terça-feira, 28 de agosto de 2007

Viagens à tasca

Apesar dos mais recentes copos (aquisições), o estado de espírito ainda não era o melhor. Vagueamos pelas ruas da cidade e damos de caras com a segunda alternativa à habitual tasca. Como tive a oportunidade de referir no último capitulo, a oferta no El Corte Inglês (ECI) é extremamente variada e, de vez em quando, encontram-se agradáveis surpresas, mas os preços revelam-se na maior parte das vezes proibitivos.

Todavia, qualquer tasca que se preze tem as suas «promoçõezinhas» e o ECI não é excepção. As escolhas finais passaram pelos DVDs retrospectivos das videografias da islandesa Björk e dos veteranos Metallica e pelas últimas edições dos The Rapture, com «Pieces From The People We Love», e a recente e mais que justificada revisão da matéria dada dos Garbage.

Enquadrado na assinalável retrospectiva discográfica encetada por Björk em 2002/2003, «Greatest Hits: Volumen 1993-2003» é mais um dos artigos de colecção obrigatórios para qualquer fã de Björk e um excelente cartão de visita para os designados novos públicos (caso ainda os hajam para Björk). Vejamos uma coisa, Björk é, actualmente, uma artista «intocável»; tem um estatuto que lhe permitiu editar os menores «Medúlla» e «Drawing Restraint 9» e manter o mesmo culto e aceitação de público e imprensa especializada. Ora, diga-se que grande parte dessa admiração resultou das edições discográficas das quais as peças apresentadas no DVD em análise fazem parte. Porém, há que admitir que outra grande parte dessa quota de unanimidade advém dos próprios vídeos que compõem «Grestest Hits». O período exposto compreende os álbuns de originais «Debut», «Post», «Homogenic» e «Vespertine» e julgo que não chocaria ninguém se admitisse estarmos perante a época mais fértil da carreira desta islandesa. Como se não bastasse «Grestest Hits» contém alguns dos mais preciosos vídeos dos últimos anos, de que são exemplo «All Is Full Of Love», «It’s Oh So Quiet», «Joga», «Bachelorette», ou mesmo «Hidden Place». Numa análise mais detalhada podemos adiantar que de «Debut» encontramos «Human Bahaviour», «Venus As A Boy», «Play Dead», «Big Time Sensuality» e «Violently Happy»; de «Post» estão «Army Of Me», «Isobel», «It's Oh So Quiet», «Hyper-ballad», «Possibly Maybe» e «I Miss You»; «Homogenic» está representado por «Joga», «Bachelorette», «Hunter», «Alarm Call» e «All Is Full Of Love»; e, por fim, «Vespertine» empresta «Hidden Place», «Pagan Poetry» e «Cocoon». Como extras mostram-se «It’s In Our Hands» (tema originalmente editado em «Greatest Hits») e «Nature Is Ancient» (apresentado na «Family Tree»). A cereja em cima do bolo é a apresentação cronológica dos vídeos, o que dá a oportunidade ao espectador de ter uma visão da evolução sonora e visual de uma das mais respeitadas artistas mundiais. Factor negativo é a exclusão de qualquer peça de «Selmasongs», a banda sonora de «Dancer In The Dark».
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Pedimos algo mais forte e a videografia dos Metallica é colocada no balcão. Para os mais atentos, há cerca de um mês e meio (por alturas do SBSR) expus aqui algum desconforto sentido perante o ambiente metal composto por um público trintão e saudoso da sua rebeldia de juventude dos anos 90, o que não deixou de causar alguma estranheza. Porém, o espírito vivido durante o SBSR já lá vai e os mais recentes acontecimentos quotidianos pediam algo pesado e nostálgico. Resultado? Metallica! «The Vídeos: 1989 – 2004» apresenta toda a videografia dos norte-americanos. A viagem, proposta por James Hetfield e companhia, inicia-se com «One», o primeiro vídeo da carreira dos Metallica e primeiro single do quarto álbum de originais, «…And Justice For All». A jornada prossegue para o álbum da mediatização dos Metallica. Comummente identificado como o «The Black Album», os seus singles promocionais «Enter Sandman», «The Unforgiven», «Nothing Else Matters», «Wherever I May Roam» e «Sad But True» são, ainda hoje, os temas mais aguardados em qualquer concerto do colectivo de São Francisco. Todavia, estes mesmos vídeos (à excepção de «The Unforgiven») são, porventura, os mais pobres da carreira do colectivo. A história prossegue com a saga, menos consensual para os fãs, mas mais desafiante para a banda, de «Load» e «Reload». Os singles da sequela passam pelo obscuro «Until It Sleeps», os radio-friendly «Hero Of The Day» e «Mama Said», o mais «metallico» «King Nothing», o superior «The Memory Remains» com a preciosa ajuda de Marianne Faithfull, «The Unforgiven II» e o acelerado «Fuel». Dos dias garageiros dos Metallica encontramos «Turn The Page» e «Whiskey In The Jar». «No Leaf Clover» assinala a colaboração com Michael Kamen em «S&M». Passamos pela banda sonora de «Missão Impossível 2» com «I Disappear» e terminamos com temas de «St. Anger» e «Some Kind Of Monster». Ao todo são 21 vídeos, versões alternativas de «One» e «The Unforgiven»; «2 Of Us» (a gravação home video editada em 1989 em VHS) e um trailer do aprovado DVD «Some Kind Of Monster». Razões mais que suficientes para apostar na mais recente proposta dos Metallica.

Passamos às apostas feitas no campo do compact-disc (formato que celebrou há poucos dias os seus 20 anos de vida). Voltamos a relembrar o SBSR deste ano e damos conta de que a ausência dos The Rapture ainda não foi ultrapassada. «Echos» de 2003 é, ainda hoje, um dos álbuns indispensáveis no i-pod. «Pieces Of The People We Love» (sucessor de «Echos» e terceiro álbum na carreira dos The Rapture) está uns pontos abaixo do seu antecessor, mas deixou de ocupar espaço na pasta dos downloads do computador lá de casa, ganhando finalmente corpo. A alma continua a ser festiva, celebrativa, dançante e inflamada. «Get Myself Into It» é o perfeito tónico para essa incessante procura hedonista. Porém, a verdade é que os seus compatriotas LCD Soundsystem monopolizam as pistas de dança e os tops nos quais os The Rapture são presença assídua, pelo que «Pieces Of The People We Love» perde algum do seu fulgor face à concorrência. Contudo, as ancas não deixam de ganhar vida própria e nós não somos de deixar a festa a meio. «It’s the change of a lifetime» canta Luke Jenner e o melhor a fazer é dançar como se não houvesse amanhã…
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A última «bebida», em dose dupla, teve um travo especial. Os Garbage foram, durante a década de 90, uma das mais respeitadas bandas pop-rock. Composta por 3 produtores e uma escocesa fã incondicional de Siouxsie And The Banshees, a banda parecia estar talhada para o sucesso. Não bastasse a presença de Butch Vig (produtor de obras(primas) como «Nevermind» dos Nirvana e «Siamese Dream» dos The Smashing Pumpkins), Shirley Manson, com a sua pose quase insolente, foi aclamada como mais uma rainha do rock saída de terras de Sua Majestade. Contudo, a carreira (até à data) de Butch Vig, Steve Marker, Duke Erikson e Shirley Manson tem-se revelado inconstante. Com um início promissor – «Garbage» e «Version 2.0» eram (e são) álbuns compostos por singles – a banda soube entranhar-se no seio de públicos pop/rock e indie. Temas como «Vow», «Queer», «Only Happy When It Rains», «Stupid Girl», «Milk», «Push It», «I Think I’m Paranoid», «Special» e «You Look So Fine» não ficariam mal vistos tanto no éter de qualquer programa nocturno de autor como na airplay list de qualquer rádio «comercialóide». Porém, a projecção do grupo foi esmorecendo e com os 3.º e 4.º discos de carreira os Garbage pareciam ser uma banda virada para os seus seguidores habituais. «Absolute Garbage» chega na altura certa para avivar a nossa memória e voltar a colocar os Garbage em cena. Como extra, «Absolute Garbage» pode ser adquirido numa edição especial, a qual inclui um CD bónus cheio de remisturas dos mais variados campos, desde Massive Attack a Fun Lovin’ Criminals, dos U.N.K.L.E. aos Neptunes, de Roger Sanchez a Felix Da Housecat. Contudo, esta compilação de remisturas revela-se inconsequente para quem coleccionou os inúmeros maxi-singles que os Garbage foram editando, ficando um travo a fel a ausência de uma outra compilação com todos os preciosos b-sides que a banda, maioritariamente, norte-americana editou até à data. Ficamos a aguardar...

Após mais um valente tropeção, deixo em repeat o fabuloso vídeo de Chris Cunningham para o não menos extraordinário «All Is Full Of Love» de Björk.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Viagens à tasca

Caros, antes de mais peço desculpa pelo hiato de 3/4 semanas sem qualquer post, mas quer a Sardenha quer a Suiça chamaram por mim…

Assim, e com toda a azafama motivada pelo início das férias, ou melhor, pelo início da interrupção no trabalho, ficaram valentes bebedeiras (de caixão à cova, como é apanágio na gíria «tasqueira») por relatar.

Há cerca de 3 semanas a vida não corria como esperado, por isso eu confesso: “andava deprimido”! O trabalho era a cada dia que passava mais desgastante, a vida revelava-se amarga, as pessoas desiludiam-nos, etc., etc., etc. Vai daí decide-se afogar todas as mágoas num autêntico «rally às tascas».

Dado o estabelecimento habitual não nos satisfazer a 100%, há que encontrar alternativas. Apesar da oferta escassa (comparativamente a outros mercados) ainda existem algumas opções «úteis». As escolhas (relativamente às mencionadas alternativas) passaram pela já histórica Carbono e pelo El Corte Inglês.

Enquanto na Carbono há a possibilidade de adquirir artigos recentes e menos novos, relevantes e mais dispensáveis, prontos a estrear e em segunda-mão, mas sempre com um selo de qualidade (achamos nós…); no El Corte Inglês a oferta é extremamente variada, com qualidade mas por vezes «inaudita» nos preços.

Comecemos pela Carbono. Os artigos novos passaram pelo EP dos Sigur Rós «Hoppípolla»; os menos novos pelo álbum de 2003 dos canadianos Broken Social Scene, intitulado «You Forgot It In People»; e os artigos mais antigos, mas menos dispensáveis, passaram pela edição especial e limitada de «Definitely Maybe» dos ofuscados (mas não mortos) Oasis.

Enquanto as tão aguardadas novidades discográficas dos islandeses Sigur Rós não nos chegam aos ouvidos, as variadíssimas edições de singles e/ou EP’s revelam-se preciosas (ora pela sua vertente sonora, ora pela sua parte exterior/visual) para aguçar o voraz apetite nórdico. «Hoppípolla» é composto por 3 peças, o tema título e segundo single extraído de «Takk…» e 2 b-sides; e vem empacotado numa cuidada slimcase. O tema que dá nome ao «disquinho» é a terceira peça de «Takk…» e tem como (excelente) vídeo promocional as rebeldias de alguns «adolescentes de terceira idade». Como b-sides encontramos «Með Blóðnasir» que prossegue com o espírito de caixinha de música que é «Hoppípolla» e «Hafsól», a gravação de estúdio da versão tocada ao vivo de «Hafssol» (tema originalmente incluído no álbum de estreia «Von», mas que ao vivo ganha uma roupagem diferente e é reconhecido como a canção em que o baixista Georg “Goggi” Hólm nos impressiona com o ritmo sibilino produzido com o toque de uma baqueta nas cordas da sua guitarra baixo). Indispensável só para os fãs mais acérrimos deste colectivo islandês, «Hoppípolla» acaba por ser mais uma peça de colecção na discografia dos já obrigatórios Sigur Rós.
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«Solicita-se uma nova rodada» e acaba-se por descobrir os Broken Social Scene. Mais uma banda canadiana a ter a aprovação de meio mundo melómano. OK. Eu confesso, conhecia uma ou outra música, mas continuava a aguardar pelo momento certo para me aventurar de corpo e alma à causa «social canadiana». O colectivo, formado em 1999 em Toronto por Kevin Drew e Brendan Canning a quem se juntaram mais tarde Leslie Feist, Evan Cranley, Andrew Whiteman e Justin Peroff, estreou-se em 2001 com «Feel Good Lost». Contudo, só em 2003, com o segundo «You Forgot It In People» (agora em análise) e a incorporação de mais 6 músicos, é que os Broken Social Scene se notabilizaram, angariando o Juno Award de Melhor Disco Alternativo do ano. Musicalmente, os Broken Social Club fazem lembrar um pouco o clã norte-americano Lambchop, tornando-se impossível dissociar o bom resultado final dos inúmeros elementos que constituem esta quase irmandade. A multiplicidade de músicos e instrumentos apresenta uma sonoridade abastada, ora densa ora solarenga, ora transmitindo todo o stress urbano ou ambientes mais bucólicos. Acabam, assim, por serem uma mescla do melhor que há nos Sonic Youth, Pixies, Yo La Tengo, Lambchop, Mogwai, Calla, Tortoise e porque não dos conterrâneos Godspeed You! Black Emperror. Mais um excelente exemplo do melhor que a música indie canadiana tem para oferecer nos dias que correm.

Chegamos a «Definitely Maybe» e o leitor deverá estar a pensar: «mas porque carga de água é que este tipo compra um disco do século passado e em segunda-mão?» Bem, antes de mais «Definitely Maybe» é, provavelmente, o melhor álbum dos manos Gallagher e um dos grandes marcos da Britpop da década de 90. Por fim, capitulei mais uma vez ao vício e não resisti à edição especial e limitada na qual está incluído um disquinho bónus com uma das melhores composições de Noel Gallagher, «Whatever». O tema, o mais «beatlesco» do colectivo até à data, foi editado no natal de 1994 e representou uma ponte perfeita entre o marcante «Definitely Maybe» e o consensual «(What’s The Story) Morning Glory?». Quanto ao álbum, «Definitely Maybe» já era mais que conhecido e se ouvirmos «Stop The Clocks» (a colectânea retrospectiva editada no ano passado) verificamos que é o álbum mais representado com «Rock 'N’ Roll Star», «Slide Away», «Cigarettes & Alcohol», «Live Forever» e «Supersonic». Editado no período «pós Kurt Kobain», a estreia hedonista dos Oasis veio espicaçar o panorama discográfico britânico e revelou-se, há cerca de 3 semanas, uma surpreendente redefinição para os meus ouvidos.

sábado, 21 de julho de 2007

Josh Rouse

Na última viagem à tasca não resisti ao mais recente apelo de Josh Rouse, intitulado «Country Mouse City House». O disco, como tive a oportunidade de referir, está uns pontos abaixo dos «maiores» «Under Cold Blue Stars» e «1972», editados em 2002 e 2003, respectivamente. Porém, não se trata de um mau disco. Desta forma, julgo que haverão razões de sobra para nos deslocarmos no próximo dia 26 de Novembro à acolhedora Aula Magna, na Cidade Universitária, para ver e ouvir uma das vozes mais açucaradas do actual panorama pop internacional.
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quinta-feira, 19 de julho de 2007

Viagens à tasca

Dado o tempo e atenção dispendido com «Our Love To Admire», julguei por bem fazer um coffee brake e relatar os restantes pormenores da minha última visita à tasca num segundo episódio do capítulo 3 desta saga.

Além dos Interpol, a última «bebedeira» teve os aromas de Josh Rouse, Animal Collective e Gossip. Se Josh Rouse, um habitué por estas paragens desde a edição do soberbo «1972» em 2003, apresenta o mais recente «Country Mouse City House»; os Animal Collective (a prepararem o lançamento do novo «Strawberry Jam») surgem com o aclamado «Feels»; e o colectivo The Gossip, após a impulsiva passagem pelo SBSR, reeditam o álbum de 2005 «Standing in The Way Of Control».
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Josh Rouse é na actualidade, e a par da canadiana Feist, uma das vozes mais sexys da pop. Natural do Nebraska, Rouse editou o primeiro álbum («Dressed Up Like Nebraska») em 1998 e desde então tem atraído a atenção de críticos e público em geral. O início da sua carreira discográfica indiciava uma direcção mais alternative-country; a colaboração com Kurt Wagner dos Lambchop no EP «Chester» de 1999 é um bom exemplo disso. Contudo, e com a edição de «Home», em 2000, Rouse foi alvo de um forte assédio por parte de realizadores cinematográficos e produtores televisivos. Directa ou indirectamente, Josh Rouse compõe de uma assentada as 2 obras máximas da sua já considerável carreira: «Under Cold Blue Stars» de 2002 e o conceptual «1972» em 2003. Se no início a folk era o goal a atingir, agora a pop açucarada e imprópria para hiperglicémicos sobrepunha-se à folk. Antes do novo «Country Mouse City House», Josh Rouse lançou ainda, e em nome próprio, «The Smooth Sounds Of Josh Rouse» (registo em DVD de uma actuação ao vivo em Nashville e CD com lados b), «Nashville» e «Subtítulo». Este último totalmente composto e gravado em Espanha, onde Josh reside actualmente. Tratando-se de exercícios menores, tal como este «Country Mouse City House», Josh Rouse consegue sempre captar a nossa atenção, pois a sua voz é familiar, o som é afectuoso e as estórias que documenta acabam por soar a contos infantis. Os «la la la la la la la» voltam a marcar presença («Sweetie»), a pop suave e característica de outras épocas está cá («Italian Dry Ice»), a paródia musicada também («Hollywood Bass Player») e a sedutora e lânguida voz volta a marcar pontos («Snowy»). Todavia, «Country Mouse City House» acaba por parecer mais uma agradável viagem entre Nebraska e o sul de Espanha em piloto automático.
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No que toca aos norte-americanos Gossip é impossível dissociar a recente exposição do colectivo do carisma «anti-herói» de Beth Ditto. Se dúvidas existiam sobre a pujança e qualidade enquanto performer de Ditto, essas dissiparam-se com a recente actuação da banda no SBSR. Os temas, por vezes excessivamente simples, são capazes de «agradar a gregos e a troianos». A voz soul, de uma Janis Joplin mais doce, é sem dúvida um dos pontos altos deste trio norte-americano e temas como «Standing In The Way Of Control», «Yr Mangled Heart», «Listen Up!», «Jealous Girls» e «Dark Lines» são razões para lhes darmos uma atenção adicional.
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Chegamos aos Animal Collective e a coisa complica. E ainda bem que assim é. «Feels» foi aclamado e nomeado por meio mundo como uma obra-prima. Confesso que a unanimidade envolta na banda e no disco dissipou o interesse inicial em dar o primeiro passo na descoberta do mundo Animal Collective. É claro que o Youtube foi dando umas luzes, mas na última viagem à tasca tropecei, uma vez mais, no vicío e não resisti ao apelo de Avey Tare, Panda Bear, Deakin e Geologist. Vai desta e «Feels» também foi parar ao fundo do cesto de compras. Como o próprio título sugere, «Feels» é cheio de sentimentos, de vida, de alegria, de liberdade, de afecto e carinho. Avey Tare (David Portner) é o perfeito narrador de(stas) fábulas. A forma teatralizada e cuidada com que são relatadas dão-lhes uma dimensão «bigger than life» e a aparente simplicidade difunde um sentimento singular. Como Avey Tare nos sussurra ao ouvido em «Did You See The Words», «there’s something living in these lines» (…) «There’s something starting don’t know why»…

Arctic Monkeys

As primeiras impressões são «lixadas». Confesso que não dava nada pelos mais recentes «meninos» bonitos da imprensa inglesa. Parecia tudo um pouco precoce demais. Contudo, e após cuidada audição dos álbuns editados até à data «Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not» e o mais recente «Favourite Worst Nightmare» percebemos que existe música nas entrelinhas da rebeldia juvenil. Alex Turner e companhia mostram saber como trilhar uma carreira de sucesso. A recente nomeação para o Mercury Prize - depois de no ano passado o terem levado para casa - é um bom exemplo disso.

Para os mais atentos, e de acordo com alguns artigos de imprensa especializada, a segunda passagem do colectivo inglês por Portugal voltou a deixar marcas. Para os menos atentos, que não conseguiram chegar a tempo de comprar o tão desejado ingresso, ficam os videos...
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«Brainstorm», um dos melhores singles de 2007.

terça-feira, 17 de julho de 2007

Viagens à tasca

Recebemos a confirmação na caixa de correio electrónico de que ‘aquilo’ (ler texto «Viagens à tasca – Parte 2») estará disponível dentro de 3 dias… 3 dias??? Grrrrrrrrrrrr… 3 dias depois fazemos a procissão a Meca, ou melhor, à tasca. «Our Love To Admire» é ‘aquilo’ que finalmente nos chega às mãos. Para os mais atentos e por mais € 1, há direito à Edição Limitada Deluxe assinada pelos 4 membros da banda. Porém, e no que toca à música, confesso que o disco já estava mais que ouvido (a Internet é a maior invenção do século XX).
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Ora vejamos, os Interpol são incapazes de construir más canções. Novidades ao 3.º disco? Exceptuando «Pioneer To The Fall», «No I In Threesome», «Rest My Chemistry», «Wrecking Ball» e «The Lighthouse» as restantes peças são perfeitamente identificáveis com exercícios do passado. No entanto, e como referi os Interpol são incapazes de nos apresentar más composições. Adoptando uma visão futebolística, podemos afirmar que no sector das guitarras eléctricas Paul Banks e Daniel Kessler sempre se entenderam na perfeição. É como se jogassem de olhos fechados, dirão muitos treinadores de bancada. A combinação de riffs, de ritmos e de ambientes é a mais valia desta equipa que busca influências nos distantes anos 70 e inícios de 80 em terras de Sua Majestade. Se «Turn On The Bright Lights» foi um início promissor, em que a noite era celebrada por brilhantes focos de luz negra, «Antics» foi uma competente sequela. «Our Love To Admire», além de representar a estreia dos Interpol numa major, regista a primeira cooperação com um produtor externo à banda. Se os dois primeiros discos foram produzidos pelos próprios Interpol, em 2007, Rich Costey (habitual parceiro dos britânicos Muse) ajudou a ‘aperfeiçoar’ «Our Love To Admire». Directa ou indirectamente relacionado com esta «abertura», a banda opta por mudar a sua imagem. Como Paul Banks canta em «No I In Threesome», «Maybe it’s time we give something new a try».
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Apesar do aparecimento súbito dos animais selvagens e de um «quinto elemento», as keyboards, o negrume característico mantém-se. Agora podemos, de certa forma, sentir forças opostas em pleno combate. Uma constante luta pela sobrevivência, pois inconscientemente as guitarras soam mais musculadas, o suor é agora visível e a adrenalina é mais real. Contudo, somente 50% de «Our Love To Admire» soa a novo e inovador na carreira dos Interpol. Mas os Interpol são incapazes de nos dar má música.

Aimee Mann

É já no próximo dia 25 de Julho que a norte-americana Aimee Mann se estreia em palcos nacionais, mais precisamente no Coliseu de Lisboa.

Nas lides discográficas desde 1981, Aimee Mann alcançou esporádico reconhecimento em 1985, altura em que integrou os ‘Til Tuesday e o álbum de estreia e hit-single «Voices Carry» lhes valeu o prémio de banda revelação nos Prémios MTV. Porém, após o 3.º disco do colectivo a artista nova-iorquina decide enveredar por uma carreira a solo. «Whatever», primeiro exercício a sós e editado em 1993, passa ao lado do público em geral, mas imprensa especializada e colegas de profissão não hesitaram em nomear e aclamar Aimee Mann como uma das melhores e mais maduras autoras norte-americanas. Antes do reconhecimento global, verificado em 2000, Aimee Mann editou ainda «I’m With Stupid» (1995). O álbum, mais uma vez com uma adesão selectiva, continha «That’s Just What You Are», tema que obteve algum airplay devido à série Melrose Place.

Com as composições de «Bachelor N.º 2 – The Last Remains Of The Dodo» (álbum editado só em 2000 pela SuperEgo Records), Paul Thomas Anderson esculpiu o magnífico argumento de «Magnólia». A banda sonora da película incluía oito temas de Aimee Mann, entre as quais «Save Me», nomeada para o Óscar de Melhor Tema Original. Tanto o filme como a banda sonora e «Bachelor N.º 2» obtiveram uma considerável exposição mediática, tendo apresentado Aimee Mann a novos públicos e novos desafios.



Depois de «Bachelor N.º 2», Aimee Mann editou ainda «Lost In Space» (2002) e «The Forgotten Arm» (2005), o qual, tratando-se de uma obra conceptual que decorre em 1970, em torno de um casal apaixonado na Virgínia, foi nomeado em diversas listas do «best of» de 2005.

Dia 25 marca então a estreia de Aimee Mann em Portugal. Um espectáculo há muito aguardado e que, ao que tudo indica, não irá defraudar as expectativas entretanto criadas.
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sábado, 14 de julho de 2007

Interpol outra vez

Caros,

É com enorme satisfação que saúdo o regresso a Portugal dos nova-iorquinos Interpol. Depois do excelente concerto na edição 13 do Festival Super Bock Super Rock (no dia 5 de Julho, mais precisamente), Paul Banks, Carlos D., Daniel Kessler e Samuel Fogario apresentar-se-ão no Coliseu de Lisboa dia 7 de Novembro para tocarem mais temas do novíssimo «Our Love To Admire».

Os bilhetes já se encontram à venda nos locais habituais.
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Viagens à tasca

Pois é, 10 dias após a última visita à tasca o meu lado sedento de música voltou a causar estragos… Desta vez a procura já estava estipulada: «ou havia ‘aquilo’ e ficávamos felizes da vida», ou, então, «não havendo ‘aquilo’, adiava-se os gastos em vicíos e saíamos, igualmente, felizes da vida» (ou mais ou menos). Puro lirismo, meu caro…

Sim, eu confesso, tenho que pedir ajuda e começar a ir às reuniões dos dependentes anónimos de gastar € em música. É mais forte do que eu…

Desta vez o desejo recaiu, mais intensamente, sobre «Letting Off The Happiness» - podemos quase afirmar que se trata do álbum estreia dos Bright Eyes (banda, ou projecto, de Conor Oberst, para muitos o Bob Dylan da nossa geração) - e sobre o essencial da carreira de Mr. Bruce Springsteen.

Se Bruce Springsteen vem para mostrar o melhor da sua longa e já institucionalizada carreira, Conor Oberst revela os seus primeiros passos, mais a sério, nas lides discográficas.

«The Essential», tal como o próprio nome tenta transmitir, trata-se de uma extensa revisão da matéria dada por The Boss. Cronologicamente compreende 30 anos de carreira (de 1973 a 2003). 30 anos cheios de hits, de sucessos, de desilusões, de amores e desamores, de convicções e orgulho ferido. Enfim, 30 anos que nos mostram a America(na)
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Composto por 3 «rodelas musicais», «The Essential» não censura os primeiros anos de Springsteen e o primeiro acto mostra-nos, entre outros, «Rosalita (Come Out Tonight)», «Born To Run», «Thunder Road», «Badlands», «Atlantic City», o obrigatório «The River» e o histórico «Nebraska». O segundo acto, desta obra tripartida, revela-nos a fase de maior sucesso comercial de The Boss, iniciando com a sequência «Born In The U.S.A.», «Glory Days» e «Dancing In The Dark». Pelo meio apresenta «Streets Of Philadelphia», «Human Touch», «Lucky Town», «Brilliant Disguise», «The Ghost Of Tom Joad», os mais recentes «The Rising» e «Lonesome Day», etc. O terceiro e último acto junta temas inéditos, gravados ao vivo, editados em compilações ou bandas sonoras e esquecidos na gaveta durante muitos anos. Destaque para «Trapped», versão ao vivo do original de Jimmy Cliff; «Missing», composto por cima das batidas iniciais de «Sympathy For The Devil» dos The Rolling Stones; «Lift Me Up», mostrando o falsete etéreo de The Boss; «Country Fair» que surge no seguimento da composição do emblemático «Nebraska», de 1983; e «Dead Man Walkin’» da banda sonora do filme com o mesmo título.
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Os seguidores mais acérrimos poderão questionar onde andam «My Hometown», «Better Days», «Secret Garden», «Murder Incorporated», «Sad Eyes», etc.. Problemas inerentes às «revisões da matéria dada». Contudo, no fim são cerca de 3 horas e 20 minutos de boa música a um preço apetitoso nas lojas FNAC (€ 8,95).
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Chega a vez de Conor Oberst, com os seus Brigth Eyes, e apesar de trilhar um percurso totalmente distinto de Bruce Springsteen, é possível associarmos a sua carreira musical à de The Boss. A base de ambas as histórias é o que comummente é conhecido como singer-songwriting. Enquanto Bruce Springsteen enveredou por um caminho mais mainstream, os Bright Eyes sempre mantiveram a sua vertente indie/americana/alternative country (ignorar os termos que menos gosta), mas o facto é que o público em geral tem apadrinhado e seguido estes norte-americanos de perto.
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«Letting Off The Happiness» data de 1998 e revela-se como uma manifesta declaração de inadaptação ao mundo, na qual não existe espaço para a felicidade. Composto, essencialmente de demos e temas gravados em casa, no sótão ou em qualquer outro recanto da casa, Oberst abre este disco com «If Winter Ends», que reclama:
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«I dreamt of a fever
One that would cure me of this cold winter set heart
With heat to melt these frozen tears
And burned reasons as to carry on
Into these twisted months
I plunge without a light to follow
But I swear that I will follow anything
Just get me out of here
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«Padraic My Prince» segue-se-lhe e o desconforto mantém-se («so tonight to compensate i will poison myself»). Adensa-se em «The City Has Sex»: «Well, I’ve cried / And you would think I'd feel better for it / But the sadness just sleeps / And it stays in my spine / For the rest of my life».

Conor Oberst é produto do movimento grunge, tendo como «ídolos» Kurt Cobain, Eddie Vedder, Anthony Kiedis, Chris Cornell, Layne Staley, Zack de la Rocha, etc... Percebe-se, assim, alguma arte em construir canções pungentes, em que o auto-flagelo está a par da sua frustração/inadaptação ao mundo. Porém, há algo que distingue Conor dos demais. Mesmo quando nos parece estarmos perante o ocaso a interpretação de Conor é densa, triste e sincera. Associando esta sinceridade às palavras podemos afirmar que em 1998 (apenas um ano depois de «OK Computer») «Letting Off The Happiness» assinalou em definitivo a entrada em cena de Conor Oberst na lista dos singer-songwriters de eleição.

Tal como afirma em «The City Has Sex», «And there's a boy in a basement with a four track machine / He’s been strumming and screaming all night down there / The tape hiss will cover the words that he sings»…

domingo, 8 de julho de 2007

Rescaldo do Super Bock Super Rock 2007

A 13.ª edição do festival Super Bock Super Rock chegou ao fim. Após 4 dias repletos de energia, suor, sumo de cevada, cansaço e boa música o rescaldo é mais que positivo.

Houve regressos aguardados, reencontros já impensáveis, estreias desejadas e outras canceladas. Metallica, Arcade Fire, LCD Soundsystem e Underworld tinham a responsabilidade de fechar as 4 noites SBSR. Contudo, podemos afirmar que nem tudo passou pelos «fechos»…

Como tudo na vida, há que fazer escolhas. A preferência do dia 28 de Junho (dia inaugural do festival e o mais pesado) foi ver os veteranos Metallica. Numa altura em que o rock evidencia facetas mais flexíveis e, mesmo, plásticas, confesso ter passado por uma pequena sensação de afastamento em relação a todo o ambiente envolvente à causa do 1.º dia SBSR. Todavia, não posso deixar de felicitar os músicos e fãs que aqueceram e entusiasmaram a maior multidão da edição 2007 do SBSR. Temas como «For Whom The Bell Tolls», «Ride The Lightning», «The Unforgiven», «The Memory Remains», «Fade To Black», «Master Of Puppets» e os inevitáveis «Nothing Else Matters», «One» e «Enter Sandman» satisfizeram os milhares de fãs que acorreram ao chamamento de James Hetfield e companhia.

As escolhas da 2.ª noite SBSR passavam pelos Klaxons, Bloc Party e Arcade Fire. A caminho do recinto ouve-se, via Antena3, o espectáculo apresentado pelos conimbricenses Bunnyranch (se fosse hoje teria feito um esforço adicional para assistir à força demonstrada através do éter do serviço público radiofónico). Já em frente ao palco presencia-se o concerto mais que visto dos The Gift (parece que o interesse em ver a banda de Alcobaça passa pela possibilidade de ver Sónia Tavares a igualar a extravagância da islandesa Björk no guarda roupa a utilizar). Cenário que se alterou com os britânicos Klaxons. Para gáudio do público temas como «Golden Skans», «Magik», «Atlantis To Interzone», «It’s Not Over Yet», «2 Receivers» e «Four Horsemen Of 2012» não faltaram. Apesar do ambiente ter aquecido significativamente e de terem cumprido a missão, julgo que certos maneirismos rock teriam sido perfeitamente evitados! Com os The Magic Numbers o ambiente volta a arrefecer. Claramente fora de jogo neste festival, coube à banda hippie a difícil tarefa de passar o testemunho dos Klaxons para os Bloc Party. Não tendo conseguido igualar a festa que se verificou no Coliseu de Lisboa há cerca de um mês, Kele Okereke e amigos de bairro mostraram mais uma vez que têm força e boas músicas. Porém, as melhores composições para serem tocadas e vividas ao vivo têm todas o selo de «Silent Alarm». Registe-se o aceso final com «Pioneers» e «Helicopter». Chega a vez dos tão aguardados Arcade Fire. Vistos, por uma grande parte do público, como os verdadeiros «cabeças de cartaz» da edição 13 do SBSR, esta linhagem canadiana não deixou os seus créditos em mãos alheias. Num cenário clerical, com o órgão de tubos a não faltar, a actuação dos Arcade Fire pautou-se pela paixão e dedicação à música. Excelentes composições, desde «Black Mirror» a abrir as hostilidades a «No Cars Go», passando por «Intervention», «Ocean Of Noise», a mais velhinha «Headlights Look Like Diamonds» (com a chuva fazer bluff) e abençoando todos os presentes com a sequência magnífica de «Neighbourhood # 1 (Tunnels)», «Neighbouthood # 3 (Power Out)”, «Rebellion (Lies)» e «Wake Up», já em encore. Celebrou-se a música e quem ganhou mais foi o público… Bem haja aos Arcade Fire.

Na noite dos LCD Soundsystem surgiu a pior notícia deste festival. De acordo com a imprensa, por motivos de doença de um dos elementos dos norte-americanos The Rapture, a actuação da banda foi cancelada. Descansa-se mais uma hora, pois os estamos a meio do festival e ainda se esperam grandes momentos. Mundo Cão e Linda Martini ouvem-se através da Antena3. Destaque para os Linda Martini que demonstrar pontencial para uma solidificada carreira no panorama indie rock português. Saltamos para o outro lado do atlântico e é-nos apresentada a bizarria dos Clap Your Hands Say Yeah. Com 2 álbuns na bagagem, o homónimo e «Some Loud Thunder», estes norte-americanos (embora a simpatia e o apoio obtidos junto de várias comunidades indie) não cativaram o público presente. Apesar das boas composições, cansaram um pouco e a afinação alternativa de Alec Ounswort encarregou-se do resto. No fim ou se ama ou se odeia. Já ao início da noite, os Maxïmo Park deram bem conta do recado e tanto «A Certain Trigger» como «Our Earthly Pleasures» foram festejados. Bons temas pop rock a fazer lembrar a leveza à The Smiths. Paul Smith (o vocalista) não desiludiu e cativou a audiência a cantar e dançar ao ritmo de «Apply Some Preasure», «Our Velocity», «Limassol», «Graffiti», «Going Missing», «The Coast Is Always Changing», «Books From Boxes», «Girls Who Play Guitars», «By The Monument» ou «Parisian Skies». Chegamos aos The Jesus And Mary Chain e apesar de identificarmos muitos seguidores e admiradores acérrimos da banda escocesa, parece existir algum desconforto e falta de empatia entre a banda. Ambiente que trespassa para o exterior e resulta numa actuação morna, ou seja, competente mas com alguma falta de garra. Todavia, tudo muda com James Murphy em palco. LCD Soundsystem is playing at our house! A agitação era grande entre o público. Uma das bandas mais excitantes da actualidade estava prestes a subir ao palco para apresentar 2 dos álbuns mais celebrados dos últimos anos («LCD Soundsystem» e «Sound Of Silver»). James Murphy revela em palco toda a sua preocupação/obsessão na busca do som perfeito, no colmatar do pequeno erro que não pode acontecer. A propósito, o som esteve excelente, o público excelente esteve, a música é boa por excelência e o SBSR de 2007 ganhou mais uma aposta ao trazer estes norte-americanos a Portugal. Da irrepreensível setlist apresentada, destaque para «Us Vs. Them» a abrir; «Daft Punk Is Playing At My House» a seguir-se e a captar a atenção de tudo e todos; «North American Scum» a inflamar as hostes; «All My Friends» a confirmar a vertente mais melodiosa da banda, «Tribulations» e «Yeah» a obrigar o público a saltar e «New York I Love You, But You’re Bringing Me Down» a funcionar melhor ao vivo que em disco. Grande Concerto!

Com o fim à vista, o cansaço adensa-se e… há que fazer escolhas. Os contagiantes X-Wife têm direito à transmissão via Antena3 (e ainda bem). Os Gossip dão conta do recado e Beth Ditto canta e encanta. Com um carisma à flor da pele, Ditto não hesita em reproduzir os Wham em «Careless Whisper» ou a homenagear Aaliyah em «Are You That Somebody». Porém, todos esperavam ansiosos por «Standing In The Way Of Control», hino máximo à emancipação e independência pessoal. Seguiram-se os TV On The Radio e a luz do dia causa a sua primeira vítima, «boicotando» a actuação da banda. Os dois álbuns que compõem a discografia destes norte-americanos são excelentes; os temas são óptimos e estimulantes; a atitude indie rock está lá, mas a vertente noctívaga não se adaptou ao sol do final de tarde. Ficamos à aguardar um futuro regresso para rectificar a estreia em solo português. Finda a transmissão televisiva via rádio as «irmãs tesouras» ocuparam-se de incendiar o recinto do SBSR. Com uma atitude festiva e bastante alegre os nova-iorquinos Scissor Sisters conseguiram captar a atenção de rockeiros e indies, pondo toda a gente a dançar e a cantarolar temas como «Take Your Mama» a abrir, «Laura», «Comfortably Numb», «She’s My Man», «I Don’t Feel Like Dancing», «Tits On The Radio» e «Filthy Gorgeous» a fechar o teatro gay. Continuando em Nova Iorque, os Interpol estrearam-se (e já confirmaram nova passagem por palcos nacionais a 7 de Novembro no Coliseu de Lisboa) da melhor forma. Com o público ainda entusiasmado com a prestação dos vizinhos Scissor Sisters, Paul Banks e colegas conseguiram dar seguimento ao ambiente de empatia entre banda e público, arrancando uma excelente actuação. Com uma setlist que não esqueceu nenhum dos poucos singles da ainda curta carreira discográfica dos Interpol, houve espaço para alguns temas do novo «Our Love To Admire», a ser editar no dia 9 de Julho. O som esteve bom, o público mostrou-se apaixonado, a entrega foi total e quase ninguém deu conta do valente trambolhão do guitarrista Daniel Kessler durante «Obstacle 1». Temas como «PDA», «Slow Hands», «Evil», «Say Hello To The Angels», «Not Even Jail», «Obstacle 1», «C’mere», «Stellar Was A Diver And She Was Always Down» e o novíssimo «The Heinrich Maneuver» não defraudaram as expectativas de ninguém. Seja o regresso tão bom como a estreia e o culto por estes norte-americanos está garantido. Por fim, e já em fase de descompressão e dos necessários alongamentos, os Underworld tentaram animar o fecho do SBSR. Apesar do recinto ter ficado reduzido a metade após a saída de palco dos Interpol, a banda britânica cumpriu a tarefa, deixando para o final os tão desejados hits «Born Slippy» e «Jumbo».

Que venha a edição 14 e o nível das bandas a figurar no cartaz se mantenha.

Para o ano há mais…
Bem haja à organização.

terça-feira, 3 de julho de 2007

PJ Harvey

Outro dos regressos anunciados e dos mais desejados para este ano de 2007 (depois de também surgirem algumas declarações a prever o abandono da indústria discográfica), é o de PJ Harvey. De acordo com o sítio electrónico da artista, Polly Jean Harvey regressará a 24 de Setembro com um novo álbum intitulado «White Chalk».

Já confirmado estão as participações de Eric Drew Feldman e Jim White dos Dirty Three. Contudo, o sucessor de «Uh Huh Her» (de 2004) terá também as colaborações dos habituais parceiros Flood e John Parish.
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Enquanto não nos chegam novidades sonoras, fica em airplay «Send His Love To Me», tema extraído do soberbo «To Bring You My Love», de 1995.
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Regressos

Os The Smashing Pumpkins estão de volta. Os Rage Against The Machine estão de volta. Os The Verve estão de volta. Os James estão de volta. Os The Jesus And Mary Chain estão de volta. Os The Police estão de volta. Os Take That estão de volta. As Spice Girls regressarão ainda este ano. Os Pixies voltaram há cerca de ano e meio. Os Blur poderão estar de volta à sua formação original. Tanto Jeff Buckley como Elliott Smith e The Doors voltaram às edições discográficas. E os Guns N' Roses continuam a adiar o seu tão mediatizado regresso.

Confesso que além de estar um pouco cansado com tantas voltas fico sem saber o que pensar sobre o futuro. Será que Morrissey e Johnny Marr cederão às pressões e aos milhões e reabilitarão os The Smiths? E Bernard Sumner e Peter Hook? Será que anunciaram o fim dos New Order para os fazer renascer daqui a 6 meses?
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E se, a maior parte das bandas identificadas, se preocupassem em compor novos temas em vez de se limitarem às reunion tours? Isso é capaz de dar trabalho e de ser um pouco chato, não?
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Bem, o que é certo é que a incerteza paira no ar e os caprichos e desavenças entre bandas continuam a marcar passo...
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Como aperitivo de uma das reuniões adiantadas deixo «Tarantula», o single de avanço para «Zeitgeist» que marca o regresso dos norte-americanos The Smashing Pumpkins (da formação original só Billy Corgan e Jimmy Chamberlin figuram nesta versão de 2007 dos The Smashing Pumpkins).
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Interpol | The Heinrich Maneuver

É já na próxima 5.ª feira que os norte-americanos Interpol, inseridos na 13.ª edição do SBSR, visitam o nosso país pela primeira vez. Será, também, na próxima 2.ª feira que o novíssimo trabalho da banda, intitulado «Our Love to Admire» chega às lojas. O single escolhido para apresentar o 3.º disco de originais é «The Heinrich Maneuver». A música já passa em algumas rádios nacionais (poucas, mas boas) e o vídeo acaba de chegar ao «mundo dos tubos». Enquanto o álbum não nos chega às mãos aqui fica o excelente vídeo para «The Heinrich Maneuver» (realizado por E. Elias Merhige).

domingo, 1 de julho de 2007

Viagens à tasca

Por muito que tente evitar, é-me impossível passar mais de dois fins-de-semana sem pôr os pés numa das várias lojas da cadeia FNAC (a minha tasca). Desta vez, e por variadíssimas razões, das quais destaco o aproximar do período de férias e os investimentos no SBSR e na estreia de Aimee Mann em palcos portugueses (25 de Julho de 2007 no Coliseu de Lisboa), o cartão Multibanco ficou em casa. Contudo, há sempre que levar alguns € para acomodar o estômago se necessário.

Desta vez saciei, «o meu estômago», com o novo álbum dos britânicos Editors e o disco de estreia, de 2001, da actual coqueluche indie norte-americana, os The National
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Não fosse «Boxer» este disco teria ficado para sempre esquecido e conotado como «o álbum com a capa sui generis», para não dizer bimbo, já que parece estarmos perante uma fotografia caseira e não uma capa para uma obra discográfica. Confesso que a aparência tem muito impacto no produto final e por variadíssimas vezes adquiri discos devido à sua cara de apresentação (como são exemplos «Welcome To The Monkey House» dos The Dandy Warhols; «Is This It» dos The Strokes; ou, mesmo «Beautiful Freak» dos Eels) e comprei outros tantos como sendo mais uma obra daquele artista/banda em especial, mas com um visual muito aquém das expectativas (o novíssimo «Era Vulgaris» dos Queens Of The Stone Age é um bom exemplo disso). Todavia, «as aparências iludem» e ainda bem para estes norte-americanos.

«The National» foi editado em 2001 e já na altura Matt Berninger e companhia mostravam capacidades para reunir uma significativa e fiel legião de fãs. As referências são mais que muitas, desde Nick Cave a Pulp, de Leonard Cohen a The Cure, de Tindersticks a The Walkabouts, de Ryan Adams a Tom Waits, de Beck a Wilco... Conclusão, foi mais uma bela surpresa dos The National neste ano de 2007 e mais um disco a ir direitinho para o meu i-pod (com a capa do disco a ficar em casa)...

No caso dos Editors, o novo «An End Has A Start» vem tentar dar seguimento à exposição mediática que «The Back Room» angariou. Como não podia deixar de suceder, muito se falou do difícil segundo disco dos Editors e de bandas que (supostamente) não conseguiram ultrapassar esse obstáculo com distinção, de acordo com opiniões generalizadas, casos dos Bloc Party, Maxïmo Park, Razorlight e Futurheads à cabeça.
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O ambiente continua a ser sombrio. A voz de Tom Smith mantém a urgência desesperante perfeita para encarar a morte de frente. Os fortes riffs de guitarra continuam a marcar um bom ritmo. Contudo, algo mudou. Basta saber se mudou para melhor ou para pior... Tenho que admitir que este «An End Has A Star» está uns pontos abaixo de «The Back Room». Não deixando de ter bons momentos, Tom Smith e companhia regressam com uma clara tentativa de solidificar a posição dos Editors nas tabelas de vendas, com uma aproximação aos universos U2 e Coldplay. «Bones» são os U2 nos inícios dos anos 80 em «I Will Follow» (ao menos acertaram na época dos U2 a «reproduzir»); o primeiro single «Smokers Outside The Hospital Doors» e grande parte do disco junta Chris Martin à banda (veja-se o video e a postura de Tom Smith).
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Não sendo um mau disco, confesso que esperava um pouco mais destes Editores. Desta forma, deixo como recordação «Munich», incluído em «The Back Room» e um dos melhores singles de 2005 (a par de «Bullets»).
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Super Bock Super Rock 2007

Começou, na semana passada, o festival com o melhor cartaz de 2007. Com a edição deste ano o SBSR completa 13 cartazes e muitas bandas e histórias para recordar...

Fica aqui o alinhamento completo para que não nos acusem de nada...

Men Eater (16h00 - 16h30)
More Than A Thousand (16h45 - 17h15)
Blood Brothers (17h30 - 18h00)
Mastodon (18h20 - 19h10)
Stone Sour (19h40 - 20h30)
Joe Satriani (20h50 - 22h05)
Metallica (22h45 - 01h30)
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Banda Pre-Load (17h00 - 17h15)
Bunnyranch (17h30 - 18h15)
The Gift (18h35 - 19h25)
Klaxons (19h45 - 20h45)
The Magic Numbers (21h05 - 22h05)
Bloc Party (22h25 - 23h40)
Arcade Fire (00h00 - 01h30)
e
Mundo Cão (17h00 - 17h30)
Linda Martini (17h45 - 18h25)
Clap Your Hands Say Yeah (18h45 - 19h45)
The Rapture (20h05 - 21h05)
Maxïmo Park (21h25 - 22h25)
The Jesus and Mary Chain (22h45 - 00h00)
LCD Soundsystem (00h20 - 01h35)
e
Anselmo Ralph (17h00 - 17h20)
Micro Audio Waves (17h35 - 17h55)
X-Wife (18h10 - 18h50)
The Gossip (19h05 - 19h50)
TV On The Radio (20h10 - 21h00)
Scissor Sisters (21h20 - 22h35)
Interpol (23h05 - 00h25)
Underworld (00h45 - 02h00)
e
Just let the music play...