terça-feira, 19 de outubro de 2010

Joan As Police Woman + Foge Foge Bandido

Na sexta-feira passada o pensamento que mais me passou pela cabeça foi: “Fim-de-semana à porta e sem planos para os próximos dois dias”. A agenda cultural anunciava algumas boas propostas, é certo, mas com a oferta que anda aí, já começo a racionar a ida a concertos. No entanto, mais uma vez tive a sorte de estar no local certo à hora certa e, graças à Radar (telefone a funcionar) e à organização do Festival Sintra Misty (facebook a funcionar), ganhei a oportunidade de rever Joan As Police Woman, confirmar a potencialidade do projecto Foge Foge Bandido e sair a meio da prestação de Mark Kozelek, desinteressante e sobranceira.
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Para não variar, e após mais um concerto em Portugal – o terceiro desde 2008 – Joan Wasser a.k.a. Joan As Police Woman surgiu na zona do merchandise para presentear alguns dos seus fãs com autógrafos e a sua natural simpatia. Prometendo, ainda, regressar em Março próximo – ao que parece já estão apalavrados concertos para Lisboa, Porto e, quem sabe, outros tantos locais –, para apresentar o novíssimo álbum, a editar já em Janeiro. Trabalho que não foi esquecido no concerto do passado sábado. As novas composições, algumas das quais já haviam subido ao palco do Lux em Outubro de 2009, revelaram uma Joan As Police Woman apurada, mas com a determinação em desbravar novos territórios. «Magic», por exemplo, mostrou uma cadência disco que nos atira para a pista de dança e «Flash», um ano depois, continua a provocar alguma ansiedade e desejo de ter o novo disco na mão. Quanto ao restante, confesso que gostei do concerto, mas não arrebatou. Quero dizer, Joan voltou a apresentar algumas das suas melhores composições («To Be Loved» e «Eternal Flame» a abrir e «Save Me» e «We Don’t Own It» a fechar), cumprindo os mínimos, mas, analisando o meu historial em concertos Joan As Police Woman, este terá sido o espectáculo mais morninho. Também, e dado estar inserido num festival, compreende-se alguma apatia do público presente. Mas, Joan Wasser já fez bem melhor. No entanto, e caso se confirme novo concerto para 2011, algo me diz que voltarei a marcar presença.
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A noite prosseguiu com o experimentalismo desvairado e engenhoso de Manel Cruz e o seu novo e «amigável monstro» Foge Foge Bandido. A descoberta do projecto tinha poucos dias e o interesse em assistir ao concerto de Sintra intensificava-se a cada nova audição de «O Amor Dá-me Tesão/Não Fui Eu Que Estraguei». A oportunidade lá surgiu e tive a felicidade de me estrear em concertos de um dos projectos mais originais, se não o mais original, da pop nacional. Espectáculo que vive da experimentação e que, para quem assiste, é impossível decifrar se aquela determinada quebra foi causada por uma qualquer falha ou se é mais um bafo de inspiração do colectivo portuense. Isto para dizer que a regra implementada no colectivo de músicos segue a velha máxima do «nada se perde, tudo se transforma». Metamorfoses várias que me relembraram os desvarios criativos do enorme Mike Patton, mas, no palco da sala Jorge Sampaio, do Centro Cultural Olga Cadaval, quem brilhou foi mesmo Manel Cruz e as suas arrebatadas composições. No entanto, e apesar do aparente desatino musical, o projecto Foge Foge Bandido acerta na mouche e mostra que também se faz música pop de extrema qualidade em Portugal e cantado em português («diz-me o porquê dessa canção tão triste / que me diz não vir de ninguém / decerto alguma coisa tu pediste a essa voz / que tu não sabes de onde vem // diz-me o porquê dessa canção tão triste / me fazer sentir tão bem / decerto alguma coisa mais te disse a mesma voz / que tu não dizes a ninguém // eu sei que tudo ser em vão é triste / como é triste um homem morrer / pergunta à voz se essa canção existe / e se ela não souber ninguém mais vai saber // diz-me o porquê desta canção tão triste / te fazer sentir tão bem / decerto eu oiço a voz que tu ouviste / talvez tu saibas de onde vem»). Enorme!



1 comentário:

Anónimo disse...

O que eu acho difícil é descobrir um blog que pode capturar -me por um minuto, mas seu blog é diferente. Bravo.