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segunda-feira, 28 de maio de 2012

Rufus In & Out


A situação não é clara. O canadiano Rufus Wainwright, músico perspicaz e certeiro no que diz, declara-se “out of the game”, mas convoca Mark Ronson para assumir o papel de produtor no seu novo trabalho, o qual conta com a colaboração de nomes como Nick Zinner (Yeah Yeah Yeahs), Andrew Wyatt (Miike Snow), Sean Lennon e Nels Cline (Wilco), e chama a britânica Helena Bonham Carter para as gravações do primeiro vídeo promocional do álbum. Rufus Wainwright sempre fez por fugir às evidências e os seus discos espelham isso mesmo, construindo um importantíssimo legado pop e uma forte identidade criativa. Uma voz excepcional que vagueia entre a pop, a ópera, a música clássica e contemporânea e a cenografia. Singer-songwriter de excepção que este ano nos entrega, então, «Out Of The Game», uma luminosa colecção de canções pop e a resposta perfeita ao anterior «All Days Are Nights: Songs For Lulu» (2010). Rufus Wainwright ultrapassa, assim, a fase mais negra da sua música e fá-lo através de composições menos pomposas, é certo, mas extremamente pop e com tempero seventies. Canções que piscam o olho ao apuro Elton John, melodias The Beatles, glamour Roxy Music e/ou Queen e art-pop 10cc meets Burt Bacharach, mas que mantêm o incontornável cunho Rufus Wainwright. Temas como «Jericho», «Rashida», «Montauk», «Bitter Tears», «Perfect Man» e, claro, «Song Of You» que vêm enriquecer ainda mais a já magnífica mansão de Rufus Wainwright.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Rufus Wainwright | Out Of The Game


O canadiano Rufus Wainwright está prestes a editar «Out Of The Game», o novo trabalho que, de acordo com o próprio compositor, contém algum do material mais dançável da sua carreira. O álbum é produzido por Mark Ronson e o seu primeiro single é o tema título «Out Of The Game». O vídeo conta com a participação de Helena Bonham Carter.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Pose bipolar

Foi o quarto espectáculo do canadiano Rufus Wainwright a que tive oportunidade de assistir e, verdade seja dita, a prestação do passado dia 7 de Maio foi a mais emotiva, mas, também, a menos consistente de todas. O álbum a apresentar, «All Days Are Nights: Songs For Lulu», continua a merecer a minha melhor atenção, mas revela-se menor que os restantes trabalhos da sua já considerável discografia. Quanto ao concerto, foi dividido em dois actos distintos. O primeiro centrado no seu mais recente trabalho, e uma autêntica evocação à sua falecida Mãe, e uma segunda parte que nos mostrou algumas das melhores composições ao piano de Rufus Wainwright. Se o primeiro acto revelou-se monótono, tal como «All Days Are Nights: Songs For Lulu», o segundo foi um pouco mais esperançado, testemunhando o perspicaz sentido de humor que vem caracterizando as prestações do canadiano. É certo que voltou a recuperar o seu (des)amor pelo norte-americano Jeff Buckley, recordou o fracassado matrimónio dos seus pais, expressou a sua afeição por Lisboa e, como não podia deixar de ser, evocou a sua Mãe Kate McGarrigle. Percebemos que Rufus ainda não ultrapassou a recente perda (arrepiante a interpretação de «Zebulon», durante a qual Rufus não conseguiu evitar as lágrimas), mas a qualidade das suas composições e da sua interpretação mantêm-se inalteradas. Razão pela qual foi um prazer voltar a ver Rufus Wainwright ao vivo e ouvir temas como «Who Are You New York», «The Art Teacher», «Dinner At Eight», «Cigarettes And Chocolate Milk», «Going To A Town» e, principalmente, «Poses».

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Estrela à solta no Coliseu

«I don't know what it is / But you got to do it / I don't know where to go / But you got to be there». Foi com estas palavras que Rufus Wainwright, já de roupão, deu início ao encore final, a 3.ª e última parte do concerto do passado dia 6 de Novembro. Tal como o próprio afirma, não sei que sentimento é este, mas é obrigatório assistir a um espectáculo do artista canadiano pelo menos uma vez na vida. Era a impressão que tinha (depois de 2 concertos) e foi a sensação com que fiquei no final de mais uma brilhante apresentação em Lisboa («a cidade mais bonita da Europa», segundo as palavras de Wainwright).

A espontaneidade continua a ser a arma de sedução de Rufus, que insiste em entreter o público com confissões desconcertantes, tais como «I’m a little princess… without a throne… and available». A sinceridade é a alma do negócio. Rufus diz e o público acredita, não só pela maturidade demonstrada nas suas composições como pela aparente «inocência» evidenciada em palco. De certa forma, Rufus será sempre (um)a pequena princesa, mas o trono, esse já ninguém o lho pode negar nem tirar.
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Durante a primeira parte Rufus Wainwright esteve ao ataque, presenteando os seus adeptos com temas novos e menos novos. «Release The Stars» abriu as hostilidades de um espectáculo que durou quase três horas. «Going To A Town» seguiu-se e o talento já demonstrado conquistou o público com uma arrebatadora interpretação ao piano de uma das suas mais belas canções. «Sanssouci», «Rules And Regulations», «Tiergarten», «Leaving Paris» e a divertidíssima «Between My Legs» (com a participação especial da sua instrutora de ioga) completaram o leque de temas extraídos do mais recente álbum. Pelo meio e ao som de «Danny Boy», «Cigarettes And Chocolate Milk» e «The Art Teacher» reviveram-se outros momentos da admirável carreira de Mr. Rufus Wainwright.

Após um intervalo de quinze a vinte minutos, Rufus voltou à carga com «The Consort» do soberbo «Poses» (álbum de 2001), para logo depois regressar às «estrelas» com o tema bigger than life «Do I Disappoint You?» (mera pergunta de retórica, diga-se de passagem). Foi então que a sombra de Judy Garland se mostrou e Rufus, de uma assentada, interpretou «Foggy Day In London» e «If Love Were All», temas que poderemos encontrar nas gravações dos espectáculos homenagem a Judy Garland a editar em Dezembro próximo. «Nobody’s Off The Hook», «Not Ready To Love» e «Slideshow» fecharam «Release The Stars». Contudo, ainda houve tempo e forças para «Beautiful Child», «14th Street» e, surpresa das surpresas, «Macushla» (tema tradicional celta que Rufus cantou à capela, sem microfone, entenda-se; momento mais operático que revelou uma das grandes paixões deste cantautor de eleição).

Regressando ao encore. Após «I Don’t Know What It Is» Rufus apresentou «Poses» e chamou ao palco Kate McGarrigle (sua mãe) para interpretar «Somewhere Over The Rainbow» (da banda sonora d’O Feiticeiro de Oz) e «Barcelona» («uma vez que Portugal ainda faz parte da Península Ibérica»). A cereja em cima do bolo ocorreu quando Rufus resolve tira o roupão, colocar um par de brincos, batom e com a ajuda de um chapéu e traje à anos 20 bailou, com a sua banda de suporte, «Get Happy», mais um tema do universo de Judy Garland. Por fim ainda houve tempo para o inevitável «Gay Messiah».
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Aproveitando a boleia de mais um concerto, damos prioridade máxima a uma recente aquisição discográfica: «Release The Stars», o último álbum de originais do grande Rufus Wainwright. Após as aventuras e desventuras em período de férias e uma vez que tivemos conhecimento da edição, em território de sua Majestade, de um pack especial e limitado com uma faixa adicional e um DVD bónus, navegámos em direcção a essa autêntica selva de vícios que é a Amazon… «Release The Stars» só veio aumentar ainda mais a admiração pelo autor. Rufus Wainwright mantém o alto nível e a qualidade na sua escrita. Aponta novos caminhos em temas mais orquestrais / operáticos e enfeitiça com uma pop crivada de requinte e leveza. «Do I Disappoint You?» é, como tive a oportunidade de mencionar bigger than life. O lamento e a desilusão pessoais com a América em «Going To A Town» emocionam qualquer ouvinte. «Tiergarten» é doce como o mel. «Nobody’s Off The Hook» e «Not Ready To Love» mostram a vertente mais sensível e delicada de Wainwright. «Rules And Regulations», «Between My Legs» e «Release The Stars» dão um toque mais hedonista ao álbum. Concluíndo: excelente álbum associado a um magnífico concerto de um dos singer-songwritters de eleição da actualidade.

Como despedida segue-se uma gravação da reencarnação camp de Judy Garland.
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