo trip hop de 90 (as preferências de Sarah Assbring nessa época), é mais que isso. As novas canções mostram-nos uma nova faceta de El Perro Del Mar: assimilam-se cadências Sade, misturam-se texturas Massive AttackWalk On By»), exploram-se produções DFA, com a orientação Hercules & Love AffairI Carry The Fire»), sondam-se ritmos reggae Love In Vain»), harmonias mais quentes («Hold Off The Dawn») e segue-se o modus operandi Arthur Russell («Home Is To Feel Like That»). Abrem-se novos e interessantes caminhos. Ambientes espaciais e outonais. Canções mais sofisticadas que nalguns momentos podem acusar alguma falta de direcção («Love Confusion»). Contudo, este novo «Pale Fire» é bem simpático, chegando mesmo a ser mágico em algumas ocasiões.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Night & Day

«One Second Of Love», o segundo trabalho da norte-americana Nite Jewel, a.k.a. Ramona Gonzalez, é um dos discos outsider de 2012. Pop com heranças de 80 e ambientes escuros que conferem um certo mistério à música de Nite Jewel. Uma mistura tremendamente pop que tanto pisca o olho aos Yello, como segue de perto a synth pop de uns Visage e o som mais polido de uns Eurythmics. Canções suaves e sedutoras que me levaram à Galeria Zé dos Bois, há já uns meses, para ver e ouvir Nite Jewel em palco. A sala resultou e o público até se mostrou danado para a dança, mas «One Second Of Love» foi apresentado de forma indolente e excessivamente descontraída. O que em disco nos seduz, em palco simplesmente não funcionou. Mas atenção, o álbum é mesmo muito bom. «This Story», «One Second Of Love», «Mind & Eyes», «In The Dark», «Memory, Man» e «Autograph» são algumas das canções mais doces de 2012. Julia Holter dá uma ajudinha nas vozes (em «One Second Of Love», a canção, e «Mind & Eyes») e DâM-FunK também surge na ficha técnica (sintetizadores e piano eléctrico em «Autograph»). Lá pelo meio do glamour e da sumptuosidade pop, existe ainda tempo para momentos mais calmos e etéreos. Se «Unearthly Delights» e «No I Don’t» podiam ter sido melhor acabados, «Clive», o tema que encerra o disco, é pura sedução (via Kate Bush). Nite Jewel tem talento, mas aquela noite na Galeria Zé dos Bois deixou-me de pé atrás. Ainda assim, a esperança é que me volte a surpreender num futuro próximo (se possível tanto em disco, como em palco).

domingo, 23 de dezembro de 2012

Where I End and You Begin

Se em 2011 os Wolf Parade anunciaram uma paragem por tempo incerto, já este ano ficámos a saber que tanto os Wolf Parade, como os Handsome Furs, dois projectos do canadiano Dan Boeckner, chegaram mesmo ao fim. No entanto, o cantor, compositor e guitarrista, rock ‘n’ roller incapaz de ficar quieto, logo seguiu caminho com os Divine Fits, um projecto que havia esboçado com o não menos inquieto Britt Daniel, dos Spoon. Chamaram Sam Brown, baterista dos New Bomb Turks, e seguiram para estúdio, em Los Angeles, com o produtor Nick Launay e o músico Alex Fischel para gravar as composições de Britt Daniel e Dan Boeckner. As gravações decorreram entre Março e Maio de 2012 e o resultado foi o excelente debut álbum «A Thing Called Divine Fits». Onze canções frescas e de alma rock adubadas por indiegente com queda para a pop. Mas o que mais me agrada nestes Divine Fits é poder encontrar as cadências e as texturas menos óbvias dos Spoon («Flaggin’ A Ride», «Would That Not Be Nice») misturadas com a exuberância dos Wolf Parade («What Gets You Alone», «Baby Get Worse») e o revivalismo dos Handsome Furs («My Love Is Real», «For Your Heart»), sem deixar de sentir a frescura e a novidade de ouvir as fabulosas canções da nova banda de Britt Daniel e Dan Boeckner.

sábado, 22 de dezembro de 2012

Jessie Ware | Sweet Talk

A britânica Jessie Ware tem novo vídeo. «Sweet Talk» é mais uma canção retirada do seu excelente debut álbum «Devotion». O vídeo é realizado por Joel Wilson.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Tramp Power

A edição de «Tramp», o terceiro álbum de Sharon Van Etten, não foi fácil. Depois de se estrear com «Because I Was In Love» (2009) e ter lançado «Epic» (2010), um LP que mais parecia um EP, a singer-songwriter de New Jersey, a residir em Brooklyn, assinou pela Jagjaguwar, mas foi com a ajuda de Aaron Dessner, dos The National, que conseguiu concluir o seu mais recente trabalho. Dressner disponibilizou a garagem transformada em estúdio para as gravações e produziu «Tramp», disco que conta, também, com a preciosa colaboração de alguns amigos de Van Etten, como Zach «Beirut» Condon, Julianna Barwick, Bryce Dressner (irmão de Aaron e seu companheiro nos The National), Thomas Bartlett (a.k.a. Doveman), Jenn Wasner (Wye Oak) e Matt Barrick (baterista dos The Walkmen). Nomes que enriquecem o álbum e alavancam as “angústias” que Sharon Van Etten carrega na voz cristalina e nas texturas folk das suas canções. Sonoridades aveludadas, assentes na melancolia Mazzy Star e na atitude rock de PJ Harvey, que não esquecem a vertente mais tradicional da folk (Kurt Vile e os The War On Drugs também andam por aqui), nem a pop confessional e outonal dos The Antlers. O resultado é excelente. «Tramp» oferece algumas das canções mais introspectivas que 2012 viu nascer («Serpents», «Give Out», «All I Can», «We Are Fine», «Magic Chords», «Ask» e «I’m Wrong» são as preferidas). Situação que fica ainda mais à vista no CD extra, intitulado «Tramp Demos», que acompanha a edição especial e deluxe do disco.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Oceano de heranças cor-de-laranja

Chegou tarde, mas chegou. O disco mais referenciado e falado neste final de 2012 infiltrou-se no meu dia-a-dia e a fusão neo funk em cenários R&B e enredo soul que tanto nos deu pela mão de D’Angelo, corria o ano de 2000, baralha a sua aparente ordem. Corro em busca de «Voodoo», de «Brown Sugar» e de todos os outros discos da escola soul meets rhythm & blues and funk que fui levado a procurar no início dos anos 00. De Prince a Stevie Wonder, passando por Marvin Gaye e Curtis Mayfield. Ainda assim, «Channel Orange», o disco de Frank Ocean, acaba por encostar-se também à mistura hip-hop Vs. R&B Vs. pop que tem em Kanye West, Outkast e Jay-Z os seus expoentes máximos (não duvido que Kanye West tenha perdido algumas noites de sono depois de ouvir «Pyramids», uma das canções mais fortes de 2012). Mas Frank Ocean não fica por aqui e à medida que nos vamos perdendo no colorido oceano de «Channel Orange» sentimos a necessidade de recuperar o início do colectivo UNKLECrack Rock»), o concentrado pop de Jamie WoonKelisLost»), o groove dos The RootsMonks»), a sensualidade de André 3000Pink Matter») e as engenharias N*E*R*D via The Beatles («Super Rich Kids»). O que nos trás então Frank Ocean de novo? Após uma mixtape em 2011, com muitas e boas razões para lhe seguirmos os passos, «Channel Orange» revela um compositor que acima de tudo assimila as heranças certas para construir um R&B contemporâneo, feito de produções alternativas e, igualmente, apelativas («Thinkin’ ‘Bout You» é irresistível). Um singer-songwriter sem medo de se expor («Bad Religion» merecia o prémio!) e danado para nos fazer balançar («I Wanna See Your Pom Poms From The Stands / Come On Come On», em «Forrest Gump»).

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Ain't No Sunshine

O último ano e meio tem sido produtivo para David Eugene Edwards (DEE) e os seus Wovenhand. No final de 2011 editaram «Black Of The Ink» (2011), um livro de 110 páginas feito com ilustrações e textos manuscritos pelo próprio DEE das suas composições Wovenhand. Trabalho acompanhado por um EP com novas versões para seis canções da banda, cada uma retirada de um dos seus seis álbuns de originais. Já este ano entregaram-nos «Live At Roepaen», CD e DVD que nos dá a possibilidade de ver e ouvir os Wovenhand no altar de uma velha igreja, em Ottersum, Holanda, a pregar os ensinamentos alternative country rock bíblico de DEE. Actuação registada a 14 de Dezembro de 2010, uma semana depois da passagem dos norte-americanos pelo Santiago Alquimista, a 7 de Dezembro. Mais recentemente foi revelado «The Laughing Stalk», o sétimo disco de originais e, muito provavelmente, o mais pesado da banda de Denver, Colorado. Dez anos passaram desde a estreia com «Woven Hand», mas DEE continua a inspirar-se nas liturgias do Velho e do Novo Testamento para compor as suas celebrações sagradas («King O King» e «Maize» parecem rituais xamânicos). Pascal Humbert, um dos membros fundadores dos Sixteen Horsepower, voltou a deixar DEE e novos membros foram recrutados (Gregory Garcia Jr. para o baixo e Chuck French para a segunda guitarra). No entanto, a música mantém a sua identidade folk e temperamento rock progressivo, seguindo de perto os sombrios ambientes Joy Division, a densidade Mark Lanegan Vs. Nick Cave e a veemência Tool (em 2010 os Wovenhand andaram em digressão com a banda de Maynard James Keenan). Visões apocalípticas e cânticos religiosos que DEE continua a apregoar com a sua banda de suporte. Música intensa que será abençoada pelos crentes habituais.

sábado, 15 de dezembro de 2012

Ansiedade da influência

Diz-se que são os novos Radiohead. Os Alt-J (D) são britânicos e apostam numa sonoridade indie rock, com aromáticas ligações às electrónicas, mas a sua música não tem nada de Radiohead. Identificamos as texturas rock e o engenho indie, mas as electrónicas e as suas distintas cadências folk acabam por aproximar este quarteto mais da sedução hipnotizante Wild Beasts (ouçam-se «Intro» e «Taro») e das irresistíveis harmonias Fleet Foxes. Aproximações de louvar, registe-se, que se dispõem ao lado do universo The Good, The Bad & The Queen. Projecto britânico que, entre 2005 e 2007, reuniu o génio de Damon Albarn, as ideias rítmicas de Tony Allen, as vivências Paul Simonon, o shoegazing Simon Tong e as engenharias Danger Mouse. Os Alt-J são tudo isto, mas ainda condimentam as suas canções com a frescura pop Vampire WeekendDissolve Me») e a eloquência The xxMS» e «Bloodflood»). Influências e mais influências que ganham força nas vocalizações esquizofrénicas e sombrias de Joe Newman («Fitzpleasure» é paradigmática). Voz que pode causar a mesma estranheza da descoberta Clap Your Hands Say Yeah (voz de Alec Ounsworth), ou mesmo dos The Smashing Pumpkins (Billy Corgan). A conjugação de todos estes dados conferem um aspecto experimental e/ou desafiador às composições dos Alt-J. Daí as comparações aos Radiohead? Tudo leva a crer que sim. Por isso, é perfeitamente natural este entusiasmo em ouvir novas canções Alt-J. Temas como «Breezeblocks», «Something Good», «Tessellate», «Matilda» e «Fitzpleasure», incluídos no debut álbum «An Awesome Wave», a isso nos obriga.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Dirty Projectors | Offspring Are Blank

Os Dirty Projectors têm novo vídeo. «Offspring Are Blank» é o tema que abre «Swing Lo Magellan», o excelente disco que a banda norte-americana editou em 2012. O vídeo é retirado do documentário «Hi Custodian», outro projecto de 2012 dos Dirty Projectors.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Ekstasis

Numa altura em que as listas de final de ano começam a mostrar-se, «Ekstasis», a proposta de 2012 da norte-americana Julia Holter, devia ao menos ficar reconhecido como o disco mais desafiante do ano. Música de câmara e alma etérea que tanto procura o repto pop Arthur Russell, em universos “Lynchianos”, como a experimentação Laurie Anderson e a elegância Julianna Barwick. Elementos que fogem do formato pop mais standard, mas que nos abrem novos caminhos para a música contemporânea. «Ekstasis» é uma continuação natural do debut álbum «Tragedy», de 2011. Aliás, julgo ser impossível falar de «Ekstasis» sem olhar para a extraordinária “tragédia grega” que Julia Holter nos ofereceu no ano passado (outra descoberta deste ano de 2012). O facto é que os discos acabam por complementar-se. Além da evidente familiaridade artística, «Tragedy» é inspirado na peça «Hipólito», de Eurípides, e o título «Ekstasis» é um termo grego para identificar um estado de espírito conflituoso (“fora de si mesmo”).
Ambos os discos são feitos de texturas celestes, misturando electónicas com elementos clássicos e outros mais pop. «Tragedy» é uma obra densa e negra e «Ekstasis» um disco mais acessível. Música atmosférica e de definições híper-sónicas que deixa marcas e mostra-nos uma saída avant-garde para a pop dos dias de hoje.

Allelujah, Allelujah!

«Allelujah! Don’t Bend! Ascend!», o novo álbum dos Godspeed You! Black Emperor (GY!BE), surge dez anos após «Yanqui U.X.O.» e numa altura em que já nos tínhamos habituado à ausência da banda canadiana. É certo que o colectivo regressou aos concertos em 2010, mas até à edição do disco nada previa a edição discográfica. No entanto, o que realmente interessa é que os GY!BE estão de regresso e continuam em grande forma. O novo disco é composto por quatro temas, sendo que «Mladic» e «We Drift Like Worried Fire», os mais extensos, resultam de regravações de «Albanian» e «Gamelan», duas peças que a banda apresenta ao vivo desde 2003. A música dos GY!BE continua visceral e instrumental. Não há poesia. Não há “cantorias”. Não há palavras mansas. O som é cru e ainda bem. Foi assim que me seduziram em 2000, com o estrondoso duplo álbum «Lift Yr. Skinny Fists Like Antennas to Heaven!» e é do mesmo modo que me continuam a aquecer com este «Allelujah! Don’t Bend! Ascend!». «Mladic» é um dos temas mais pesados e igualmente mais persuasivos dos GY!BE. Rock rude, construído em crescendo, com samples a evocar o genérico da série «Homeland» e uma secção de cordas a levar-nos até ao Médio Oriente. «Their Helicopters' Sing» resulta quase como um carregar de baterias, um interlúdio feito de feedback que nos permite enfrentar mais vinte minutos de riffs e percussões em modo montanha russa, em «We Drift Like Worried Fire». «Strung Like Lights At Thee Printemps Erable», o último momento do disco, é já a fase de descontracção e dos alongamentos. Os GY!BE continuam, portanto, a ser um oásis na música actual. Constroem temas a partir de ondas sonoras, turbilhões de riffs e muito feedback. Musicam um deserto áspero e procuram adicionar-lhe elementos políticos, propagando, ainda que de forma controlada, uma anarquia musical difícil de simular. Os GY!BE estão de regresso aos discos. Allelujah, Allelujah!

domingo, 9 de dezembro de 2012

EELS | Peach Blossom

Mark Oliver Everett, a.k.a. E, prepara-se para editar mais um disco da saga EELS. «Wonderful, Glorious» chega às lojas em Fevereiro de 2013 e este «Peach Blossom» é o seu single de apresentação. O vídeo é realizado por Andrew Van Baal.

sábado, 8 de dezembro de 2012

M83 | Wait

«Hurry Up, We're Dreaming», o extraordinário trabalho do projecto M83, editado em 2011, tem novo vídeo. «Wait» é a terceira e última parte da parceria visual com a dupla de realizadores Fluer & Manu. Trilogia composta pelos vídeos de «Midnight City», «Reunion» e este «Wait».

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Glamorous Indie Rock And Roll

Qual é a banda, qual é ela, que mistura na perfeição o rock psicadélico de finais de 60 e inícios de 70, com a pop distinta The Beatles, cadências The Beach Boys e os sonhos prog-rock contemporâneos The Flaming Lips e MGMT? A solução para este enigma melómano é Tame Impala. Banda australiana que editou, em 2010, o soberbo álbum de estreia «Innerspeaker» e regressou este ano aos discos com o não menos espectacular «Lonerism». O novo trabalho volta a contar com as engenharias dream-pop de Dave Fridmann e, só por isso, parte do meu entusiamo fica explicada. No entanto, e depois de ouvir «Lonerism», concluo, uma vez mais, que estes Tame Impala são mesmo muito bons. Kevin Parker, o compositor, cantor e produtor, volta a construir texturas densas (ouça-se «Why Won't They Talk to Me?»), canções glam rockElephant», o primeiro single, fica a meio caminho entre o stoner rock dos Queens Of The Stone Age e o psicadelismo da fase «Abbey Road» dos The Beatles) e melodias extremamente sedutoras («Feels Like We Only Go Backwards», outro single, é rock lânguido, mas irresistível). Neo-psychedelia com perfume aussie-pop? Por que não. O certo é que «Lonerism» é uma das melhores propostas rock da actualidade e um dos discos mais importantes de 2012.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Natasha

É com «Lilies», uma belíssima canção que pisca o olho às definições sombrias This Mortal Coil, que Natasha Khan, a singer-songwriter britânica que se apresenta como Bat For Lashes, abre «The Haunted Man». Este é o terceiro trabalho Bat For Lashes, o qual sucede aos aplaudidos «Fur And Gold» (2006) e «Two Suns» (2009), mas Natasha Khan continua a sua glamorosa viagem synth-pop pelos saudosos anos 80 (ouçam-se, por exemplo, «Oh Yeah», «Marilyn» e «A Wall»). As novas canções são mais cruas e os seus trajes mais curtos. O resultado é íntimo e afectivo, evocando nomes como Kate Bush, Tori Amos e Björk. Nada de novo, portanto. Ainda assim, «The Haunted Man» vem adicionar mais brilho ao já cintilante cancioneiro Bat For Lashes. Natasha Khan deixou cair alguns dos ornatos garridos do passado, é certo, mas as suas composições mantiveram as texturas pop e cresceram. «Laura», o primeiro single, pode não ter a sofisticação de «Daniel» (o single que apresentou o anterior «Two Suns»), mas o seu tom pessoal e nostálgico dá-lhe a força suficiente para ser uma das canções mais fortes de 2012. E se «All Your Gold», o segundo single, tem o groove necessário para se relacionar com as anteriores propostas discográficas do projecto, «Rest Your Head», um provável single, mostra-nos que as cadências mais dançáveis não ficam esquecidas. Assombroso, melancólico e sonhador. Este é «The Haunted Man», o novo disco de Bat For Lashes.

Benjamin Biolay | Aime Mon Amour

Benjamin Biolay está de regresso aos discos de originais e aos vídeos. «Vengeance» é o sexto trabalho do francês e este «Aime Mon Amour» é o seu primeiro single.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Friday night fever

Foi com «Backseat Freestyle», uma das canções mais fortes de 2012 e de «good kid, m.A.A.d city», o trabalho do rapper norte-americano Kendrick Lamar, que Adam Bainbridge, o homem que se esconde por detrás das sonoridades Kindness, decidiu incendiar o público que se apresentou na passada sexta-feira no Lux. A música Kindness não necessita de elementos extra para aquecer o quer que seja, mas ficou claro que Adam Bainbridge faz tudo para promover a sua música, como, também, os nomes que o influenciam na hora de escrever canções e criar ambientes  (directamente do seu i-pod ouviram-se Kendrick Lamar e Beyoncé). Composições orgânicas, com queda para o disco sound, sem nunca tirar os olhos do funk, da pop contemporânea e da música electrónica, com etiqueta IDM. Podemos tanto avistar as desafiantes sombras Arthur Russel, como as multifacetadas cadências Toro Y Moi, as produções Devonté «Blood Orange» Hynes, ou, mesmo, as misturas extravagantes Neon Indian. No entanto, «World, You Need A Change Of Mind», o álbum de estreia do projecto Kindness, vive da melancolia. Se em disco o francês Philippe Zdar, dos Cassius, ajudou no temperamento desses ambientes suaves e lânguidos, em palco as coisas atingem novos patamares e a melancolia parece diluída na festa musical Kindness. Foi num tom de festa de sexta-feira à noite e com o sempre apetecível espírito de banda, que Adam Bainbridge e restantes músicos nos apresentaram as suas canções melancólicas, mas dançantes. Por mais que uma vez vimos Adam Bainbridge juntar-se ao público para dançar e incentivar os presentes. Esta foi uma das minhas melhores noites de concerto de 2012.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Com um brilhozinho nos olhos...

I must admit / I can't explain / Any of these thoughts racing / Through my brain / It's true / Baby I'm howlin' for you”. Foram estas as palavras escolhidas pelos The Black Keys para abrir o concerto no Pavilhão Atlântico. O público, que encheu a plateia, uivava pela estreia da banda de Akron, Ohio. Dan Auerbach assumia o papel de salvador do blues-rock. Porém, alguém esqueceu-se de ligar o microfone. Ouviram-se assobios e os “Nana Nana Na, Nana Nana Na” dos coros, mas Dan Auerbach não parou: “There's something wrong / With this plot / The actors here / Have not got / A clue / Baby I'm howlin' for you (...) Nana Nana Na, Nana Nana Na / Nana Nana Na, Nana Nana Na...” Ainda antes do lânguido e poderoso riff de «Next Girl», trocou-se de microfone e as coisas pareciam ter encarrilhado. No entanto, houve sempre uma sensação de desconforto quanto ao som e ao espaço. A música da dupla é grande e incendiária, mas as suas canções pedem proximidade. Factor que nunca existiu na noite da passada terça-feira. Ainda assim, os The Black Keys revelaram mestria na hora de rock n’ rollar. Apresentaram-nos algumas das melhores malhas rock dos últimos anos («Tighten Up» e «Lonely Boy» são magníficas), recuperaram os tempos mais ásperos e de garagem, com «Thickfreakness», «Girl Is On My Mind» e «Your Touch», mostraram estar no auge da sua popularidade com novos sucessos (impressionante o feedback do público a temas como «Little Black Submarines», «Dead And Gone» e «Gold On The Ceiling») e ainda tiveram tempo para inflamar o ambiente com promessas de regresso. Houve espaço para um único encore, composto pelo falsete irresistível de «Everlasting Light» e o portentoso «I Got Mine». Os norte-americanos, que davam o primeiro concerto de uma digressão europeia com treze actos, cumpriram, mas não deslumbraram. Por isso, é com um brilhozinho nos olhos que continuarei à espera de ver Dan Auerbach e Patrick Carney num outro espaço da cidade, com outras condições.





sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Bright soul

Jessie Ware deu os primeiros passos na música ao lado de Aaron Jerome, o músico, produtor e DJ britânico que está por detrás do projecto SBTRKT. Se em 2010 a ouvimos no single «Nervous», em 2011 juntou-se a Sampha, o “outro” elemento da equação SBTRKT, para gravar «Valentine» e colaborou ainda com Joker (produto dubstep da 4AD) em «The Vision». Posteriormente, e ainda antes da estreia a solo com o single «Strangest Felling», participou no homónimo debut álbum dos mesmos SBTRK, emprestando a voz a um par de canções e co-escrito «Right Thing To Do». Os dados estavam lançados e, já em 2012, Jessie Ware começa a mostrar os primeiros dados de «Devotion», o álbum de estreia que chegou à rua em Agosto passado. «Running», o single de apresentação, revelava uma singer-songwriter com queda para a soul e para o smooth jazz, seguindo de perto Sade Adu e Lisa Stansfield. Seguiu-se «110%» e, a par das produções laboratoriais a la SBTRKT, vislumbrámos a interessante aproximação a Janelle Monáe, de «The ArchAndroid». «Wildest Moments», a canção que Katy Perry “promoveu” via Twitter, dando mais visibilidade a Jessie Ware, pisca o olho à definição pop dos The xx. Já «Night Light», o último single, resulta num exercício de pop sofisticada com bases R&B e na melhor sombra de Florence And The Machine. «Devotion» é soul, mas não se esgota aí. Há espaço para a pop e para o pormenor. Produções bem condimentadas e, essencialmente, canções, ou seja, a base para podermos ter um bom disco pop.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Cowboys & Aliens

Gorada a audição de «Battle Born», o último e inenarrável disco de 2012 dos norte-americanos The Killers, viro-me para «The 2nd Law», o mais recente trabalho dos britânicos Muse. O disco já deu muito que falar, devido à anunciada entrada em cena do dubstep na música da banda (dizem que por influências Skillex) e à fraquinha canção oficial dos Jogos Olímpicos de 2012 («Survival»). Percorridos os cerca de cinquenta e três minutos de «The 2nd Law», notamos a tentativa dos Muse em aproximar-se de novos mercados e novas ideias pop. Isto sem nunca perder de vista o prog-pop-rock e os Queen. «Supremacy», o tema de abertura, dispara em todas as direcções e conceitos já explorados pelos Muse, mas a sensação é a de estarmos perante uma versão cinematográfica e mais calórica de «Apocalypse Please», a extraordinária canção que abre «Absolution» (2003). Em «Madness», «The 2nd Law: Unsustainable» e «The 2nd Law: Isolated System» conferimos a referida aproximação ao mundo do dubstep, em três dos momentos mais interessantes do álbum. «Panic Station», não lhes fica atrás, recuperando um je ne sais quoi de 80, criado em torno do funk Red Hot Chili Peppers e da pop INXS. «Animals», por sua vez, cola-se à estrutura notável de «Endlessly», outra canção marcante de «Absolution», adicionando-lhe o momento alto que nunca chegou a existir em 2003. Ainda assim, «Animals» é um dos exercícios chave de «The 2nd Law». Os Muse mostram-se mais acessíveis, continuando a sua caminhada em direcção a batalhas intergalácticas, western futuristas e disputas entre o bem e o mal, em realizações, sempre triunfantes, de Matthew Bellamy.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Mama Said

«Come Home To Mama», o terceiro álbum de originais de Martha Wainwright, não é um disco fácil. «Proserpina», o seu primeiro single e a última composição conhecida de Kate McGarrigle, a Mãe de Martha e Rufus Wainwright que faleceu em Janeiro de 2010, proporciona-nos um momento raro na discografia da canadiana. O tema evoca a relação entre Mãe e Filha (Proserpina é filha de Júpiter e Ceres e é raptada por Plutão para ser sua esposa), por isso é impossível não notar a emoção que percorre na voz de Martha. A sua interpretação visceral, ainda o elemento diferenciador na música de Martha Wainwright, e as texturas clássicas da canção aproximam-na do cancioneiro do irmão Rufus. Porém, «Proserpina» parece ter sido escrita para a sua voz grave e feminina. Até esse momento, «Come Home To Mama» mantém os parâmetros habituais em Martha Wainwright, combinando construções folk com estruturas pop-rock e atitude singer-songwriter irreverente. No entanto, na segunda metade de «Come Home To Mama», Martha Wainwright perde essa postura e, apesar de nos mostrar afinidades com ferramentas mais electrónicas, em «Four Black Sheep», canções atraentes, como «Leave Behind», e confissões maternais, em «Everything Wrong», o facto é que o disco não se segura em pé. «Come Home To Mama» não desilude, mas o resultado seria bem melhor se Martha Wainwright optasse por apresentar um EP.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Best of revisitado

Se há um ano, com «Night Of Hunters», senti estarmos perante a melhor Tori Amos dos últimos dez anos, agora, com a edição de «Gold Dust», a sensação renova-se. O novo trabalho é uma celebração dos vinte anos sobre a estreia a solo de Tori Amos, com o importante «Little Earthquakes», sendo o seu formato idêntico a «Night Of Hunters». Produzido pela própria Tori Amos e com arranjos do colaborador de longa data John Philip Shenale, «Gold Dust» mantém o trabalho com a orquestra e revisita catorze canções do vasto reportório da singer-sonwriter. A ideia surgiu depois de um convite da Metropole Orkest para um concerto conjunto com o universo cancioneiro de Tori Amos. A norte-americana viu-se, então, a reinventar canções que conhecia de trás para a frente. Foi através desse processo de recriação e reinterpretação que surgiram novas imagens e novos caminhos para algumas das suas composições. Temas que vão de «Little Earthquakes» (1992) a «Midwinter Graves» (2009). Momentos que, no passado, marcaram a história discográfica de Tori Amos, voltando a fazê-lo agora, num ambiente sinfónico e mais próximo do universo do musical. Este é um dos melhores discos de Tori Amos.

domingo, 18 de novembro de 2012

The Black Keys | Little Black Submarines


Os norte-americanos The Black Keys têm novo vídeo. «Little Black Submarines» é mais um single retirado de «El Camino», o último trabalho de originais da dupla. O vídeo é realizado por Danny Clinch.

R.E.M. | Blue


Os R.E.M. anunciaram o fim da banda há mais de um ano, mas acaba de ser revelado um vídeo para «Blue». Canção que conta com a colaboração de Patti Smith e encerra o alinhamento de «Collapse Into Now», o último trabalho de originais dos norte-americanos, editado em 2011. O vídeo é realizado pelo actor James Franco.

sábado, 17 de novembro de 2012

Fragrância nova-iorquina

Há algo de empolgante e contagiante na música dos norte-americanos Yeasayer. Às primeiras audições podemos estranhar a sofisticação sonora, mas as suas composições atmosféricas e multicolor acabam sempre por se entranhar. Foi assim com o debut «All Hour Cymbals» (2007), com o seu sucessor «Odd Blood» (2010) e agora com «Fragrant World», o disco de 2012. Cada álbum tem a sua própria identidade e todos eles cresceram à medida que os formos ouvindo. O resultado não é imediato, mas é eficaz. Nem todos os temas convencem («No Bones», por exemplo, parece piscar o olho à idiossincrasia M.I.A. e às produções THEESatisfaction, mas resulta num valente tiro ao lado). No entanto, voltamos a obter daqui algumas das melhores canções pop do ano («Reagan's Skeleton», uma mistura da visão rock musculado e tribal do tempo de «All Hour Cymbals» e as electrónicas adubadas da era «Odd Blood», é excelente). A banda estica a corda mais uma vez e dá um novo e importante passo na sua discografia. Ouvem-se aproximações ao R&B (exemplos de «Henrietta» e «Devil And The Deed»), experimentações rock psicadélico («Folk Hero Shtick») e pop nova-iorquina de primeira linha («Fingers Never Bleed», «Longevity» e «Blue Paper», os três temas que abrem «Fragrant World», são extraordinários).

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Sonata de Outono

Ainda há pouco tempo aqui falei de «An Argument With Myself», o EP do sueco Jens Lekman editado em 2011. Um conjunto de cinco canções, construídas com a ligeireza singer-songwriter habitual em Jen Lekman, apostado em funcionar como aperitivo para o novo «I Know What Love Isn’t». O objectivo foi conseguido. No entanto, percebemos agora a necessidade de Jen Lekman separar as composições de «An Argument With Myself» das que compõem «I Know What Love Isn’t». Identificamos a génese crooner de Jens Lekman em ambos os registos, mas cada um vive na sua própria estação. Se no EP de 2011 nos víamos em pleno Verão, entre ritmos quentes do tropicalismo e cadências tribais, o disco agora apresentado respira melhor no Outono. Existem também momentos quentes, como «Erica America», mas as cores aqui são acinzentadas e o assunto é desgostos sentimentais. Há violinos, flautas, saxofones, harpas e pianos prontos para nos conquistar. Composições que nunca tiram os olhos da pop saborosa dos Belle & Sebastian, nem do romantismo apurado de Stephin Merritt e Neil Hannon. «I Know What Love Isn’t» não será o melhor disco de Jens Lekman, mas é mesmo assim uma boa colecção de canções pop de um dos melhores singer-songwriters do velho continente.

Beach House | Wild


Os norte-americanos Beach House têm novo vídeo. «Wild» é retirado de «Bloom», o mais recente trabalho da banda. O vídeo é realizado por Johan Reneck.

Chromatic synthpop

Não há volta a dar. «Kill For Love», o novo trabalho dos Chromatics, é um dos grandes discos de 2012 e um artigo difícil de apanhar nos escaparates de Lisboa. A banda de Portland, Oregon, continua a apostar em produções retro e texturas synthpop para compor temas lânguidos e extremamente sensuais. Canções que perseguem ecos Joy Division e New Order, mantendo, contudo, a sua identidade dream pop. Elementos que podemos encontrar, por exemplo, em «Into The Black», uma extraordinária versão de «Hey Hey, My My (Into The Black)», de Neil Young, e o tema que abre «Kill For Love». As vocalizações de Ruth Radelet, apesar de indolentes, insistem em catalisar as sedutoras produções de Johnny Jewel, o nosso guia aqui, como, também, nos projectos Glass Candy, Desire e Symmetry. O resultado é sexy e irresistível («Lady» é um dos melhores singles do ano). O álbum acaba, assim, por se revelar num valente sucessor de «Night Drive» (2007). As premissas não mudaram muito, mas a música dos Chromatics está mais apurada e completa. Se em «Night Drive» identificávamos alguns pontos altos (recordo «I Want Your Love», «Night Drive», «Tick Of The Clock» e, claro, a belíssima cover de «Running Up That Hill», original de Kate Bush), «Kill For Love» não desarma e mantém o nível elevando em todos os seus setenta e sete minutos. Há momentos serenos («Running From The Sun», «Candy» e «The River» são deliciosos), canções etéreas (ouçam-se «Lady», «Birds Of Paradise» e «There's A Light Out On The Horizon»), temas mais ligados à new-wavePage») e outros mais apostados na pop com sabor vintage Kill For Love» e «These Streets Will Never Look The Same»), episódios nineties Dust To Dust»), músicas astronáuticas («Broken Mirrors») e ainda existe tempo e espaço para menear a anca («Back From The Grave»). Um disco obrigatório, resgatado na Flur.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

www.casadecalexico.com

Agora os Calexico. Banda de Joey Burns e John Convertino, que desde os anos 90 me convence com música americana e aventuras mariachi. A história da dupla iniciou-se nos Giant Sand, outra banda de Tucson, Arizona, com queda para o alternative country, quando os músicos ainda apoiavam o mentor Howe Gelb na secção rítmica. Daí, e ainda antes de se tornarem Calexico, formaram os Friends Of Dean Martin (mais tarde Friends Of Dean Martinez, pois o comediante Dean Martin não lhes terá achado piada). Em 1997, editaram o debut álbum «Spoke», uma boa colecção de gravações caseiras, mas foi com os três trabalhos seguintes («The Black Light», «Hot Rail» e «Feast Of Wire») que Joey Burns e John Convertino se revelaram. Música com alma latina e muitos quilómetros percorridos no deserto californiano. Uma fusão que se apresentou na sua máxima força em 2003, com o soberbo «Feast Of Wire». Desde então, os Calexico editaram o aprovado EP «In The Reins» (resultado do trabalho conjunto com Iron & Wine), bandas sonoras, discos exclusivos para as suas digressões e os álbuns «Garden Ruin» (2006) e «Carried To Dust» (2008). Trabalhos que dão continuidade ao culturalismo Calexico e à mágica fusão de linguagens musicais, mas que acabaram ignorados pelo público em geral. «Algiers», a mais recente aposta da banda, tem tudo para lhes seguir os passos. Voltamos a encontrar belíssimas canções pop com travo alternative country (ouçam-se «Epic», «Para», «Hush» e «The Vanishing Mind»), momentos ora mais latinos («Splitter» e «Puerto»), ora mais folkFortune Teller»), texturas mais intensas («Sinner In The Sea» e «Maybe On Monday») e, contando que «Algiers» foi gravado em Algiers, zona de Nova Orleães, uma agradável entrada em cena do jazz local que quase parece resultar numa morna cabo-verdiana («Algiers», o tema título, é delicioso). Esperemos que este disco tenha melhor sorte.

domingo, 11 de novembro de 2012

Sufjan Stevens | Silver & Gold

Sufjan Stevens prepara-se para editar nova caixa com cinco discos de formato EP sobre o Natal. «Silver And Gold» dá seguimento ao projecto iniciado em 2006, com «Songs For Christmas». Da nova colecção de canções alusivas ao Natal já existem dois vídeos: depois de «Mr. Frosty Man», surge agora a vez de «Silver & Gold».

sábado, 10 de novembro de 2012

Baralhar e voltar a dar

Yet again we’re the only ones, No surprise this is often how it’s done”. Os Grizzly Bear, em «Yet Again», single do mais recente disco «Shields», parecem referir-se a relações interpessoais, mas é quase impossível não transportarmos os seus versos iniciais para outro contexto. Isto porque a banda de Brooklyn continua a ser um caso único na pop dos anos 2000. «Veckatimest», disco de 2009 e o ponto de viragem na história dos Grizzly Bear, mostrou ao mundo pop um grupo de músicos com um apurado sentido de melodia e o gosto pela definição sonora (o mesmo que encontramos, por exemplo, na música dos The xx). Estruturas clássicas e produções que nos permitem identificar o delicioso dedilhar da guitarra em «Sleeping Ute», os depurados arranjos de Daniel Rossen e Chris Taylor em «Speak In Rounds», «Yet Again», «A Simple Answer» e «Gun-Shy», a simplicidade de processos em «The Hunt», ou o magnífico jogo de vozes de «Yet Again» e «Sun In Your Eyes». Elementos e canções que facilmente se conectam com o brilho de «Veckatimest». Porém, «Shields» tem a sua própria força. «Sleeping Ute», o primeiro tema a ser revelado do álbum, acusa a procura de texturas clássicas, mas, também, o apreço pelos The Beatles (fase «Abbey Road»), pela atitude rock de Neil Young e psicadelismo Pink Floyd. «Speak in Rounds» aposta em trilhos Calexico e «Gun-Shy» (muito provavelmente o tema mais acessível do disco) tresanda a produções Danger Mouse, via Broken Bells. Tudo isto compactado em canções de matriz Grizzly indie Bear. Portanto, «Shields» é mais um excelente trabalho destes nova-iorquinos.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Chan Power

A vida não tem corrido de feição a Chan Marshall, a norte-americana que se esconde por detrás do título Cat Power. Se mesmo antes de «Sun», o trabalho editado este ano, a singer-songwriter se viu a braços com dificuldades financeiras e problemas de saúde, a verdade é que apresentadas as novas canções o cenário não parece ter melhorado. Ainda recentemente foi obrigada a adiar a digressão europeia devido à falta de verbas e, também, a um angioedema. Contudo, o novo álbum mostra que Chan Marshall não se deixa abater facilmente. «Sun» é o primeiro disco de originais desde «The Greatest», de 2006. «Jukebox», a entrega de 2008, era uma sequela do excelente «The Covers Record», de 2000, ou seja, uma colectânea de boas covers. Já este «Sun» é uma notável colecção de canções pop. Composições com heranças folk, mas apontadas às electrónicas e a episódios pop-rock. Momentos radiosos na discografia de Cat Power que contam com a colaboração de Philippe Zdar, dos Cassius, na mesa de misturas. Notamos, também, a presença de nomes como Jim White, o baterista dos Dirty Three, Gregg Foreman, membro dos The Delta 72 e Pink Mountaintops, e Iggy Pop. O irreverente cantor norte-americano empresta a voz em «Nothin But Time», tema de onze minutos e uma verdadeira elegia à vida e à condição humana (ao nível de um «Heroes» de David Bowie). Mas «Sun» tem mais sumo, feito do balanço e atitude conquistadora de «Ruin», das electrónicas e cadências de «Human Being» e «Manhattan», dos ares estivais de «Sun» e «3, 6, 9», do blues-rock gingão de «Silent Machine», da atitude punk-rock de «Peace And Love» e da franqueza / frontalidade singer-songwriter de «Cherokee». Enorme regresso este, de Cat Power.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Tame Impala | Feels Like We Only Go Backwards


«Feels Like We Only Go Backwards» é o segundo single a ser extraído de «Lonerism», o mais recente álbum dos australianos Tame Impala. O vídeo é realizado por Joe Pelling e Becky Sloan.

Foals | Inhaler


«Inhaler» é o primeiro avanço para o novo disco dos Foals. O terceiro álbum da banda de Oxford, sucessor do excelente «Total Life Forever» (2010), será editado em 2013, com o título «Holy Fire».

Feist | Graveyard


Leslie Feist tem um novo vídeo. «Graveyard» é retirado de «Metals», o quarto álbum de originais da canadiana, editado em 2011.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

The xx²

Continuo a minha pesquisa pela pop de 2012 e pelas recentes apostas na hora de comprar música. Faço-o, agora, com um dos produtos que mais me impressionou nos últimos tempos. Os The xx, banda de miúdos ingleses que mostram gosto pela melodia e pela definição do tempo e espaço numa canção, editaram este ano «Coexist», o seu segundo álbum e o sucessor do aplaudido «xx» (o vencedor do Mercury Prize de 2010). As espectativas eram grandes, para saber como é que o, agora, trio ia dar seguimento à fórmula que tanto nos deu e que encontra inspiração no modus operandi Young Marble Giants e sonoridades Cocteau Twins Vs. Siouxsie and the Banshees. Receita sombria e minimalista que mistura o dubstep com o R&B, explorando o jogo de voz e registo “boy meets girl”. «Coexist» é «xx»². O novo disco solidifica o minimalismo noctívago e o gosto pela definição. As suas canções são mais trabalhadas e mais focadas no pormenor. Notamos, também, algumas tentativas da banda dar novos passos. Jamie “xx” Smith introduz novos ritmos e beats que mostram os The xx num novo patamar (em «Reunion» e «Sunset» vemo-los apostados em chegar às pistas de dança). Mas o resultado volta a ser melancólico, sedutor e até viciante («Chained», «Fiction» e «Missing» são canções belíssimas). Música solene, intima e de cadência lânguida que até parece de fácil construção. E com isto os britânicos The xx seguem criando uma discografia ímpar para os dias de hoje.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

The Walkmen de volta a Lisboa


Não aprecio o espaço TMN ao Vivo. A sala é incaracterística e é habitual vermos o público dispersar-se do palco para beber um copo e pôr a conversa em dia com aquele amigo(a) que se encontra só em concertos. Ultimamente esta prática até é habitual em qualquer sala lisboeta, mas no TMN ao Vivo o local é propício a isso. Porém, com os norte-americanos The Walkmen foi diferente. A banda cedo captou a atenção («Line By Line», «The Love You Love» e «Heartbreaker», temas do mais recente disco «Heaven», assim o obrigaram na abertura do concerto), desfilando energia e magia no malfadado palco do TMN ao Vivo. O som, regularmente mau para aquela sala, esteve no ponto certo (há sempre uma primeira vez). O público deixou a conversa para o fim e, assim, pudemos desfrutar de algumas das melhores canções da discografia dos The Walkmen. Das composições mais serenas como são «Line By Line», «Woe Is Me» e «I Lost You», passando pelas suas canções mais conhecidas (julgo já ser impossível para a banda não apresentar «The Rat» e «In The New Year»), algumas preferências pessoais («All Hands And The Cook» e «We Can’t Be Beat») e acabando nos temas de balanço e matriz The Walkmen como são «On The Water», «Blue As Your Blood», «Dónde Está La Playa», «Heaven» «Everyone Who Pretend To Like Me Is Gone» e «Another One Goes By» (original dos Mazarin e uma verdadeira pérola incluída em «A Hundred Miles Off», de 2006). Enfim, este foi mais um excelente concerto de um grupo excepcional de músicos, facto que fica evidenciado ainda mais no formato live. Foi preciso ver os The Walkmen no TMN ao Vivo para mudar a opinião quanto àquele espaço. Abençoada banda! Louvadas canções!

sábado, 3 de novembro de 2012

And the Mercury Prize goes to...


Os Alt-J (∆) são os grandes vencedores da edição 2012 do Mercury Prize. «An Awesome Wave», o debut álbum da banda de Leeds, ganhou a corrida a discos como «Home Again» de Michael Kiwanuka, «Plumb» dos Field Music, «Given To The Wild» dos The Maccabees, «Django Django» dos Django Django e «Devotion» de Jessie Ware.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Ghost Rider

George Lewis Jr. regressou a Lisboa para apresentar «Confess», o último álbum do seu projecto de canções Twin Shadow. O disco tem saciado o apetite pop por estes lados, com irresistíveis ambientes de tempero eighties e referências new wave Vs. synthpop Vs. post-rock. Composições que piscam o olho à power pop, mantendo a alma indie do álbum de estreia «Forget», de 2010. Uma evolução proveitosa que me levou ao MusicBox para rever a versão live de Twin Shadow e desfrutar das novas canções ao vivo (pena a ausência de «Mirror In The Dark» e «Changes»). No entanto, e depois de feita a festa, a sensação que fica é muito idêntica à de Maio de 2011, aquando da passagem do projecto pela cave da discoteca Lux. Apesar da fórmula eficaz com que George Lewis Jr. cria o mundo Twin Shadow, o facto é que esses episódios parecem perder força em palco. A banda revela (ainda) alguma falta de “estrada” e/ou ordem, o excelente compositor expõe fraquezas na hora de cantar e o espírito party rock peca por excessivo. Twin Shadow parece adoptar uma postura excessivamente despreocupada e ociosa. O resultado é cool, mas a música fica uns pontos abaixo do estado registado em disco. Notou-se, assim, e pela segunda vez, que o segredo da atracção Twin Shadow mora no estúdio e no trabalho de laboratório de produção. Quanto ao formato live, o produto final é despretensioso, cool e cheio de energia, mas por que não adicionar-lhe uma pitada de sobriedade?

sábado, 27 de outubro de 2012

“Foi tão bom para ti como foi para mim”



Já no terceiro e último encore, e num tom quase de desafio, Manel Cruz exalta “Deus nos guie para a luz / porque eu não creio ser capaz / qual de nós vai ter uma missão / tu tens a vida que eu quis ter / eu, eu não / pára-me agora”. Os Ornatos Violeta consumavam o primeiro de três concertos no Coliseu dos Recreios (aos que se seguem outros tantos a realizar no Coliseu do Porto) e faziam-no de uma forma íntima e extraordinariamente natural. Custa acreditar que esta banda, causa do maior caso de culto na música portuguesa, esteja separada dos palcos e dos discos desde 2001. No entanto, e apesar do hiato de mais de dez anos, a música dos Ornatos Violeta nunca nos deixou e isso ficou bem patente no palco do Coliseu de Lisboa. Testemunhou-se o sentido de comunidade e culto em torno da banda do Porto e das suas canções. Foi «Tempo de Nascer» a celebração, do público e da própria banda, da comunhão que vinha sendo alimentada, pela ausência, desde o início do fim dos Ornatos Violeta. O sentimento era geral e “foi tão bom” ver e ouvir todo o Coliseu a entoar “dá-me a tua mão e vamos ser alguém a vida é feita para nós!”. Raros foram os momentos, vividos naquele mesmo palco, em que o público e a banda se mostraram e colocaram no mesmo estado e comprimento de onda. Ambas as partes desfrutaram ao máximo o reencontro com «Cão!» e «O Monstro Precisa de Amigos», havendo, também, espaço para inéditos e raridades (extras à própria colectânea «Inéditos / Raridades», de 2011). Uns riram e outros emocionaram-se, mas “foi uma noite do caralho”, voltar atrás e reencontrar «Mata-me Outra Vez», «Chaga», «Coisas», «Bigamia», «Nuvem», «Ouvi Dizer», «Capitão Romance», «O.M.E.M.», «Punk Moda Funk» e «Tempo de Nascer». Lá pelo meio a banda ainda aceitou o pedido dum “tipo com tomates” para subir ao palco e tocar com a banda «Deixa Morrer», tema dedicado à Beatriz. “São só coisas”, mas “foi tão bom” ver o emocionante reencontro com os Ornatos Violeta. “O amor é isto e nada mais!



quinta-feira, 25 de outubro de 2012

M83 | Steve McQueen


«Steve McQueen» é o mais recente single do projecto M83. Canção retirada do excelente «Hurry Up, We're Dreaming», de 2011. O single é editado só a 25 de Novembro, mas o vídeo já foi divulgado. Realização a cargo de Balthazar Auxietre & Sylvain Derosne.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Animal Hz

Os Animal Collective também editaram novo álbum este ano. «Centipede Hz» sucede ao hype criado em torno da banda e do soberbo «Merriweather Post Pavillion», de 2009. De facto, e apesar dos norte-americanos editarem discos desde 2000, só há dois anos, com o tal «Merriweather Post Pavillion», é que conseguiram a atenção merecida. Acabaram referenciados em todas as listas de final de ano com uma das obras incontornáveis de 2009. Seguiu-se a exposição global e, pasme-se, a nomeação para os Brit Awards, na categoria de revelação. Pelo caminho registaram-se experiências psycho-folk, noise rock, dream pop, freak folk, indie rock, melodic neo-psychedelia, indie pop e alguns dos melhores álbuns dos anos 00 (destaco «Sung Tungs», de 2004, e «Feels», de 2005). Música urbana que vive da experimentação e da adição de elementos novos e menos óbvios no universo pop. «Centipede Hz» mostra que momentos musicais cativantes continuam a emergir das jam sessions de Avey Tare, Panda Bear, Geologist e Deakin (este último de regresso ao colectivo depois de um hiato entre 2009 e 2011). Ouçam-se, por exemplo, «Today’s Supernatural», «Applesauce», «New Town Burnout», «Moonjock», ou «Monkey Riches». Notamos uma ligeira aproximação à “banda a quatro” do passado, fase pelos vistos ignorada, mas igualmente imbatível. Confirma-se: os Animal Collective são uma das grandes forças criativas da pop contemporânea.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Depois de Lisboa, o Céu

Aquando da edição de «Lisbon» (2010) os The Walkmen falaram dum período menos bom da banda e anterior ao lançamento do disco, o qual acabou por ser superado, em parte, por duas bem sucedidas passagens por Lisboa: em Dezembro de 2008, para o ano zero do Super Bock em Stock, e em Julho de 2009, no Super Bock Super Rock. Ao que parece, os músicos chegaram mesmo a pôr em causa a continuidade da banda. Hoje, e depois de editado «Lisbon», o antídoto para a dissensão, e «Heaven», o sétimo álbum dos norte-americanos, só podemos continuar a ouvir os The Walkmen. Há magia na música destes nova-iorquinos. Canções que mostram afeição pela história da música norte-americana e ganham brilho com a impressionante entrega do vocalista Hamilton Leithauser, ainda mais evidente em concerto. Aviso: se ainda não viu os The Walkmen em concerto, faça um favor a si mesmo e assista a uma prestação da banda (4 de Novembro, no Coliseu dos Recreios). «Heaven», o trabalho de 2012, pode não ter a mesma urgência de «The Rat» ou «In The New Year». Os The Walkmen parecem mesmo estar mais calmos e complacentes com as suas composições. A banda amadureceu, num processo proveitoso. Perdeu-se alguma electricidade, mas ganharam-se melodias e canções deliciosas, como são exemplo «We Can’t Be Beat», «Heartbreaker», «Southern Heart», «Love Is Luck», «The Love You Love» e, claro, «Heaven».