Se em 2011 os Wolf Parade anunciaram uma paragem por tempo incerto, já este ano ficámos a saber que tanto os Wolf Parade, como os Handsome Furs, dois projectos do canadiano Dan Boeckner, chegaram mesmo ao fim. No entanto, o cantor, compositor e guitarrista, rock ‘n’ roller incapaz de ficar quieto, logo seguiu caminho com os Divine Fits, um projecto que havia esboçado com o não menos inquieto Britt Daniel, dos Spoon. Chamaram Sam Brown, baterista dos New Bomb Turks, e seguiram para estúdio, em Los Angeles, com o produtor Nick Launay e o músico Alex Fischel para gravar as composições de Britt Daniel e Dan Boeckner. As gravações decorreram entre Março e Maio de 2012 e o resultado foi o excelente debut álbum «A Thing Called Divine Fits». Onze canções frescas e de alma rock adubadas por indiegente com queda para a pop. Mas o que mais me agrada nestes Divine Fits é poder encontrar as cadências e as texturas menos óbvias dos Spoon («Flaggin’ A Ride», «Would That Not Be Nice») misturadas com a exuberância dos Wolf Parade («What Gets You Alone», «Baby Get Worse») e o revivalismo dos Handsome Furs («My Love Is Real», «For Your Heart»), sem deixar de sentir a frescura e a novidade de ouvir as fabulosas canções da nova banda de Britt Daniel e Dan Boeckner.
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domingo, 23 de dezembro de 2012
Where I End and You Begin
Se em 2011 os Wolf Parade anunciaram uma paragem por tempo incerto, já este ano ficámos a saber que tanto os Wolf Parade, como os Handsome Furs, dois projectos do canadiano Dan Boeckner, chegaram mesmo ao fim. No entanto, o cantor, compositor e guitarrista, rock ‘n’ roller incapaz de ficar quieto, logo seguiu caminho com os Divine Fits, um projecto que havia esboçado com o não menos inquieto Britt Daniel, dos Spoon. Chamaram Sam Brown, baterista dos New Bomb Turks, e seguiram para estúdio, em Los Angeles, com o produtor Nick Launay e o músico Alex Fischel para gravar as composições de Britt Daniel e Dan Boeckner. As gravações decorreram entre Março e Maio de 2012 e o resultado foi o excelente debut álbum «A Thing Called Divine Fits». Onze canções frescas e de alma rock adubadas por indiegente com queda para a pop. Mas o que mais me agrada nestes Divine Fits é poder encontrar as cadências e as texturas menos óbvias dos Spoon («Flaggin’ A Ride», «Would That Not Be Nice») misturadas com a exuberância dos Wolf Parade («What Gets You Alone», «Baby Get Worse») e o revivalismo dos Handsome Furs («My Love Is Real», «For Your Heart»), sem deixar de sentir a frescura e a novidade de ouvir as fabulosas canções da nova banda de Britt Daniel e Dan Boeckner.
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sábado, 27 de fevereiro de 2010
2010 | Viagens à tasca em período de férias I
Como não podia deixar de acontecer, o meu recente retiro ao estrangeiro serviu, entre outras coisas, para efectuar algumas pesquisas tasqueiras. A primeira paragem foi em Genebra, naquela que foi a minha terceira visita e a mais curta de todas. Ora, entre o obrigatório passeio pelas margens do Lac Léman e a curiosidade em descobrir as maiores diferenças entre a Genebra dos dias que correm com a Genebra de 2007 (ano da minha última visita), decidi ir até à Rue de Rive e uma das FNAC genebrinas. Calhou bem, pois a neve tanto ameaçou que acabou por aparecer.
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Lac Lemán.
Aviso já que os discos na Suíça continuam mais baratos que em Portugal. É algo que me faz algumas confusão, mas quem sou eu para dizer o que seja. No que diz respeito à colheita, esta ficou marcada pelos mais recentes álbuns dos norte-americanos Spoon e EELS, e pelos últimos trabalhos dos Fanfarlo, Goldfrapp, Joseph Arthur e Death Cab For Cutie.
Aviso já que os discos na Suíça continuam mais baratos que em Portugal. É algo que me faz algumas confusão, mas quem sou eu para dizer o que seja. No que diz respeito à colheita, esta ficou marcada pelos mais recentes álbuns dos norte-americanos Spoon e EELS, e pelos últimos trabalhos dos Fanfarlo, Goldfrapp, Joseph Arthur e Death Cab For Cutie.
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A viagem inicia-se ao som dos Fanfarlo, banda sedeada em Londres e arquitectada pelo sueco Simon Balthazar. Convém esclarecer que a sonoridade destes Fanfarlo é bastante familiar. Porquê? Primeiro porque é fortemente influenciada pelos saudosos Neutral Milk Hotel e pelos canadianos Arcade Fire («I’m A Pilot» parece uma sequela de «Une Année Sans Lumière», de «Funeral», e «Drowning Men» podia, perfeitamente, ser um tema de Win Butler). Segundo, porque a banda percorre os trilhos indie de Zach «Beirut» Condon (ouçam-se, por exemplo, «Ghosts» e «The Walls Are Coming Down»), dos norte-americanos Okkervil River («Comets» e «Fire Escape» podiam, muito bem, surgir no alinhamento final de «The Stage Names») e dos Clap Your Hands Say Yeah. No entanto, e para o nosso próprio bem, encontramos, aqui e ali, pequenos aromas eighties. «Luna», por exemplo, recupera a energia de «Dancing In The Dark», de Bruce Springsteen, e «Harold T. Wilkins, Or How To Wait For A Very Long Time» respira a mesma energia que David Byrne conferia à música dos Talking Heads. Em suma, «Reservoir» não nos traz nada de novo, mas a música é boa e o resultado é bastante satisfatório. Fica, igualmente, a curiosidade de ver como funcionam as músicas ao vivo.
A viagem inicia-se ao som dos Fanfarlo, banda sedeada em Londres e arquitectada pelo sueco Simon Balthazar. Convém esclarecer que a sonoridade destes Fanfarlo é bastante familiar. Porquê? Primeiro porque é fortemente influenciada pelos saudosos Neutral Milk Hotel e pelos canadianos Arcade Fire («I’m A Pilot» parece uma sequela de «Une Année Sans Lumière», de «Funeral», e «Drowning Men» podia, perfeitamente, ser um tema de Win Butler). Segundo, porque a banda percorre os trilhos indie de Zach «Beirut» Condon (ouçam-se, por exemplo, «Ghosts» e «The Walls Are Coming Down»), dos norte-americanos Okkervil River («Comets» e «Fire Escape» podiam, muito bem, surgir no alinhamento final de «The Stage Names») e dos Clap Your Hands Say Yeah. No entanto, e para o nosso próprio bem, encontramos, aqui e ali, pequenos aromas eighties. «Luna», por exemplo, recupera a energia de «Dancing In The Dark», de Bruce Springsteen, e «Harold T. Wilkins, Or How To Wait For A Very Long Time» respira a mesma energia que David Byrne conferia à música dos Talking Heads. Em suma, «Reservoir» não nos traz nada de novo, mas a música é boa e o resultado é bastante satisfatório. Fica, igualmente, a curiosidade de ver como funcionam as músicas ao vivo..
A segunda aposta recaiu sobre «The Open Door EP» (2009), dos Death Cab For Cutie. Confesso que me aventurei na discografia dos Death Cab For Cutie há relativamente pouco tempo. Fui convivendo, ao longo dos anos, com algumas canções de Ben Gibbard e companhia, mas nunca tive a curiosidade em aprofundar muito mais que isso. Todavia, um pequeno comentário de um amigo bastou para dar o primeiro passo e descobrir alguns dos discos mais simpáticos dos últimos doze anos. Contudo, o meu álbum favorito do universo que rodeia os Death Cab For Cutie continua a ser «Given Up» dos The Postal Service, o projecto mais «electró-doce» do vocalista e letrista Ben Gibbard. Quanto a este «The Open Door EP», editado pouco tempo depois de «Narrow Stairs», o muito contestado sexto álbum da banda norte-americana, e pouco tempo antes da exposição excessiva da banda com o tema principal da banda sonora vampírica de «New Moon», o disco é composto por temas que não encaixaram no alinhamento final de «Narrow Stairs». Atenção, não estamos perante uma colecção de lados-b, mas antes de uma colecção de canções que, mantendo a marca de qualidade dos Death Cab For Cutie, não respiravam as mesmas angústias que as canções que integraram «Narrow Stairs». São, assim, temas mais entusiásticos e mais upbeat (à excepção da versão demo de «Talking Bird») que justificaram a edição deste EP, acabando por resultar muito bem.
A segunda aposta recaiu sobre «The Open Door EP» (2009), dos Death Cab For Cutie. Confesso que me aventurei na discografia dos Death Cab For Cutie há relativamente pouco tempo. Fui convivendo, ao longo dos anos, com algumas canções de Ben Gibbard e companhia, mas nunca tive a curiosidade em aprofundar muito mais que isso. Todavia, um pequeno comentário de um amigo bastou para dar o primeiro passo e descobrir alguns dos discos mais simpáticos dos últimos doze anos. Contudo, o meu álbum favorito do universo que rodeia os Death Cab For Cutie continua a ser «Given Up» dos The Postal Service, o projecto mais «electró-doce» do vocalista e letrista Ben Gibbard. Quanto a este «The Open Door EP», editado pouco tempo depois de «Narrow Stairs», o muito contestado sexto álbum da banda norte-americana, e pouco tempo antes da exposição excessiva da banda com o tema principal da banda sonora vampírica de «New Moon», o disco é composto por temas que não encaixaram no alinhamento final de «Narrow Stairs». Atenção, não estamos perante uma colecção de lados-b, mas antes de uma colecção de canções que, mantendo a marca de qualidade dos Death Cab For Cutie, não respiravam as mesmas angústias que as canções que integraram «Narrow Stairs». São, assim, temas mais entusiásticos e mais upbeat (à excepção da versão demo de «Talking Bird») que justificaram a edição deste EP, acabando por resultar muito bem..
Seguimos com os britânicos Goldfrapp e a segunda edição especial do último álbum de originais «Seventh Tree». Anunciado como o disco que recupera a melancolia bucólica do debut «Felt Mountain» (um dos meus álbuns favoritos), «Seventh Tree» acabou por dividir opiniões. O certo é que a banda já veio revelar que o próximo trabalho será, uma vez mais, baseado nas electrónicas. Facto que não sendo necessariamente mau, me deixa um pouco desgostoso. Isto, porque pertenço à facção que reivindica a fase folk trip-hop como a melhor dos Goldfrapp. Razão pela qual capitulei por completo ao ouvir os primeiros temas de «Seventh Tree». Se «Clown» é a canção perfeita para ouvir num conturbado domingo de manhã e na companhia de Vashti Bunyan, «Little Bird» oferece-nos uma visão acústica e um pouco mais leve do negrume de uns This Mortal Coil e Cocteau Twins. No entanto, depois do expansivo «Happiness» (canção que pode pecar por ser alegre demais) e do persuasivo «Road To Somewhere» (a recordar o melhor do britânico Craig Armstrong), o disco parece accionar o piloto automático. «Eat Yourself» percorre os mesmos caminhos de «Clown»; «A&E» é um autêntico três em um de «Little Bird», «Happiness» e «Road To Somewhere»; e «Caravan Girl» parece um clone de, mais uma vez, «Happiness». Por sua vez, exibindo-se como um autêntico outsider, «Cologne Cerrone Houdini» sugere uma interessante visão dos franceses Air ao lado de Neil Hannon para o clássico dos Goldfrapp «Pilots». Isto tudo para dizer que «Seventh Tree» tem o condão de nos abrir o apetite, mas que acaba por nos deixar a pão e água. Para condimentar um pouco a presente edição, o álbum vem acompanhado de um DVD repleto de vídeos e de actuações ao vivo.
Seguimos com os britânicos Goldfrapp e a segunda edição especial do último álbum de originais «Seventh Tree». Anunciado como o disco que recupera a melancolia bucólica do debut «Felt Mountain» (um dos meus álbuns favoritos), «Seventh Tree» acabou por dividir opiniões. O certo é que a banda já veio revelar que o próximo trabalho será, uma vez mais, baseado nas electrónicas. Facto que não sendo necessariamente mau, me deixa um pouco desgostoso. Isto, porque pertenço à facção que reivindica a fase folk trip-hop como a melhor dos Goldfrapp. Razão pela qual capitulei por completo ao ouvir os primeiros temas de «Seventh Tree». Se «Clown» é a canção perfeita para ouvir num conturbado domingo de manhã e na companhia de Vashti Bunyan, «Little Bird» oferece-nos uma visão acústica e um pouco mais leve do negrume de uns This Mortal Coil e Cocteau Twins. No entanto, depois do expansivo «Happiness» (canção que pode pecar por ser alegre demais) e do persuasivo «Road To Somewhere» (a recordar o melhor do britânico Craig Armstrong), o disco parece accionar o piloto automático. «Eat Yourself» percorre os mesmos caminhos de «Clown»; «A&E» é um autêntico três em um de «Little Bird», «Happiness» e «Road To Somewhere»; e «Caravan Girl» parece um clone de, mais uma vez, «Happiness». Por sua vez, exibindo-se como um autêntico outsider, «Cologne Cerrone Houdini» sugere uma interessante visão dos franceses Air ao lado de Neil Hannon para o clássico dos Goldfrapp «Pilots». Isto tudo para dizer que «Seventh Tree» tem o condão de nos abrir o apetite, mas que acaba por nos deixar a pão e água. Para condimentar um pouco a presente edição, o álbum vem acompanhado de um DVD repleto de vídeos e de actuações ao vivo..
Chegamos ao norte-americano Joseph Arthur e a um dos casos mais «disformes» da discografia lá de casa. Singer-songwriter de eleição, descoberto pela editora de Peter Gabriel em meados dos anos 90, que viveu a sua época dourada entre 1997 e 2004. Período em que gravou os seus melhores trabalhos e teve a oportunidade de andar em digressão com nomes como Peter Gabriel, Ben Harper (concerto que passou pelo Coliseu de Lisboa), Gomez e R.E.M. (espectáculo ao qual tive a felicidade de assistir, no Pavilhão Atlântico). Foi com base nessas digressões que Joseph Arthur foi cimentando a sua posição junto dos melómanos mais atentos. Quatros excelentes álbuns depois, Joseph Arthur cria a sua própria editora e perde-se no que poderemos classificar como a sua própria «liberdade artística». Sem rei, mas com muito rock psicadélico à mistura, a música de Joseph Arthur, já na companhia da sua nova banda The Lonely Astronauts, foi revelando-se cada vez menos apelativa (ainda alguém se lembra do inenarrável «Let’s Just Be», de 2007?). Assimetria que não se mostra muito neste «Temporary People», mas que acaba por pairar sobre as suas canções. Canções que perseguem o mestre Bob Dylan, mas que ainda assim se perdem em alguns devaneios «artísticos» de Joseph Arthur. Existem, contudo, algumas canções dignas de nota, como são os casos de «Temporary People», «Heart’s A Soldier», «Faith», «Turn You On» ou mesmo «Good Friend», mas é muito pouco para o tanto que Joseph Arthur já mostrou.
Chegamos ao norte-americano Joseph Arthur e a um dos casos mais «disformes» da discografia lá de casa. Singer-songwriter de eleição, descoberto pela editora de Peter Gabriel em meados dos anos 90, que viveu a sua época dourada entre 1997 e 2004. Período em que gravou os seus melhores trabalhos e teve a oportunidade de andar em digressão com nomes como Peter Gabriel, Ben Harper (concerto que passou pelo Coliseu de Lisboa), Gomez e R.E.M. (espectáculo ao qual tive a felicidade de assistir, no Pavilhão Atlântico). Foi com base nessas digressões que Joseph Arthur foi cimentando a sua posição junto dos melómanos mais atentos. Quatros excelentes álbuns depois, Joseph Arthur cria a sua própria editora e perde-se no que poderemos classificar como a sua própria «liberdade artística». Sem rei, mas com muito rock psicadélico à mistura, a música de Joseph Arthur, já na companhia da sua nova banda The Lonely Astronauts, foi revelando-se cada vez menos apelativa (ainda alguém se lembra do inenarrável «Let’s Just Be», de 2007?). Assimetria que não se mostra muito neste «Temporary People», mas que acaba por pairar sobre as suas canções. Canções que perseguem o mestre Bob Dylan, mas que ainda assim se perdem em alguns devaneios «artísticos» de Joseph Arthur. Existem, contudo, algumas canções dignas de nota, como são os casos de «Temporary People», «Heart’s A Soldier», «Faith», «Turn You On» ou mesmo «Good Friend», mas é muito pouco para o tanto que Joseph Arthur já mostrou..
Os EELS e o mais recente «End Times» também marcaram presença nesta minha recente passagem por Genebra. Depois do conceptual «Hombre Lobo», o disco composto por doze canções sobre o desejo, Mark Oliver Everett não perdeu tempo e compôs mais um álbum que vai direito ao coração de todos os seus fervorosos seguidores. Canções simples e tremendamente eficazes que abraçam a melancolia em forma de lullabies («The Beginning»). É certo que a síndrome «patinho feio» já começa a cansar, mas haverá forma de resistir a canções como «Little Bird», «I Need A Mother», «End Times» ou «On My Feet»? Desde o soberbo «Beautiful Freak» (1996) que fraquejo perante as «lamechices» pop do Senhor mais conhecido por E. Ora se «Hombre Lobo» se debruçava sobre o desejo, «End Times» relata o fim de uma qualquer relação que deixa o «narrador» de rastos. É, contudo, uma visão um tanto ao quanto desproporcionada que pode ser mal interpretada por alguns, mas o facto é que E volta a apresentar excelentes canções. Da folk, via Bruce Springsteen, em «The Beginning», ao blues rockabilly caseiro de «Gone Man» e passando pelo rock strokeano e em versão demo de «Unhinged». Um verdadeiro mimo para os habituais seguidores dos EELS, mas uma chatice do caraças para os mais cépticos. Atenção que foi editada uma edição especial e limitada de «End Times», a qual inclui um singelo EP de quatro temas, em toada mais positiva, que não mostrando nada de novo irá deliciar qualquer fã.
Os EELS e o mais recente «End Times» também marcaram presença nesta minha recente passagem por Genebra. Depois do conceptual «Hombre Lobo», o disco composto por doze canções sobre o desejo, Mark Oliver Everett não perdeu tempo e compôs mais um álbum que vai direito ao coração de todos os seus fervorosos seguidores. Canções simples e tremendamente eficazes que abraçam a melancolia em forma de lullabies («The Beginning»). É certo que a síndrome «patinho feio» já começa a cansar, mas haverá forma de resistir a canções como «Little Bird», «I Need A Mother», «End Times» ou «On My Feet»? Desde o soberbo «Beautiful Freak» (1996) que fraquejo perante as «lamechices» pop do Senhor mais conhecido por E. Ora se «Hombre Lobo» se debruçava sobre o desejo, «End Times» relata o fim de uma qualquer relação que deixa o «narrador» de rastos. É, contudo, uma visão um tanto ao quanto desproporcionada que pode ser mal interpretada por alguns, mas o facto é que E volta a apresentar excelentes canções. Da folk, via Bruce Springsteen, em «The Beginning», ao blues rockabilly caseiro de «Gone Man» e passando pelo rock strokeano e em versão demo de «Unhinged». Um verdadeiro mimo para os habituais seguidores dos EELS, mas uma chatice do caraças para os mais cépticos. Atenção que foi editada uma edição especial e limitada de «End Times», a qual inclui um singelo EP de quatro temas, em toada mais positiva, que não mostrando nada de novo irá deliciar qualquer fã..
Quanto aos texanos Spoon, depois do soberbo «Ga Ga Ga Ga Ga» (2007) e do excelente concerto na Aula Magna em Fevereiro de 2008, a banda regressa agora aos discos com «Transference». Aquele que é o sétimo álbum de originais é, também, o primeiro trabalho produzido exclusivamente por Britt Daniel e Jim Eno. É, assim, um disco à imagem dos Spoon. Canções quentes e música extremamente elegante que têm na voz peculiar de Britt Daniel o parceiro perfeito. É certo que a sonoridade da banda pode, nalgumas ocasiões, ser entendida como um verdadeiro baú de estilos e emoções. No entanto, tudo encaixa na perfeição. Razão pela qual encaro cada novo trabalho dos Spoon como um verdadeiro caleidoscópio. Uma autêntica mistura de cores que, entre outros feitos, terá influenciado bandas como os franceses Phoenix (o último «Wolfgang Amadeus Phoenix» não o pode negar). Comparando «Transference» com os seus antecessores percebemos que houve menos trabalho de estúdio. Aliás, grande parte das canções que compõe o disco é apresentada em versão demo (ouçam-se os temas «Trouble Comes Running» e «Goodnight Laura»). No entanto, a propensão dos Spoon para criarem grandes canções pop mantém-se, como comprovam «Out Go The Lights», «The Mystery Zone» ou mesmo o groove de «Nobody Gets Me But You». Encontramos, também, algumas das canções mais emocionais e/ou viscerais de Daniel, como o são «Written in Reverse» e «Got Nuffin». Dados que fazem de «Transference» mais um excelente disco dos Spoon. Razão pela qual deixo em airplay «Written In Reverse», o mais recente single da banda.
Quanto aos texanos Spoon, depois do soberbo «Ga Ga Ga Ga Ga» (2007) e do excelente concerto na Aula Magna em Fevereiro de 2008, a banda regressa agora aos discos com «Transference». Aquele que é o sétimo álbum de originais é, também, o primeiro trabalho produzido exclusivamente por Britt Daniel e Jim Eno. É, assim, um disco à imagem dos Spoon. Canções quentes e música extremamente elegante que têm na voz peculiar de Britt Daniel o parceiro perfeito. É certo que a sonoridade da banda pode, nalgumas ocasiões, ser entendida como um verdadeiro baú de estilos e emoções. No entanto, tudo encaixa na perfeição. Razão pela qual encaro cada novo trabalho dos Spoon como um verdadeiro caleidoscópio. Uma autêntica mistura de cores que, entre outros feitos, terá influenciado bandas como os franceses Phoenix (o último «Wolfgang Amadeus Phoenix» não o pode negar). Comparando «Transference» com os seus antecessores percebemos que houve menos trabalho de estúdio. Aliás, grande parte das canções que compõe o disco é apresentada em versão demo (ouçam-se os temas «Trouble Comes Running» e «Goodnight Laura»). No entanto, a propensão dos Spoon para criarem grandes canções pop mantém-se, como comprovam «Out Go The Lights», «The Mystery Zone» ou mesmo o groove de «Nobody Gets Me But You». Encontramos, também, algumas das canções mais emocionais e/ou viscerais de Daniel, como o são «Written in Reverse» e «Got Nuffin». Dados que fazem de «Transference» mais um excelente disco dos Spoon. Razão pela qual deixo em airplay «Written In Reverse», o mais recente single da banda.
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domingo, 2 de março de 2008
Ga Ga Spoon
Há coisa de uma semana e a meio de mais um fim-de-semana a trabalhar de graça lá rumei à Aula Magna para assistir à agradável e há muito esperada estreia dos texanos Spoon em Lisboa. Na bagagem, Britt Daniel e companhia traziam o excelente «Ga Ga Ga Ga Ga» e alguns excertos de outros grandes momentos da já extensa carreira discográfica dos Spoon. A sala encontrava-se a meio gás, o que em parte poderá explicar o facto de ter adquirido o tão desejado ingresso à porta do espectáculo e com uma apetecível promoção. Depois dos rotineiros acertos iniciais, o público foi acomodando-se à ideia da sala não estar cheia para receber uma das bandas mais frescas da cena indie rock norte-americana. No entanto, foram a força e o suor dos músicos que encheram a Aula Magna e aqueceram as hostes. O grande destaque foi para «Ga Ga Ga Ga Ga», sexto álbum de carreira e uma das melhores obras discográficas de 2007. «My Little Japanese Cigarette Case», «Don’t You Evah», «Rhtmn And Soul» e «Stay Don’t Go» abriram as hostilidades de um concerto repleto de energia positiva, boas vibrações, ritmos cool, muito suor e alguma intimidade. Já sabíamos que a sensualidade e elegância sonoras dos Spoon combinavam muito bem com a quente voz de Britt Daniel em disco. Ao vivo o resultado é ainda mais desconcertante, pois a entrega é total e a sedução é mais real. Temas como «I Summon You», «The Ghost Of You Lingers», «Small Stakes», «Don’t Make Me A Target», «The Way We Get By», «The Underdog», «I Turn My Camera On» e «You Got Yr. Cherry Bomb» aqueceram ainda mais a sala e alguns corpos soltaram-se, saltando do lugar e meneando-se ao som dos Spoon. Na primeira parte vimos e ouvimos Mazgani que apresentou o seu álbum de estreia «Song Of The New Heart». Depois de ter assistido à sua discreta apresentação a solo na abertura do concerto de Kurt Wagner, no Santiago Alquimista, desta vez houve espaço para a sua banda suporte e os «ventos loucos» iranianos ganharam alguma forma. Contudo, essa mesma forma vive sempre à sombra de «Grace», de Jeff Buckley. Ainda não foi desta que me convenceu..
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A fechar deixo uma gravação da passada noite de 23 de Fevereiro para o tema «Rhthm & Soul».
segunda-feira, 31 de dezembro de 2007
Viagens à tasca
Como não há duas sem três, voltamos à tasca da margem sul para repescar «Kill The Moonlight» dos Spoon e «Strawberry Jam» dos Animal Collective, uma das grandes obras de 2007.
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Já aqui expressei a minha admiração por Britt Daniel e os seus Spoon. Também já tive a oportunidade de referir que neste ano de 2007 decidi apostar um pouco mais no colectivo texano. Depois do deleite com «Ga Ga Ga Ga Ga», à primeira oportunidade e em troca de alguns euros, «Kill The Moonlight» ganhou corpo e lá apagámos os MP3 do computador. Editado em 2002, «Kill The Moonlight» é o quarto e um dos melhores álbuns dos Spoon. Composto por doze potenciais singles, Britt Daniel e companhia apresentam uma sonoridade fresca e deveras sedutora. «Small Stakes» e «The Way We Get By» (tema que «comercializou» a banda) é rock inteligente e cheio de «nervo»; «Paper Tiger» e «Back To The Life» são pop elegante e sinistra mas bem intencionada; o falsete de Daniel em «Something To Look Forward To», o swing despretensioso de «All The Pretty Girls Go To The City» e o apontamento beatbox de Daniel em «Stay Don’t Go» são momentos de puro encanto. Pelo meio ainda há espaço para momentos Pixies (ouça-se «Jonathon Fisk» e «You Gotta Feel It») e, a fechar, «Vittorio E.» numa pequena e etérea anotação de Britt Daniel. Trinta e cinco minutos de muito boa música em mais um álbum de excepção dos norte-americanos Spoon.
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Aquando do presente tropeção, os Animal Collective tinham acabado de editar «Strawberry Jam» (para ver, caro amigo, o quão atrasadas andam estas minhas divagações bloguistas). Após a minha (recente) descoberta e fascínio pelo universo paralelo Animal Collective, das amostras sucessivas que iam surgindo no YouTube à rendição perante «Person Pitch» de Panda Bear, «Strawberry Jam» era aguardado com grande ansiedade. Posição não isenta de risco, diga-se de passagem, pois quando as expectativas são altas o resultado é quase sempre diminuto. No entanto, Avey Tare, Panda Bear, Geologist e Deakin deram bem conta do recado e «Strawberry Jam» resultou num dos grandes trabalhos de 2007 (a par de «Person Pitch»). Os ambientes esquizóides regressam em força, as vocalizações únicas e extravagantes de Avey Tare estão no seu auge (ouça-se, por exemplo, «For Reverend Green») e as canções (agora sim podemos afirmar que existem canções dos Animal Colective) são o resultado perfeito de exercícios anteriores. Todavia, «Strawberry Jam», tal como qualquer outro trabalho dos Animal Collective, não é de fácil audição. Para o ouvinte habituado à construção estrofe / ponte / refrão / estrofe, esqueça «Strawberry Jam». Aliás, esqueça que alguma vez existiram os Animal Collective. Contudo, para os conhecedores deste mundo, nas agradáveis «irregularidades» sonoras de «Strawberry Jam» surge um leve romantismo, até agora desconhecido na sonoridade da banda. «Fireworks», um dos momentos mais bem conseguidos na carreira do colectivo norte-americano, é o exemplo máximo desse mesmo enfeitiço. «Cuckoo Cuckoo» e «#1» são etéreos e perfeitos para qualquer sonhador. «Peacebone» é uma mescla de sons e ambiências que culminam num rebuçado delicioso. «Chores» podia muito bem figurar na banda sonora de um filme de Emir Kusturika. «Unsolved Mysteries» é, tal como o título indica, misterioso e «Derek», a fechar, é a parada militar deste colectivo animal, é certo, mas domesticado…
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Já aqui expressei a minha admiração por Britt Daniel e os seus Spoon. Também já tive a oportunidade de referir que neste ano de 2007 decidi apostar um pouco mais no colectivo texano. Depois do deleite com «Ga Ga Ga Ga Ga», à primeira oportunidade e em troca de alguns euros, «Kill The Moonlight» ganhou corpo e lá apagámos os MP3 do computador. Editado em 2002, «Kill The Moonlight» é o quarto e um dos melhores álbuns dos Spoon. Composto por doze potenciais singles, Britt Daniel e companhia apresentam uma sonoridade fresca e deveras sedutora. «Small Stakes» e «The Way We Get By» (tema que «comercializou» a banda) é rock inteligente e cheio de «nervo»; «Paper Tiger» e «Back To The Life» são pop elegante e sinistra mas bem intencionada; o falsete de Daniel em «Something To Look Forward To», o swing despretensioso de «All The Pretty Girls Go To The City» e o apontamento beatbox de Daniel em «Stay Don’t Go» são momentos de puro encanto. Pelo meio ainda há espaço para momentos Pixies (ouça-se «Jonathon Fisk» e «You Gotta Feel It») e, a fechar, «Vittorio E.» numa pequena e etérea anotação de Britt Daniel. Trinta e cinco minutos de muito boa música em mais um álbum de excepção dos norte-americanos Spoon..
Aquando do presente tropeção, os Animal Collective tinham acabado de editar «Strawberry Jam» (para ver, caro amigo, o quão atrasadas andam estas minhas divagações bloguistas). Após a minha (recente) descoberta e fascínio pelo universo paralelo Animal Collective, das amostras sucessivas que iam surgindo no YouTube à rendição perante «Person Pitch» de Panda Bear, «Strawberry Jam» era aguardado com grande ansiedade. Posição não isenta de risco, diga-se de passagem, pois quando as expectativas são altas o resultado é quase sempre diminuto. No entanto, Avey Tare, Panda Bear, Geologist e Deakin deram bem conta do recado e «Strawberry Jam» resultou num dos grandes trabalhos de 2007 (a par de «Person Pitch»). Os ambientes esquizóides regressam em força, as vocalizações únicas e extravagantes de Avey Tare estão no seu auge (ouça-se, por exemplo, «For Reverend Green») e as canções (agora sim podemos afirmar que existem canções dos Animal Colective) são o resultado perfeito de exercícios anteriores. Todavia, «Strawberry Jam», tal como qualquer outro trabalho dos Animal Collective, não é de fácil audição. Para o ouvinte habituado à construção estrofe / ponte / refrão / estrofe, esqueça «Strawberry Jam». Aliás, esqueça que alguma vez existiram os Animal Collective. Contudo, para os conhecedores deste mundo, nas agradáveis «irregularidades» sonoras de «Strawberry Jam» surge um leve romantismo, até agora desconhecido na sonoridade da banda. «Fireworks», um dos momentos mais bem conseguidos na carreira do colectivo norte-americano, é o exemplo máximo desse mesmo enfeitiço. «Cuckoo Cuckoo» e «#1» são etéreos e perfeitos para qualquer sonhador. «Peacebone» é uma mescla de sons e ambiências que culminam num rebuçado delicioso. «Chores» podia muito bem figurar na banda sonora de um filme de Emir Kusturika. «Unsolved Mysteries» é, tal como o título indica, misterioso e «Derek», a fechar, é a parada militar deste colectivo animal, é certo, mas domesticado….
Para finalizar deixo «Fireworks» dos Animal Collective, uma das canções que marcaram o ano de 2007.
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sábado, 8 de dezembro de 2007
Viagens à tasca
Após se registar (apenas) mais um trabalho do norte-americano Ben Harper a minha procura coincidiu com as curvas de oferta de «Colossal Youth & Collected Works» dos fulminantes Young Marble Giants e «Ga Ga Ga Ga Ga» dos Spoon.
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«Colossal Youth» é um daqueles álbuns que me habituei a ver em listas dos mais qualquer coisa. De disco fundamental na era pós punk a um dos mais emblemáticos trabalhos na evolução natural do rock, os Young Marble Giants são um excelente exemplo da velha máxima «keep it simple». O minimalismo é a alma do negócio deste grupo galês, formado em Novembro de 1978 pelos irmãos Stuart e Philip Moxham e Alison Statton. Construções simples dos irmãos Moxham embaladas pela postura «naïve» e despreocupada de Ms. Statton. Foi esse o «modus operandi» seguido pelo colectivo e a principal razão para a aclamação em finais de ’70 e início dos anos ’80 e para o meu contínuo fascínio em pleno século XXI. Por mais anos que passem, «Colossal Youth» soará sempre a actual, continuando a influenciar a maior parte das bandas contemporâneas. Em pouco mais de quarenta minutos ficamos a conhecer o ADN musical do melhor dos Pixies (apesar de até lhes encontrar alguma piada, continuo a pensar que são uma das bandas mais sobrevalorizadas da história da música pop); percebemos as boas referências dadas por Kurt Cobain e Peter Buck; compreendemos algumas interpretações de temas Young Marble Giants por parte de outras bandas («Credit In The Straight World», por exemplo, é revisitado pelo grupo Hole, de Courtney Love); e depreendemos referências em outros campeonatos, caso da adopção do título do álbum para a versão internacional de «Juventude em Marcha» de Pedro Costa. Por tudo isto e muito mais, a atenta editora Domino decidiu recuperar o catálogo Young Marble Giants e numa autêntica edição deluxe lançou para os escaparates uma reedição tripla de «Colossal Youth». Ao álbum original foram adicionados os temas que integravam o single «Final Day» (editado em Junho de 1980), o E.P. «Testcard» (Março de 1981) e a compilação de demos «Salad Days» (de 2000). Mais uma vez a simplicidade marca pontos e mesmo que a grande parte das peças apresentadas não se assemelhe em nada ao formato canção, vislumbramos aqui e ali primorosos momentos pop que nunca perderão a sua vertente neopunk. No terceiro e derradeiro disco deparamo-nos com a gravação (de 1980) das famosas e saudosas «John Peel Sessions». Razões mais que suficientes para nos embrenharmos e embebedarmos ao som Young Marble Giants.
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Chegamos a «Ga Ga Ga Ga Ga» mas (e eu sei que é difícil) não nos engasguemos. Os Spoon já por cá andam há muito e julgo que não têm nada a provar. Britt Daniel é simplesmente um dos génios indie norte-americanos. Lá por casa os MP3 são mais que muitos e por variadíssimas razões neste ano de 2007 decidi apostar de uma forma mais concreta nesta banda de Austin (Texas) e vai daí gastei mais alguns euros num dos segredos mais bem guardados do indie rock contemporâneo. Formados em 1993, o primeiro LP surgiu só em 1996 («Telephono») mas o reconhecimento geral só chegou ao quarto ensaio, com «Kill The Moonlight» (de 2002). Na altura o single «The Way We Get By» obteve alguma exposição mediática, chegando a ser incluído na série «The O.C.» e em alguns outros filmes. Porém, foram «Stay Don’t Go» e «All The Pretty Girls Go To The City» que mostraram uma banda em quase estado de graça. Antes deste magnífico «Ga Ga Ga Ga Ga», os Spoon ainda se mostraram em «Gimme Fiction» (2005), álbum que incluía «I Turn My Camera On», «The Two Sides Of Monsieur Valentine» e «Sister Jack». Ora bem, «Ga Ga Ga Ga Ga» é cumulativamente um dos melhores álbuns da carreira dos Spoon e deste ano 2007. Musicalmente os Spoon poderão ser classificados como o resultado da soma folk dos Wilco, à intuição Tom Waits e à experimentação que fez história nos The Flaming Lips. «Ga Ga Ga Ga Ga» é o aperfeiçoamento dessa adição. «Don’t Make Me A Target» revela os belgas dEUS às voltas com o período «pseudojazz» de Tom Waits. A etérea «The Ghost Of You Lingers» atira os nossos problemas para trás das costas e liberta-nos do stress citadino. «You Got Yr. Cherry Bomb» inicia-se ao som dos britânicos Doves para lhe misturar pitadas Pulp num belo momento dark pop. «Don’t You Evah» pega no ritmo de «All The Pretty Girls Go To The City» e condimenta-o ao som de Beck Hansen. «Rhythm And Soul», e tal como o próprio título indica, é uma canção cheia de ritmo e alma. «The Underdog» abraça a faceta mariachi dos Calexico para libertar efusivos «Yeah!». «Finer Feelings» é a versão mais radio-friendly de Britt Daniel e companhia e «Black Like Me» recupera as construções «beatlescas» do saudoso Elliott Smith. Tudo em trinta e seis minutos de pura magia e encanto Spoon. Como extra ainda nos é oferecido o CD Bónus «Get Nice!» que compila doze faixas adicionais em vinte e três minutos de demos e divagações sonoras. «Ga Ga Ga Ga Ga» é assim mais um clássico para este ano 2007.
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Como aperitivo de mais uma viagem às tascas fica o vídeo de «The Underdog», dos Spoon.
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«Colossal Youth» é um daqueles álbuns que me habituei a ver em listas dos mais qualquer coisa. De disco fundamental na era pós punk a um dos mais emblemáticos trabalhos na evolução natural do rock, os Young Marble Giants são um excelente exemplo da velha máxima «keep it simple». O minimalismo é a alma do negócio deste grupo galês, formado em Novembro de 1978 pelos irmãos Stuart e Philip Moxham e Alison Statton. Construções simples dos irmãos Moxham embaladas pela postura «naïve» e despreocupada de Ms. Statton. Foi esse o «modus operandi» seguido pelo colectivo e a principal razão para a aclamação em finais de ’70 e início dos anos ’80 e para o meu contínuo fascínio em pleno século XXI. Por mais anos que passem, «Colossal Youth» soará sempre a actual, continuando a influenciar a maior parte das bandas contemporâneas. Em pouco mais de quarenta minutos ficamos a conhecer o ADN musical do melhor dos Pixies (apesar de até lhes encontrar alguma piada, continuo a pensar que são uma das bandas mais sobrevalorizadas da história da música pop); percebemos as boas referências dadas por Kurt Cobain e Peter Buck; compreendemos algumas interpretações de temas Young Marble Giants por parte de outras bandas («Credit In The Straight World», por exemplo, é revisitado pelo grupo Hole, de Courtney Love); e depreendemos referências em outros campeonatos, caso da adopção do título do álbum para a versão internacional de «Juventude em Marcha» de Pedro Costa. Por tudo isto e muito mais, a atenta editora Domino decidiu recuperar o catálogo Young Marble Giants e numa autêntica edição deluxe lançou para os escaparates uma reedição tripla de «Colossal Youth». Ao álbum original foram adicionados os temas que integravam o single «Final Day» (editado em Junho de 1980), o E.P. «Testcard» (Março de 1981) e a compilação de demos «Salad Days» (de 2000). Mais uma vez a simplicidade marca pontos e mesmo que a grande parte das peças apresentadas não se assemelhe em nada ao formato canção, vislumbramos aqui e ali primorosos momentos pop que nunca perderão a sua vertente neopunk. No terceiro e derradeiro disco deparamo-nos com a gravação (de 1980) das famosas e saudosas «John Peel Sessions». Razões mais que suficientes para nos embrenharmos e embebedarmos ao som Young Marble Giants..
Chegamos a «Ga Ga Ga Ga Ga» mas (e eu sei que é difícil) não nos engasguemos. Os Spoon já por cá andam há muito e julgo que não têm nada a provar. Britt Daniel é simplesmente um dos génios indie norte-americanos. Lá por casa os MP3 são mais que muitos e por variadíssimas razões neste ano de 2007 decidi apostar de uma forma mais concreta nesta banda de Austin (Texas) e vai daí gastei mais alguns euros num dos segredos mais bem guardados do indie rock contemporâneo. Formados em 1993, o primeiro LP surgiu só em 1996 («Telephono») mas o reconhecimento geral só chegou ao quarto ensaio, com «Kill The Moonlight» (de 2002). Na altura o single «The Way We Get By» obteve alguma exposição mediática, chegando a ser incluído na série «The O.C.» e em alguns outros filmes. Porém, foram «Stay Don’t Go» e «All The Pretty Girls Go To The City» que mostraram uma banda em quase estado de graça. Antes deste magnífico «Ga Ga Ga Ga Ga», os Spoon ainda se mostraram em «Gimme Fiction» (2005), álbum que incluía «I Turn My Camera On», «The Two Sides Of Monsieur Valentine» e «Sister Jack». Ora bem, «Ga Ga Ga Ga Ga» é cumulativamente um dos melhores álbuns da carreira dos Spoon e deste ano 2007. Musicalmente os Spoon poderão ser classificados como o resultado da soma folk dos Wilco, à intuição Tom Waits e à experimentação que fez história nos The Flaming Lips. «Ga Ga Ga Ga Ga» é o aperfeiçoamento dessa adição. «Don’t Make Me A Target» revela os belgas dEUS às voltas com o período «pseudojazz» de Tom Waits. A etérea «The Ghost Of You Lingers» atira os nossos problemas para trás das costas e liberta-nos do stress citadino. «You Got Yr. Cherry Bomb» inicia-se ao som dos britânicos Doves para lhe misturar pitadas Pulp num belo momento dark pop. «Don’t You Evah» pega no ritmo de «All The Pretty Girls Go To The City» e condimenta-o ao som de Beck Hansen. «Rhythm And Soul», e tal como o próprio título indica, é uma canção cheia de ritmo e alma. «The Underdog» abraça a faceta mariachi dos Calexico para libertar efusivos «Yeah!». «Finer Feelings» é a versão mais radio-friendly de Britt Daniel e companhia e «Black Like Me» recupera as construções «beatlescas» do saudoso Elliott Smith. Tudo em trinta e seis minutos de pura magia e encanto Spoon. Como extra ainda nos é oferecido o CD Bónus «Get Nice!» que compila doze faixas adicionais em vinte e três minutos de demos e divagações sonoras. «Ga Ga Ga Ga Ga» é assim mais um clássico para este ano 2007..
Como aperitivo de mais uma viagem às tascas fica o vídeo de «The Underdog», dos Spoon.
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